Uma consideração que imagino ser relevante nessa bronca do Fernando Meirelles com o público gaúcho por conta do fraco, na avaliação dele, desempenho de Xingu por aqui. O tema já deu pano pra manga em ZH, a começar por um texto exclusivo enviado pelo diretor e na reportagem que procurou investigar qual é, afinal, o gosto cinéfilo do espectador local (leia aqui).
Bom, um ponto importante a destacar é que os números nacionais de Xingu, mais de 300 mil espectadores, não são de todo ruins para um filme que, apesar do grande lançamento, não tem o perfil comercial que seus produtores possam ter imaginado que tivesse – para ser vendido, por exemplo, como uma aventura de heróis desbravadores em terras habitadas por índios hostis. Um indício disso é a percepção que reproduzo a seguir, de que o filme, pelo menos por aqui, não chegou adequadamente a seu público potencial.
Quem fala é Mônica Kanitz, programadora das três salas de cinema da Casa de Cultura Mario Quintana:
"Até já encaminhei para ele (Meirelles) um e-mail com algumas considerações... Acho, por exemplo, que um filme como esse não pode entrar num Cinemark da vida - o público-pipoca não tem esse perfil. O problema é que os caras querem arrecadar, querem grana, aí desconsideram a Cinemateca (nosso ingresso fica na média de R$ 5). Peguei o filme para dar continuidade e coloquei numa sessão só, na Paulo Amorim (150 lugares). No sábado passado, a sessão teve 123 pessoas, no domingo, 141 (mandamos gente embora, inclusive). E as duas sessões foram aplaudidas no final! Claro que isso foi no final de semana, mas mesmo durante a semana o público é sempre bom (com metade da sala, em média). Agora, por causa do Fantaspoa, tive que colocar o filme na Norberto Lubisco (50 lugares), mas agendamos duas sessões para tentar acomodar todo mundo. Outro detalhe muito importante: várias escolas estão ligando para agendar sessões para 50, 60 alunos. Já temos cinco marcadas para os próximos dias! Vamos fazer, inclusive, sessões pela manhã! Acho que um filme como o Xingu tinha que ter um lançamento mais bem pensado, valorizando escolas e os cinemas que têm um perfil alternativo, de autor. Tenho certeza que vai ficar muito tempo na Cinemateca - enquanto o público estiver bacana, nós vamos mantê-lo em cartaz!".
Diante disso, é equivocado generalizar que houve rejeição ao filme no RS. As pessoas estão indo assistir e estão gostando. Pode não ser na quantidade que Meirelles gostaria, mas isso é literalmente outro negócio.
Por fim, vale lembrar que essa bronca do cineasta com os gaúchos não é de agora. E o curioso é que tem filme dele que, proporcionalmente, saiu-se melhor aqui do que nas capitais de São Paulo e Rio, caso de Ensaio sobre a Cegueira. Os dados foram apurados pelo Carlos André Moreira junto ao Filme B, para a matéria acima referida: Rio : 98.452 espectadores (1,5% dos habitantes); São Paulo: 235.603 ( 2% dos habitantes); Porto Alegre: 40.409 (2,8% dos habitantes).
Em entrevista a ZH, em 2010, Meirelles já havia manifestado essa, digamos, indisposição com os gaúchos:
P – Há diferenças entre os públicos de um Estado e de outro no Brasil? Que diferenças seriam essas? R – Ha diferenças sim, mas nada comparada as diferenças que há entre o mercado gaúcho e o resto do Brasil. Há filmes que só vão bem no Rio Grande do Sul e outros que são solenemente ignorados aí.
P – Baseado na experiência com seus filmes, você considera que (...) o gaúcho seria mais resistente ao cinema nacional?
R – Do meu ponto de vista daqui do norte, cinema nacional para gaúcho é o cinema feito pelo Jorge Furtado, pelo Gerbase, Reichenbach, Paulo Nascimento, Nadotti, etc. Nem sei se os gaúchos sabem que existe terra habitada ao norte de Frederico Westphalen.
A quem tiver mais interesse nessa pendenga sem fim (e sem propósito) do cinema nacional x gaúchos, já tratamos do tema AQUI e AQUI.





Esta tal pendenga está sendo criada por vcs da imprensa gaúcha, por total falta de assunto. O Meirelles tem mais o que fazer do que ficar debatendo com a gauchada embombachada e bairrista! Fez um filme que ñ teve a bilheteria q ele esperava...Qual cineasta famoso ñ passou por isto? O cinema feito por gaúchos tem que ser sustentado, mesmo, pelos gaúchos, caso contrário - fracasso total! Filmecos muito chatos - com raras exceções, para ser justo - que só ganham prêmios regionais gaúchos, para ficar tudo em família. O Brasil ignora, solenemente, a cultura gaúcha, por ser esta cultura pobre e fake. Os jornais brasileiros deram quase nenhuma cobertura a este episódio. O erro do Meirelles foi, a cata de uns trocados, gastar vela com defunto inútil!
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Gabriel Olviedo: Perfeito!
Oi, Gabriel. Permita-me um aparte.
Não estamos criando nada e não há "falta de assunto" quando o próprio cineasta levantou o tema antes de qualquer pessoa. Primeiro Meirelles anunciou o cancelamento de um projeto devido ao desapontamento com a bilheteria de Xingu.
"Qual cineasta famoso ñ passou por isto?" você pergunta, e tem razão. Mas essa pergunta deve ser dirigida então ao próprio cineasta, foi ele que, publicamente, anunciou seu desalento, criando a notícia que você diz não existir.
E se o Meirelles "tem mais o que fazer do que ficar debatendo com a gauchada embombachada e bairrista" eu não sei, não cuido da agenda dele, mas o próprio cineasta escreveu um texto sobre o quanto Xingu foi mal nas bilheterias do Rio Grande do Sul - o pior desempenho do filme no país, nas palavras dele próprio.
Nem precisa pedir, sr.Carlos André...Este site prima por ser um guardião do direito de expressão, para todos ( risos, muitos risos )! Este blog já mostrou ser democrático e isento e eu, eu morro defendendo o direito da livre discussão sobre todos os assuntos. Só um detalhe a ser evidenciado - eu tenho a minha opinião e o sr. tem a sua e assim caminha a humanidade... Ninguém me catequiza e eu ñ pretendo catequizar ninguém. Isto posto, eu me permito perguntar ao sr. : Se a mídia gaúcha é tão obreira e competente, por que por aí só fica o rebotalho da profissão,enqto os profissionais de valor são cooptados pelo eixo Rio / SPaulo?
Gabriel, este site sempre aceitou qualquer comentário desde que feito segundo as regras mais simples de civilidade - não são regras difíceis de seguir, a propósito, embora a internet viva querendo me provar o contrário.
Quanto à tua pergunta: se confundes debate com "catequização", não respondes aos meus argumentos pontuais e partes para o ataque ad hominem mais banal, não tenho por que te responder - nem vou.
Abraço e passar bem.
Catequizar, ofendidinho Carlos André, tem como sinônimos : ensinar, instruir, doutrinar, alumiar, esclarecer, educar, explicar e tantos outros. Seus argumentos, como sempre, são ocos, são desprovidos de tutano! Mas, nada que me espante! De fato, o que deixou vc esbaforido, colérico, foi o vocábulo : rebotalho, no qual vc se aninhou. Abraço e passe bem, se conseguir...
Gabriel, debate se faz com argumentos - não com xingamentos ou ofensas pessoais, falando mal do meu tutano, do meu nariz de melão ou seja lá o que tua birra infantil te ditar no momento. E eu não estou colérico, estou pausadamente tentando reconduzir esta conversa ao diálogo mínimo. Intuito do qual acabo de desistir, a propósito. Você bem que precisa de uma catequização para aprender a dialogar sem o apelo a toda essa juvenil exaltação - que continuará sendo juvenil mesmo que você tenha... sei lá, uns 100 anos.
De minha parte, este debate acabou. Não sou escandinavo para ficar alimentando trolls. Adiós.
"Seus argumentos, como sempre, são ocos".
Meu caro Gabriel: estou de férias, acessando isso aqui muito esporadicamente, mas preciso intervir para dizer que nunca, neste nosso blog, alguém pronunciou uma asneira tão grande como a da frase acima. Carlos André é um dos jornalistas com mais cultura e informações acumuladas que já conheci, e olha que conheço algumas dezenas de jornalistas como os que você cita, "cooptados pelo eixo". Em vez de apenas defender os argumentos consistentes, você deveria usá-los no debate em vez de partir para ofensas pessoais descabidas.
Não entendo o que faz um cara discutir tanto aqui, se eh soh pra denegrir a imagem de outrem. Qual eh o problema desse Gabriel Olviedo? Algum gaucho fez amor gostoso com tua mulher? Quanto rancor no coracao, tche!!!!