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Posts do dia 19 maio 2012

Lançados e jogados

19 de maio de 2012 4

Um eco tardio ainda relacionado ao tema abaixo, sobre a relação do público local com o cinema nacional. Entraram em cartaz em Porto Alegre nesta sexta-feira oito filmes. Três deles são brasileiros: O Homem que não Dormia, de Edgar Navarro, Uma Longa Viagem, de Lúcia Murat, e Romance de Formação, de Julia de Simone. Nenhum deles realizou cabine de imprensa.

Do elogiado O Homem que não Dormia ficou-se sabendo da chegada em cima da hora, com a programação enviada pela sala exibidora (está em cartaz em apenas uma e em dois horários). Romance de Formação entrou em uma sala e em apenas um horário. Nenhum dos dois ganhou espaço no jornal. Uma Longa Viagem teve melhor sorte por já ser conhecido dos festivais em que foi premiado (como Gramado e Paulínia). Ganhou uma página.

O espaço no jornal faz ou não faz diferença no desempenho de um filme pequeno? Já demos matérias de capa recentemente e avaliações muito positivas para filmes como os do projeto Vitrine (exemplo de divulgação competente), Heleno, Eu Receberia as Piores Notícias..., entre outros tantos que não foram exatamente sucesso de público - ou chegaram ao seu público potencialmente certo, vá saber. Mas dá para cravar que, se com divulgação pode mesmo assim ser ruim, sem divulgação alguma será ainda pior.

Mesmo que se assista a O Homem que não Dormia e a Romance de Formação no final de semana e se consiga um espaço nos próximos dias para falar deles, o estrago foi feito, pois a performance dos primeiros dias em cartaz costuma ser decisiva para o futuro de um filme com lançamento modesto.

Girimunho, que entra em cartaz nos próximos dias, teve cabine de imprensa nesta sexta-feira, o que dá um prazo decente para que busque no decorrer da semana entrevistar seus diretores (Clarissa Campolina e Helvécio Marins Jr.) e preparar um bom material para a estreia.

A conclusão disso tudo é que realizadores e distribuidores não podem reclamar de interesse de público por um filme  se o público por vezes desconhece a existência desse filme.  E não estamos falando de marketing pesado, mas sim de um simples release, uma foto decente, um DVD de serviço que seja diante do custo de realização de uma cabine. A impressão que passa é que às vezes nem os responsáveis pelo filme acreditam nele, ao ponto de jogá-lo  no circuito à própria sorte tão somente para cumprir cotas, metas, compromissos com investidores, etc. E nem vamos entrar no complexo mérito daqueles que não dependem de bilheteria por  já terem sido remunerados lá no início do projeto pelas leis de incentivo.