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Oscar 2012: o campeão de indicações

15 de fevereiro de 2012 0

A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese, é provavelmente o melhor entre os nove indicados ao Oscar de melhor filme. Não chega a ser o melhor longa norte-americano da temporada – este é Drive. Mas é uma pequena preciosidade que usa a técnica do 3D em sua plenitude – como pouquíssimos outros, entre eles Avatar, fizeram até hoje – para contar uma fábula fascinante sobre crescimento, aprendizado, memória, reconhecimento e, fundamentalmente, aquilo que sonhamos ser e fazer. O melhor de tudo: a maior metáfora do filme se dá a partir de uma linda homenagem a George Méliès (1861-1938), o primeiro grande sonhador do cinema.

Baseado no livro infantil homônimo de Brian Selznick, Hugo é um filme para crianças e adultos se apaixonarem, um tantinho arrastado em sua primeira metade, arrebatador em sua capacidade de envolvimento a partir do aprofundamento da relação do protagonista, interpretado pelo ator-mirim Asa Butterfield, com o personagem de Méliès (o sempre ótimo Ben Kinsgley). Hugo, menino órfão que mora numa estação de trem na Paris dos anos 1930, lembra o Antoine Doinel de Os Incompreendidos (1959), um pequeno François Truffaut encantado pelo cinema que vive suas descobertas ao mesmo tempo em que precisa fugir da intolerância da lei (personalizada num estupendo Sacha Baron Cohen, injustamente esquecido no Oscar).

Para encurtar as coisas: Hugo é filho do técnico encarregado de manter os relógios das torres da estação (Jude Law). O pai morre num incêndio, deixando para o menino um robô. Em sua tentativa de fazê-lo funcionar, o pequeno protagonista vai se aproximar de Méliès (e de sua filha interpretada por Chloë Moretz), o precursor da fantasia no cinema que, três décadas depois de lançar o clássico Viagem à Lua (1902), vive anônimo cuidando de uma loja de brinquedos na mesma estação. Aliás, as imagens coloridas viajandonas do mais influente filme de Méliès (veja mais sobre sua restauração recente aqui), projetadas na tela grande e vistas em três dimensões, são um atrativo extra para os cinéfilos.

Não deixa de ser curioso que tanto o recordista de indicações (Hugo) quanto o maior favorito deste Oscar (O Artista) prestem homenagens aos primórdios do cinema, particularmente a mitos da era pré-filmes falados. O tipo de fruição que Hugo provoca, no entanto, na comparação com O Artista, é mais interessante. Sua dramaturgia é mais profunda e sua capacidade de emocionar, mais efetiva. Scorsese geralmente acerta, mas, se levarmos em conta que o realizador de Táxi Driver (1976) e Os Bons Companheiros (1990) nunca antes fizera um longa que dialogasse com um público tão amplo, literalmente dos 8 aos 80 anos de idade, não é incorreto concluir que A Invenção de Hugo Cabret é um de seus tiros mais certeiros.

Oscar 2012: o que dizem os prêmios prévios

13 de fevereiro de 2012 0

Dizem, para responder claramente à questão colocada no título deste post, que O Artista (leia o texto sobre o filme aqui) se tornou o principal favorito às estatuetas de melhor filme e direção. Além disso, pode-se concluir que Viola Davis e Meryl Streep são as principais candidatas ao prêmio de melhor atriz e Jean Dujardin ou George Clooney, um dos dois, deve vencer como melhor ator. Isso porque o filme francês de Michel Hazanavicius levou os prêmios dos sindicatos dos produtores (PGA) e dos diretores (DGA), que são os mais confiáveis termômetros para as categorias de filme e direção, enquanto Viola Davis e Jean Dujardin foram os laureados no prêmio do sindicato dos atores (SAG). George Clooney e Meryl Streep entram na conta dos favoritos porque venceram o Globo de Ouro e porque, no caso dele, somou o maior número de vítórias nas premiações dos críticos dos EUA e, no dela, saiu vitoriosa no Bafta, o Oscar britânico, na premiação do último domingo.

Ambos, George Clooney e Meryl Streep, têm lobby forte em Hollywood. Há de se considerar, no entanto, que premiações de críticos, Globo de Ouro e também o Bafta são entregues por outros corpos de jurados, que nada têm a ver com o Oscar – diferentemente do que acontece com o SAG, o PGA, o DGA e o WGA (o prêmio do sindicato dos roteiristas, que será entregue no próximo domingo). Os votantes dos prêmios dos sindicatos da indústria são, em grande parte, integrantes da Academia de Hollywood, ou seja, basta repetirem os votos que deram no prêmio prévio de sua área para que se configure um indicativo do vencedor na cerimônia do dia 26. O Globo de Ouro, lembrando, é o prêmio da imprensa internacional em Hollywood, enquanto o Bafta é o da Academia Britânica de Cinema.

Jean Dujardin e Viola Davis, em síntese, despontam como principais candidatos nas categorias de interpretação, num favoritismo quase tão destacado quanto o de O Artista e seu diretor, Michel Hazanavicius. Veja um resumo dos prêmios prévios e tire as suas conclusões:

PGA
Melhor filme: O Artista
Melhor documentário: Beats Rhymes & Life
Melhor animação: As Aventuras de Tintim

DGA
Melhor diretor/ficção: Michel Hazanavicius (O Artista)
Melhor diretor/documentário: James Marsh (Project Nim)

SAG
Melhor elenco: Histórias Cruzadas
Melhor ator: Jean Dujardin (O Artista)
Melhor atriz: Viola Davis (Histórias Cruzadas)
Melhor ator coadjuvante: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
Melhor atriz coadjuvante: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

WGA
Será entregue no próximo domingo

Globo de Ouro
Melhor filme/drama: Os Descendentes
Melhor filme/comédia ou musical: O Artista
Melhor diretor: Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)
Melhor ator/drama: George Clooney (Os Descendentes)
Melhor ator/comédia ou musical: Jean Dujardin (O Artista)
Melhor atriz/drama: Meryl Streep (A Dama de Ferro)
Melhor atriz/comédia ou musical: Michelle Williams (Sete Dias com Marylin)
Melhor ator coadjuvante: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
Melhor atriz coadjuvante: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

Bafta
Melhor filme: O Artista
Melhor diretor: Michel Hazanavicius (O Artista)
Melhor ator: Jean Dujardin (O Artista)
Melhor atriz: Meryl Streep (A Dama de Ferro)
Melhor ator coadjuvante: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
Melhor atriz coadjuvante: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

Critics' Choice
Melhor filme: O Artista
Melhor diretor: Michel Hazanavicius (O Artista)
Melhor ator: George Clooney (Os Descendentes)
Melhor atriz: Viola Davis (Histórias Cruzadas)
Melhor ator coadjuvante: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
Melhor atriz coadjuvante: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

National Board of Review
Melhor filme: A Inveção de Hugo Cabret
Melhor direção: Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)
Melhor ator: George Clooney (Os Descendentes)
Melhor atriz: Tilda Swinton (Precisamos Falar sobre o Kevin)

National Society of Film Critics
Melhor filme: Melancolia
Melhor diretor: Terrence Malick (A Árvore da Vida)
Melhor ator: Brad Pitt (Moneyball e A Árvore da Vida)
Melhor atriz: Kirsten Dunst (Melancolia)

Associações regionais de críticos
De Nova York: O Artista
De Los Angeles: Os Descendentes
De Boston: O Artista
De San Francisco: A Árvore da Vida
De Washington: O Artista

Truffaut, 80 anos

06 de fevereiro de 2012 0

Hoje François Truffaut (1932-1984) faria 80 anos. Fazemos nossa a homenagem do Google francês, que pôs no ar três doodles (seus logotipos temáticos) com imagens de três clássicos do cineasta, Jules e Jim, Domicílio Conjugal e Os Incompreendidos (acima). Mais do que isso, vai abaixo um excerto de um dos momentos mais bonitos de A Sereia do Mississippi, estrelado por Jean-Paul Belmondo e Catherine Deneuve e um dos melhores filmes de Truffaut, embora não tão aclamado quanto, por exemplo, os três títulos citados anteriormente.

Oscar 2012: o estrangeiro da hora

03 de fevereiro de 2012 4

– O futuro do Irã será determinado pelas mulheres – declarou Asghar Farhadi ao receber o Urso de Ouro na última edição do Festival de Berlim por A Separação.

Aos 39 anos, o cineasta parece mesmo determinado a quebrar paradigmas. Urbano, universal, contemporâneo, seu mais recente filme tem pouco a ver com a imagem corrente do cinema iraniano.

Procurando Elly (2009), quarto longa de sua carreira e o primeiro a ser lançado no Brasil — e que ganhou o prêmio de direção em Berlim —, já evidenciava sua vontade de refletir sobre a classe média ocidentalizada do Irã, a partir de códigos de gêneros clássicos como o thriller psicológico. A Separação, filme da sua aclamação mundial, segue a mesma cartilha, mas é ainda mais profundo em sua reflexão sobre a vida no país no contexto da contemporaneidade. Já venceu o Globo de Ouro e só não leva o Oscar de melhor longa estrangeiro no próximo dia 26 se houver uma grande zebra. Estreia nesta sexta-feira (2) em Porto Alegre.

Seu ponto de partida é a crise conjugal entre o bancário Nader (Peyman Moaadi) e a professora de cabelos pintados Simin (Leila Hatami). O casal obteve um visto para deixar o Irã, e ela quer aproveitar e tirar do país a filha adolescente (Sarina Farhadi). Nader não aceita deixar o pai senil (Ali-Ashar Shahbazi), e sem a autorização do marido a mulher não pode levar a garota — o que dá origem ao conflito. Simin sai de casa, e o homem resolve contratar Hodjat (Shahab Husseini), que está grávida de seu segundo filho, para as tarefas domésticas. Não pense que conto demais — é apenas após um incidente entre patrão e empregada que as intenções do diretor se revelam.

Com a câmera na mão, poucos silêncios e fazendo uso de um naturalismo diferente daquele que consagrou Abbas Kiarostami e Mohsen Makhmalbaf, o cineasta constrói uma teia de acontecimentos cuja complexidade impressiona — não pelas surpresas típicas dos thrillers vazios, mas pelo significado de cada movimento dos personagens e pela capacidade de sobreposição dos conflitos sem induzir o público a julgamentos precipitados. Hodjat deixa o velho doente sozinho e sai de casa. Ele cai e quase morre. Em seguida, o patrão nota que seu dinheiro sumiu. Acusa a empregada de roubo. Ela não aceita. Os dois discutem. Ele a empurra, e ela cai. Pouco depois, suas famílias estão no tribunal — Hodjat perdeu o bebê e acusa o gesto violento de Nader de provocar o aborto.

É um turbilhão que se segue, e que tira o fôlego do espectador ao mesmo tempo em que o faz pensar sobre o que está por trás do comportamento dos envolvidos — razão e religiosidade, maturidade e incapacidade de lidar com os problemas — e, fundamentalmente, as motivações que levam a optar pela verdade ou pelas mentiras convenientes. Este texto começou falando das mulheres e do futuro do Irã? Não foi à toa que Farhadi deu à filha adolescente papel fundamental no desfecho da trama. Não deixe de ver, ainda mais se a justificativa for o velho — e aqui incabível — preconceito para com filmes iranianos. A Separação é imperdível.

5 clichês do cinema iraniano derrubados por Farhadi:
1) "As tramas tratam sempre dos pobres e de suas dificuldades extremas". Procurando Elly e A Separação, seus dois filmes lançados no Brasil, abordam a vida da classe média no Irã.

2) "A câmera é estática, e os planos, sempre longos". Farhadi usa a câmera na mão, o que aumenta a sensação de movimento em seus longas.

3) "As histórias invariavelmente falam sobre a vida no campo". A Separação é um drama urbano sobre questões contemporâneas.

4) "Os diretores deixam completamente de lado os gêneros clássicos". Os elementos do suspense e do policial são marcantes em Procurando Elly, e A Separação lembra um filme de tribunal.

5) "As tramas são contemplativas e têm dramaturgia minimalista". Nos filmes de Farhadi, as reflexões surgem a partir da sobreposição dos conflitos.

Da série Novidades do Cinema Gaúcho

01 de fevereiro de 2012 0

Saiu o trailer do longa Os Monarcas – A Lenda, em produção no Rio Grande do Sul:

Baseados em fatos reais

01 de fevereiro de 2012 0

Este post é uma despretensiosa compilação de algumas contribuições do cinema para um tema em voga desde o discurso de Rita Lee em seu show de despedida dos palcos.

O Barato de Grace, de Nigel Cole (2000):

O Pior Trabalho do Mundo, de Nicholas Stoller (2010):

Árido Movie, de Lírio Ferreira (2006):

Cheech & Chong: Queimando Tudo, de Lou Adler (1978):

Segurando as Pontas, de David Gordon Green (2008):

Oscar 2012: os esquecidos da Academia

31 de janeiro de 2012 0

Espera-se que o Oscar premie os melhores da temporada em Hollywood, e é por isso que se pode sentir falta de alguns atores, de algumas atrizes, de algumas músicas e de alguns filmes entre os indicados. Os casos abordados na matéria publicada esta manhã em ZH.com correspondem às especulações que não se confirmaram com o anúncio dos eleitos em cada categoria, ou seja, dizem respeito ao que se esperava de maneira geral. Neste post vou ser mais direto e dizer quem e o quê, na minha opinião, foi injustiçado pela Academia de Cinema.

Drive
Dirigido por Nicolas Winding Refn e estrelado por Ryan Gosling, este longa é tão superior a alguns dos indicados a melhor filme que a comparação chega a ser constrangedora. Como, então, ele não está entre os nove concorrentes ao principal prêmio? É a pergunta que, a mim, parece mais difícil de responder desde a divulgação dos concorrentes. A ideia de que se trata de um título menos "palpável" faria sentido em outros tempos, não quatro anos depois da consagração dos irmãos Coen com Onde os Fracos Não Têm Vez. Drive poderia concorrer a melhor direção, ator, roteiro adaptado (li o livro, a recriação da história na linguagem cinematográfica é primorosa), montagem, trilha sonora e música (com Nightcall, de Kavinsky/Lovefoxxx, ou A Real Hero, do College/Electric Youth).

Tudo pelo Poder
Belo thriller político assinado por George Clooney, foi um dos recordistas em indicações ao Globo de Ouro. Assim como Drive, é estrelado por Ryan Gosling – que não chega a fazer tanta falta entre os melhores atores, já que, em princípio, a lista parece bem interessante. Seu esquecimento na categoria melhor filme, especula-se, pode ter a ver com o fato de que 2012 é ano eleitoral nos EUA, e Tudo pelo Poder, além de pessimista em sua visão sobre o sistema político norte-americano, é considerado um retrato fiel da desilusão da era Obama. Faz sentido, o que só tornaria sua ausência no Oscar, além de decepcionante, constrangedora – agora, além de pessimista, não se pode ser crítico em âmbito político? Nem sempre foi assim.

Andy Serkis
Planeta dos Macacos – A Origem me parece um ótimo exemplo de blockbuster inteligente, longa que se comunica com o grande público e, ao mesmo tempo, o faz pensar. Mesmo que Avatar, um blockbuster em sua essência, tenha sido derrotado por um filme "pequeno" como Guerra ao Terror (em 2010), o Oscar ainda é um palco para as grandes produções, vide a indicação de Cavalo de Guerra, de Spielberg, a melhor filme neste 2012. Tudo bem ignorar Planeta dos Macacos, você pode argumentar, não se trata de uma produção arrebatadora, mesmo. Mas a não indicação de Andy Serkis, que interpreta o macaco César, de fato comprova que, se deixou o conservadorismo para trás em muitos aspectos, a Academia de Hollywood ainda não consegue pôr num mesmo patamar as interpretações "puras" – no registro que for – e aquelas construídas numa parceria entre o ator e os responsáveis pelos efeitos de pós-produção. Não deixa de ser um preconceito – exatamente o preconceito contra o avanço da técnica de que fala o favorito ao prêmio O Artista.

Tilda Swinton
Vamos ser diretos: qual performance da atriz britânica é melhor, a de Conduta de Risco, belo filme de Tony Gilroy que lhe rendeu a vitória no Oscar de 2008, ou a de Precisamos Falar sobre o Kevin, belo filme de Lynne Ramsey que não lhe deu sequer uma indicação ao prêmio máximo da indústria do cinema? Alguém vai dizer, com razão, que são atuações incomparáveis. Mas é difícil pensar neste equívoco cometido pela Academia de Hollywood em 2012 esquecendo do prêmio de quatro anos atrás. Depois de muitos papéis secundários em diversos bons filmes entre os anos 1990 e os 2000, a atriz evoluiu, apareceu cada vez mais e, em Precisamos Falar sobre o Kevin, parece ter chegado a um ponto tão alto que vai ser difícil de superar. E não foi nem indicada ao Oscar...

Rio e Tintim
Entre as cinco animações concorrentes, há duas da Dreamworks (Gato de Botas e Kung Fu Panda 2) e nenhuma da Pixar (que poderia concorrer com Carros 2), o que por si só já é algo sui generis. Mas que não indica exatamente um esquecimento. As grandes questões nesta categoria são as ausências de Rio e As Aventuras de Tintim. Este último foi excluído da categoria por não ser considerado animação pela Academia, o que faz sentido, já que foi rodado com atores reais que acabaram transformados em figuras animadas na pós-produção. Para mim, Tintim não faz tanta falta assim. Rio, por outro lado, é mais interessante do que ambos os filmes da Dreamworks. Não faz sentido que ele não esteja entre os cinco melhores do ano.

Oscar 2012: favoritos mais ou menos

24 de janeiro de 2012 14

Os Descendentes e O Artista. Dois dos principais favoritos ao Oscar, com respectivamente cinco e 10 indicações (A Invenção de Hugo Cabret, de Scorsese, teve 11, mas a imensa maioria em categorias técnicas), têm em comum o fato de serem longas discretos, tímidos em seu lançamento de pequenas proporções, surpreendentes em sua capacidade de conquistar o público. Seu encanto é inegável, ainda que ambos estejam longe do arrebatamento sugerido por uma eleição de melhor do ano. Sendo um ou o outro, o vencedor da cerimônia do dia 26 de fevereiro terá envergadura e representatividade semelhantes às de seus antecessores imediatos (O Discurso do Rei, Guerra ao Terror, Quem Quer Ser um Milionário?): um filme com qualidades, agradável de ver, porém esquecível.

Ambos são centrados em figuras masculinas plenamente contempladas em sua complexidade graças às ótimas atuações de George Clooney e Jean Dujardin – sobretudo o primeiro. É verdade que a dramaturgia de O Artista se constrói a partir da dicotomia entre a decadência do personagem de Dujardin (astro de filmes mudos) e a ascensão de Bérénice Bejo (estrela dos sonoros), mas o charme da produção está na nostalgia representada pela melancólica queda de seu protagonista masculino. O filme faz pensar sobre o avanço da tecnologia no cinema, questão crucial da indústria que atualmente se reinventa à luz do 3D e da cada vez mais próxima extinção da película, mas, neste sentido, não deixa de ser um comentário raso e ingênuo. "Não adianta resistir"? É perfeitamente possível falar sobre o tema com mais profundidade.

Jean Dujardin em O Artista, de Michel Hazanavicius

A alta cotação de Os Descendentes na Academia de Hollywood é mais compreensível. A simplicidade da trama sobre um pai ausente que precisa se reaproximar das filhas a partir da doença da mãe das crianças, com sua mensagem positiva, oposta à daqueles inúmeros longas sobre as disfuncionalidades familiares na classe média dos EUA, é apenas aparente. Clooney e o diretor Alexander Payne (que já filmara personagens masculinos interessantes em Eleição, com Matthew Broderick, As Confissões de Schmidt, com Jack Nicholson, e, o melhor de todos, Sideways: Entre umas e Outras, com Paul Giamatti) fizeram um longa cheio de humor e um charme genuíno que se explica pela leveza com que trata temas profundos como a morte, a sociabilização e as relações entre pais e filhos. Leveza e mão firme: é notável a capacidade de Payne de escapar das armadilhas do sentimentalismo barato e daquele pessimismo injustificado tão em voga atualmente – quer tratar das mazelas sociais, ok, o faça, mas com uma dramaturgia que justifique as suas escolhas.

Por que, então, Os Descendentes é esquecível? Porque sua força é limitada. Sua capacidade de encantamento tem restrições. Te desafio, desde já, a vê-lo e encontrar no filme a transcendência da grande arte. Você pode dizer que atualmente ela é rara, o que desde já contesto citando um título norte-americano e um estrangeiro que poderiam ser contemplados no Oscar – Drive, de Nicolas Winding Refn, e A Separação, de Asghar Farhadi. Dois projetos muito mais significativos, consistentes e impactantes. Dois dos filmes do ano, em todos os aspectos superiores a O Artista e Os Descendentes.

George Clooney em Os Descendentes, de Alexander Payne

Uma última observação. Não te parece bizarra, para não dizer freak, essa obsessão da Academia de Hollywood por projetos diferentes, inusuais, estranhos? Há não muito tempo foi um longa que recriava, quer dizer, tentava recriar sem tanto encantamento, o espírito dos musicais de outros tempos (Chicago). Depois veio a referência à Índia e a tal ponte Hollywood-Bollywood (Quem Quer Ser um Milionário?). Vou excluir desta lista um dos trabalhos menos acessíveis dos irmãos Coen (Onde os Fracos Não Tem Vez) porque se trata do reconhecimento a uma dupla de autores das mais significativas do cinema contemporâneo. Mas não posso deixar de lado a surpreendente escolha de Guerra ao Terror, que nem é o melhor filme sobre o conflito no Iraque (você viu Redacted, de Brian De Palma?), em detrimento do superblockbuster Avatar. Agora, é O Artista, filme sem diálogos e em preto e branco que recria, ou tenta recriar, com recursos atuais (24 quadros por segundo, por exemplo), o clima do cinema antes do advento do som.

Não que a ideia de renovação e arejamento seja inválida, pelo contrário, mas, para mim, tudo isso também é uma evidência bem clara de crise.

Os caçadores dos planos repetidos

09 de janeiro de 2012 1

Impressionante. A StooTV, do Canadá, fez uma comparação plano a plano entre os 13 primeiros minutos de Inidiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida (1981) e imagens de 30 filmes de aventuras lançados entre 1919 e 1973. As semelhanças fazem pensar sobre a originalidade das composições visuais elaboradas pelo festejado diretor Steven Spielberg – embora, que fique claro, não diminuam a qualidade e a importância histórica do longa estrelado por Harrison Ford. Aperte o play:

Financie o novo longa de Jodorowsky

06 de janeiro de 2012 0

É isso mesmo: Alejandro Jodorowsky, o mítico cineasta nascido no Chile e radicado na França, diretor de El Topo e Fando e Lis, criou um site (este) e postou um vídeo no YouTube (abaixo) pedindo US$ 100 em colaborações individuais para financiar seu novo longa-metragem, La Danza de la Realidad. É que "estou fazendo um filme totalmente não industrial, no qual se perde dinheiro e não se ganha", ele diz, "sem o envolvimento de distribuidores ou negociadores". A ideia é uma autobiografia centrada nos acontecimentos de sua infância, ainda que totalmente imaginativa porque "a história profunda de minha vida é um esforço constante para expandir a imaginação e ampliar os seus limites, para depreendê-la em seu potencial terapêutico e transformador". Quem colaborar ganha um DVD do filme e tem seu nome citado nos créditos – alguns colaboradores já aparecem no site. Não sei vocês, mas, pensando em tudo o que o homem fez e em quem ele é, deu uma vontade de colaborar...

Estreias da semana – 30/12/2011

30 de dezembro de 2011 0

L'Apollonide, as tragédias da casa de tolerância

29 de dezembro de 2011 1

O incendiário Bertrand Bonello é conhecido sobretudo pela falta de pudor – e os escândalos consequentes disso – de longas como Tirésia (2003) e O Pornógrafo (2001). Este último já indicava isso, mas com L’Apollonide – Os Amores da Casa de Tolerância, que estreia amanhã em Porto Alegre, o diretor francês deixa claro por que suas polêmicas estão longe de ser gratuitas. O filme é difícil e imperfeito. É também atual, contundente, denso e absolutamente harmônico na relação forma-conteúdo.

Narra o dia a dia do deca­dente bordel L’Apol­lo­nide, frequentado por burgueses parisienses no início do século 20. Não que eles sejam o foco – a Bonello interessa pintar o retrato da árdua batalha cotidiana das prostitutas que vivem naquele casarão. A metáfora com as artes visuais não está aqui por acaso: chama a atenção, de cara, a beleza plástica tanto da reconstituição de época quanto dos enquadramentos com os quais o realizador de 43 anos apresenta as suas mulheres: parecem pinturas delicadas em seus tons sóbrios, detalhistas no exame de suas vaidades e inquietações e com uma ideia onipresente de movimento que dá dinâmica a seus atos e contrasta com a estagnação de sua vida difícil.

Difícil mesmo. O olhar de cada garota tem uma tristeza comovente, acentuada por um conformismo daqueles que traz incômodo ao espectador. Bonello quis, como definiu na entrevista coletiva do último Festival de Cannes, onde lançou L’Apollonide, construir um “teatro de todos os seus fantasmas”. Sejam eles menos palpáveis ou mais evidentes, como o da Mulher que Sempre Ri, rapariga ferida a faca por um cliente perverso que deixou em seu rosto duas terríveis cicatrizes que prolongam seus lábios – aos moldes do Coringa, o arqui-inimigo do Batman, e do protagonista de L’Homme qui Rit (1869), romance de Victor Hugo citado como referência pelo cineasta.

O dia da agressão repugnante é revisitado mais de uma vez, como se Bonello quisesse, de fato, deixar o público incomodado. Trata-se, de certo modo, de um ritual religioso: a repetição que fortalece o envolvimento purifica o espectador. Coloca-o ao lado das prostitutas como a reiterar que elas são vítimas – de uma sociedade que as usa para despejar sobre elas os seus próprios pecados, em forma de violência, doenças e liberdade restrita. É por isso que a nudez não é gratuita. Ela aparece a toda hora, nunca de maneira celebratória, sempre a fim de demonstrar a fragilidade dos corpos femininos. A sequência final, que faz uma ponte com o exercício da profissão no presente, garante a atualidade do longa à medida que a regulamentação da prostituição é uma das questões da hora na França.

Trabalhar com repetições e imagens tão explícitas do que se quer dizer deixa o filme permanentemente na fronteira do exagero – e este é o seu problema. Fosse mais curto e sugestivo, talvez ele também fosse melhor. De todo modo, a dramaturgia consistente, a eficácia da construção visual – que é mais importante do que a simples beleza – e as grandes performances de atrizes como Hafsia Harzi, Noémie Lvovsky, Jasmine Trinca e Alice Barnole (esta a Mulher que Sempre Ri) garantem a força de L’Apollonide.

Estreias da semana – 23/12/2011

25 de dezembro de 2011 0

Um fiapo de vida

É triste o novo Gus Van Sant, estreia deste fim de semana de Natal em Porto Alegre. Mas Inquietos está impregnado do espírito generoso e altruísta desta época do ano: fala do surgimento do amor num contexto improvável, com um tom acima de tudo esperançoso – apesar da dureza e da morbidez do tema abordado.

A história é a do encontro de Enoch (Henry Hopper) com Annabel (Mia Wasikowska), dois jovens que convivem intimamente com a morte – ele perdeu os pais numa tragédia recente, foi expulso da escola e passa os dias exercitando o bizarro hábito de visitar funerais; ela teve diagnosticado um tumor cerebral e tem apenas três meses de vida.

Enoch e Annabel se conhecem a partir de dois enterros de pacientes da mesma ala hospitalar que a garota é obrigada a frequentar. Aproximam-se graças à insistência dela, já que ele, inicialmente na defensiva, se recusa a abrir o coração. Sua relação mais consistente é aquela que mantém com o fantasma de um piloto japonês, kamikase da II Guerra Mundial (Ryo Kase). Nada de psicologismos baratos ou apelos melodramáticos: as informações dispostas sobre os protagonistas dão consistência a ambos na medida certa – não são muletas a justificar as suas ações e o seu comportamento nem estão ali pura e simplesmente para acentuar o drama que os dois estão vivendo.

A presença do amigo imaginário, por exemplo, é um triunfo da forma do filme: o espectador percebe a força dramatúrgica de Inquietos quando vê não apenas Enoch, mas também Annabel interagir com o piloto. Trata-se de uma ótima sacada para demonstrar que os dois alcançaram uma espécie de outro plano, que é única e exclusivamente deles.

São tantos os momentos bonitos que nem a previsibilidade da história e a sua moral um tanto óbvia – a lição de vida imposta por quem parecia ter desistido de viver ou está à beira da morte – atrapalham a fruição. É difícil não se envolver com a descoberta improvável do grande amor, aquele que faz uma existência inteira valer a pena – mesmo que ela ainda tenha não mais do que 90 dias. A sequência final anuncia exatamente o desfecho que se esperava, mas de um jeito arrebatador, em que o silêncio substitui qualquer diálogo e ainda assim o público entende direitinho o significado daquilo que está assistindo.

É necessário reconhecer: Van Sant não chegaria lá sem as grandes performances de sua dupla de atores. Henry Hopper tem 21 anos e cara de bom moço, embora seja filho do doidão, fora-da-lei – e talentoso – Dennis Hopper (1936-2010). É uma descoberta do diretor, ao contrário de Mia Wasikowska, a Alice de Tim Burton. Ela tem 22 e protagoniza dois outros títulos bastante elogiados nos EUA e ainda inéditos no Brasil, Jane Eyre, de Cary Fukunaga, e Albert Nobbs, de Rodrigo García.

Guarde bem os nomes dos dois jovens intérpretes. Inquietos sugere que ainda vai se falar muito de Henry Hopper e Mia Wasikowska. Quanto a Van Sant, por mais que seu trabalho tenha a consistência e a coerência da obra dos bons autores, parece cada vez mais difícil saber em que tipo de projeto o realizador irá se envolver na sequência.

É correto dizer que este é um filme que se coloca no meio do caminho entre as suas experiências mais radicais de linguagem (Paranoid Park, Gerry, Elefante) e os longas de fácil comunicação com o público (Gênio Indomável, Encontrando Forrester, Milk – A Voz da Igualdade). Também é adequado afirmar que, em maior ou menor grau, ele invariavelmente acerta a mão. Mas o que virá a seguir? Se mantiver o nível atual, será algo no mínimo muito interessante.

As marcas de Gus Van Sant
> A morte – É o ponto central de boa parte de seus filmes, incluindo alguns dos melhores, como Elefante e Paranoid Park. Está tão presente que é mais fácil lembrar quais os títulos que não abordam suas consequências, seus significados, a sua aceitação por parte dos personagens...
> Juventude transviada O desajuste dos jovens e a sua inserção, tantas vezes torta, na sociedade: esta é a base da dramaturgia de muitos longas do cineasta desde a sua estreia, com Mala Noche, em 1986.
> A questão do sexo É limitado dizer que apenas a homossexualidade é um tema de Van Sant. O diretor aborda, isso sim, todas as manifestações da sexualidade em meio à inadequação juvenil. Em Inquietos, os protagonistas desajustados formam um casal hétero.
> Cultura pop Do massacre em Columbine (Elefante) a Hitchcock (Psicose), passando por Kurt Cobain (Últimos Dias), a inspiração do realizador invariavelmente visita assuntos e referências do universo pop.
> A imagem que fala De Gerry, com suas paisagens deslumbrantes, até Paranoid Park e Elefante, com suas câmeras e movimentos lentos, Van Sant faz da imagem um elemento marcante na construção dramatúrgica elas estão geralmente carregadas de significados e se tornam fundamentais sobretudo na aplicação das elipses narrativas.
> Drogas O desajuste juvenil volta e meia vem acompanhado delas. Em Garotos de Programa e em Drugstore Cowboy, o assunto está no centro dos acontecimentos, desencadeando conflitos e determinando o destino dos personagens.
> Marginal ou mainstream? Depois de Gênio Indomável, Gus Van Sant refilmou Psicose. Depois de Encontrando Forrester, radicalizou com Gerry. Depois de Milk, veio Inquietos. O autor costuma alternar filmes que se comunicam bem o grande público com projetos ousados ou experimentais. Tornou-se, assim, talvez o mais expressivo e popular entre os diretores egressos do cinema independente norte-americano.

Melhores do ano II

22 de dezembro de 2011 0

Este post é complementar ao anterior, que o Marcelo Perrone publicou ontem. Por isso o II acima – a ideia é compilar os destaques da programação dos cinemas aqui de Porto Alegre, na comparação com os do restante do restante do mundo.

As principais diferenças entre a lista que segue e os demais rankings de melhores do ano (os do post anterior) estão as ausências, aqui, de filmes como A Separação, Habemus Papam e O Artista, que ainda não chegaram à capital gaúcha. Títulos que em outras cidades ou países estrearam em 2010 e só chegaram no RS em 2011 também constituem um desajuste. Ao menos os filmes que são candidatos a figurar no Oscar 2012 (Os Descendentes, Drive, A Invenção de Hugo Cabret, entre outros) devem estrear logo no Sul – nas primeiras semanas de 2012. Aguardemos.

Segue a nossa lista, que foi elaborada aqui na redação de ZH e que tem os mesmos princípios daquela que está no jornal impresso desta quinta-feira: juntar a qualidade com a capacidade de envolvimento do público – o que torna mais adequado chamá-la de lista dos destaques do ano, e não exatamente dos melhores do ano. São 25, soma que fizemos juntando os votos dos nossos preferidos (Perrone, Roger, Ticiano e Daniel) com aqueles que, pela carreira que fizeram nos cinemas, não poderiam ficar de fora de uma retrospectiva da temporada. Ó:

Cópia Fiel, de Abbas Kiarostami (França/Itália)
Poesia, de Lee Chang-dong (Coreia do Sul)
O Garoto da Bicicleta, dos irmãos Dardenne (França/Bélgica)
Tio Boonmee, de Apichatpong Weerasethakul (Tailândia)
Um Lugar Qualquer, de Sofia Coppola (EUA)
Incêndios, de Dennis Villeneuve (Canadá)
A Árvore da Vida, de Terrence Malick (EUA)
Submarino, de Thomas Vinterberg (Dinamarca)
Eu Matei Minha Mãe, de Xavier Dolan (Canadá)
Balada Triste de Trompeta, de Álex de la Iglesia (Espanha)
Cisne Negro, de Darren Aronofsky (EUA)
Um Conto Chinês, de Sebastián Borensztein (Argentina)
Melancolia, de Lars Von Trier (Dinamarca)
A Pele que Habito, de Pedro Almodóvar (Espanha)
Meia-Noite em Paris, de Woody Allen (França/EUA)
Namorados para Sempre, de Derek Cianfrance (EUA)
Lola, de Brillante Mendoza (Filipinas)
O Céu sobre os Ombros, de Sérgio Borges (Brasil)
Singularidades de uma Rapariga Loira, de Manoel de Oliveira (Portugal)
Não me Abandone Jamais, de Mark Romanek (Grã-Bretanha)
O Palhaço, de Selton Mello (Brasil)
O Vencedor, de David O. Russell (EUA)
O Homem ao Lado, de Mariano Cohn e Gastón Duprat (Argentina)
Tudo pelo Poder, de George Clooney (EUA)
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2, de David Yates (EUA)

Melhores do ano

21 de dezembro de 2011 0

Estamos preparando a nossa lista de melhores filmes de 2011, em meio a muita discussão para selecionar apenas 10 títulos. Um top 10 quase unânime será publicado no Segundo Caderno desta quinta-feira. Enquanto seguimos com a ingrata missão para colocar aqui no blog listas individuais, minha, do Daniel Feix e de quem mais se dispor, segue um apanhado das listas que estão pipocando por aí, antecipando a temporada de premiações prévias  ao Oscar. Pelo que se vê, Tropa de Elite 2 vai encarar um osso duro de roer se chegar ao Oscar, pois o longa iraniano A Separação desponta como o grande favorito ao troféu de melhor filme estrangeiro da temporada. Entre os longas americanos, A Árvore da Vida é uma das presenças unânimes nas votações.

No decorrer dos próximos dias, vamos atualizar este post com listas vindouras.

Top 10 de Roger Ebert, um dos mais respeitados críticos americanos
1- A Separação, de Asghar Farhadi
2 - Shame, de Steve McQueen.
3 - A Árvore da Vida, de Terrence Mallick
4 - A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese
5 - O Abrigo, de Jeff Nichols
6 - Kinyarwanda, de Alrick Brown
7 - Drive, de Nicolas Winding Refn
8 - Meia-Noite em Paris, de Woody Allen
9 - O Porto, de Aki Kaurismaki
10 - The Artist, de Michel Hazanavicius

Top 10 da Cahiers du Cinéma
1 -Habemus Papam, de Nanni Moretti
2 - O Estranho Caso de Angélica, de Manoel de Oliveira
3 - A Árvore da Vida, de Terrence Malick
4 - Hors Satan, de Bruno Dumont
5- Essential Killing, de Jerzy Skolimowski
6 - Melancholia, de Lars von Trier
7- Un Été Brûlant, de Philippe Garrel
8 - Super 8, de J. J. Abrams
9 - L'Apollonide - Os Amores da Casa de Tolerância, de Bertrand Bonello
10 - Meek's Cutoff, de Kelly Reichardt

Top 10 da Rolling Stone
1 - Drive, de Nicolas Winding Refn
2 - The Artist, de Michel Hazanavicius
3 - Os Descendentes, de Alexander Payne
4 - O Homem que Mudou o Jogo, de Bennet Miller
5 - Meia-Moite em Paris, de Woody Allen
6 - A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese
7 - O Espião que Sabia Demais, de Tomas Alfredson
8 - Margin Call - O Dia Antes do Fim, de J.C. Chandor
9 - A Árvore da Vida, de Terrence Malick
10- Cavalo de Guerra, de Steven Spielberg, Histórias Cruzadas, de Tate Taylor, e Harry Potter  e As Relíquias da Morte - Parte 2, de David Yates

Melhores do ano do Círculo de Críticos Cinematográficos de Nova York
(principais prêmios)

Filme - The Artist
Diretor - Michel Hazanavizius (The Artist)
Ator - Brad Pitt (A Árvore da Vida e O Homem que Mudou o Jogo)
Atriz -Meryl Streep (A Dama de Ferro)
Ator coadjuvante - Albert Brooks (Drive)
Atriz coadjuvante - Jessica Chastain (O Abrigo, Histórias Cruzadas e A Árvore da Vida)
Roteiro - Steve Zaillian e Aaron Sorkin (O Homem que Mudou o Jogo)
Fotografia - Emmanuel Lubezki  (A Árvore da Vida)
Filme estrangeiro - A Separação (Irã)
Documentário - A Caverna dos Sonhos Perdidos, de Werner Herzog

Melhores do ano da Associação dos Críticos de Chicago (principais prêmios)
Filme - A Árvore da Vida
Diretor -  Terrence Malick (A Árvore da Vida)
Ator - Michael Shannon (O Abrigo)
Atriz - Michelle Williams (My Week with Marilyn)
Ator coadjuvante - Albert Brooks (Drive)
Atriz coajuvante - Jessica Chastain (A Árvore da Vida)
Roteiro original -  Michel Hazanavicius ( The Artist)
Roteiro adaptado - Steve Zaillian e Aaron Sorkin (O Homem que Mudou o Jogo)
Fotografia - Emmanuel Lubezki  (A Árvore da Vida)
Filme estrangeiro - A Separação (Irã)
Animação - Rango, de Gore Verbinski

Top 10 da IndieWire
1-  A Árvore da Vida, de Terrence Malick
2 - Melancolia, de Lars Von Trier
3 - A Separação, de Asghar Farhadi
4 - Tio Boonmee, que Pode Visitar suas Vidas Passadas, de Apichatpong Weerasethakul
5 - Drive, de Nicolas Winding Refn
6 - Cópia Fiel, de Abbas Kiarstami
7 - Mistérios de Lisboa, de Manoel de Oliveira
8 - A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese
9 - A Dama de Ferro,  de Phyllida Lloyd
10 - Meek's Cutoff, de Kelly Reichardt

Melhores do ano da IndieWire (principais prêmios)
Filme - A Árvore da Vida
Diretor - Terrence Malick (A Árvore da Vida)
Ator- Michael Fassbender (Shame) e  Michael Shannon ( O Abrigo)
Atriz - Anna Paquin (Margaret)
Roteiro - A Separação
Documentário - The Interrupters