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Oscar 2012: o campeão de indicações

15 de fevereiro de 2012 0

A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese, é provavelmente o melhor entre os nove indicados ao Oscar de melhor filme. Não chega a ser o melhor longa norte-americano da temporada – este é Drive. Mas é uma pequena preciosidade que usa a técnica do 3D em sua plenitude – como pouquíssimos outros, entre eles Avatar, fizeram até hoje – para contar uma fábula fascinante sobre crescimento, aprendizado, memória, reconhecimento e, fundamentalmente, aquilo que sonhamos ser e fazer. O melhor de tudo: a maior metáfora do filme se dá a partir de uma linda homenagem a George Méliès (1861-1938), o primeiro grande sonhador do cinema.

Baseado no livro infantil homônimo de Brian Selznick, Hugo é um filme para crianças e adultos se apaixonarem, um tantinho arrastado em sua primeira metade, arrebatador em sua capacidade de envolvimento a partir do aprofundamento da relação do protagonista, interpretado pelo ator-mirim Asa Butterfield, com o personagem de Méliès (o sempre ótimo Ben Kinsgley). Hugo, menino órfão que mora numa estação de trem na Paris dos anos 1930, lembra o Antoine Doinel de Os Incompreendidos (1959), um pequeno François Truffaut encantado pelo cinema que vive suas descobertas ao mesmo tempo em que precisa fugir da intolerância da lei (personalizada num estupendo Sacha Baron Cohen, injustamente esquecido no Oscar).

Para encurtar as coisas: Hugo é filho do técnico encarregado de manter os relógios das torres da estação (Jude Law). O pai morre num incêndio, deixando para o menino um robô. Em sua tentativa de fazê-lo funcionar, o pequeno protagonista vai se aproximar de Méliès (e de sua filha interpretada por Chloë Moretz), o precursor da fantasia no cinema que, três décadas depois de lançar o clássico Viagem à Lua (1902), vive anônimo cuidando de uma loja de brinquedos na mesma estação. Aliás, as imagens coloridas viajandonas do mais influente filme de Méliès (veja mais sobre sua restauração recente aqui), projetadas na tela grande e vistas em três dimensões, são um atrativo extra para os cinéfilos.

Não deixa de ser curioso que tanto o recordista de indicações (Hugo) quanto o maior favorito deste Oscar (O Artista) prestem homenagens aos primórdios do cinema, particularmente a mitos da era pré-filmes falados. O tipo de fruição que Hugo provoca, no entanto, na comparação com O Artista, é mais interessante. Sua dramaturgia é mais profunda e sua capacidade de emocionar, mais efetiva. Scorsese geralmente acerta, mas, se levarmos em conta que o realizador de Táxi Driver (1976) e Os Bons Companheiros (1990) nunca antes fizera um longa que dialogasse com um público tão amplo, literalmente dos 8 aos 80 anos de idade, não é incorreto concluir que A Invenção de Hugo Cabret é um de seus tiros mais certeiros.

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