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Posts na categoria "cinema internacional"

Marlon Brando na flor da idade

03 de abril de 2014 0

Hoje completam-se 90 anos do nascimento de Marlon Brando (1924 – 2004), also known as o maior ator do mundo – na opinião de muita gente, incluindo este escriba.

Rápida e humilde homenagem: em 1947, aos 23 anos, Brando foi aos estúdios da Warner para um teste de elenco para uma adaptação de Rebel Without a Cause, livro de Robert Lindner. Essa adaptação só sairia do papel, de fato, nas mãos do diretor Nicholas Ray em 1955, com James Dean como o protagonista (no Brasil, o filme se chamou Juventude Transviada). E Brando só estrearia no cinema em Espíritos Indômitos, em 1950, aos 26 anos – despontando para o estrelato no ano seguinte, como o Stanley Kowalski de Uma Rua Chamada Pecado (1951), de Elia Kazan.

O vídeo do tal teste de elenco de 1947 circula por aí, e pode ser visto abaixo. Nem precisa ser fã para achar emocionante, confira:

"Uma Estranha Amizade" aborda com sensibilidade o abismo entre-gerações

29 de março de 2014 0

Estreia do fim de semana apenas no GNC Moinhos, em Porto Alegre, Uma Estranha Amizade é um filme independente norte-americano sobre a amizade de Jane, uma menina de 21 anos (Dree Hemingway, bisneta do autor de O Velho e o Mar), com Sadie, uma senhora de 85 (Besedka Johnson, atriz não profissional que aqui estreava tardiamente no cinema e que morreu logo após as filmagens). Não é só isso, mas são poucos os longas que retratam de maneira tão sensível e perspicaz o atual abismo entre-gerações.

O diretor Sean Baker chega lá valorizando o significado dos chamados momentos mortos (aqueles nos quais, aparentemente, nada de relevante acontece) e surpreendendo o espectador com revelações pontuais acerca das motivações das duas personagens. É mais interessante, inclusive, descobrir a história sem saber muito sobre ambas: as informações (acerca do trabalho de Jane e do passado de Sadie, por exemplo) são dispostas na medida para fazer o público captar a natureza amoral e desprovida de preconceitos com que Baker constrói esse encontro.

Elas se conhecem quando a garota visita a garage sale (feiras pessoais para se desfazer de pertences usados) da mulher mais velha. Jane vive no Vale de San Fernando, periferia rica de Los Angeles, com dois amigos (Stella Maeve e James Ransone) com os quais parece não fazer muito mais do que jogar videogame e fumar maconha. De Sadie, adquire um jarro que parece uma urna mas que servirá de vaso para redecorar seu quarto. Só depois ela descobre: o objeto guarda em seu interior maços com alguns milhares de dólares. Sadie não desconfiava de que possuía o dinheiro. E Jane não sabe o que fazer com ele – e com a culpa de, eventualmente, gastar uma grana que não é sua.

De fato, ao procurar Sadie e insistir em se aproximar dela, parece que Jane busca expiar essa culpa. Mas, isso você pode saber de antemão, Uma Estranha Amizade não é um filme de perguntas e respostas óbvias: no fundo, apesar da imensa diferença de idade e visão de mundo, o vazio existencial de uma tem muito a ver com o da outra.

Não é sem razão que as escolhas de Jane e o próprio rumo que dá à sua vida parecem aleatórios. Algumas sacadas de Baker para deixar isso claro são dignas de nota. Uma delas: o cãozinho dela, mesmo sendo macho, ganhou a alcunha feminina de Starlet, simplesmente porque a garota “gostava do nome antes de escolher o cachorro”. Ao batizar o filme de Starlet (título original de Uma Estranha Amizade), o diretor enfatiza o quanto essa aleatoriedade é importante para moldar a personagem.

Tem a ver com o cinema da diretora Sofia Coppola – que, aliás, fez seu mais recente longa, Bling Ring (2013), sobre a mesma juventude do Vale de San Fernando. Mas a forma com que esse nicho social se relaciona com o restante das pessoas, neste terceiro longa de Baker (o primeiro a ganhar projeção internacional), é ainda melhor e mais complexa.

A conversão digital

26 de março de 2014 0

side 2

Vi apenas recentemente o documentário Side by Side, de Christopher Kenneally, muito elogiado na sua passagem pelo Festival de Berlim de 2012 por apresentar o primeiro grande painel sobre o irreversível processo de conversão total do cinema ao suporte digital. O ator Keanu Reeves, coprodutor do longa, entrevista dezenas de nomes expressivos da indústria, entre diretores, fotógrafos, montadores, engenheiros e técnicos para traçar um completo histórico da transição que está sepultando o uso do agonizante filme em película. O resultado é didático aos não muito íntimos desse artesanato, aos cinéfilos e também aos que têm conhecimentos mais aprofundados sobre o tema.

Side by Side mostra que os mais de cem anos de bons serviços prestados pelo celuloide não foram espanados assim tão rapidamente pelo digital, como indica a velocidade dos avanços tecnológicos da última década. O ensaio para essa transição, lembra George Lucas, um dos pioneiros mentores do processo de conversão, teve início com a montagem eletrônica proporcionada, a partir de 1980, por sistemas como EditRoid e, na sequência, o revolucionário Avid.

O documentário sublinha a importância do diretor de fotografia inglês Anthony Dod Mantle. No embalo dos preceitos estéticos do Dogma 95, movimento lançado por cineastas dinamarqueses, ele “filmou”, para Thomas Vinterberg, Festa de Família (1998), com uma câmera Sony PC3, no suporte mini-DV (Akio Morita, fundador da Sony, colaborou muito nesses avanços, em razão de sua obstinação em colocar a excelência eletrônica a serviço do cinema).

Empolgado com o resultado de Festa de Família, em especial pela agilidade e pelos enquadramentos que a pequena câmera de mão permitia no set, o diretor Danny Boyle chamou Mantle para Extermínio (2002) — Boyle queria uma forma rápida e barata de captar imagens nas ruas de Londres transformada um cenário apocalíptico.

O suporte digital foi abraçado pelos realizadores independentes, que vislumbraram o fim das amarras impostas por grandes orçamentos e diretrizes de estúdios. Mas havia a resistência dos que não viam o digital como “cinema de verdade”, em razão, sobretudo, da baixa qualidade da imagem em relação à película. Esta barreira começou a ser vencida quando a Sony criou para George Lucas realizar Star Wars: Episódio II — Ataque dos Clones (2002) a câmera F900, a primeira no suporte HD voltada ao cinema industrial.

A parceria entre realizadores e cientistas no desenvolvimento de equipamentos, lembra o documentário, foi decisiva nessa evolução. Limitações como resolução da imagem, profundidade de campo e gama de cores foram aos poucos sendo superadas com ajuda de diretores como Michael Mann, que usou uma câmera Thompson Viper em Colateral (2004), alcançando excelentes resultados em imagens noturnas. Tradicional fabricante de câmeras analógicas, a Panavision, em parceria com a Sony, criou a Genesis, primeira câmera “full frame” (sensor no tamanho do quadro do filme 35mm), na qual se podia ainda usar sua vasta linha de lentes — Mel Gibson fez com uma dessas Apocalypto (2006).

Um passo ainda mais largo, fundamental para seduzir os que ainda viam com desconfiança a qualidade da captação de imagem digital, foi dado por Jim Jannard, milionário dono da fábrica de óculos de sol e equipamentos esportivos Oakley. Em 2007, ele apresentou a Red One, com resolução de 4K, equipamento que conquistou realizadores como Steven Soderbergh, usuário de primeira hora do digital — o resultado está em Che (2008). A pedido da David Fincher, Jannard desenvolveu modelos leves da Red One, em fibra de carbono, usados em A Rede Social (2010).

Trabalhando com engenheiros da Silicon Image, Boyle e Mantle usaram novas câmeras portáteis em Quer Quer ser um Milionário? (2008), que valeu a Mantle o histórico primeiro Oscar de melhor fotografia para um filme captado em digital. James Cameron, por sua vez, desenvolveu com a Sony a câmera F 950, com qual realizou Avatar, filme definidor da nova era do cinema digital.

A corrida entre os fabricantes, levou à criação, pela Arriflex, outra tradicional fabricante, da Alexia, câmera usada por Martin Scorsese em A Invenção de Hugo Cabret (2011) e por Lars Von Trier em Melancolia (2011). A Red respondeu com a geração Epic, usada por Fincher em Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2012) e por Peter Jackson em O Hobbit — Uma Jornada Inesperada (2012). Tanto uma como outra câmera ganharam a aprovação dos mais experientes diretores de fotografia, na linha “agora sim”.

Discorrendo sobre o progresso do digital em áreas como montagem (Scorsese lembra os tempos em que literalmente colocava seu sangue nos filmes, no processo de corte e colagem na moviola), correção de cor e efeitos especiais, Side by Side chega a etapa que, em 2012, consolidava o  fim do ciclo analógico no cinema: a distribuição de filmes e a projeção digitalizadas. O fim do celuloide na indústria, em resumo, é favas contadas. Mas os que seguem abraçados ao processo fotoquímico defendem com bons argumentos sua sobrevivência em um novo parâmetro, o da preservação.

Os realizadores que ainda defendiam, em 2012, a superioridade da película — time pequeno mas reforçado por nomes graúdos, como Christopher Nolan — falavam de texturas e nuanças ainda não alcançadas pelo digital. São vozes quase solitárias. Questões mais relevantes dizem respeito à maneira adequada de se preservar um filme. A cópia em película, defendem especialistas como Scorsese, ainda parece ser a mais segura, afinal tem sido assim há mais de cem anos. É lembrado que já foram criados mais de 80 diferentes suportes de vídeo, muitos deles não tendo hoje equipamentos de reprodução — Fincher, aliás, diz que junto a todos os trabalhos em variados suportes que guarda desde os tempos da publicidade encaixota também o respectivo aparelho reprodutor. Tem ainda a questão da fragilidade dos HDs de armazenamento etc. Mas Lucas e nomes como os irmãos Wachowski dizem que isso é bobagem, que para cada problema haverá uma plena solução.

Side by Side ilumina questões muito interessantes nesta debate tecnológico. Os tempos da película, por exemplo, diante de da liberdade permitida pelo digital n ato de fazer-apagar-refazer, exigia mais planejamento e empenho criativo dos profissionais no set e na pós-produção, dado o custo maior da empreitada com um filme rodando na câmera ? A facilidade e o barateamento do processo de se fazer cinema traz a reboque, por si só, avanços de linguagem? Diz David Lynch: “Todo mundo tem papel e lápis a mão. Mas quantas história grandiosas foram escritas? É o mesmo com o cinema”. Para ele e outros bons, segue valendo o óbvio: o digital é só uma nova ferramenta; o cinema sempre dependerá do bom uso que se fizer dela.

E de que vale todo o empenho para se chegar a excelência da imagem se as novas gerações cometem o sacrilégio de ver filmes em computador e, pior, na tela do celular? E como encarar a ameaça de o cinema deixar de ser palco de uma experiência de contemplação e desbunde coletivo na sala escura para se tornar um prazer solitário? É possível reproduzir esse espírito de coletividade no ambiente virtual? Como lidar com a enxurrada de filmes ruins que a democratização da imagem proporciona, infinitamente superior à quantidade de títulos relevantes? E o uso indiscriminado e injustificado do 3D para ampliar o faturamento?  Essas são algumas das questões lançadas pelo filme que seguem reverberando e, até aqui, ainda não encontraram respostas.

Para encerrar, uma máxima de Scorsese: “O verdadeiro autor do filme é o projecionista”. Isso porque, embora seu apego sentimental à película, o diretor saúda o fato de o suporte digital de alto padrão homologado pelos grandes estúdios (não confundir com as gambiarras que se tornaram comuns no Brasil) diminuir os riscos de ocorrer diante do espectador um dos grandes temores do cineasta: ver o filme que criou com tanto carinho e suor ser arrasado na tela grande por uma janela errada, uma cópia desgastada, um projetor capenga e descalibrado ou um som ruim.

O cinema em 70 olhares

24 de março de 2014 0

Projetos coletivos assinados por grandes cineastas costumam ser tão interessantes na sua proposta quanto irregulares no seu resultado. Mas são sempre estimulantes como forma de contrapor diferentes olhares sobre determinado tema e também como exercício de linguagem e estilo — e quem não gosta de identificar a marca de um diretor favorito em poucos frames de projeção? Entre as iniciativas mais recentes exibidas nos cinemas brasileiros, o longa Sete Dias em Havana (2012) reuniu curtas-metragens de, entre outros, Laurent Cantet, Julio Medem, Gaspar Noé, Elia Suleiman e Pablo Trapero. Ainda em 2014, será lançado Rio, Eu te Amo, que reúne os brasileiros Fernando Meirelles, José Padilha, Andrucha Waddington e Carlos Saldanha e nomes como Guillermo Arriaga, Stephan Elliott, Nadine Labaki e Paolo Sorrentino.

Após o nariz de cera, o que realmente nos traz aqui. Durante o longo período em que o blog esteve na UTI, acabou passando em branco o muito interessante  Venezia 70 — Future Reloaded, projeto que chamou a atenção pela quantidade, qualidade e diversidade dos diretores envolvidos. Para celebrar a 70 ª edição do Festival de Veneza, em 2013,  70 cineastas de diferentes gerações e nacionalidades, todos eles com passagem pelo evento italiano, foram convidados para apresentarem em filmetes de um minuto e meio a três minutos de duração visões muito livres e particulares sobre seu ofício.

Representam o Brasil na lista Walter Salles, Karim Ainouz e Júlio Bressane. Entre outros craques desta grande seleção, estão também Claire Denis, Atom Egoyan, Amos Gitai, Hong Sang-soo, Jia Zhang-ke, Abbas Kiarostami, Kim Ki-duk, Pablo Trapero, Milcho Manchevski, Brillante Mendoza,Paul Schrader, Apichatpong Weerasethakul, Bernardo Bertolucci, Ermanno Olmi e Todd Solondz.

Selecionamos alguns trabalhos de Venezia 70 — Future Reloaded, começando por uma diretora grega que não conheço, Athina Rachel Tsangari, mas que fez um filme muito inventivo nesse citado tom saudosista.  Mais filmes podem ser conferidos clicando aqui.

Athina Rachel Tsangari

Paul Schrader

Walter Salles

Bernardo Bertolucci

Pablo Trapero

Júlio Bressane

Apitchapong Weerasethakul

Claire Denis

Atom Egoyan

Jia Zhang-ke

Abbas Kiarostami (citando O Regador Regado, de 1895, de Louis Lumière)

Kim Ki-duk

Brillante Mendoza

James Franco

O que estamos vendo

11 de junho de 2013 1

Canções para ver no fim de semana

31 de maio de 2013 0

Alguns dos ótimos filmes em cartaz na Capital têm como destaque também a trilha sonora, por ser toda ela excelente e elemento importante da narrativa ou por trazer uma que outra faixa com presença simbólica na trama. Como hoje é sexta-feira, selecionamos algumas canções para animar (ou nem tanto) o final de semana.

Walking On Sunshine, com Katrina & The Waves.

Do filme francês Camille Outra Vez. É a música favorita do grupo de amigas da protagonista, uma atriz abandonada pelo marido. Após uma noite de bebedeira, ela acorda em 1985, com 16 anos (embora com a mesma aparência de seus 40 e tantos).

99 Luftbalons, com Nena. Outro hit oitentista, direto da Alemanha, de Camille Outra Vez.

Até quando Esperar, com Plebe Rude. Da trilha de Faroeste Caboclo, assinada por Philippe Seabra, guitarrista da Plebe.

Terrapin, com Syd Barret. Do longa francês Depois de Maio. Ambientado no começo do anos 1970, acompanha um grupo de jovens amigos ainda inflamados pelo espírito revolucionário do Maio de 1978, mas também diante dos dilemas em relação ao futuro e o que fazer da vida.

Know, com Nick Drake. Outro belo momento para ver e ouvir em Depois de Maio. As músicas da trilha tocam praticamente na íntegra.

o

Green Onions, com Booker T and The MG’s. Mais uma de Depois de Maio.

The Mamas and The Papas, com Dedicated to The One I Love. Do documentário brasileiro Elena, tributo da diretora Petra Costa à irmã que se suicidou. (Clique aqui para ver com qualidade melhor)

Maniac, com Michael Sembello. Momento de catarse de Alessandra Negrini, doida demais na pista de dança, em O Abismo Prateado. A música fez sucesso na trilha de Flashdance (1983), estrelado por Jennifer Beals.

Unchained Melody, com John McInerny. Momento arrebatador do filme argentino O  Último Elvis. McInerny, cover do Rei do Rock na vida real, interpreta o clássico imortalizado pelos Righteous Brothers e também por Elvis Presley.

E o Imax?

24 de maio de 2013 0

Avatar em 3D, O Hobbit em 48 quadros por segundo e agora o novo Jornada nas Estrelas (ou Star Trek, como queiram) no recém-chegado a Porto Alegre Imax 3D. São todas elas experiências que cumprem o que anunciam: colocar o espectador diante de uma experiência audiovisual diferenciada. Não digo impactante, porque essa é uma percepção individual que  independe de tecnologia — como se percebe diante de obras silenciosas e em preto e branco como A Paixão de Joana D’Arc, que Carl Dreyer apresentou em 1928.

A sala com projeção Imax, instalada no complexo Cinespaço do Bourbon Wallig, foi apresentada na noite desta quinta-feira, com a sessão especial de Além da Escuridão Star Trek (por que não Star Trek — Além da Escuridão, como sugere não só a lógica como o título original, Star Trek into Darkness?). Vai ter sessão de pré-estreia aberta ao público neste sábado, às 21h30min — o filme entra em cartaz no dia 14 de junho.

O que se pode dizer do Imax é que a sensação de “imersão” vendida ao público é plena. A tela gigante, a projeção com alta definição e o som retumbante ampliam a percepção do 3D, efeito que, nesse filme, faz parte da concepção do diretor J.J. Abrams e  não resulta das recorrentes gambiarras de conversão ao formato que, de forma alguma, justificam o preço maior do ingresso.

Diferentemente das imagens escuras características da maioria das projeções 3D no Brasil (culpa de tecnologia já defasada, como explicou a ZH um especialista no ramo), o sistema Imax lança na tela prateada a imagem de dois projetores digitais de alta resolução, o que garante a luminosidade correta.

Um detalhe curioso aos mais velhos, que conheceram os grandes cinemas de calçada de Porto Alegre, como o Marrocos e o Cacique: a largura de 21 metros da tela não impressiona tanto quando a altura, de 12 metros. Essa proporção faz a imagem encher a sala praticamente do teto ao chão. Assim, o melhor lugar para se posicionar é nas fileiras mais altas. A leitura de legendas é facilitada por elas correrem num limitado espaço central da tela.

O Imax também vai exibir filmes em 2D, como Velozes e Furiosos 6, atração da semana de estreia. Nesse é de se pensar se vale pagar mais caro (terça é dia da promoção, com preço único de R$ 13).  Em breve, a sala vai apresentar um série de documentário científicos e de natureza que proporcionam o máximo da performance 3D.

Ah, e esse novo Jornada nas Estrelas é bom, o que é fundamental para o programa valer o investimento.



O que estamos vendo

10 de maio de 2013 2

Bons filmes europeus, de França, Itália, Romênia e Hungria, além do Fantaspoa e do Festival Valilux, são os destaques dos últimos dias no circuito. Dê uma olhada nos nossos textos de apresentação e comentários dos longas que atualmente estão em cartaz nos cinemas:

Depois de Maio

Reality – A Grande Ilusão

Somos Tão Jovens

O que se Move

Além das Montanhas

Atrás da Porta

Em Transe

Era uma Vez Eu, Verônica

Homem de Ferro 3

O Sonho de Lu

Fantaspoa

Festival Varilux

O que estamos vendo

22 de abril de 2013 0

De Mamá a Mama

04 de abril de 2013 1

Entra em cartaz nesta sexta-feira o filme de terror Mama, sucesso de bilheteria bastante badalado produzido por  Guillermo del Toro. É o  longa de estreia do diretor argentino radicado na Espanha Andrés Muschietti. 

Mama é o desdobramento do curta-metragem Mamá, que Muschietti lançou em 2008 e foi exibido aqui em Porto Alegre no ano seguinte, na programação do Fantaspoa, como lembra Cristian Verardi, crítico e especialista em cinema fantástico.

Confira abaixo o curta Mamá, com apresentação de Del Toro. Leia aqui sobre o longa Mama.

Jesse e Celine na Grécia

28 de março de 2013 0

Começou a circular nesta quinta-feira o trailer de Antes da Meia-Noite, terceiro capítulo da cultuada saga de encontros e desencontros entre o americano Jesse (Ethan Hawke) e a francesa Celine (Julie Delpie).  Eles  se cruzaram — e se apaixonaram —numa viagem de trem pela Europa rumo a Viena, em Antes do Amanhecer (1999), e voltaram a falar sobre a vida em Paris, trama de Antes do Pôr-do-Sol (2004).

Como no segundo filme da trilogia, Antes da Meia-Noite, que mostra o casal discutindo a relação na Grécia, tem roteiro assinado pelos atores em parceria com o diretor Richard Linklater. A estreia no Brasil está marcada para 7 de junho.

Um novo de Schrader e um velho de Friedkin

26 de março de 2013 0

Lindsay Lohan em "The Canyons" / IFC Films


Um dois-em-um sobre dois grandes cineastas americanos famosos pelo temperamento vulcânico e que optaram por seguir à margem da grande indústria: Paul Schrader e William Friedkin.

Li só agora a sensacional reportagem sobre os bastidores das filmagens de The Canyons, novo longa de Schrader, realizado em regime de mutirão entre amigos. O texto de Stephen Rodrick, publicado em janeiro no jornal The New York Times e reproduzido pela revista Piauí em sua edição de fevereiro, descreve o que muitos já previam quando o diretor escalou como sua nova estrela a garota-encrenca Lindsay Lohan: caos, ânimos exaltados e um filme que por pouco não chegou ao fim. Leia aqui o saboroso relato de Rodrick, na versão em português publicada na Piauí.

Adendo: Schrader fez fama em Hollywood anos 1970, primeiro como roteirista — escreveu para Martin Scorsese longas como Taxi Driver e Touro Indomável. Ele arriscou sua sobrevivência física e artística com um temperamento ciclotímico turbinado por excessos químicos e etílicos e a tendência suicida (costumava andar armado). Estreou como diretor em 1980, em Gigolô Americano e realizou bons filmes como A Marca da Pantera, Mishima e Temporada de Caça. Antes de The Canyons, apresentou o ótimo e impactante Adam — Memórias de Uma Guerra (2008), lançado no Brasil direto em DVD.

Confira o trailer de The Canyons:

Já Friedkin, de quem falamos há pouco por conta de seu novo filme, Killer Joe, em cartaz na Capital (veja post abaixo) lançará a versão restaurada do filme que marcou sua desgraça em Hollywood: O Comboio do Medo (1977), refilmagem de O Salário do Medo (1953), clássico do francês Henri-Georges Clouzot. Diante do grande fracasso comercial do filme à epoca, de nada adiantou o prestígio dos Oscar que ganhou com Operação França (1971) e os milhões de dólares que faturou com O Exorcista (1973). Como era um figura detestada por todos com quem trabalhava, por sua arrogância e truculência, Friedkin viu as portas dos estúdios serem fechadas em seu nariz e entrou no caminho do cinema independente. Após a première no Festival de Veneza, em setembro, Comboio do Medo ganhará edição especial em Blu-ray e DVD.

O que estamos vendo

19 de março de 2013 1

Se o blog anda meio parado não quer dizer que a gente não está ralando. É que os textos que escrevemos sobre alguns filmes em cartaz estão sendo publicados no site do Segundo Caderno. Estamos pensando numa maneira de retomar a publicação, aqui, de matérias, resenhas e entrevistas. Por enquanto, seguem os links para alguns dos escritos mais recentes.

Killler Joe

Bárbara

A Fuga

Francisco Brennand

A Parte do Anjos

Super Nada

Oz: Mágico e Poderoso

Caverna dos Sonhos Esquecidos

Volta ao mundo do cinema

05 de março de 2013 1

O link da imagem acima leva para a versão online do especial que dá título a este post e que foi apresentado todas as segundas-feiras de janeiro e fevereiro nas páginas do Segundo Caderno de ZH. Pelo menos uma das reuniões de países é um tanto improvável, mas foi como consegui falar das cinematografias que, como diz o enunciado da série, fazem por merecer a nossa atenção nestes anos 2000. Argentina, França e Itália são exemplos de países que ficaram de fora por serem cinematografias conhecidas, óbvias, ou seja, o contrário da proposta de fazer uma viagem desbravadora de novos horizontes. De acordo com o espaço disponível, deu para citar os principais filmes e cineastas de cada uma das regiões – ou, ao menos, aqueles dos quais já tivemos notícia. Este infográfico, elaborado pelo Diogo Fatturi, é um bom ponto de partida para conhecer o material, mas eu ainda prefiro a disposição gráfica que a série teve no papel. Por isso listo abaixo os oito PDFs das páginas publicadas em ZH impressa, com a íntegra dos oito textos, sobre as oito regiões nas quais a série ficou dividida. Fica como registro de um dos projetos de que mais gostei de participar no jornal. Ó:

Ásia Extrema: Zhang Ke, Hsiao-hsien, Kar Wai e Chan-wook

Leste Europeu: Tarr, Skolimowski, Kusturica e os romenos

Universo Nórdico: Hamer, Kaurismäki, Alfredson e os dinamarqueses

Oriente Exótico: de Rithy Panh a Apichatpong Weerasethakul

América Central: de Ripstein a Pereda, de Iñárritu a Reygadas

União das ex-Repúblicas Soviéticas: Sokurov, Õunpuu e Loznitsa

Mundo Ibérico: de Manoel de Oliveira a Miguel Gomes

Oriente Próximo: Ceylan, Farhadi, Makhmalbaf e Kiarostami

Falando em Almodóvar...

01 de março de 2013 0

Já que falamos de Almodóvar e seu novo longa, no post abaixo, chegou por aqui o DVD de um filme que, pelo título em português, teve de ser visto no ato: Todo Mundo Hispânico.  E, acredite, o infame trocadilho nacional para o nome original, Spanish Movie, até que faz sentido, pois segue a linha que batizou a cinessérie Todo Mundo em Pânico (Scary Movie).

Produção de 2009 lançada agora no Brasil direto em DVD, Todo Mundo Hispânico copia o modelo americano: amarrar num fio de trama a sátira a filmes populares. A diferença a favor dos espanhóis  é que o deboche destaca alguns de seus bons e ótimos filmes produzidos nos anos 2000: Os Outros, Mar Adentro, O Labirinto do Fauno, Volver e [Rec], entre outros títulos — sobra até para Onde os Fracos Não Têm Vez, estrelado nos EUA por Javier Bardem.

Talvez por isso o resultado pareça melhor, ou menos pior, do que a piada com sucessos da hora em Hollywood, filão que tem produzidos coisas abomináveis como (no Brasil) Espartalhões e Saga Molusco — e vem aí Todo Mundo em Pânico 5, avacalhando com Cisne Negro, Atividade Paronormal, etc.

Bom lembrar que a paródia a gêneros ou filmes específicos já produziu obras memoráveis como os títulos das cinesséries Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu, Top Secret, Top Gang e Corra que a Polícia Vem Aí. E que o genial Mel Brooks fez sua parte nos divertindo com clássicos do porte de Alta Ansiedade (citando filmes de Hitchcock), Banzé no Oeste (faroeste), Spaceballs (Guerra nas Estrelas) e O Jovem Frankenstein (filmes de horror da Universal). Mas a coisa hoje está numa praia de humor mais óbvio, com a grosseria se sobrepondo à  ferocidade inteligente.

Todo Mundo Hispânico tem como protagonista uma babá (decalcada na Penélope Cruz de Volver) que arruma emprego na sombria mansão (Os Outros) em que vivem, entrou outros tipos, um tetraplégico que deseja morrer (Mar Adentro) e uma garotinha visitada por uma criatura fantástica (O Labirinto do Fauno). Lá pelas tantas, a turma visita uma vila habitada por personagens almodovarianos, numa sequência bem inventiva.

A produção tem o aval de alguns dos cineastas “homenageados”. Alejandro Amenébar, Juan Antonio Bayona, Alex de la Iglesia e Jaume Balagueró fazem pontas no desenrolar da trama. E no meio de tudo isso surge o  impagável  Leslie Nielsen, em seu penúltimo trabalho, no que só pode ser um afetuoso tributo ao mestre. O lançamento em DVD é da Califórnia Filmes.