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Carlão, Fausto e o paraíso imaginário

27 de junho de 2012 0

Carlos Reichenbach, morto há poucos dias aos 67 anos, será homenageado nesta sexta-feira com uma edição especial do projeto Raros da Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro, em Porto Alegre. A sessão, gratuita e com início marcado para as 20h30min, é uma oportunidade que o público da cidade tem para ver no cinema Filme Demência (1986), que o próprio Carlão considerava o seu melhor longa.

A homenagem é especial porque o cineasta era um admirador da proposta do Raros, que foi criado em maio de 2003 e lhe inspirou a realizar as populares Sessões do Comodoro no Cinesesc de São Paulo. Carlão era um colaborador do Raros, contribuindo com o envio de vários filmes, avisa o pessoal da P.F. Gastal. Foi o convidado da edição número cem do projeto, realizada há exatos cinco anos, em 22 de junho de 2007. Na ocasião, participou de uma sessão histórica, exibindo a versão recém-restaurada de seu clássico Lilian M – Relatório Confidencial (1975).

A trama de Filme Demência, escrita em conjunto com o crítico de cinema Inácio Araújo, acompanha a trajetória de Fausto, um industrial à beira da falência que num momento de crise rompe seus  laços familiares e, munido de uma arma, mergulha na noite de São Paulo em busca de um paraíso imaginário. Trata-se de uma livre adaptação do Fausto de Goethe, transposto para a realidade brasileira. Os comentários serão do jornalista Carlos Thomaz Albornoz e do montador e professor de cinema Milton do Prado, dois amigos e admiradores de Reichenbach em Porto Alegre (Albornoz chegou a atuar em Bens Confiscados, que Carlão rodou no litoral gaúcho e lançou em 2004).

Ainda homenagens: a Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, publicou um dossiê com diversos textos sobre o Comodoro, entre os quais uma entrevista que fiz com o mestre em 2001, quando ele foi homenageado no Festival de Gramado. Vá ao blog/site da entidade, clicando aqui, e desça até a Parte I para ler. E leia também o Adeus ao Comodoro publicado em ZH um dia após a sua morte. Viva Carlão!

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