Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts de fevereiro 2012

Drive: um raro consenso

29 de fevereiro de 2012 16

Mais ou menos por esta mesma época (a do Oscar) no ano passado, o Segundo Caderno, em sua versão impressa, dedicou toda a página central ao filme Cisne Negro. Vocês que nos leem aqui no blog CineclubeZH devem lembrar: o longa de Darren Aronofsky sobre uma bailarina obcecada pela perfeição (papel que deu o Oscar de melhor atriz a Natalie Portman) rendeu debates – de um lado, os arrebatados; do outro, os decepcionados.

Aqui no Segundo Caderno, ficamos todos no primeiro time – Cisne Negro ganhou a cotação máxima, o que fez alguns colegas e leitores nos perguntarem: como assim? Daí viemos com essa página central que citei, que trazia um texto do Roger Lerina justificando as cinco estrelas do filme, um comentário do Inácio Araújo, crítico da Folha, apontando os defeitos do longa, um artigo da psicanalista Diana Corso e um texto meu intitulado “Como são feitas as cotações dos filmes em cartaz”. Nesse texto, tentei explicar como nós – eu, Ticiano Osório, mais o Daniel Feix, o Marcelo Perrone e o Roger – chegamos a um número para traduzir uma apreciação que é subjetiva. Relembro alguns trechos aqui:

“À medida que vamos assistindo aos filmes, trocamos opiniões, concordamos aqui, divergimos ali, discutimos avaliações. (…) Por mais subjetiva que seja a apreciação de uma obra de arte, há parâmetros objetivos segundo os quais se pode determinar se seus autores foram bem-sucedidos.

Entre esses parâmetros, pode-se citar a pertinência de um tema, a criatividade na abordagem desse tema, a verossimilhança – ou a chamada suspension of disbelief –, o impacto do filme como um todo (ou até de uma única cena), a capacidade de invenção do diretor, as atuações do elenco…

Não raro, um título que recebeu três estrelas no jornal é rebaixado ou promovido. Não quer dizer que a gente faça uma média entre as notas: um filme cinco estrelas para o Roger não vai virar três estrelas na cotação de ZH só porque o Perrone acha que merece apenas uma. Vale o consenso da maioria.

É uma briga, posso dizer a vocês. Por conta da dissonância, chegamos a criar em 2009 a meia estrela, que não vingou porque essa meia estrela a mais ou a menos também gerava debates intermináveis, e também porque tornava muito matemática a avaliação. Mas é uma briga boa (…) Afinal, que bom quando um filme nos faz sair do cinema refletindo sobre ele, e que bom, para nós críticos, quando o que escrevemos provoca nos leitores a troca de ideias, sejam elas pró ou contra.”

***

Fiz toda essa introdução para chegar ao ponto deste post: Drive mereceu capa e página central do Segundo Caderno desta quinta, 1º de março, véspera de sua estreia nos cinemas brasileiros, porque atingiu um raro consenso entre os quatro integrantes da chamada editoria de cinema. (Reitero: nem sempre a nota dada por ZH a um filme é unânime – ou seja, nem sempre é minha a culpa por um cinco estrelas que você não entende, ;p).

Com um pé no acelerador e outro no freio (é o que se poderia chamar de um filme de ação contemplativo), um pé na delicadeza e outro, literalmente, na violência, com um pé no passado (as referências a mitos cinematográficos americanos, como o do cavaleiro solitário) e outro no que há de mais contemporâneo (ou seja, uma estética… retrô), o longa do diretor Nicolas Winding Refn leva o espectador para uma daquelas viagens que só o cinema – preferencialmente o cinema mesmo – pode oferecer. Drive não é um livro filmado, não é teatro filmado, muito menos um gibi filmado. É cinema. Para além do roteiro, da direção e das atuações, a montagem, o encadeamento das cenas, a justaposição de imagem e som tem papel fundamental no estabelecimento de significados e sensações.

Vá e veja.

E vá e leia o Segundo Caderno desta quinta.

Oscar 2012: premiação não teve surpresas

27 de fevereiro de 2012 5

A vitória de O Artista era previsível não apenas porque a produção francesa venceu os principais prêmios prévios ao Oscar. O longa dirigido por Michel Hazanavicius não tem diálogos e emula, em sua forma, os filmes pré-cinema falado, o que naturalmente pode causar um certo estranhamento. Porém, tem uma fórmula absolutamente certeira: trata-se de uma homenagem emocionante ao cinema referenciada em alguns dos maiores clássicos norte-americanos, que ainda por cima contém uma lição de moral que vai ao encontro dos anseios da indústria – a queda do protagonista que não se adapta às novidades oferecidas pela tecnologia (os filmes falados) funciona como uma metáfora perfeita para a necessidade de imposição das novas revoluções (o 3D, os meios de captação e projeção digital) tão necessárias à sobrevivência de Hollywood.

Por mais que, nos últimos anos, as escolhas da Academia tenham se mostrado independentes das tendências de mercado (não fosse assim, Onde os Fracos Não Têm Vez não teria vencido e, mais do que isso, Guerra ao Terror não teria superado Avatar), o Oscar segue sendo a premiação da indústria por excelência. O corpo de cerca de 6 mil membros da Academia se transformou, mas não perdeu a sua identidade, o que significa que não deixou de “pensar” de acordo com as necessidades impostas pelo mercado. O Artista tem o seu encanto por si só – assim como A Invenção de Hugo Cabret e até Meia-Noite em Paris, os outros indicados que olham para o passado. O que pode ter pesado como fator de desequilibrio é esta mensagem travestida de reflexão sobre o futuro.

O tom geral do Oscar 2012 foi a previsibilidade. Não houve surpresas em absolutamente nenhuma categoria, o que inclui os cinco troféus distribuídos para A Invenção de Hugo Cabret, as estatuetas de interpretação para Jean Dujardin (O Artista) e Meryl Streep (A Dama de Ferro) e de roteiro adaptado e original, respectivamente, para Os Descendentes e Meia-Noite em Paris. Estas duas últimas são as categorias passíveis de contestação – já que a Academia resolveu indicar A Separação, poderia muito bem reconhecer a qualidade superior da produção iraniana entre os indicados a roteiro original, para não falar de Tudo pelo Poder e O Espião que Sabia Demais, ambos superiores ao vencedor na categoria adaptado.

O grande problema, na verdade, foram as indicações, ou, mais especificamente, os longas que ficaram ausentes entre os indicados anunciados pela Academia. Ignorar o próprio Tudo pelo Poder, J. Edgar, a interpretação de Tilda Swinton em Precisamos Falar sobre o Kevin e, principalmente, Ryan Gosling e Drive deu a nítida sensação de que, este ano, o Oscar não fez jus aos principais filmes da temporada.


Oscar 2012: os prêmios que jamais vamos ver

26 de fevereiro de 2012 1

Ou
Os não indicados que poderiam ganhar:

Melhor filme: Tudo pelo Poder, de George Clooney
Melhor diretor: Nicolas Winding Refn, por Drive
Melhor ator: Andy Serkis, por Planeta dos Macacos: A Origem
Melhor atriz: Tilda Swinton, por Precisamos Falar Sobre o Kevin
Melhor elenco: Tudo pelo Poder
Roteiro original: J. Edgar
Roteiro adaptado: Precisamos Falar Sobre o Kevin
Fotografia: Melancolia
Montagem: Precisamos Falar Sobre o Kevin
Direção de arte: Precisamos Falar Sobre o Kevin
Ator coadjuvante: Sacha Baron Cohen, por A Invenção de Hugo Cabret
Atriz coadjuvante: a jaqueta de Ryan Gosling em Drive
Trilha sonora: Drive
Prêmio pelo conjunto da obra: Ryan Gosling, por Drive, Amor à Toda Prova e Tudo pelo Poder

Oscar 2012: prognósticos e apostas

25 de fevereiro de 2012 1

Quem deve ganhar o Oscar? Quem deveria ganhar? Clique na imagem abaixo e confira a lista comentada pela equipe que faz a cobertura de cinema em ZH. O original está no caderno TV+Show deste domingo, dia da cerimônia de premiação:

Oscar 2012: o campeão de indicações

15 de fevereiro de 2012 0

A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese, é provavelmente o melhor entre os nove indicados ao Oscar de melhor filme. Não chega a ser o melhor longa norte-americano da temporada – este é Drive. Mas é uma pequena preciosidade que usa a técnica do 3D em sua plenitude – como pouquíssimos outros, entre eles Avatar, fizeram até hoje – para contar uma fábula fascinante sobre crescimento, aprendizado, memória, reconhecimento e, fundamentalmente, aquilo que sonhamos ser e fazer. O melhor de tudo: a maior metáfora do filme se dá a partir de uma linda homenagem a George Méliès (1861-1938), o primeiro grande sonhador do cinema.

Baseado no livro infantil homônimo de Brian Selznick, Hugo é um filme para crianças e adultos se apaixonarem, um tantinho arrastado em sua primeira metade, arrebatador em sua capacidade de envolvimento a partir do aprofundamento da relação do protagonista, interpretado pelo ator-mirim Asa Butterfield, com o personagem de Méliès (o sempre ótimo Ben Kinsgley). Hugo, menino órfão que mora numa estação de trem na Paris dos anos 1930, lembra o Antoine Doinel de Os Incompreendidos (1959), um pequeno François Truffaut encantado pelo cinema que vive suas descobertas ao mesmo tempo em que precisa fugir da intolerância da lei (personalizada num estupendo Sacha Baron Cohen, injustamente esquecido no Oscar).

Para encurtar as coisas: Hugo é filho do técnico encarregado de manter os relógios das torres da estação (Jude Law). O pai morre num incêndio, deixando para o menino um robô. Em sua tentativa de fazê-lo funcionar, o pequeno protagonista vai se aproximar de Méliès (e de sua filha interpretada por Chloë Moretz), o precursor da fantasia no cinema que, três décadas depois de lançar o clássico Viagem à Lua (1902), vive anônimo cuidando de uma loja de brinquedos na mesma estação. Aliás, as imagens coloridas viajandonas do mais influente filme de Méliès (veja mais sobre sua restauração recente aqui), projetadas na tela grande e vistas em três dimensões, são um atrativo extra para os cinéfilos.

Não deixa de ser curioso que tanto o recordista de indicações (Hugo) quanto o maior favorito deste Oscar (O Artista) prestem homenagens aos primórdios do cinema, particularmente a mitos da era pré-filmes falados. O tipo de fruição que Hugo provoca, no entanto, na comparação com O Artista, é mais interessante. Sua dramaturgia é mais profunda e sua capacidade de emocionar, mais efetiva. Scorsese geralmente acerta, mas, se levarmos em conta que o realizador de Táxi Driver (1976) e Os Bons Companheiros (1990) nunca antes fizera um longa que dialogasse com um público tão amplo, literalmente dos 8 aos 80 anos de idade, não é incorreto concluir que A Invenção de Hugo Cabret é um de seus tiros mais certeiros.

Oscar 2012: o que dizem os prêmios prévios

13 de fevereiro de 2012 0

Dizem, para responder claramente à questão colocada no título deste post, que O Artista (leia o texto sobre o filme aqui) se tornou o principal favorito às estatuetas de melhor filme e direção. Além disso, pode-se concluir que Viola Davis e Meryl Streep são as principais candidatas ao prêmio de melhor atriz e Jean Dujardin ou George Clooney, um dos dois, deve vencer como melhor ator. Isso porque o filme francês de Michel Hazanavicius levou os prêmios dos sindicatos dos produtores (PGA) e dos diretores (DGA), que são os mais confiáveis termômetros para as categorias de filme e direção, enquanto Viola Davis e Jean Dujardin foram os laureados no prêmio do sindicato dos atores (SAG). George Clooney e Meryl Streep entram na conta dos favoritos porque venceram o Globo de Ouro e porque, no caso dele, somou o maior número de vítórias nas premiações dos críticos dos EUA e, no dela, saiu vitoriosa no Bafta, o Oscar britânico, na premiação do último domingo.

Ambos, George Clooney e Meryl Streep, têm lobby forte em Hollywood. Há de se considerar, no entanto, que premiações de críticos, Globo de Ouro e também o Bafta são entregues por outros corpos de jurados, que nada têm a ver com o Oscar – diferentemente do que acontece com o SAG, o PGA, o DGA e o WGA (o prêmio do sindicato dos roteiristas, que será entregue no próximo domingo). Os votantes dos prêmios dos sindicatos da indústria são, em grande parte, integrantes da Academia de Hollywood, ou seja, basta repetirem os votos que deram no prêmio prévio de sua área para que se configure um indicativo do vencedor na cerimônia do dia 26. O Globo de Ouro, lembrando, é o prêmio da imprensa internacional em Hollywood, enquanto o Bafta é o da Academia Britânica de Cinema.

Jean Dujardin e Viola Davis, em síntese, despontam como principais candidatos nas categorias de interpretação, num favoritismo quase tão destacado quanto o de O Artista e seu diretor, Michel Hazanavicius. Veja um resumo dos prêmios prévios e tire as suas conclusões:

PGA
Melhor filme: O Artista
Melhor documentário: Beats Rhymes & Life
Melhor animação: As Aventuras de Tintim

DGA
Melhor diretor/ficção: Michel Hazanavicius (O Artista)
Melhor diretor/documentário: James Marsh (Project Nim)

SAG
Melhor elenco: Histórias Cruzadas
Melhor ator: Jean Dujardin (O Artista)
Melhor atriz: Viola Davis (Histórias Cruzadas)
Melhor ator coadjuvante: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
Melhor atriz coadjuvante: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

WGA
Será entregue no próximo domingo

Globo de Ouro
Melhor filme/drama: Os Descendentes
Melhor filme/comédia ou musical: O Artista
Melhor diretor: Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)
Melhor ator/drama: George Clooney (Os Descendentes)
Melhor ator/comédia ou musical: Jean Dujardin (O Artista)
Melhor atriz/drama: Meryl Streep (A Dama de Ferro)
Melhor atriz/comédia ou musical: Michelle Williams (Sete Dias com Marylin)
Melhor ator coadjuvante: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
Melhor atriz coadjuvante: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

Bafta
Melhor filme: O Artista
Melhor diretor: Michel Hazanavicius (O Artista)
Melhor ator: Jean Dujardin (O Artista)
Melhor atriz: Meryl Streep (A Dama de Ferro)
Melhor ator coadjuvante: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
Melhor atriz coadjuvante: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

Critics’ Choice
Melhor filme: O Artista
Melhor diretor: Michel Hazanavicius (O Artista)
Melhor ator: George Clooney (Os Descendentes)
Melhor atriz: Viola Davis (Histórias Cruzadas)
Melhor ator coadjuvante: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
Melhor atriz coadjuvante: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

National Board of Review
Melhor filme: A Inveção de Hugo Cabret
Melhor direção: Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)
Melhor ator: George Clooney (Os Descendentes)
Melhor atriz: Tilda Swinton (Precisamos Falar sobre o Kevin)

National Society of Film Critics
Melhor filme: Melancolia
Melhor diretor: Terrence Malick (A Árvore da Vida)
Melhor ator: Brad Pitt (Moneyball e A Árvore da Vida)
Melhor atriz: Kirsten Dunst (Melancolia)

Associações regionais de críticos
De Nova York: O Artista
De Los Angeles: Os Descendentes
De Boston: O Artista
De San Francisco: A Árvore da Vida
De Washington: O Artista

Truffaut, 80 anos

06 de fevereiro de 2012 0

Hoje François Truffaut (1932-1984) faria 80 anos. Fazemos nossa a homenagem do Google francês, que pôs no ar três doodles (seus logotipos temáticos) com imagens de três clássicos do cineasta, Jules e Jim, Domicílio Conjugal e Os Incompreendidos (acima). Mais do que isso, vai abaixo um excerto de um dos momentos mais bonitos de A Sereia do Mississippi, estrelado por Jean-Paul Belmondo e Catherine Deneuve e um dos melhores filmes de Truffaut, embora não tão aclamado quanto, por exemplo, os três títulos citados anteriormente.

Oscar 2012: o estrangeiro da hora

03 de fevereiro de 2012 4

– O futuro do Irã será determinado pelas mulheres – declarou Asghar Farhadi ao receber o Urso de Ouro na última edição do Festival de Berlim por A Separação.

Aos 39 anos, o cineasta parece mesmo determinado a quebrar paradigmas. Urbano, universal, contemporâneo, seu mais recente filme tem pouco a ver com a imagem corrente do cinema iraniano.

Procurando Elly (2009), quarto longa de sua carreira e o primeiro a ser lançado no Brasil — e que ganhou o prêmio de direção em Berlim —, já evidenciava sua vontade de refletir sobre a classe média ocidentalizada do Irã, a partir de códigos de gêneros clássicos como o thriller psicológico. A Separação, filme da sua aclamação mundial, segue a mesma cartilha, mas é ainda mais profundo em sua reflexão sobre a vida no país no contexto da contemporaneidade. Já venceu o Globo de Ouro e só não leva o Oscar de melhor longa estrangeiro no próximo dia 26 se houver uma grande zebra. Estreia nesta sexta-feira (2) em Porto Alegre.

Seu ponto de partida é a crise conjugal entre o bancário Nader (Peyman Moaadi) e a professora de cabelos pintados Simin (Leila Hatami). O casal obteve um visto para deixar o Irã, e ela quer aproveitar e tirar do país a filha adolescente (Sarina Farhadi). Nader não aceita deixar o pai senil (Ali-Ashar Shahbazi), e sem a autorização do marido a mulher não pode levar a garota — o que dá origem ao conflito. Simin sai de casa, e o homem resolve contratar Hodjat (Shahab Husseini), que está grávida de seu segundo filho, para as tarefas domésticas. Não pense que conto demais — é apenas após um incidente entre patrão e empregada que as intenções do diretor se revelam.

Com a câmera na mão, poucos silêncios e fazendo uso de um naturalismo diferente daquele que consagrou Abbas Kiarostami e Mohsen Makhmalbaf, o cineasta constrói uma teia de acontecimentos cuja complexidade impressiona — não pelas surpresas típicas dos thrillers vazios, mas pelo significado de cada movimento dos personagens e pela capacidade de sobreposição dos conflitos sem induzir o público a julgamentos precipitados. Hodjat deixa o velho doente sozinho e sai de casa. Ele cai e quase morre. Em seguida, o patrão nota que seu dinheiro sumiu. Acusa a empregada de roubo. Ela não aceita. Os dois discutem. Ele a empurra, e ela cai. Pouco depois, suas famílias estão no tribunal — Hodjat perdeu o bebê e acusa o gesto violento de Nader de provocar o aborto.

É um turbilhão que se segue, e que tira o fôlego do espectador ao mesmo tempo em que o faz pensar sobre o que está por trás do comportamento dos envolvidos — razão e religiosidade, maturidade e incapacidade de lidar com os problemas — e, fundamentalmente, as motivações que levam a optar pela verdade ou pelas mentiras convenientes. Este texto começou falando das mulheres e do futuro do Irã? Não foi à toa que Farhadi deu à filha adolescente papel fundamental no desfecho da trama. Não deixe de ver, ainda mais se a justificativa for o velho — e aqui incabível — preconceito para com filmes iranianos. A Separação é imperdível.

5 clichês do cinema iraniano derrubados por Farhadi:
1) “As tramas tratam sempre dos pobres e de suas dificuldades extremas”. Procurando Elly e A Separação, seus dois filmes lançados no Brasil, abordam a vida da classe média no Irã.

2) “A câmera é estática, e os planos, sempre longos”. Farhadi usa a câmera na mão, o que aumenta a sensação de movimento em seus longas.

3) “As histórias invariavelmente falam sobre a vida no campo”. A Separação é um drama urbano sobre questões contemporâneas.

4) “Os diretores deixam completamente de lado os gêneros clássicos”. Os elementos do suspense e do policial são marcantes em Procurando Elly, e A Separação lembra um filme de tribunal.

5) “As tramas são contemplativas e têm dramaturgia minimalista”. Nos filmes de Farhadi, as reflexões surgem a partir da sobreposição dos conflitos.

Da série Novidades do Cinema Gaúcho

01 de fevereiro de 2012 0

Saiu o trailer do longa Os Monarcas – A Lenda, em produção no Rio Grande do Sul:

Baseados em fatos reais

01 de fevereiro de 2012 0

Este post é uma despretensiosa compilação de algumas contribuições do cinema para um tema em voga desde o discurso de Rita Lee em seu show de despedida dos palcos.

O Barato de Grace, de Nigel Cole (2000):

O Pior Trabalho do Mundo, de Nicholas Stoller (2010):

Árido Movie, de Lírio Ferreira (2006):

Cheech & Chong: Queimando Tudo, de Lou Adler (1978):

Segurando as Pontas, de David Gordon Green (2008):