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Oscar 2012: premiação não teve surpresas

27 de fevereiro de 2012 5

A vitória de O Artista era previsível não apenas porque a produção francesa venceu os principais prêmios prévios ao Oscar. O longa dirigido por Michel Hazanavicius não tem diálogos e emula, em sua forma, os filmes pré-cinema falado, o que naturalmente pode causar um certo estranhamento. Porém, tem uma fórmula absolutamente certeira: trata-se de uma homenagem emocionante ao cinema referenciada em alguns dos maiores clássicos norte-americanos, que ainda por cima contém uma lição de moral que vai ao encontro dos anseios da indústria – a queda do protagonista que não se adapta às novidades oferecidas pela tecnologia (os filmes falados) funciona como uma metáfora perfeita para a necessidade de imposição das novas revoluções (o 3D, os meios de captação e projeção digital) tão necessárias à sobrevivência de Hollywood.

Por mais que, nos últimos anos, as escolhas da Academia tenham se mostrado independentes das tendências de mercado (não fosse assim, Onde os Fracos Não Têm Vez não teria vencido e, mais do que isso, Guerra ao Terror não teria superado Avatar), o Oscar segue sendo a premiação da indústria por excelência. O corpo de cerca de 6 mil membros da Academia se transformou, mas não perdeu a sua identidade, o que significa que não deixou de “pensar” de acordo com as necessidades impostas pelo mercado. O Artista tem o seu encanto por si só – assim como A Invenção de Hugo Cabret e até Meia-Noite em Paris, os outros indicados que olham para o passado. O que pode ter pesado como fator de desequilibrio é esta mensagem travestida de reflexão sobre o futuro.

O tom geral do Oscar 2012 foi a previsibilidade. Não houve surpresas em absolutamente nenhuma categoria, o que inclui os cinco troféus distribuídos para A Invenção de Hugo Cabret, as estatuetas de interpretação para Jean Dujardin (O Artista) e Meryl Streep (A Dama de Ferro) e de roteiro adaptado e original, respectivamente, para Os Descendentes e Meia-Noite em Paris. Estas duas últimas são as categorias passíveis de contestação – já que a Academia resolveu indicar A Separação, poderia muito bem reconhecer a qualidade superior da produção iraniana entre os indicados a roteiro original, para não falar de Tudo pelo Poder e O Espião que Sabia Demais, ambos superiores ao vencedor na categoria adaptado.

O grande problema, na verdade, foram as indicações, ou, mais especificamente, os longas que ficaram ausentes entre os indicados anunciados pela Academia. Ignorar o próprio Tudo pelo Poder, J. Edgar, a interpretação de Tilda Swinton em Precisamos Falar sobre o Kevin e, principalmente, Ryan Gosling e Drive deu a nítida sensação de que, este ano, o Oscar não fez jus aos principais filmes da temporada.


Comentários (5)

  • Laryukov diz: 27 de fevereiro de 2012

    Não sei, mas não acho que tenha sido tão injusto assim as indicações para melhor filme.
    Tudo pelo Poder é de dar sono até no mais ávido cinéfilo. J. Edgar foi uma piada, o envelhecimento dos atores durante o filme era digno de um filme dos anos 50, péssimo. Além de uma história que se preocupava mais com a homossexualidade do J. Edgar do que outras coisas.

    Indicação do “HUGO” só porque era do Martin Scorsese e a fotografia do filme era muito boa mesmo, mas metade do filme era dispensável para o enredo geral:
    - O Autômato;
    - O casal dos cachorros;

    E sobre Guerra ao Terror em relação a Avatar é fácil, Avatar foi fraquíssimo, fizeram um alarde tão grande para um filme que não teve quase graça nenhuma.

    Claro cada um tem sua opinião e todas devem ser respeitáveis.

  • Laura CArrazzoni diz: 27 de fevereiro de 2012

    Uma pena mesmo foi a animação RIO não ter ganhado o oscar de melhor música . Perdeu pra aquela musica ridicula dos muppets.Acho que os membros querem sempre votar nos americanos , um tipo de preconceito com o país. Da onde que Muppets é melhor que RIO ?? Uma pena mesmo .

  • Roberto diz: 27 de fevereiro de 2012

    A vitória de O Artista é a vitória incontestável dos “metidos a intelectualóides”.
    Assim como “Guerra ao Terror”, o Artista é um filme que nao tem apelo nenhum do publico e nao é um filme que voce vá ao cinema em um sábado a noite com a familia e saia com uma nova visao da vida ou com um sentimento diferente (voce sai é com sono). Uso como exemplo “Menina de Ouro”, que ganhou há uns anos atrás, no tempo em que a academia nao escolhia o filme dos metidinhos a intelectuais mas os melhores do ano mesmo. “Esquecer” de Drive na lista dos vencedores ou, em especial, nao dar um Oscar a Scorsese é um atentado aos bons filmes!

  • José Manoel diz: 27 de fevereiro de 2012

    Tão interessante quanto um jogo de xadrez, como sempre.

  • Fernando diz: 27 de fevereiro de 2012

    Roberto, se você acha O Artista um filme intelectualóide, você deve ser tremendamente burro. Um filme bonito, sensível e divertido, todo mundo pareceu sair satisfeito da sessão.

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