É bem divertida a aventura dos animais falantes de Madagascar, agora pela Europa, no terceiro filme da franquia, em cartaz nos cinemas. No longa em que o leão Alex, a zebra Marty, a girafa Melman e a hipopótama Gloria viajam de trem, juntam-se à trupe de um circo, fazem trapézio e malabares com os alpes ao fundo, visitam o Coliseu de Roma e alucinam nas ruas de Mônaco, o que mais chama a atenção é a qualidade técnica. Atrevo-me a dizer: nunca, até aqui, nem com Shrek, nem com Kung Fu Panda, a produtora Dreamworks foi tão competente na elaboração visual de uma animação – a abundância de cores e a riqueza de detalhes em cada sequência, pela primeira vez, fazem com que uma produção da principal concorrente da Disney/Pixar realmente se aproxime do nível alcançado pelo estúdio responsável por Toy Story, Ratatouille e Os Incríveis. Nível técnico, ressalto.
O ritmo de Madagascar 3 – Os Procurados é frenético. Numa sessão 3D, é capaz de tontear os pais que forem levar os filhos ao cinema – o filme diverte o público de todas as idades, mas combina mesmo é com aquelas crianças crescidinhas que já curtem a música de Katy Perry e estão dispostas a entrar na sala de cinema para vivenciar não uma fábula infantil ordinária, mas uma aventura alucinante que às vezes parece menos um filme e mais um videogame.
Graças ao ótimo uso das três dimensões, as perseguições a que a bicharada é submetida na primeira meia hora fazem o espectador se sentir dentro de uma montanha russa. Aí é que está a principal questão em torno do longa: Madagascar 3 deixa mais evidente com quem os autores das grandes animações de Hollywood estão lidando. Se a partir de 1995, com Toy Story, virou chavão dizer que os desenhos passaram a ser "para crianças e adultos", e, a partir de 2001, com Shrek, os jovens mais descolados também foram fisgados, o novo filme aprimora a comunicação com o público adolescente – de espírito, não de idade. A rigor, não é uma faixa muito diferente daquela que consome os filmes de ação, aí incluídas as séries de super-heróis, e que cada vez mais se solidifica como o principal público-alvo dos estúdios norte-americanos. No caso das animações, o grande avanço se dá por conta do uso do 3D. Não há longa-metragem animado que faz tão bom uso da técnica das três dimensões como este terceiro capítulo da franquia Madagascar.
Como se trata de um filme "de viagem", mais parece um road movie de montanha russa: enquanto você ouve uma trilha sonora ultrapop – além de Katy Perry, há The Clash, LMFAO e referências a Piratas do Caribe –, perde o fôlego em meio a perseguições, é submetido a momentos de vertigem no trapézio e tem testada a sua capacidade de resistir a simulações de queda de prédios e lançamentos pelo ar. Há, é claro, aquela fofice dos personagens e das situações, que é comum aos títulos do gênero, mas o fundamental em Madagascar 3 é este aprimoramento da comunicação com o público mais jovem, é o aperfeiçoamento desta comunicação por meio dos recursos da técnica. É o que se pode chamar de um filme bem-sucedido. Muito longe da genialidade de um Toy Story, mas em condições de se tornar parâmetro para muitas produções futuras – da Dreamworks, sobretudo.



