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Mostra de SP: a maior maratona

21 de outubro de 2011 2

Foi bonita a homenagem prestada a Leon Cakoff na abertura da 35ª Mostra Internacional de São Paulo, nesta quinta-feira. O vídeo exibido sobre o mentor e diretor do evento, morto em consequência de um câncer uma semana atrás, e os discursos da codiretora Renata de Almeida e dos demais apresentadores, sobretudo Serginho Groisman, emocionaram o público que lotou o Auditório Ibirapuera – uma garota que estava sentada ao meu lado na plateia chorou ao ver imagens da Mostra em seus primórdios, quando ela era realizada com poucos filmes, apenas no vão do Masp, e não em mais de 20 salas de cinema da capital paulista. Pena que a abertura do evento teve muitos discursos – dos parceiros e patrocinadores, todos eles. Mesmo os mais curtos e pertinentes acabaram colaborando para cansar a plateia e prolongar a cerimônia até a 1h da madrugada. Menos mal que, invariavelmente, a Mostra começa com um grande filme.

Este ano foi a vez de O Garoto de Bicicleta, o mais ensolarado dos longas dos irmãos belgas Luc e Jean-Pierre Dardenne – se esta for uma expressão possível em se tratando deles -, famosos por títulos como Rosetta e A Criança, com os quais venceram a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1999 e 2005. Mais colorido, mas não menos naturalista: a história de um menino abandonado que vive entre a tutora dedicada e a hostilidade das ruas é conduzida sem firulas narrativas ou visuais, com muita câmera na mão e planos aparentemente banais mas dotados de intensidade e uma absoluta riqueza de significados.

Thomás Doret e Cécile de France em O Garoto de Bicicleta

A Mostra vai até o dia 3, com filmes como Era uma Vez na Anatólia, do turco Nuri Bilge Ceylan (que dividiu o Grande Prêmio do Júri de Cannes com O Garoto de Bicicleta), Irmãos Jamais, de Marco Bellocchio, Caverna dos Sonhos Esquecidos, de Werner Herzog, As Canções, de Eduardo Coutinho, entre muitos outros, num total de 250 longas e mais de mil sessões – o que faz a Mostra um pouquinho mais enxuta em número de produções, porém, com mais exibições de cada uma delas. Uma das notícias ruins neste início da maior maratona cinéfila do país é o cancelamento da única sessão de Habemus Papam no primeiro fim de semana do evento – quando o longa de Nanni Moretti se credenciava, talvez, como a principal atração no período. A cópia não chegou, me disse a funcionária no movimentadíssimo balcão de compra e troca de ingressos, no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista.

Outro problema: embora tenham sido apresentados pelo diretor da Imprensa Oficial durante a cerimônia de abertura, o catálogo e o material impresso com as tabelas das sessões ainda não chegaram em quantidade suficiente para atender aos cinéfilos, o que dificulta o acesso à programação e, consequentemente, a compra dos bilhetes. Não fossem os guias publicados pela imprensa, a tarefa de se organizar em meio aos filmes da maior maratona cinéfila do país seria impossível.

De todo modo, à maratona!

Fila para compra e retirada de ingressos no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista


Comentários (2)

  • Fábio diz: 7 de novembro de 2011

    Estiveste na Mostra/ É verdade q a (des) organização tava de doer na alma?? Li umas críticas bem pesadas á organização do evento…

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