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Posts de setembro 2011

Estreias da semana - 30/09/2011

30 de setembro de 2011 1

Como prever as ações dos terroristas e evitar ataques contra grandes centros urbanos antes que eles possam acontecer? Diretor da surpreendente ficção científica Lunar (leia mais abaixo), Duncan Jones não abandonou o registro fabular para refletir sobre o tema no longa de ação Contra o Tempo, que chega aos cinemas brasileiros neste fim de semana.

Trata-se da estreia do cineasta britânico em Hollywood, o que significa que aqui, diferentemente do seu filme anterior, há mais dinheiro envolvido, melhores condições de produção, muito mais ação, efeitos especiais e algumas concessões narrativas e dramáticas que buscam sensibilizar o espectador com a história pessoal do protagonista.

Ele é o capitão Colter Stevens (Jake Gyllen­haal, de Donnie Darko e Brokeback Mountain), um militar que acreditava estar em combate no Afeganistão mas que acorda subitamente na pele de um professor primário em viagem num trem que está passando por Chicago. Sua primeira reação é de espanto – Christina (Michelle Monaghan, de Controle Absoluto), a mulher que está sentada ao lado dele, demonstra conhecê-lo, mas ele não faz ideia de quem ela é. Não demora muito, há uma explosão e nenhum dos passageiros sobrevive. Stevens então volta a uma cápsula onde está isolado e só consegue falar, por meio de uma tela, com uma funcionária do governo (Vera Farmiga, de Amor sem Escalas).

Vai demorar um pouco para o público entender o que está acontecendo. Para não estragar nada, até porque o jogo de adivinhação faz parte da fruição, o melhor é ficar apenas com o básico: o militar faz parte de um programa desenvolvido pelo governo norte-americano para entrar na mente das pessoas e reviver os últimos oito minutos de suas vidas. É a ciência contra o terrorismo – o objetivo é aplicá-lo em alguém que estiver envolvido com algum atentado para rastrear os passos dos terroristas e impedi-los de dar sequência a seus planos.

No caso, a volta no tempo se dará repetidamente – sempre com o limite de oito minutos – até que Stevens consiga informações que levem à captura do responsável pela explosão. É uma espécie de mistura de Feitiço do Tempo (1993), em que o personagem de Bill Murray revivia o mesmo dia em looping, com Déjà Vu (2006), no qual o agente interpretado por Denzel Washington regressava justamente para impedir uma ação criminosa como a de Contra o Tempo.

Se o longa de Duncan Jones tem algo a seu favor é o domínio dos códigos da ficção científica, o que significa dizer que, aqui, a fantasia não está apenas a serviço da ação. Em Contra o Tempo, o protagonista reflete sobre a sua condição – mais adiante, você vai ver, há revelações que o levam a isso – de modo a dar uma dimensão existencialista ao filme e levar o espectador a refletir sobre questões como a ética e os limites da ciência. Pena que a crise de consciência passe do limite na última parte da projeção, e o que era para ajudar a aproximar o espectador acaba comprometendo um tantinho o seu resultado final.

Nada que diminua a expectativa para os novos trabalhos do diretor. Contra o Tempo foi escrito por Ben Ripley, roteirista cujos maiores feitos até então haviam sido a terceira e a quarta sequências da franquia A Experiência (de 2004 e 2007) e entregues para a Summit Entertainment. Só chegaram a Jones porque Gyllenhaal gostou do texto e tomou a iniciativa de convidá-lo, pois é um admirador de Lunar. Em um projeto mais autoral, Duncan Jones pode se sair ainda melhor.

Filho de David Bowie, diretor estreou com “Lunar”
Aos 40 anos, Duncan Jones é uma revelação britânica cooptada por Hollywood. Filho do músico David Bowie, o diretor entrou tardiamente no cinema: estudou Filosofia e foi lutador (de luta livre!) antes de estrear no curta-metragem com Whistle, de 2002.

Lunar (2009) foi seu primeiro longa. Trata-se de uma ficção científica de baixo orçamento (US$ 5 milhões) e muita inspiração sobre isolamento, paranoia e a problemática relação entre o homem e a máquina – ou a tecnologia. O filme estrelado por Sam Rockwell e referenciado em Kubrick (2001, uma Odisseia no Espaço) e Tar­kovskiy (Solaris) não estreou nos cinemas brasileiros, mas pode ser visto em DVD ou na tevê a cabo, onde tem passado repetidamente.

Para Jones, o segundo longa – primeiro em Hollywood – chegou a partir de um convite feito diretamente por Jake Gyllen­haal, um entusiasta do roteiro de Contra o Tempo (escrito por Ben Ripley). “Quando vi o roteiro, logo percebi que tinha a cara dele”, afirmou Gyllenhaal nas entrevistas de divulgação do filme. “Adorei Lunar e quis muito trabalhar com Duncan, por isso o convidei para trabalharmos juntos neste projeto”, completou.

Michelle Monaghan e Jake Gyllenhaal em Contra o Tempo

Setenta e sete

28 de setembro de 2011 0

Hoje Brigitte Bardot completa 77 anos. Semana passada, foi Sophia Loren – as duas musas do cinema europeu (sem comparações!) nasceram com apenas oito dias de diferença em setembro de 1934. A cena abaixo é batida (é a segunda sequência de O Desprezo, de Godard, a primeira após os “créditos falados”), mas serve como uma boa homenagem à estrela (até porque é tirada daquele que talvez seja melhor filme em que ela tenha atuado).

Centopeia Humana 2, agora sim

27 de setembro de 2011 0

Depois de lançar um teaser marqueteiro sem imagens do filme, no início deste mês, o diretor holandês Tom Six liberou o primeiro trailer da sequência de A Centopeia Humana. Veja abaixo, e dê uma olhada neste post de 20 dias atrás para saber mais sobre o longa.

Estreias da semana - 23/09/2011

23 de setembro de 2011 0

O título do filme explica o seu espírito: Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual. Ao lembrar do talento do cinema argentino para contar histórias que aliam entretenimento com reflexão, você já vai entender do que se trata: uma muito bem-sucedida comédia romântica contemporânea proveniente do país vizinho.

Em espanhol, Medianeras é um termo da arquitetura usado para descrever a parte lateral de um prédio. Aquela que não é a frente, nem os fundos e para a qual ninguém olha. “A que separa e a que une”, conforme se ouve no longa que estreia nesta sexta-feira em Porto Alegre. Metáfora de seus dois personagens, os jovens interpretados por Javier Drolas e Pilar López de Ayala, que vivem frente a frente no mesmo edifício e parecem ter sido feitos um para o outro, mas nunca se veem, Medianeras fala da solidão em meio ao caos urbano.

Até aí, nada de novo. Nem nas várias referências, que incluem Woody Allen (Manhattan) e até uma brincadeira com a série de cartuns Onde Está Wally?, recorrente em diversos momentos da história paralela dos dois vizinhos. Grande parte do filme se passa assim, com ambos sofrendo isoladamente dos mesmos males – incomunicação, falta de desejo, depressão, sedentarismo, entre outros, segundo a narração inicial do próprio personagem masculino.

Nem cabe tentar adivinhar se e como eles vão se conhecer, até porque o “Era Digital” do subtítulo se refere menos a algum chat virtual que os dois possam estabelecer entre si e mais às relações como um todo, já que ambos usam muito o computador, para trabalhar e buscar entretenimento. Em casa. Sozinhos.

Medianeras é o longa de estreia do premiado diretor de curtas-metragens Gustavo Taretto, 45 anos. A história original é a de um curta que Taretto lançou em 2005 e que resolveu desenvolver para transformar no longa que agora chega à Capital. Premiado em agosto no Festival de Gramado como melhor filme latino-americano, é desde já um candidato a fazer excelente carreira nos cinemas porto-alegrenses.

Dada a sua simpatia e a sua capacidade promover identificação, tem potencial para se tornar um sucesso de público ainda maior do que O Homem ao Lado e Um Conto Chinês, outros títulos do país vizinho que neste momento estão em cartaz na cidade. Mas é preciso ressaltar que, na comparação com ambos, Medianeras sai em desvantagem no que diz respeito à consistência de sua construção dramatúrgica. Ainda assim, é diversão e emoção garantidas.

Pina faz história

21 de setembro de 2011 2

Está fazendo história o filme Pina, que o alemão Wim Wenders produziu em 3D sobre a sua conterrânea Pina Bausch (1940 – 2009). Exibido no Festival de Berlim, Pina arrastou multidões de espectadores em seu país, tornando-se um dos documentários mais vistos da Alemanha – juntamente com o também recente e igualmente em 3D Cave of Forgotten Dreams, de Herzog. E, agora, ou melhor, alguns dias atrás, Pina foi eleito o primeiro representante de um país na corrida pelo Oscar de melhor longa estrangeiro rodado e finalizado em 3D.

>>>Veja os trailers de “adversários” de “Tropa de Elite 2″ no Oscar de Filme Estrangeiro

O encantamento que o filme vem provocando tem sido irrestrito. Na Berlinale, ele foi longamente aplaudido de pé. No Brasil, poderá ser visto a partir de 11 de novembro, data em que está marcada a sua estreia no circuito nacional. A queridíssima da Bruna Amaral, que pilota o site do Segundo Caderno de ZH e a coluna Intercambiando, presenciou o fenômeno em Berlim, onde passou férias e aproveitou para ver o filme nos cinemas. Na sequência do relato dela sobre o filme, que vai abaixo, seguem seis números musicais excertos do longa.

Cor e movimento na cidade cinzenta, por Bruna Amaral

Tudo o que você ouviu falar sobre Pina é verdade. E, sim, é um daqueles filmes que deve ser visto em 3D. O mais recente longa de Wim Wenders é fascinante, seja pela maestria na aplicação da tecnologia (que passa longe dos absurdos de objetos que simplesmente “voam” na cara plateia e, de fato, insere o espectador no universo de delicadeza e força da dança), seja pela paixão pelo ato de dançar, evidenciada nos depoimentos de Philippine Bausch e dos bailarinos de sua companhia.

Não é por acaso que, na Alemanha, o filme ficou meses e mais meses em cartaz. Sua première foi em fevereiro, durante o Festival de Berlim. Em junho, quando estive na cidade, em férias, Pina era o filme que estava há mais tempo em cartaz. O longa era para ser uma parceria entre o diretor e a coreógrafa, mas, quando a primeira prova do 3D estava para ser feita, Pina morreu subitamente, em junho de 2009. O projeto ficou, então, engavetado e, após um longo período de luto, Wenders resolveu retomá-lo fazendo um filme não sobre Pina, mas para Pina.

A escolha fica evidente ao longo de toda a projeção, conduzida pelos depoimentos – quase sempre nas línguas maternas – dos dançarinos da companhia, oriundos das mais diversas partes do globo. O mais interessante é que eles não buscam contar a trajetória da dançarina. Partes fundamentais da história de Pina são evidenciadas pela mescla de depoimentos dela com histórias de amigos e colegas e cenas de coreografias históricas como Café Müller e A Sagração da Primavera. Os relatos pessoais dos companheiros de Pina, no entanto, são como as montagens da alemã: baseados na memória e experiência íntima de cada indivíduo. São provas em movimento de um amor pela arte que a bailarina traduzia na frase “Dance! Dance! Senão estaremos perdidos” (em inglês, “Dance! Dance! Otherwise we’re lost”). O trunfo de Wenders foi colocar os personagens a encenar estas memórias em apresentações embaladas por uma trilha sonora envolvente e cuidadosamente escolhida e em locações em Wuppertal e ao redor da cidade.

Wuppertal, que fica no coração do cinzento distrito industrial da região do rio Ruhr, tem como suas duas maiores marcas ser a sede do Tanztheater Wuppertal Pina Bausch e possuir o Schwebebahn, o trem monotrilho suspenso mais antigo do mundo, no qual se passam diversas sequências do filme. Wenders colocou os bailarinos a dançar nos cruzamentos, no meio das fábricas, na natureza, no Schwebebahn e até no teatro para provar que a grande estrela se foi, mas, enquanto houver a dança em Wuppertal, ninguém há de se perder.

Brasil no Oscar: vai dar Tropa 2?

19 de setembro de 2011 10

É amanhã o anúncio do candidato brasileiro a disputar uma vaga na festa do Oscar 2012. Dá para cravar: Tropa de Elite 2 só não será o filme anunciado se houver uma grande surpresa. Zebra, mesmo. Além de ser o melhor entre os 15 selecionáveis, o longa de José Padilha é aquele que mais tem a dizer sobre o país e também sobre o cinema – é um thriller político que honra a melhor tradição internacional do gênero. VIPs e Trabalhar Cansa devem ser seus mais fortes concorrentes, mas nenhum dos dois têm qualidades e apelo para desbancar o segundo filme protagonizado pelo Capitão Nascimento de Wagner Moura. Tropa 2, diga-se, que é bem melhor do que o primeiro – que por sua vez já obteve grande reconhecimento internacional com o Urso de Ouro no Festival de Berlim.

Os responsáveis pela escolha de amanhã são a secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, Ana Paula Dourado Santana, o presidente da Associação Brasileira de Cinematografia, Carlos Eduardo Carvalho Pacheco, o ministro do Departamento Cultural do Itamaraty, George Torquato Firmeza, e os representantes da Academia Brasileira de Cinema Jorge Humberto de Freitas Peregrino, Nelson Hoineff, Roberto Farias e Silvia Maria Sachs Rabello. Este corpo de jurados, vale lembrar, muda todos os anos. Outros selecionáveis entre os 15 candidatos, além dos três citados, são Bruna Surfistinha, Malu de Bicicleta, Estamos Juntos e o documentário Quebrando o Tabu. Ou seja, uma seleção de títulos longe de ser empolgante.

André Ramiro e Wagner Moura em Tropa de Elite 2: longa de José Padilha é o melhor filme e a melhor escolha

Estreias da semana - 16/09/2011

16 de setembro de 2011 0

Acima, o vídeo no qual falamos de A Última Estada da Praia e de seu diretor, Fabiano de Souza. Aqui, o texto que saiu no Segundo Caderno de ZH apresentando o filme, trazendo rápidos comentários sobre ele e depoimentos do cineasta.

Remakes dos anos 1980: isso tem que ter fim

16 de setembro de 2011 11

Já ficou claro que os anos 1980 constituem a década mais vista e revista na cultura pop. O que está rolando no cinema, no entanto, é um culto completamente desproporcional. Filmes ruins ganhando remakes, filmes bons sendo assassinados, filmes datados sendo convertidos para 3D e, bem, Hollywood está se puxando. Dá uma olhada na lista abaixo, que elaborei aproveitando a estreia deste novo Conan, o Bárbaro (foto acima), em cartaz a partir desta sexta-feira. Deixei de fora todas as prequels (como a de Alien, o 8º Passageiro), as especulações não confirmadas (tem até Blade Runner e Curtindo a Vida Adoidado), os remakes que já estrearam (Karatê Kid, Sexta-feira 13, A Hora do Pesadelo), os remakes de filmes do finzinho dos anos 1970 (Piranha) e do iniciozinho dos 1990 (O Guarda-Costas), mesmo que tivessem o espírito oitentista, e também as adaptações de séries de TV (Dallas) e quadrinhos (Flash Gordon). Ou seja, o que está listado é apenas o que está confirmado e que surge a partir do cinema dos anos 1980. E ainda assim parei quando cheguei a 20 títulos. Veja se você não concorda que está demais:

Conan, o Bárbaro
A origem do personagem é literária – só está entrando aqui porque é o filme desta semana, o gancho para esta lista. Em dois longas lançados em 1982 e 1984, foi personificado por Arnold Schwarzenegger, até então um simples ator vindo da Áustria pouco conhecido em Hollywood. A mitologia do bárbaro guerreiro que afronta a civilização é das mais ricas em todo o gênero da fantasia heroica. Mas dificilmente os dois longas sobreviveram ao tempo. Em geral, o remake tem sido muito contestado.

Highlander
Mais um título do heroísmo fantástico que, lançado em 1986, consagrou o seu protagonista – Christopher Lambert. O remake está sendo escrito por Art Marcum e Matt Holloway (dupla de Homem de Ferro) e pode ser dirigido por Justin Lin (dos últimos títulos da série Velozes e Furiosos). As informações sobre o projeto são ainda bem incipientes, o que indica que ele pode demorar.

Jogos de Guerra
O filme que lançou Matthew Broderick (acima), o protagonista de Curtindo a Vida Adoidado, tem um argumento no mínimo curioso: narra a ousadia nerd de um gênio da computação (o lançamento foi em 1983!) que consegue invadir o sistema do governo norte-americano e quase começa a III Guerra Mundial, achando que está jogando um videogame. O diretor Seth Gordon, de Surpresas do Amor, é o encarregado de destruir a magia do original, quer dizer, de tentar refazê-lo em novo contexto – o da segunda década do século 21. Ainda não há detalhes sobre o lançamento.

Amanhecer Violento
Este é dos mais difíceis de engolir. O filme de John Millius, de 1984, trazia Patrick Swayze como líder de uma turma de garotos que lutava para defender a sua cidade dos “invasores comunistas”. Pois os vilões, agora, serão os chineses (?). Chris Hemsworth será o protagonista, e o estreante Dan Bradley (assistente em Homem Aranha e a Trilogia Bourne), o diretor. O longa, aliás, já foi filmado e estreia nos próximos meses nos EUA. No Brasil nenhuma distribuidora se arriscou a comprá-lo – por enquanto.

Chucky – Brinquedo Assassino
A série de filmes durou até a década de 2000, com cinco longas-metragens, mas o primeiro (acima), que como acontece com quase todas as séries é o mais marcante, foi lançado em 1989. O remake de Brinquedo Assassino só não saiu antes por conta dos desentendimentos entre a MGM, que fez o primeiro longa, e a Universal, que adquiriu os direitos e realizou as quatro continuações. Agora, ao que parece, a coisa vai andar. Mas o projeto está muito incipiente – sabe-se que Brad Dourif, o dublador original de Chucky, já assinou contrato para o projeto, e não muito mais do que isso.

Poltergeist – O Fenômeno
O marcante filme de terror de 1982, dirigido por Tobe Hooper e escrito por Steven Spielberg, será refeito pelo diretor e roteirista Vadim Perelman, cuja carta de recomendação inclui apenas e tão somente o longa Casa de Areia e Névoa, de 2003. Por ele e pelos também roteiristas Paul Harris Boardman e Scott Derrickson (dupla de O Exorcismo de Emily Rose) e Stiles White e Juliet Snowden (ambos de Presságio). O lançamento está sendo previsto pela MGM para 2013.

Missão Alien: os Novos Invasores
Missão Alien, Alien Nation no original, começou como um filme escrito por Rockne S. O’Bannon, em parceria não creditada de James Cameron, estrelado por Mandy Patinkin e James Caan. O sucesso o transformou em uma série de tevê da Fox estrelada por Eric Pierpoint e Gary Graham e acabou inspirando outras produções que punham em cena humanos e seres fabulares (aqui, alienígenas). O culto dos fãs permanece, e pode ser um empecilho se o remake for mesmo levado a cabo pelo produtor e diretor Tim Minear.

A Hora do Espanto
Dirigido por Craig Gillespie (da série United States of Tara e do longa A Garota Ideal), a nova versão do filme sobre o garoto que adora produções de terror e conta com a ajuda de um ilusionista para enfrentar o vampiro que se mudou para a vizinhança estreia no Brasil no dia 7 de outubro (trailer acima). Traz Colin Farrell na pele do morto-vivo e David Tennant como o parceiro inusitado do protagonista, vivido por Anton Yelchin. Toda a ideia original de misturar horror com comédia parece que foi mantida, e a tecnologia 3D, agregada, mas a carreira nos EUA foi decepcionante – nada além de US$ 17 milhões até aqui. Vendo o trailer dá para imaginar por quê.

Um Robô em Curto-Circuito
Outro clássico da Sessão da Tarde, será recauchutada pelo diretor Steve Carr (Dr. Dolittle 2), mas produzida pelos mesmos responsáveis pelas duas versões da franquia original, lançadas entre 1986 e 1988. A comédia sobre o robô que após sofrer um curto se torna inteligente e foge no original era dirigida por John Badham (de Os Embalos de Sábado à Noite) e Kenneth Johnson (das séries de televisão V e Alien Nation). Ainda não há data de lançamento prevista nem para os EUA.

O Vingador do Futuro
Escritor largamente adaptado para o cinema, Phillip K. Dick é o autor da história original consagrada por (de novo ele) Arnold Scharzenegger. A nova versão do thriller de ficção científica de Paul Verhoeven será protagonizada por (de novo ele) Colin Farrell e tem na direção Len Wiseman (de Anjos da Noite). Tem tudo para dar errado, mas a aposta da Columbia Pictures é tão grande que o longa nem terminou de ser filmado e já tem data de estreia nos EUA: 3 de agosto de 2012.

RoboCop – O Policial do Futuro
Outro thriller de ficção científica clássico de Paul Verhoeven (acima), foi lançado em 1987 e ganhou duas continuações. O remake está confirmado pela MGM e deve ter o brasileiro José Padilha (Tropa de Elite) na direção – Darren Aronofsky (Cisne Negro) e John Favreau (Homem de Ferro) chegaram a ser especulados para o posto no ano passado, o que evidencia o empenho do estúdio em manter a qualidade do original. Chris Pine, o Capitão Kirk de Star Trek, é um dos nomes cogitados para ser o protagonista, interpretado por Peter Weller no original. Sabe-se pouco além disso sobre o projeto.

Top Gun – Ases Indomáveis
Não ganhará um remake. Será, isso sim, convertido para 3D para tentar nova carreira nos cinemas – como se 1986 fosse hoje e Tom Cruise, num filme totalmente datado, continuasse com o mesmo poder de cativar as fãs. Ainda não há previsão de quando o projeto ficará pronto, mas o processo de conversão, ao que consta, está a pleno vapor.

Os Caça-Fantasmas
A questão aqui é a seguinte. Houve dois filmes lançados em 1984 e 1989, ambos dirigidos por Ivan Reitman e estrelados por Bill Murray, Dan Aykroyd e Sigourney Weaver. Depois disso, adaptações para a televisão, quadrinhos, animações etc. A ideia da Sony Pictures é lançar no cinema um terceiro filme, para completar uma trilogia. Antes, porém, o estúdio anunciou que vai relançar o primeiro título nos cinemas, provavelmente também convertido para o 3D.

Footloose – Ritmo Louco
A ideia do jovem da metrópole (Kevin Bacon) que se muda para uma cidade menor para onde leva seu espírito rebelde e usa a dança para conquistar a todos (especialmente a menina vivida por Lori Singer, filha de um conservador do lugar) é perene e universal. Veja, no entanto, os trailers do original e do remake abaixo e diga se há chance de a coisa funcionar. Os atores da nova versão, Kenny Wormald e Julianne Hough, são pouco conhecidos. A estreia no Brasil será em 18 de novembro.

Dirty Dancing – Ritmo Quente
Filme inesquecível para os fãs de Patrick Swayze, o musical será refeito sob o comando de Kenny Ortega, o diretor de High School Musical e de This Is It, aquele filme sobre Michael Jackson. I’ve Had the Time of my Life, a canção-tema vencedora do Oscar, voltará com outra roupagem ou tudo será completamente novo? A pergunta ainda não foi respondida pela Lionsgate, que naufragou em sua tentativa de continuação (Dirty Dancing – Noites de Havana, lançado em 2004) e agora, no remake, trabalha com um tantinho mais de cautela.

Porky’s
Um dos maiores clássicos da Sessão da Tarde, Porky’s – A Casa do Amor e do Riso (1982) será revivido pelo comediante, radialista, produtor e apresentador de televisão Howard Stern, que é conhecido pelo comportamento politicamente incorreto. O longa é o grande precursor de “pérolas” como American Pie. Tem previsão de lançamento para 2012, embora tenham sido divulgados poucos detalhes do projeto. Obviamente, não se deve esperara nada dele.

Coração Satânico
Thriller sobrenatural de 1987, era uma adaptação do livro Falling Angel, de William Hjortsberg, cujos direitos foram adquiridos para uma nova versão. O filme deve ser produzido por Josh Bratman na Grã-Bretanha. Dificilmente, pode apostar, será algo próximo do original, que conta a história de um detetive que segue os passos de um cantor de jazz e encontra um universo de cultos religiosos em Nova Orleans. O filme oitentista foi dirigido por Alan Parker e estrelado por Mickey Rourke e Robert De Niro – na pele do próprio Diabo (foto abaixo).

Almôndegas
Meetballs no original, o filme de Ivan Reitman (ele mesmo, de Os Caça-Fantasmas) lançou o ator Bill Murray (na pele de um monitor em uma colônia de férias) e fez grande sucesso a partir de 1980, quando foi lançado nos cinemas. Ganhou três sequências e se tornou uma das franquias mais populares entre as comédias de verão tipicamente norte-americanas. A Lionsgate não confirmou oficialmente o remake, mas a imprensa de Hollywood especula que ele está sendo planejado com direção do veterano realizador de televisão John Whitesell e roteiro de Sean Anders e John Morris.

O Enigma do Outro Mundo
Filme de horror de John Carpenter conhecido por muitos por seu título original, The Thing não é exatamente um clássico – foi um fracasso comercial ao ser lançado, diferentemente de longas anteriores do diretor, como Helloween, tornando-se cult apenas anos depois. Na história original, o protagonista, vivido por Kurt Russell, é um cientista que viaja à Antártida para um trabalho de pesquisa e lá descobre um alienígena que está submerso na neve há 100 mil anos. Acordada, “a coisa” toca o terror geral. Joel Edgerton é o ator principal do remake, que está sendo finalizado pelo diretor estreante Matthijs van Heijningen Jr. e chega aos cinemas brasileiros em 2 de dezembro.

A Joia do Nilo
Clássico dos filmes de aventura sobre caça a algum tipo de tesouro (no caso, nas florestas da Colômbia), Tudo por uma Esmeralda foi lançado em 1984 e alçou ao estrelado o diretor Robert Zemeckis e os protagonistas Michael Douglas e Kathleen Turner. O sucesso garantiu uma continuação no ano seguinte, intitulada A Joia do Nilo e dirigida por Lewis Teague. Um remake foi inicialmente projetado pela Fox para ser realizado em 2009 misturando elementos dos dois filmes (com o nome do segundo), direção de Robert Luketic e Gerard Butler e Katherine Heigl no elenco. O projeto morreu mas foi retomado este ano – deve ser levado com um diretor mais jovem e outro ator em lugar de Butler, quem sabe Taylor Kitsch.

Arthur, o Milionário Irresistível
A comédia estrelada por Russell Brand e Helen Mirren já estreou nos EUA e não se pode dizer que tenha sido bem-recebida, apesar do hype em torno do protagonista britânico, o mesmo de O Pior Trabalho do Mundo. Trata-se de um remake da comédia Arthur, Milionário Sedutor (1981), de Steve Gordon, com Dudley Moore e Liza Minelli, sobre um herdeiro atrapalhado que não se acerta com as suas pretendentes. A recepção foi tão ruim que a Warner decidiu lançar o filme diretamente em DVD no Brasil – deve chegar às locadoras nas próximas semanas. Trailer abaixo:

Os loucos da Última Estrada da Praia

12 de setembro de 2011 12

O vídeo acima é o clipe da música A Última Estrada da Praia, de Arthur de Faria & Seu Conjunto. Ela, a música, está na trilha sonora do longa-metragem homônimo, que foi dirigido por Fabiano de Souza e que estreia em Porto Alegre nesta sexta-feira. O próprio Fabiano dirige o clipe, juntamente com Milton do Prado – ex-sócio do cineasta na Clube Silêncio e montador do filme.

A Última Estrada da Praia, o clipe, traz cenas do longa que foi rodado no litoral gaúcho e é uma livre adaptação de O Louco do Cati, de Dyonélio Machado. A diferença é que, no vídeo acima, quem pega a Rural em direção ao mar são os integrantes da banda do Arthur de Faria, e não os personagens criados pelo Dyonélio e reelaborados pelo Fabiano.

Trata-se de um aperitivo interessante para o filme, que, aliás, é o terceiro road movie brasileiro realizado por cineastas estreantes a chegar ao circuito nas últimas semanas – os outros são Estrada para Ythaca, do coletivo cearense Alumbramento, e Além da Estrada, coprodução com o Uruguai assinada por Charly Braun e que ainda está em cartaz no Guion Center e na Sala P.F. Gastal.

Os três são bons. Mesmo que não fossem, valeriam como uma lição de cinema feito com pouca grana, muita disposição e, fundamentalmente, por meio de formas de produção alternativas – Estrada para Ythaca nasceu de uma “união entre amigos” na qual as funções são alternadas entre os realizadores; Além da Estrada, a partir de uma abordagem semidocumental daquilo que se encontra pelo caminho; A Última Estrada da Praia, aproveitando as diárias de um projeto de televisão para o qual havia sido inicialmente concebido.

Ah, sim: A Última Estrada da Praia é o filme do Cineclube ZH deste sábado, no Unibanco Arteplex. Será a primeira sessão do projeto que debaterá um longa com a presença de seu diretor. As inscrições estão abertas, basta mandar um e-mail para cineclubezh@zerohora.com.br. Cada mensagem dá direito a dois ingressos, gratuitamente.

Centopeia 2 e a censura

08 de setembro de 2011 5

Quem viu A Centopeia Humana, filme holandês de terror lançado em 2009 e que passou no Fantaspoa, deve se perguntar como será a sua continuação. O longa de Tom Six é uma trasheira assumida mas, a despeito da escatologia e diferentemente de títulos como o péssimo A Serbian Film, tem um humor, uma capacidade de rir de si mesmo e da própria linguagem que lembra o cinema fetichista de realizadores como Quentin Tarantino.

Pois A Centopeia Humana 2 já ganhara um teaser marqueteiro no fim do ano passado, no qual seu diretor afirmava o seguinte: “Diziam que o primeiro era doentio? Pois o segundo será o filme mais doentio de todos os tempos”. Agora, esta semana, saiu o seu primeiro trailer. Nada muito revelador – o que se vê, em lugar das cenas propriamente ditas, são as reações de quem as assiste. É, novamente, puro marketing espertinho: além do choque dos espectadores, a tela mostra frases usadas pelos censores que vetaram qualquer exibição do longa na Grã-Bretanha, aumentando seu ar de maldito.

Sim, A Centopeia Humana 2 está tão proibido por lá quanto A Serbian Film no Brasil. O que significa, em primeiro lugar, que a censura lamentavelmente voltou em escala internacional, e não apenas por aqui. Segundo: que, caso algum distribuidor corajoso ouse distribuir o novo filme de Tom Six no Brasil, talvez tenha o mesmo problema que a Petrini Films precisou enfrentar ao comprar os direitos de exibição da produção sérvia de Srdjan Spasojevic.

Com uma diferença: a julgar pelo primeiro longa, A Centopeia Humana é defensável.

Veja o trailer e, a seguir, o vídeo em que Six anuncia o filme como “o mais doentio de todos os tempos”:

O primeiro Herzog

06 de setembro de 2011 2

Começa hoje e vai até o dia 21, no CineBancários e na Sala P.F. Gastal, uma das mostras de cinema do ano em Porto Alegre. Werner Herzog: Sou o que São os meus Filmes percorreu várias outras cidades e chega à capital gaúcha um dia após o aniversário de 69 anos do cineasta alemão, um dos maiores artistas em atividade no planeta – são poucos aqueles que construíram uma obra tão consistente quanto a dele nas últimas décadas.

Aqui você lê a matéria que saiu no Segundo Caderno de ZH. Aqui e aqui, respectivamente, a sinopse de cada filme e a programação da P.F. Gastal e do Cinebancários.

E, abaixo, você vê na íntegra o curta Hércules (1962), que marca a sua estreia no cinema. Trata-se de um documentário, como os outros 22 títulos em cartaz nas duas salas do centro de Porto Alegre até o próximo dia 21 – todos com entrada franca. Para facilitar a compreensão, segue uma tradução de todas as legendas do filme, pela ordem de aparição: Conseguirá ele limpar os estábulos de Augias; Irá ele matar a Hydra de Lerna?; Domará ele as Éguas de Diomedes?; Irá ele derrotar as Amazonas?; Irá ele conquistar os gigantes?; Resistirá ele aos pássaros de Stymphalian?

Não é uma obra-prima, como você pôde ver, mas Hércules já deixa evidente a ousadia formal, a provocação sem limites e a capacidade de conjugar imagens distintas e temas aparentemente desconexos – às vezes bem inusitados – que se tornariam marcas da obra construída pelo mestre alemão nas décadas seguintes. Detalhe: em 1962 ele completou 20 anos.

Abaixo, por fim, uma dica de documentário que Herzog dirigiu depois de O Homem Urso (2005) e antes de seu novo fenômeno de público Cave of Forgotten Dreams (2010, ainda inédito no Brasil) e que, por este motivo, ficou de fora da mostra: Encounters at the End of the World. Lançado em 2007, este longa-metragem está disponível no Netflix, serviço de filmes online que está chegando ao Brasil (leia aqui). Narra o encontro do cineasta com a Antártida e com aqueles que vivem lá – “No fim do mundo”, diz Herzog na narração. O trailer:

Estreias da semana - 02/09/2011

02 de setembro de 2011 0

O Ricardo Darín brasileiro e o Wagner Moura argentino nos filmes Um Conto Chinês e O Homem do Futuro. Leia os textos sobre eles aqui e aqui e assista aos nossos comentários sobre estes dois destaques entre as estreias desta semana no vídeo abaixo.

Novo velho cinema português

01 de setembro de 2011 0

Bulle Ogier e Michel Piccoli, com Manoel de Oliveira ao centro, no set de Sempre Bela

A cinematografia portuguesa é uma das mais festejadas pela crítica internacional neste início de século. Um tanto pelas ficções contemporâneas de realizadores como Pedro Costa (Ossos, Juventude em Marcha) e João Pedro Rodrigues (O Fantasma, Morrer como um Homem), outro tanto por documentários bastante inventivos como Aquele Querido Mês de Agosto (de Miguel Gomes). E, também, em função da vitalidade da produção do mestre Manoel de Oliveira, que em 2006, com 97 anos, lançou Sempre Bela, e em 2009, pouco antes de completar 101, dirigiu Singularidades de uma Rapariga Loira (mais sobre este último aqui).

Estes dois filmes, os principais destaques da obra recente de um cineasta que continua admirável e espantosamente profícuo, assim como outro documentário da safra recente daquele país, compõem um pequeno ciclo dedicado a Portugal que será exibido no Cine Santander a partir desta quinta-feira. O documentário, intitulado Ainda Há Pastores?, tem direção do jovem Jorge Pelicano, 34 anos, que virá a Porto Alegre para comentar a sessão das 19h do próximo domingo.

Ainda Há Pastores? é um filme de 2007 que investiga a vida na localidade de Casais de Folgosinho, entre as belas paisagens das montanhas da Serra da Estrela. O lugar há tempos foi um autêntico santuário de pastores e hoje vem sendo abandonado pelos mais jovens – quem permanece sobrevive da mesma atividade pastoril de seus antecedentes, sem luz elétrica, água canalizada e estradas de acesso. Pode ser visto na sessão das 19h até quarta-feira da semana que vem, e às 17h nos dias 8 e 9, quando se despede da programação.

Já os longas de Manoel de Oliveira, que diferentemente de Ainda Há Pastores? já passaram – bem rapidamente, é verdade – pelo circuito da Capital, serão exibidos nas outras duas sessões diárias do Cine Santander, igualmente até a sexta-feira da semana que vem.

Sempre Bela é uma homenagem que o veterano diretor presta ao clássico A Bela da Tarde (1967). A partir do livro de Joseph Kessel, ele promove um reencontro de sua dupla de protagonistas, Séverine Serizy e Henri Husson (aqui interpretados por Bulle Ogier e Michel Piccoli), 38 anos depois da história vista no filme de Luis Buñuel. Tanto quanto Singularidades de uma Rapariga Loira, sátira sobre a pompa dos cortejos amorosos que Manoel de Oliveira adaptou de Eça de Queiroz e que é estrelado por Ricardo Trêpa e Catarina Wallenstein, trata-se de um notável exercício de síntese. Com pouco mais de uma hora de duração cada, ambos refletem sobre a linguagem do cinema questionando aquilo que ela tem de mais sagrado – e muitas vezes banalizado atualmente -, que é a construção das suas imagens e o seu emprego na formação do tempo e do ritmo narrativos.

Coisa de mestre.

Programação:

Dias 1º (quinta) e 2 (sexta-feira)
15h:  Sempre Bela
17h:  Singularidades de uma Rapariga Loira
19h: Ainda Há Pastores?

Dia 3 (sábado)
17h: Sempre Bela
19h: Ainda Há Pastores?

Dia 4 (domingo)
15h: Sempre Bela
17h: Singularidades de uma Rapariga Loira
19h: Ainda Há Pastores? – sessão comentada com o diretor Jorge Pelicano

Dias 6 (terça) e 7 (quarta)
15h: Singularidades de uma Rapariga Loira
17h: Sempre Bela
19h: Ainda Há Pastores?

Dias 8 (quinta) e 9 (sexta)
15h: Sempre Bela
17h: Ainda Há Pastores?
19h: Singularidades de uma Rapariga Loira