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Os 30 anos de Palma de Ouro

28 de maio de 2012 0

Encerrado mais um Festival de Cannes, o feito de O Pagador de Promessa segue inigualado. O filme de Anselmo Duarte  (1920 – 2009) é detentor da única Palma de Ouro conquistada pelo cinema nacional, há 50 anos. A data foi devidamente celebrada por ZH no dia 23 passado, na matéria em que entrevistamos Leonardo Villar e Glória Menezes, protagonistas do longa (você pode conferir  clicando aqui).

Logo depois, nosso querido amigo Goida ligou para dar o toque. Em 1992, na ocasião dos 30 anos da Palma de Ouro, foi realizada uma homenagem a O Pagador de Promessas no Festival de Gramado. Em agosto daquele ano, o filme foi escolhido para a abrir a 20ª edição do evento, com presença de Anselmo, Glória, Leonardo, Norma Bengell e Dionísio Azevedo, também integrantes do elenco, e do produtor Oswaldo Massaini (todos ele na foto acima).

Crítico de cinema e um dos principais articuladores e incentivadores do Festival de Gramado, Goida lembra que não foi nada fácil convencer Anselmo a vir receber a homenagem, pois o diretor, então com 72 anos,  não gostava muito de sair de casa.

Pesquisando em nosso arquivo, achamos algumas fotos e a cobertura da noite especial, que se deu em um momento nefasto para o cinema brasileiro –, a produção havia sido paralisada com extinção da Embrafilme pelo governo Collor, que naquele momento agonizava em meio à crise que culminaria no processso de impeachment (a programação de Gramado em 1992 foi majoritariamente de filmes latinos).

Antes da projeção, seguida por aplausos em pé da plateia, Anselmo disse:

- Estou satisfeito em ver que o Brasil não é um país desmemoriado, têm a lembrança do que ocorreu há 30 anos. Espero que esse reconhecimento possa servir de incentivo aos jovens que estão fazendo cinema nesse país.

Anselmo também comentou à situação caótica do cinema nacional à epoca, destacando como agravante o fechamento de salas de exibição e culpando exibidorer e negociantes. E garantiu que não iria mais filmar, apesar de haver recebido uma proposta do Governo Federal para voltar à ativa.

– A saída seria eu trocar de nome e ir filmar no Exterior. Tudo o que fiz depois foi taxado de quadrado, acadêmico.  Não quero mais.

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