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Posts de outubro 2011

Estreias da semana - 28/10/2011

28 de outubro de 2011 0

Grande filme, O Palhaço, de Selton Mello. Veja o vídeo sobre ele abaixo e leia mais clicando aqui.

Mostra de SP: volta ao mundo

24 de outubro de 2011 0

É uma verdadeira volta ao mundo. Durante duas semanas, os cinéfilos brasileiros fazem fila e superlotam as salas paulistanas para ver filmes premiados no circuito internacional de festivais ou simplesmente pinçados pela atenta curadoria da Mostra Internacional de São Paulo em países dos cinco continentes.

Os dois vencedores do Grande Prêmio do Júri em Cannes 2011, um vindo da Bélgica, outro da Turquia, estão entre os destaques dos primeiros dias do evento, que começou na quinta-feira passada e se estende até o dia 3 aqui na capital paulista. Os outros vêm da Argentina (o que, dada a qualidade dos longas do país vizinho, não é uma surpresa), do Leste Europeu (idem) e de países asiáticos como o Japão e a Coreia do Sul (cada vez mais afirmada como uma das melhores cinematografias do mundo atualmente).

Uma grande notícia é o novo longa de Cesar Charlone: Artigas é, seguramente, um dos melhores filmes já feitos sobre o mito do gaúcho. Mais sobre ele e os demais destaques da Mostra (tome fôlego, fiz condensado, mas são muitos filmes) você lê a seguir:

Jorge Esmoris é o uruguaio José Artigas no filme de Cesar Charlone

O gaúcho como nunca visto
Uruguaio radicado em São Paulo, Cesar Charlone fez carreira como diretor de fotografia (de Cidade de Deus, entre outros) e se lançou à direção com o aclamado O Banheiro do Papa (codirigido por Enrique Fernández). Ele acompanhou pessoalmente a primeira sessão de Artigas, seu segundo longa, nesta 35ª Mostra. Andava pela Reserva Cultural procurando um espacinho para pendurar o cartaz do filme, mostrou-se tenso com o atraso de 15 minutos de chegada da cópia, mas, ao fim, deve ter ficado satisfeito: o grupo de jornalistas e pesquisadores que o cercou após a exibição tinha elogios sinceros a fazer. Não é para menos: o filme que apresenta o histórico herói uruguaio José Artigas (1764-1850) a partir da visão do pintor Juan Manuel Blanes é contundente, muito bem realizado apesar das limitações de recursos para a recriação de época e, sobretudo, emocionante mesmo que mantendo distância de seu objeto de estudo.

É desde já um dos destaques latinos do evento, juntamente com os argentinos O Desaparecimento do Gato, de Carlos Sorín (de Histórias Mínimas), e Um Mundo Misterioso, de Rodrigo Moreno (de O Guardião). Ambos lotaram a enorme sala do Cine Livraria Cultura na sexta-feira à noite. O primeiro, com seu humor negro sobre a volta à rotina de um professor que esteve internado para tratamento psiquiátrico, agradou mais à plateia, mas o melhor deles é o segundo, verdadeiro tratado sobre o isolamento e a incomunicabilidade da juventude portenha - um Revéillon numa oficina mecânica e uma festa na cozinha de um apartamento são daquelas sequências que não saem facilmente da memória.

Entre os brasileiros, todas as atenções estão voltadas para Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios, filme que Beto Brant, um dos mais representativos diretores paulistas contemporâneos, codirige com Renato Ciasca a partir do livro de Marçal Aquinho. O trio tem vários projetos conjuntos, contudo, este talvez seja o melhor deles - até porque a história do quentíssimo triângulo amoroso entre uma ex-prostituta (Camila Pitanga), um pastor evangélico (Zecarlos Machado) e um fotógrafo (Gustavo Machado) numa pequena comunidade do Pará é uma espécie de súmula dos temas preferidos do trio, sobretudo aqueles que envolvem as relações de dominação entre homem e mulher. Há muito sexo, como você já deve ter ouvido falar, mas bem mais do que isso. Não perca quando Eu Receberia estrear no circuito, em março de 2012.

Yu Jun-sang (D) protagoniza The Day He Arrives, de Hong Sang-soo

Reverência aos asiáticos
Alguns dos grandes momentos da Mostra de São Paulo são proporcionados por certos filmes asiáticos, aqueles que são reverenciados nos festivais europeus e estão entre o que de melhor se produz no cinema global atualmente mas que, mesmo assim, não conseguem espaço para estrear no circuito brasileiro. Os antenados cinéfilos paulistanos sabem que as oportunidades de vê-los são raras, tanto é que lotaram a maior sala do Unibanco Arteplex do Shopping Frei Caneca às 16h de sexta-feira para ver o excelente sul-coreano The Day He Arrives.

Comédia romântica superprovocativa, em preto e branco, com idas e vindas no tempo e repetições propositais de diálogos e situações, o filme apresenta um cineasta em crise e seus encontros e desencontros com as mulheres de Seul - e confirma o talento superlativo do diretor Hong Sang-soo, que já fora premiado em Cannes em 2010 com seu filme anterior, Hahaha. Também demonstra o quanto se pode esperar do cinema da Coreia do Sul para além dos dramas intensos como Oldboy, Mother e Poesia.

Do Japão veio Hanezu, espécie de mistura de Ozu com Apichatpong - ou um drama familiar cotidiano pontuado pela convivência harmônica entre homem e natureza e até uma visita a vidas passadas - dirigida pela cineasta Naomi Kawase. No mesmo Arteplex, sábado, havia gente esparramada pelos corredores da sala, sentada no chão, entre as poltronas, vidradas na história que recorre a lendas milenares para falar da aproximação entre um homem e a sua mulher.

Até a sessão de um filme ruim (a coprodução China/Japão Novo Mundo, de Lim Kah Wai), na noite de domingo, invadindo a madrugada de segunda-feira, arrastou um grande público para o Cine Sabesp, no bairro de Pinheiros. Tudo bem: com tantas opções e produções vindas de fontes tão seguras, as decepções geralmente vêm em número bem menor do que as surpresas e as confirmações.

Firat Tanis interpreta o assassino de Era uma Vez na Anatólia, filmaço de Nur Bilge Ceylan

Da Sérvia à Anatólia
Depois de estrear com o pessoalíssimo A Culpa É do Fidel, a francesa Julie Gavras, filha de Costa Gavras, provocava expectativa para o seu segundo longa ficcional. Tratando de envelhecimento e dirigindo Isabella Rossellini e William Hurt, a diretora não decepcionou e demonstrou maturidade na condução do drama britânico Late Bloomers: o Amor Não Tem Fim - filme com poucas inquietações autorais mas grande capacidade de comunicação com o público que tem estreia nacional marcada para o próximo dia 11.

Em registros completamente diferentes, o sérvio Look, Stranger, de Arielle Javitch, e o romeno Loverboy, de Catalin Mitulescu, registram de maneira crua a perda de valores em regiões europeias marcadas por graves problemas sociais - a curiosidade é que a atriz Anamaria Marinca, rosto mais marcante do novo e pungente cinema romeno, é a estrela do drama vindo da Sérvia que narra a luta desesperada pela sobrevivência de uma mulher num país devastado pela guerra.

Mas os grandes destaques vindos da Europa são o belga O Garoto de Bicicleta, dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, e Era uma Vez na Anatólia - que na verdade é todo rodado na região citada no título, que fica na parte asiática da Turquia. Este último, assinado pelo excelente diretor Nuri Bilge Ceylan (de Três Macacos), merecia ainda mais do que o Grande Prêmio do Júri em Cannes. Conta a jornada de uma noite de um grupo formado por 12 pessoas, entre elas o promotor, o chefe de polícia e o médico legista de uma pequena localidade da Anatólia, em busca do corpo de um homem assassinado. Trata-se de uma história de mistério, porém, narrada de maneira oposta à dos policiais convencionais, num ritmo contemplativo e com uma dramaturgia minimalista que encontra transcendência a partir daquilo que, em vez de mostrar, apenas sugere - a brutalidade das relações pessoais, sobretudo.

É uma pena que, por enquanto, Era uma Vez na Anatolia ainda não tenha distribuidor garantido no Brasil. O Garoto de Bicicleta tetem estreia nacional prevista para 16 de dezembro.

Mostra de SP: a maior maratona

21 de outubro de 2011 2

Foi bonita a homenagem prestada a Leon Cakoff na abertura da 35ª Mostra Internacional de São Paulo, nesta quinta-feira. O vídeo exibido sobre o mentor e diretor do evento, morto em consequência de um câncer uma semana atrás, e os discursos da codiretora Renata de Almeida e dos demais apresentadores, sobretudo Serginho Groisman, emocionaram o público que lotou o Auditório Ibirapuera - uma garota que estava sentada ao meu lado na plateia chorou ao ver imagens da Mostra em seus primórdios, quando ela era realizada com poucos filmes, apenas no vão do Masp, e não em mais de 20 salas de cinema da capital paulista. Pena que a abertura do evento teve muitos discursos - dos parceiros e patrocinadores, todos eles. Mesmo os mais curtos e pertinentes acabaram colaborando para cansar a plateia e prolongar a cerimônia até a 1h da madrugada. Menos mal que, invariavelmente, a Mostra começa com um grande filme.

Este ano foi a vez de O Garoto de Bicicleta, o mais ensolarado dos longas dos irmãos belgas Luc e Jean-Pierre Dardenne - se esta for uma expressão possível em se tratando deles -, famosos por títulos como Rosetta e A Criança, com os quais venceram a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1999 e 2005. Mais colorido, mas não menos naturalista: a história de um menino abandonado que vive entre a tutora dedicada e a hostilidade das ruas é conduzida sem firulas narrativas ou visuais, com muita câmera na mão e planos aparentemente banais mas dotados de intensidade e uma absoluta riqueza de significados.

Thomás Doret e Cécile de France em O Garoto de Bicicleta

A Mostra vai até o dia 3, com filmes como Era uma Vez na Anatólia, do turco Nuri Bilge Ceylan (que dividiu o Grande Prêmio do Júri de Cannes com O Garoto de Bicicleta), Irmãos Jamais, de Marco Bellocchio, Caverna dos Sonhos Esquecidos, de Werner Herzog, As Canções, de Eduardo Coutinho, entre muitos outros, num total de 250 longas e mais de mil sessões - o que faz a Mostra um pouquinho mais enxuta em número de produções, porém, com mais exibições de cada uma delas. Uma das notícias ruins neste início da maior maratona cinéfila do país é o cancelamento da única sessão de Habemus Papam no primeiro fim de semana do evento - quando o longa de Nanni Moretti se credenciava, talvez, como a principal atração no período. A cópia não chegou, me disse a funcionária no movimentadíssimo balcão de compra e troca de ingressos, no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista.

Outro problema: embora tenham sido apresentados pelo diretor da Imprensa Oficial durante a cerimônia de abertura, o catálogo e o material impresso com as tabelas das sessões ainda não chegaram em quantidade suficiente para atender aos cinéfilos, o que dificulta o acesso à programação e, consequentemente, a compra dos bilhetes. Não fossem os guias publicados pela imprensa, a tarefa de se organizar em meio aos filmes da maior maratona cinéfila do país seria impossível.

De todo modo, à maratona!

Fila para compra e retirada de ingressos no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista


Estreias da semana - 21/10/2011

21 de outubro de 2011 0

Em destaque, o documentário brasileiro Rock Brasília - A Era de Ouro, do veterano diretor Vladimir Carvalho, que mostra o surgimento das bandas Legião Urbana, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso e Plebe Rude sob o contexto político e comportamental do Brasil na transição da ditadura militar para a democracia:


Tá feia a coisa

19 de outubro de 2011 22

Acompanhe o ranking dos filmes mais vistos no Brasil no último fim de semana, por ordem de valores arrecadados:

1) Os Três Mosqueteiros, bisonha versão 3D para o clássico de Dumas;
2) O Zelador Animal, bobajada com animais falantes defendendo o zelador de um zoológico;
3) Amizade Colorida, comédia romântica estúpida (se isso não for redundância ultimamente);
4) Winter, o Golfinho, dramalhão sobre a recuperação de um golfinho ferido;
5) Sem Saída, suspense-bomba com a aposta de galã Taylor Lautner, de Crepúsculo.

Kevin James em O Zelador Animal

A situação, como se pode ver, está feia. Passam as semanas e as estreias, nos cinemas de shopping, estão quase todas no nível desses cinco títulos acima. O público continua prestigiando os importados de Hollywood, apesar de tudo - prova é o próprio ranking dos filmes mais vistos. E assim vamos: na sexta-feira passada uma das novidades era o retardado Qual o seu Número? e, na próxima, será o infantiloide Gigantes de Aço.

As opções só melhoram quando olhamos para a programação dita alternativa. Longas como os brasileiros Riscado e Além da Estrada, o uruguaio Hiroshima e os argentinos Um Conto Chinês e Medianeras, perto dos cinco primeiros do ranking, são verdadeiras obras-primas da arte contemporânea.

Está certo que há Cópia Fiel, em cartaz em Porto Alegre há mais de seis meses. Está certo que este ano houve até um Apichatpong Weerasethakul num shopping da cidade (Tio Boonmee no Unibanco Arteplex). E, principalmente, está certo que temos cada vez mais diversidade nas salas de cinema, o que inclui filmes de cinematografias antes bastante obscuras. Mas Hollywood podia colaborar, já que é lá que estão os melhores recursos e a mão de obra tecnicamente mais qualificada. Do jeito que está, para ver algo razoável é cada vez mais necessário buscar alternativas à produção norte-americana - nos shoppings ou fora deles. Cada vez mais.

Os Três Mosqueteiros: um por todos e todos pelos navios de guerra voadores

Estreias da semana - 14/10/2011

14 de outubro de 2011 0

O cantor silencioso

Destaque da programação da Mostra Lume Filmes, em cartaz até o dia 27 na Cinemateca Paulo Amorim, o uruguaio Hiroshima – Um Musical Silencioso estreia amanhã em Porto Alegre. É o primeiro longa-metragem que Pablo Stoll, 37 anos, dirige sem a parceria de Juan Pablo Rebella, com quem dividiu a direção dos ótimos 25 Watts (2001) e Whisky (2004). É também o seu filme mais pessoal e aquele que Stoll dedica à memória de Rebella, que se suicidou em 2006, aos 32 anos.

O título é inusitado, mas não mente a respeito da forma de Hiroshima: trata-se, por mais que pareça contraditório, de um musical silencioso – um filme praticamente sem diá­logos e com música quase onipresente. A história é a de Juan Andrés Stoll, personagem vivido pelo irmão do diretor. Pode-se dizer que boa parte da família está ali, o que inclui os pais de ambos, e também seus amigos – até o realizador de Gigante (2009), Adrián Biniez, faz uma ponta como vendedor em uma feira de antiguidades de Montevidéu.

Mais: a casa que se vê é a mesma em que Juan Andrés mora com os pais, seus parceiros de cena representam papéis que lhes cabem na vida real e todas as canções da trilha são da banda do protagonista ou das bandas de seus amigos – todas de post rock ou pós-punk, quase sempre na linha do trabalho dos escoceses do Mogwai, com suas melodias complexas e, não à toa, com poucos vocais.

Ouvem-se todos os ruídos de cena em Hiroshima, bola quicando no chão, louças batendo na pia etc., exceto os diálogos de seus personagens. Estes são apresentados em letreiros brancos sobre cartelas pretas, como nos tempos do cinema mudo. A intenção de Stoll é clara: falar da incomunicabilidade, de isolamento e pertencimento do jovem contemporâneo ao contexto em que vive. Juan Andrés trabalha numa padaria pela madrugada, quando o filme inicia, mas no fim de sua jornada – ao que tudo indica, no final das mesmas 24 horas – já terá ganho dois outros empregos, além de ter encontrado a namorada, ter sido assaltado, jogado futebol com amigos, andado de bicicleta pela periferia da capital uruguaia com os fones de ouvido dos quais ele nunca se separa.

O que ele procura? Não fica claro, e é bom que seja assim. Hiroshima foge dos clichês dos filmes sobre a dificuldade de crescer e se encontrar no mundo atual. Além do formato surpreendente, tem uma dramaturgia consistente mesmo sem apresentar detalhes psicológicos ou do passado do personagem. Em vez de elipses narrativas, a trama se constrói sobre fragmentos de sua rotina, todos simbólicos de um estado de espírito que é ao mesmo tempo seu e de toda uma geração – demonstrando conformismo, ele praticamente só balbucia “claro”, “sim” e “pode ser”.

Uma vertente a que ele se filia é a das autoficções, cada vez mais em voga no cinema contemporâneo. A exemplo da coprodução Brasil-Uruguai Além da Estrada, título imperdível de Charly Braun que segue em cartaz na Sala P.F. Gastal, lugares e momentos íntimos de seus realizadores são revisitados – até trechos de filmes familiares em Super-8 aparecem na trama. No caso de Hiroshima, esses filmes trazem imagens do diretor e também do ator principal, quando ambos eram crianças. É outra subversão: em vez de uma ficção sobre si próprio, Stoll centrou a sua história no irmão.

Hiroshima é bem diferente não apenas dos citados Whisky, 25 Watts e Gigante, mas também de Coração de Fogo (2002) e O Banheiro do Papa (2007). Não é o melhor, mas é o mais inventivo dos longas uruguaios a chegar ao Brasil nos últimos tempos.

Whisky de volta
Segundo longa de Pablo Stoll e Juan Pablo Rebella, Whisky será exibido em uma sessão diária no Instituto NT a partir de amanhã. A programação especial, elaborada para marcar a estreia de Hiroshima em Porto Alegre, permite aos cinéfilos da cidade o reencontro com um de seus filmes preferidos nas últimas temporadas: em 2005, quando estreou na Capital, Whisky bateu o recorde de permanência naquele ano na Capital.

Até por ser um trabalho com uma pegada diferente, era o filme da confirmação do talento da dupla que estreara em 2001 com o enérgico 25 Watts. Se no primeiro longa eles falavam de problemas da juventude num tom que lembrava o do Trainspotting de Danny Boyle  (1996), no segundo surpreenderam com um roteiro intimista sobre a aproximação de um solitário homem maduro (Andrés Pazos) com uma funcionária de sua fábrica de meias (Mirella Pascual) numa Montevidéu ainda mais velha e decadente.

Com seu humor sutil, refinado, e sua maturidade tanto no domínio da linguagem quanto na abordagem do tema, Whisky encantou plateias por todo o mundo: conquistou o prêmio da crítica no Festival de Cannes e o Goya de melhor filme estrangeiro (fora da Espanha), entre várias outras distinções (o que inclui três Kikitos em Gramado, melhor filme latino-americano inclusive). Estará em cartaz às 21h30min, desta sexta até a próxima quinta-feira, na pequena e aconchegante sala da Rua Marquês do Pombal, 1.111.

Filmes da Lume em Porto Alegre

12 de outubro de 2011 3

Em cartaz desde sexta-feira na Sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim (aquela cuja programação foi assumida pela Associação dos Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul, a Accirs, em julho passado), a Mostra Lume Filmes segue com seis longas da produtora e distribuidora maranhense até o dia 27 deste mês. Dá uma olhada aqui na capa do Segundo Caderno que apresenta a mostra como um todo, e, abaixo, na lista dos filmes exibidos. Lembrando que os três mais vistos nas duas primeiras semanas voltam a partir do dia 21, quando começa a terceira e última semana da programação.

Exibições até esta quinta-feira:
>>> Hiroshima - Um Musical Silencioso (Uruguai, 80min). Primeiro longa solo do diretor Pablo Stoll, 37 anos, o mesmo de Whisky e 25 Watts (assinados em parceria com Juan Pablo Rebella, que morreu em 2006, aos 32 anos), tem estreia no Instituto NT marcada para esta sexta-feira. Praticamente sem diálogos e com muita música (rock contemporêneo), acompanha um dia na vida de um jovem (o irmão do diretor, Juan Andrés Stoll) que tem uma banda de rock e trabalha numa padaria.
>>> O Moinho e a Cruz (Suécia/Polônia, 97min). Dirigido por Lech Majewski, estrelado por Rutger Hauer e Charlotte Rampling, foi principal vencedor do 1º Festival Internacional Lume, realizado este ano em São Luís, batendo o favorito, a obra-prima As Tentações de Santo Antônio, do estoniano Veiko Õunpuu. Trata-se de um filme-pintura que, com muitos efeitos especiais, propõe a recriação da pintura A Procissão para o Calvário (1654), de Pieter Brugel, a partir de imagens que emulam o ambiente das telas do artista.
>>> Tudo que Amo (Polônia, 95min). Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance do ano passado, o filme do diretor Jacek Borcuch aborda a amizade de quatro jovens que decidem formar uma banda de punk rock num momento de eclosão de protesto de trabalhadores por toda a Polônia.

Exibições a partir desta sexta:
>>> Triângulo Amoroso (Alemanha, 119min). Mais recente filme do cultuado diretor alemão Tom Tykwer (de Corra Lola Corra, Trama Internacional, Perfume e Paraíso), narra o curioso caso de um casal na faixa dos 40 anos: sem que o parceiro saiba, cada um deles começa a se relacionar com o mesmo homem. É o primeiro filme que Tykwer realiza na Alemanha após uma breve passagem por Hollywood, onde dirigiu atores como Clive Owen e Dustin Hoffman.
>>> Tudo Ficará Bem (Dinamarca, 90min). Já exibido em Porto Alegre, este thriller do diretor Christoffer Boe (de Allegro e Reconstrução de um Amor) é um suspense sobre um roteirista que, em busca de uma nova história, descobre fotografias reveladoras de práticas de tortura realizadas pelo clandestinamente a mando de autoridades oficiais de seu país. Único dos seis títulos da programação já exibido em circuito em Porto Alegre (também no Instituto NT).
>>> Branco como a Neve (Turquia, 82min). Representante da produção turca contemporânea, que tem chamado a atenção em festivais internacionais, este drama de estreia do diretor Selim Gunes é centrado na figura de um menino de nove anos que precisa trabalhar às margens de uma estrada para ajudar a sua família.

Triângulo Amoroso, de Tom Tykwer

Estreias da semana - 07/10/2011

07 de outubro de 2011 1

Aqui está o post com a pesquisa completa sobre a interminável série de remakes dos anos 1980, que publicamos quando da estreia do novo Conan, o Bárbaro. Abaixo, o vídeo em que falamos desses remakes a partir da entrada em cartaz de outra refilmagem - A Hora do Espanto, agora em 3D: