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Bradbury: de John Huston a Truffaut

06 de junho de 2012 1

O escritor Ray Bradbury, que morreu ontem, aos 91 anos, deu nova dimensão à ficção científica, começam a apontar os textos de obituário que pipocam por aí. Os cinéfilos também vão lembrar que o autor norte-americano teve pelo menos duas referências bem sólidas no cinema, uma pelas mãos de John Huston e outra pelas de François Truffaut.

Para Huston, ele roteirizou a adaptação de Moby Dick, de Herman Melville, lançada em 1956 – período de auge da popularidade de Bradbury. A colaboração com Truffaut não foi ativa: o autor não participou da adaptação da obra-prima Fahrenheit 451 – o cineasta francês assinou o roteiro junto a Jean-Louis Richard.

A célebre trama de perseguição em um mundo que vive sob um regime totalitário no qual os livros são proibidos, assim como o pensamento crítico (451ºF é a temperatura na qual o papel queima), constitui o único filme que Truffaut rodou (predominantemente) em inglês. Lembro que não foi fácil encontrá-lo, no tempo do VHS, quando de maneira obsessiva decidi que veria todos os filmes dos grandes realizadores europeus do pós-neorrealismo italiano: no final dos anos 1990, Fahrenheit 451 só circulava no Brasil em cópias ilegais, que naquela época de fiscalização menos rigorosa até podiam ser encontradas nas velhas videolocadoras.

É um belíssimo exercício de gênero de Truffaut e uma das melhores ficções científicas de seu tempo – o longa foi lançado em 1966, 13 anos após a publicação do livro original de Bradbury. Em DVD ele está disponível no mercado brasileiro, veja um bom trailer (sem legendas) clicando aqui.

Comentários (1)

  • FÁBIO diz: 6 de junho de 2012

    Conheci o mestre Truffaut através de Fahrenheit 451, numa madrugada da Globo ha uns bons 15 ou 20 anos atrás. Procurei desesperadamente por ele em DVD e quando apareceu comprei logo no lançamento. Estupendo, imperdível!

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