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Posts de janeiro 2012

Oscar 2012: os esquecidos da Academia

31 de janeiro de 2012 0

Espera-se que o Oscar premie os melhores da temporada em Hollywood, e é por isso que se pode sentir falta de alguns atores, de algumas atrizes, de algumas músicas e de alguns filmes entre os indicados. Os casos abordados na matéria publicada esta manhã em ZH.com correspondem às especulações que não se confirmaram com o anúncio dos eleitos em cada categoria, ou seja, dizem respeito ao que se esperava de maneira geral. Neste post vou ser mais direto e dizer quem e o quê, na minha opinião, foi injustiçado pela Academia de Cinema.

Drive
Dirigido por Nicolas Winding Refn e estrelado por Ryan Gosling, este longa é tão superior a alguns dos indicados a melhor filme que a comparação chega a ser constrangedora. Como, então, ele não está entre os nove concorrentes ao principal prêmio? É a pergunta que, a mim, parece mais difícil de responder desde a divulgação dos concorrentes. A ideia de que se trata de um título menos “palpável” faria sentido em outros tempos, não quatro anos depois da consagração dos irmãos Coen com Onde os Fracos Não Têm Vez. Drive poderia concorrer a melhor direção, ator, roteiro adaptado (li o livro, a recriação da história na linguagem cinematográfica é primorosa), montagem, trilha sonora e música (com Nightcall, de Kavinsky/Lovefoxxx, ou A Real Hero, do College/Electric Youth).

Tudo pelo Poder
Belo thriller político assinado por George Clooney, foi um dos recordistas em indicações ao Globo de Ouro. Assim como Drive, é estrelado por Ryan Gosling – que não chega a fazer tanta falta entre os melhores atores, já que, em princípio, a lista parece bem interessante. Seu esquecimento na categoria melhor filme, especula-se, pode ter a ver com o fato de que 2012 é ano eleitoral nos EUA, e Tudo pelo Poder, além de pessimista em sua visão sobre o sistema político norte-americano, é considerado um retrato fiel da desilusão da era Obama. Faz sentido, o que só tornaria sua ausência no Oscar, além de decepcionante, constrangedora – agora, além de pessimista, não se pode ser crítico em âmbito político? Nem sempre foi assim.

Andy Serkis
Planeta dos Macacos – A Origem me parece um ótimo exemplo de blockbuster inteligente, longa que se comunica com o grande público e, ao mesmo tempo, o faz pensar. Mesmo que Avatar, um blockbuster em sua essência, tenha sido derrotado por um filme “pequeno” como Guerra ao Terror (em 2010), o Oscar ainda é um palco para as grandes produções, vide a indicação de Cavalo de Guerra, de Spielberg, a melhor filme neste 2012. Tudo bem ignorar Planeta dos Macacos, você pode argumentar, não se trata de uma produção arrebatadora, mesmo. Mas a não indicação de Andy Serkis, que interpreta o macaco César, de fato comprova que, se deixou o conservadorismo para trás em muitos aspectos, a Academia de Hollywood ainda não consegue pôr num mesmo patamar as interpretações “puras” – no registro que for – e aquelas construídas numa parceria entre o ator e os responsáveis pelos efeitos de pós-produção. Não deixa de ser um preconceito – exatamente o preconceito contra o avanço da técnica de que fala o favorito ao prêmio O Artista.

Tilda Swinton
Vamos ser diretos: qual performance da atriz britânica é melhor, a de Conduta de Risco, belo filme de Tony Gilroy que lhe rendeu a vitória no Oscar de 2008, ou a de Precisamos Falar sobre o Kevin, belo filme de Lynne Ramsey que não lhe deu sequer uma indicação ao prêmio máximo da indústria do cinema? Alguém vai dizer, com razão, que são atuações incomparáveis. Mas é difícil pensar neste equívoco cometido pela Academia de Hollywood em 2012 esquecendo do prêmio de quatro anos atrás. Depois de muitos papéis secundários em diversos bons filmes entre os anos 1990 e os 2000, a atriz evoluiu, apareceu cada vez mais e, em Precisamos Falar sobre o Kevin, parece ter chegado a um ponto tão alto que vai ser difícil de superar. E não foi nem indicada ao Oscar…

Rio e Tintim
Entre as cinco animações concorrentes, há duas da Dreamworks (Gato de Botas e Kung Fu Panda 2) e nenhuma da Pixar (que poderia concorrer com Carros 2), o que por si só já é algo sui generis. Mas que não indica exatamente um esquecimento. As grandes questões nesta categoria são as ausências de Rio e As Aventuras de Tintim. Este último foi excluído da categoria por não ser considerado animação pela Academia, o que faz sentido, já que foi rodado com atores reais que acabaram transformados em figuras animadas na pós-produção. Para mim, Tintim não faz tanta falta assim. Rio, por outro lado, é mais interessante do que ambos os filmes da Dreamworks. Não faz sentido que ele não esteja entre os cinco melhores do ano.

Oscar 2012: favoritos mais ou menos

24 de janeiro de 2012 14

Os Descendentes e O Artista. Dois dos principais favoritos ao Oscar, com respectivamente cinco e 10 indicações (A Invenção de Hugo Cabret, de Scorsese, teve 11, mas a imensa maioria em categorias técnicas), têm em comum o fato de serem longas discretos, tímidos em seu lançamento de pequenas proporções, surpreendentes em sua capacidade de conquistar o público. Seu encanto é inegável, ainda que ambos estejam longe do arrebatamento sugerido por uma eleição de melhor do ano. Sendo um ou o outro, o vencedor da cerimônia do dia 26 de fevereiro terá envergadura e representatividade semelhantes às de seus antecessores imediatos (O Discurso do Rei, Guerra ao Terror, Quem Quer Ser um Milionário?): um filme com qualidades, agradável de ver, porém esquecível.

Ambos são centrados em figuras masculinas plenamente contempladas em sua complexidade graças às ótimas atuações de George Clooney e Jean Dujardin – sobretudo o primeiro. É verdade que a dramaturgia de O Artista se constrói a partir da dicotomia entre a decadência do personagem de Dujardin (astro de filmes mudos) e a ascensão de Bérénice Bejo (estrela dos sonoros), mas o charme da produção está na nostalgia representada pela melancólica queda de seu protagonista masculino. O filme faz pensar sobre o avanço da tecnologia no cinema, questão crucial da indústria que atualmente se reinventa à luz do 3D e da cada vez mais próxima extinção da película, mas, neste sentido, não deixa de ser um comentário raso e ingênuo. “Não adianta resistir”? É perfeitamente possível falar sobre o tema com mais profundidade.

Jean Dujardin em O Artista, de Michel Hazanavicius

A alta cotação de Os Descendentes na Academia de Hollywood é mais compreensível. A simplicidade da trama sobre um pai ausente que precisa se reaproximar das filhas a partir da doença da mãe das crianças, com sua mensagem positiva, oposta à daqueles inúmeros longas sobre as disfuncionalidades familiares na classe média dos EUA, é apenas aparente. Clooney e o diretor Alexander Payne (que já filmara personagens masculinos interessantes em Eleição, com Matthew Broderick, As Confissões de Schmidt, com Jack Nicholson, e, o melhor de todos, Sideways: Entre umas e Outras, com Paul Giamatti) fizeram um longa cheio de humor e um charme genuíno que se explica pela leveza com que trata temas profundos como a morte, a sociabilização e as relações entre pais e filhos. Leveza e mão firme: é notável a capacidade de Payne de escapar das armadilhas do sentimentalismo barato e daquele pessimismo injustificado tão em voga atualmente – quer tratar das mazelas sociais, ok, o faça, mas com uma dramaturgia que justifique as suas escolhas.

Por que, então, Os Descendentes é esquecível? Porque sua força é limitada. Sua capacidade de encantamento tem restrições. Te desafio, desde já, a vê-lo e encontrar no filme a transcendência da grande arte. Você pode dizer que atualmente ela é rara, o que desde já contesto citando um título norte-americano e um estrangeiro que poderiam ser contemplados no Oscar – Drive, de Nicolas Winding Refn, e A Separação, de Asghar Farhadi. Dois projetos muito mais significativos, consistentes e impactantes. Dois dos filmes do ano, em todos os aspectos superiores a O Artista e Os Descendentes.

George Clooney em Os Descendentes, de Alexander Payne

Uma última observação. Não te parece bizarra, para não dizer freak, essa obsessão da Academia de Hollywood por projetos diferentes, inusuais, estranhos? Há não muito tempo foi um longa que recriava, quer dizer, tentava recriar sem tanto encantamento, o espírito dos musicais de outros tempos (Chicago). Depois veio a referência à Índia e a tal ponte Hollywood-Bollywood (Quem Quer Ser um Milionário?). Vou excluir desta lista um dos trabalhos menos acessíveis dos irmãos Coen (Onde os Fracos Não Tem Vez) porque se trata do reconhecimento a uma dupla de autores das mais significativas do cinema contemporâneo. Mas não posso deixar de lado a surpreendente escolha de Guerra ao Terror, que nem é o melhor filme sobre o conflito no Iraque (você viu Redacted, de Brian De Palma?), em detrimento do superblockbuster Avatar. Agora, é O Artista, filme sem diálogos e em preto e branco que recria, ou tenta recriar, com recursos atuais (24 quadros por segundo, por exemplo), o clima do cinema antes do advento do som.

Não que a ideia de renovação e arejamento seja inválida, pelo contrário, mas, para mim, tudo isso também é uma evidência bem clara de crise.

Os caçadores dos planos repetidos

09 de janeiro de 2012 1

Impressionante. A StooTV, do Canadá, fez uma comparação plano a plano entre os 13 primeiros minutos de Inidiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida (1981) e imagens de 30 filmes de aventuras lançados entre 1919 e 1973. As semelhanças fazem pensar sobre a originalidade das composições visuais elaboradas pelo festejado diretor Steven Spielberg – embora, que fique claro, não diminuam a qualidade e a importância histórica do longa estrelado por Harrison Ford. Aperte o play:

Financie o novo longa de Jodorowsky

06 de janeiro de 2012 0

É isso mesmo: Alejandro Jodorowsky, o mítico cineasta nascido no Chile e radicado na França, diretor de El Topo e Fando e Lis, criou um site (este) e postou um vídeo no YouTube (abaixo) pedindo US$ 100 em colaborações individuais para financiar seu novo longa-metragem, La Danza de la Realidad. É que “estou fazendo um filme totalmente não industrial, no qual se perde dinheiro e não se ganha”, ele diz, “sem o envolvimento de distribuidores ou negociadores”. A ideia é uma autobiografia centrada nos acontecimentos de sua infância, ainda que totalmente imaginativa porque “a história profunda de minha vida é um esforço constante para expandir a imaginação e ampliar os seus limites, para depreendê-la em seu potencial terapêutico e transformador”. Quem colaborar ganha um DVD do filme e tem seu nome citado nos créditos – alguns colaboradores já aparecem no site. Não sei vocês, mas, pensando em tudo o que o homem fez e em quem ele é, deu uma vontade de colaborar…