Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Ainda sobre "Xingu" e os gaúchos

11 de maio de 2012 10

Uma consideração que imagino ser relevante nessa bronca do Fernando Meirelles com o público gaúcho por conta do fraco, na avaliação dele, desempenho de Xingu por aqui. O tema já deu pano pra manga em ZH, a começar por um texto exclusivo enviado pelo diretor e na reportagem que procurou investigar qual é, afinal, o gosto cinéfilo do espectador local (leia aqui).

Bom, um ponto importante a destacar é que os números nacionais de Xingu, mais de 300 mil espectadores, não são de todo ruins para um filme que, apesar do grande lançamento, não tem o perfil comercial que seus produtores possam ter imaginado que tivesse – para ser vendido, por exemplo, como uma aventura de heróis desbravadores em terras habitadas por índios hostis. Um indício disso é a percepção que reproduzo a seguir, de que o filme, pelo menos por aqui, não chegou adequadamente a seu público potencial.

Quem fala é Mônica Kanitz, programadora das três salas de cinema da Casa de Cultura Mario Quintana:

"Até já encaminhei para ele (Meirelles) um e-mail com algumas considerações... Acho, por exemplo, que um filme como esse não pode entrar num Cinemark da vida - o público-pipoca não tem esse perfil. O problema é que os caras querem arrecadar, querem grana, aí desconsideram a Cinemateca (nosso ingresso fica na média de R$ 5). Peguei o filme para dar continuidade e coloquei numa sessão só, na Paulo Amorim (150 lugares). No sábado passado, a sessão teve 123 pessoas, no domingo, 141 (mandamos gente embora, inclusive). E as duas sessões foram aplaudidas no final! Claro que isso foi no final de semana, mas mesmo durante a semana o público é sempre bom (com metade da sala, em média). Agora, por causa do Fantaspoa, tive que colocar o filme na Norberto Lubisco (50 lugares), mas agendamos duas sessões para tentar acomodar todo mundo. Outro detalhe muito importante: várias escolas estão ligando para agendar sessões para 50, 60 alunos. Já temos cinco marcadas para os próximos dias! Vamos fazer, inclusive, sessões pela manhã! Acho que um filme como o Xingu tinha que ter um lançamento mais bem pensado, valorizando escolas e os cinemas que têm um perfil alternativo, de autor. Tenho certeza que vai ficar muito tempo na Cinemateca - enquanto o público estiver bacana, nós vamos mantê-lo em cartaz!".

Diante disso, é equivocado generalizar que houve rejeição ao filme no RS. As pessoas estão indo assistir e estão gostando. Pode não ser na quantidade que Meirelles gostaria, mas isso é literalmente outro negócio.

Por fim, vale lembrar que essa bronca do cineasta com os gaúchos não é de agora. E o curioso é que tem filme dele que, proporcionalmente, saiu-se melhor aqui do que nas capitais de São Paulo e Rio, caso de Ensaio sobre a Cegueira. Os dados foram apurados pelo Carlos André Moreira junto ao Filme B, para a matéria acima referida: Rio : 98.452 espectadores (1,5% dos habitantes); São Paulo: 235.603 ( 2% dos habitantes); Porto Alegre: 40.409 (2,8% dos habitantes).

Em entrevista a ZH, em 2010, Meirelles já havia manifestado essa, digamos, indisposição com os gaúchos:

P – Há diferenças entre os públicos de um Estado e de outro no Brasil? Que diferenças seriam essas? R – Ha diferenças sim, mas nada comparada as diferenças que há entre o mercado gaúcho e o resto do Brasil. Há filmes que só vão bem no Rio Grande do Sul e outros que são solenemente ignorados aí.

P – Baseado na experiência com seus filmes, você considera que (...) o gaúcho seria mais resistente ao cinema nacional?

R – Do meu ponto de vista daqui do norte, cinema nacional para gaúcho é o cinema feito pelo Jorge Furtado, pelo Gerbase, Reichenbach, Paulo Nascimento, Nadotti, etc. Nem sei se os gaúchos sabem que existe terra habitada ao norte de Frederico Westphalen.

A quem tiver mais interesse nessa pendenga sem fim (e sem propósito) do cinema nacional x gaúchos, já tratamos do tema AQUI e AQUI.

Comentários (10)

  • Gabriel Olviedo diz: 11 de maio de 2012

    Esta tal pendenga está sendo criada por vcs da imprensa gaúcha, por total falta de assunto. O Meirelles tem mais o que fazer do que ficar debatendo com a gauchada embombachada e bairrista! Fez um filme que ñ teve a bilheteria q ele esperava...Qual cineasta famoso ñ passou por isto? O cinema feito por gaúchos tem que ser sustentado, mesmo, pelos gaúchos, caso contrário - fracasso total! Filmecos muito chatos - com raras exceções, para ser justo - que só ganham prêmios regionais gaúchos, para ficar tudo em família. O Brasil ignora, solenemente, a cultura gaúcha, por ser esta cultura pobre e fake. Os jornais brasileiros deram quase nenhuma cobertura a este episódio. O erro do Meirelles foi, a cata de uns trocados, gastar vela com defunto inútil!

  • Marcelo Castro Moraes diz: 12 de maio de 2012

    CAMPANHA: NOSSO FOCO É O CINEMA

    Para um BLOGUEIRO CINÉFILO cinema é arte, talento e magia. Ele lê muito sobre a sétima arte, pesquisa, passa horas diante do computador, coleta imagens raras e principalmente vê filmes, muitos filmes. Movido pela paixão cinematográfica, abre as portas para um novo mundo. O que mais o anima a continuar são os COMENTÁRIOS dos internautas. Tornar-se SEGUIDOR do seu blog é uma grande alegria. Pense nisso e apoie os blogs cinéfilos DEIXANDO COMENTÁRIOS e SEGUINDO-OS. O cinema agradece.

  • FitoPlancton diz: 12 de maio de 2012

    Gabriel Olviedo: Perfeito!

  • Carlos André Moreira diz: 13 de maio de 2012

    Oi, Gabriel. Permita-me um aparte.
    Não estamos criando nada e não há "falta de assunto" quando o próprio cineasta levantou o tema antes de qualquer pessoa. Primeiro Meirelles anunciou o cancelamento de um projeto devido ao desapontamento com a bilheteria de Xingu.
    "Qual cineasta famoso ñ passou por isto?" você pergunta, e tem razão. Mas essa pergunta deve ser dirigida então ao próprio cineasta, foi ele que, publicamente, anunciou seu desalento, criando a notícia que você diz não existir.
    E se o Meirelles "tem mais o que fazer do que ficar debatendo com a gauchada embombachada e bairrista" eu não sei, não cuido da agenda dele, mas o próprio cineasta escreveu um texto sobre o quanto Xingu foi mal nas bilheterias do Rio Grande do Sul - o pior desempenho do filme no país, nas palavras dele próprio.

  • Gabriel Olviedo diz: 14 de maio de 2012

    Nem precisa pedir, sr.Carlos André...Este site prima por ser um guardião do direito de expressão, para todos ( risos, muitos risos )! Este blog já mostrou ser democrático e isento e eu, eu morro defendendo o direito da livre discussão sobre todos os assuntos. Só um detalhe a ser evidenciado - eu tenho a minha opinião e o sr. tem a sua e assim caminha a humanidade... Ninguém me catequiza e eu ñ pretendo catequizar ninguém. Isto posto, eu me permito perguntar ao sr. : Se a mídia gaúcha é tão obreira e competente, por que por aí só fica o rebotalho da profissão,enqto os profissionais de valor são cooptados pelo eixo Rio / SPaulo?

  • Carlos André Moreira diz: 14 de maio de 2012

    Gabriel, este site sempre aceitou qualquer comentário desde que feito segundo as regras mais simples de civilidade - não são regras difíceis de seguir, a propósito, embora a internet viva querendo me provar o contrário.
    Quanto à tua pergunta: se confundes debate com "catequização", não respondes aos meus argumentos pontuais e partes para o ataque ad hominem mais banal, não tenho por que te responder - nem vou.
    Abraço e passar bem.

  • Gabriel Olviedo diz: 14 de maio de 2012

    Catequizar, ofendidinho Carlos André, tem como sinônimos : ensinar, instruir, doutrinar, alumiar, esclarecer, educar, explicar e tantos outros. Seus argumentos, como sempre, são ocos, são desprovidos de tutano! Mas, nada que me espante! De fato, o que deixou vc esbaforido, colérico, foi o vocábulo : rebotalho, no qual vc se aninhou. Abraço e passe bem, se conseguir...

  • Carlos André Moreira diz: 14 de maio de 2012

    Gabriel, debate se faz com argumentos - não com xingamentos ou ofensas pessoais, falando mal do meu tutano, do meu nariz de melão ou seja lá o que tua birra infantil te ditar no momento. E eu não estou colérico, estou pausadamente tentando reconduzir esta conversa ao diálogo mínimo. Intuito do qual acabo de desistir, a propósito. Você bem que precisa de uma catequização para aprender a dialogar sem o apelo a toda essa juvenil exaltação - que continuará sendo juvenil mesmo que você tenha... sei lá, uns 100 anos.
    De minha parte, este debate acabou. Não sou escandinavo para ficar alimentando trolls. Adiós.

  • Daniel Feix diz: 16 de maio de 2012

    "Seus argumentos, como sempre, são ocos".

    Meu caro Gabriel: estou de férias, acessando isso aqui muito esporadicamente, mas preciso intervir para dizer que nunca, neste nosso blog, alguém pronunciou uma asneira tão grande como a da frase acima. Carlos André é um dos jornalistas com mais cultura e informações acumuladas que já conheci, e olha que conheço algumas dezenas de jornalistas como os que você cita, "cooptados pelo eixo". Em vez de apenas defender os argumentos consistentes, você deveria usá-los no debate em vez de partir para ofensas pessoais descabidas.

  • Geraldo diz: 14 de setembro de 2012

    Não entendo o que faz um cara discutir tanto aqui, se eh soh pra denegrir a imagem de outrem. Qual eh o problema desse Gabriel Olviedo? Algum gaucho fez amor gostoso com tua mulher? Quanto rancor no coracao, tche!!!!

Envie seu Comentário