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Canções para ver no fim de semana

31 de maio de 2013 0

Alguns dos ótimos filmes em cartaz na Capital têm como destaque também a trilha sonora, por ser toda ela excelente e elemento importante da narrativa ou por trazer uma que outra faixa com presença simbólica na trama. Como hoje é sexta-feira, selecionamos algumas canções para animar (ou nem tanto) o final de semana.

Walking On Sunshine, com Katrina & The Waves.

Do filme francês Camille Outra Vez. É a música favorita do grupo de amigas da protagonista, uma atriz abandonada pelo marido. Após uma noite de bebedeira, ela acorda em 1985, com 16 anos (embora com a mesma aparência de seus 40 e tantos).

99 Luftbalons, com Nena. Outro hit oitentista, direto da Alemanha, de Camille Outra Vez.

Até quando Esperar, com Plebe Rude. Da trilha de Faroeste Caboclo, assinada por Philippe Seabra, guitarrista da Plebe.

Terrapin, com Syd Barret. Do longa francês Depois de Maio. Ambientado no começo do anos 1970, acompanha um grupo de jovens amigos ainda inflamados pelo espírito revolucionário do Maio de 1978, mas também diante dos dilemas em relação ao futuro e o que fazer da vida.

Know, com Nick Drake. Outro belo momento para ver e ouvir em Depois de Maio. As músicas da trilha tocam praticamente na íntegra.

o

Green Onions, com Booker T and The MG’s. Mais uma de Depois de Maio.

The Mamas and The Papas, com Dedicated to The One I Love. Do documentário brasileiro Elena, tributo da diretora Petra Costa à irmã que se suicidou. (Clique aqui para ver com qualidade melhor)

Maniac, com Michael Sembello. Momento de catarse de Alessandra Negrini, doida demais na pista de dança, em O Abismo Prateado. A música fez sucesso na trilha de Flashdance (1983), estrelado por Jennifer Beals.

Unchained Melody, com John McInerny. Momento arrebatador do filme argentino O  Último Elvis. McInerny, cover do Rei do Rock na vida real, interpreta o clássico imortalizado pelos Righteous Brothers e também por Elvis Presley.

E o Imax?

24 de maio de 2013 0

Avatar em 3D, O Hobbit em 48 quadros por segundo e agora o novo Jornada nas Estrelas (ou Star Trek, como queiram) no recém-chegado a Porto Alegre Imax 3D. São todas elas experiências que cumprem o que anunciam: colocar o espectador diante de uma experiência audiovisual diferenciada. Não digo impactante, porque essa é uma percepção individual que  independe de tecnologia — como se percebe diante de obras silenciosas e em preto e branco como A Paixão de Joana D’Arc, que Carl Dreyer apresentou em 1928.

A sala com projeção Imax, instalada no complexo Cinespaço do Bourbon Wallig, foi apresentada na noite desta quinta-feira, com a sessão especial de Além da Escuridão Star Trek (por que não Star Trek — Além da Escuridão, como sugere não só a lógica como o título original, Star Trek into Darkness?). Vai ter sessão de pré-estreia aberta ao público neste sábado, às 21h30min — o filme entra em cartaz no dia 14 de junho.

O que se pode dizer do Imax é que a sensação de “imersão” vendida ao público é plena. A tela gigante, a projeção com alta definição e o som retumbante ampliam a percepção do 3D, efeito que, nesse filme, faz parte da concepção do diretor J.J. Abrams e  não resulta das recorrentes gambiarras de conversão ao formato que, de forma alguma, justificam o preço maior do ingresso.

Diferentemente das imagens escuras características da maioria das projeções 3D no Brasil (culpa de tecnologia já defasada, como explicou a ZH um especialista no ramo), o sistema Imax lança na tela prateada a imagem de dois projetores digitais de alta resolução, o que garante a luminosidade correta.

Um detalhe curioso aos mais velhos, que conheceram os grandes cinemas de calçada de Porto Alegre, como o Marrocos e o Cacique: a largura de 21 metros da tela não impressiona tanto quando a altura, de 12 metros. Essa proporção faz a imagem encher a sala praticamente do teto ao chão. Assim, o melhor lugar para se posicionar é nas fileiras mais altas. A leitura de legendas é facilitada por elas correrem num limitado espaço central da tela.

O Imax também vai exibir filmes em 2D, como Velozes e Furiosos 6, atração da semana de estreia. Nesse é de se pensar se vale pagar mais caro (terça é dia da promoção, com preço único de R$ 13).  Em breve, a sala vai apresentar um série de documentário científicos e de natureza que proporcionam o máximo da performance 3D.

Ah, e esse novo Jornada nas Estrelas é bom, o que é fundamental para o programa valer o investimento.



O que estamos vendo

10 de maio de 2013 2

Bons filmes europeus, de França, Itália, Romênia e Hungria, além do Fantaspoa e do Festival Valilux, são os destaques dos últimos dias no circuito. Dê uma olhada nos nossos textos de apresentação e comentários dos longas que atualmente estão em cartaz nos cinemas:

Depois de Maio

Reality – A Grande Ilusão

Somos Tão Jovens

O que se Move

Além das Montanhas

Atrás da Porta

Em Transe

Era uma Vez Eu, Verônica

Homem de Ferro 3

O Sonho de Lu

Fantaspoa

Festival Varilux

O fim de uma grande parceria na Sala P.F. Gastal

29 de abril de 2013 0

Atualização: na noite desta segunda-feira foi anunciado que Marcus Mello assume a Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Porto Alegre. Boa sorte a ele e que seu ótimo trabalho como programador tenha continuidade na função de gestor.

Quem acompanha mais de perto a gestão e o funcionamento dos órgãos públicos ligados à área cultural conhece bem a realidade do cobertor curto, da falta de apoio de governos que não dimensionam a relevância do setor, do desinteresse da iniciativa privada por iniciativas que não geram alto impacto popular e dos administradores que, ou resignados ou desmotivados com a aridez financeira e os entraves burocráticos do dia a dia, tocam o bola em frente para cumprir tabela. Por isso, e em meio à marcha lenta em que seguem os grandes projetos culturais em Porto Alegre, como tão bem mostrou o Daniel Feix no Segundo Caderno desta segunda-feira, é que recebemos com tristeza o afastamento – não por vontade dele, diga-se – do Bernardo José de Souza da Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Porto Alegre.

Desde 2005 no cargo, Bernardo, com a fundamental parceria de Marcus Mello (ambos na foto acima), crítico de cinema e programador da Sala P.F. Gastal, sempre remou contra a maré para fazer daquele espaço no terceiro andar da Usina do Gasômetro um ponto de referência cinéfila no Brasil, pela alta qualidade de sua programação e pelo coelhos que a dupla, incrivelmente, costumava tirar da cartola. Figura antenada e viajada, Bernardo foi atrás de parcerias e, muitas vezes, dos próprios realizadores para viabilizar a exibição na Capital de uma programação que antes nos causava inveja por ficar restrita a Rio e São Paulo. Se formos entrar nas seara das artes visuais, o empenho de Bernardo permitiu que Porto Alegre recebesse dezenas de mostras, exposições e instalações badaladas em circuitos culturais dos EUA e da Europa.

Mas fico na área que acompanho mais de perto, a cinematográfica. E vale aqui destacar iniciativas memoráveis como essas abaixo, entre tantas, que fizeram a gente aqui no Segundo Caderno, a cada programação anunciada na P.F. Gastal – sempre acompanhada por catálogos e folders graficamente empenhados – nos perguntássemos: “Como eles conseguem?” Funcionário de carreira do município, Marcus Mello – essa é a nossa torcida – deve seguir tocando a programação Sala P.F. Gastal. Que ele ganhe um parceiro à altura, como foi Bernardo nessa já inesquecível dobradinha que formaram para mostrar o quanto a cena cultural de Porto Alegre carece de iniciativas pessoais que se sobreponham à miopia e à inoperância dos governos.

— Mostra Ásia, que apresentou na Capital filmes de dois cineastas orientais aclamados nos principais festivais do mundo: Hou Hsiao-hsien (Millennium Mambo e Three Times) e Apichatpong Weerasethakul (Síndromes e um Século e Mal dos Trópicos).

— A presença na Capital do cineasta americano Jonathan Caouette, para a apresentar o desconcertante documentário Tarnation.

— Sessão exclusiva no Brasil de Hunger, premiado longa de estreia do diretor britânico Steve McQueen (posteriormente conhecido por Shame).

— Restrospetiva da obra da diretora francesa Claire Denis, um dos principais nomes do cinema contemporâneo, com presença da própria.

— Mostra Pensando o You Tube: A TV do Futuro ou o Futuro das Imagens?, que exibiu, em 2006, pérolas audiovisuais desengavetadas com a popularização do YouTube.

— Restrospetiva da obra de Ke n n e t h  A n g e r, polêmico e cultuado realizador americano que veio à Capital conferir a instalação que exibiu seus principais filmes.

— E, mais recentemente, a mostra dedicada a Jonas Mekas, realizador lituano que foi parceiro de Andy Warhol e padrinho do cinema norte-americano de vanguarda dos anos 60 e 70.

— Bernardo sai deixando encaminhada uma retrospectiva com filmes do cultuado cineasta húngaro Béla Tarr.

O que estamos vendo

22 de abril de 2013 0

Bons filmes, grandes mulheres

15 de abril de 2013 1

Rânia quer se libertar, Verônica precisa descobrir a liberdade. Silmara se frustra, Bianca não desiste, Violeta terá de se reerguer. São cinco mulheres extraordinárias, cujas jornadas representam uma das facetas mais ricas do cinema brasileiro atual: a capacidade de desenvolver bons personagens femininos.

Respectivamente, essas personagens podem ser vistas em Rânia, Era uma Vez Eu, Verônica, Falsa Loura, Riscado e O Abismo Prateado. Vêm de regiões, castas e gerações diferentes, dando forma a um panorama irregular e um tanto impreciso, mas muito consistente, da pluralidade social contemporânea verificada no país. Como se a união de todas elas, e das outras citadas no quadro abaixo, desse a medida de um certo estado de coisas, não do ponto de vista macro, mas íntimo, mesmo. Não é nada muito diferente disso que se espera de uma produção dramatúrgica consistente e reveladora.

Você pode até se dizer surpreendido, sobretudo se ainda não descobriu as boas surpresas do novíssimo cinema nacional, mas os adjetivos da frase que encerra o parágrafo anterior foram escolhidos com cuidado. Observe que não citei nenhuma personagem adaptada de matrizes literárias, nem mesmo representativa de alguma personalidade real. Se o fizesse, poderia mencionar a inventiva Cleópatra tropical do diretor Júlio Bressane (de 2008), o alter ego de Clarah Averbuck visto em Nome Próprio (2008), de Murilo Salles, a Zuzu Angel (2006) de Sérgio Resende e a Bruna Surfistinha (2011) de Marcus Baldini. Poderia, ainda, lembrar as grandes mulheres que inspiraram os documentários Elena (2012), de Petra Costa, e Laura (2012), de Felipe Barbosa, previstos para estrear nos próximos meses nos cinemas. E também fazer referência às complexas e sedutoras personagens femininas de Natimorto (2009) e Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios (2011), se quisesse incluir títulos que não são necessariamente calcados nelas, e sim em histórias que acabam envolvendo-as – o que caracteriza uma diferença marcante dos 10 filmes da lista abaixo, todos formatados essencialmente sobre a intimidade de uma ou mais mulheres.

Isso: fiquemos com os longas que moldam sua dramaturgia a partir de mulheres ficcionais e originais. Por que eles existem? O que seus autores pretendem? O que faz esses projetos coexistirem em quantidade e qualidade significativas?

Para responder a essas perguntas seria necessário conhecer bem os propósitos estéticos de seus realizadores, o que nem sempre é possível, dado que uma das principais características do assim chamado novíssimo cinema nacional é a pouca, às vezes nenhuma experiência dos cineastas. Karim Aïnouz, diretor de um dos filmes basilares dos propósitos desse movimento (O Céu de Suely), fala reiteradamente sobre o desamor. Marcelo Gomes, outro dos mais experientes entre esses autores nem sempre jovens, mas de carreira invariavelmente incipiente, tem a solidão como tema recorrente. Donde se pode vislumbrar um certo gosto pela melancolia e pela desilusão – que, talvez não por coincidência, perpassam todos os 10 longas-metragens citados abaixo.

Não é de hoje que o cinema independente, marginal (o melhor cinema brasileiro), explora a sensação de deslocamento e inadequação. A tristeza, de maneira geral. Mas por que por meio das mulheres? A produção nacional do século 21 está cheia de personagens masculinos relevantes no mainstream, protagonizando os “filmes de favela”, a vertente cômica dessa produção e as incursões por gêneros como aventura e ação. Mas foi a partir das histórias essencialmente femininas que Eduardo Coutinho realizou Jogo de Cena (2007), o longa esteticamente mais revolucionário do país em décadas. E é a partir delas, mais do que deles, que se tem falado das grandes questões do país.

Talvez Rânia, Verônica, Silmara, Bianca, Violeta e tantas outras sejam reflexo de uma sociedade na qual a figura paterna, em tantos casos, se faz cada vez menos presente. Uma sociedade na qual as mães, cada vez mais, tornam-se a principal referência, não raramente a única acessível, para fatias bastante significativas da população. É uma hipótese. Talvez coincidência. O fato é que, no cinema nacional, a hora é delas.

10 filmes nacionais recentes centrados em personagens femininas:
(construídas em roteiros originais, e não a partir de matrizes literárias ou representativas de pessoas reais)

> Rânia (2012) – De Roberta Marques. Com Graziela Félix. Longa cearense premiado no Festival do Rio e selecionado para Roterdã, narra a história de uma adolescente da periferia que descobre a vocação de bailarina. Está em cartaz no CineBancários, em Porto Alegre.

> O Que se Move (2012) – De Caetano Gotardo. Com Cida Moreira, Andrea Marquee e Fernanda Vianna. Drama musical composto de três episódios sobre as dores e as alegrias de três mães. Premiado em Gramado, começa a chegar aos cinemas brasileiros a partir de 17 de maio.

> O Abismo Prateado (2011) – De Karim Aïnouz. Com Alessandra Negrini. Exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, estreia nacionalmente neste dia 26 (em Porto Alegre deve demorar um pouco mais). Inspirado na canção Olhos nos Olhos, de Chico Buarque, acompanha as horas de desespero de uma dentista carioca depois que ela é abandonada pelo marido.

> Era uma Vez Eu, Verônica (2011) – De Marcelo Gomes. Com Hermila Guedes. Médica recém-formada, a jovem protagonista passa por um momento de incertezas – e amadurecimento. Premiado em Brasília, estreou comercialmente no país no ano passado – mas não chegou ao circuito porto-alegrense.

> Riscado (2011) – De Gustavo Pizzi. Com Karine Teles. A vida nada fácil de uma atriz em início de carreira, que precisa se virar para sobreviver, é o ponto de partida deste longa premiado no Festival de Gramado e escrito em parceria pelo seu diretor e a protagonista. Já foi exibido nos cinemas.

> Sudoeste (2011) – De Eduardo Nunes. Com Simone Spoladore. Fábula de narrativa circular na qual uma mulher vê sua vida se desenrolar ao longo de apenas um dia num vilarejo de pescadores. Premiado nos festivais do Rio e de Havana. Também já teve sessões em Porto Alegre.

> Verônica (2008) – De Maurício Farias. Com Andréa Beltrão. Professora de escola pública do Rio tenta salvar um garoto que acaba de ficar órfão e está jurado de morte por traficantes da favela em que ele vive. Já está disponível em DVD.

> Falsa Loura (2008) – De Carlos Reichenbach. Com Rosanne Mulholland. Também já lançado nos cinemas e em DVD, foi o último – e é um dos melhores – longas de Reichenbach (1945 – 2012). Narra a história de uma operária do ABC Paulista que sustenta o pai e ama os cantores populares.

> A Casa de Alice (2007) – De Chico Teixeira. Com Carla Ribas. Manicure na faixa dos 40 anos está com a vida estagnada na periferia de São Paulo. No filme, disponível em DVD, ela tenta levar o dia a dia enfrentando diversos problemas de relacionamento com o marido e os filhos.

> O Céu de Suely (2006) – De Karim Aïnouz. Com Hermila Guedes. Garota grávida volta da capital paulista à sua cidade natal, no interior do Ceará, e fica aguardando, numa espera que se revelará infrutífera e terá consequências em sua vida, o namorado, pai de sua criança. Foi exibido no circuito e está disponível em DVD, para venda e locação.

Adeus, Roger Ebert

04 de abril de 2013 1

Roger Ebert, que morreu nesta quinta-feira aos 70 anos, foi um dos mais célebres críticos de cinema de seu tempo. O mais popular, provavelmente. “Um crítico cinematográfico com alma de poeta”, segundo texto de Rick Cogan, um de seus colegas no Chicago Sun-Times. Um homem que amava os filmes com devoção, percebia-se em muitos artigos que ele publicou, como estes dois linkados abaixo, em inglês, sobre títulos lançados recentemente.

Amor, de Michael Haneke

O Quarteto, de Dustin Hoffman

Terça-feira passada, Ebert havia anunciado em seu blog que iria diminuir o ritmo em razão do tratamento do câncer que debilitou severamente sua saúde. Disse que iria começar a realizar um antigo sonho: rever seus filmes preferidos e escrever apenas eventualmente.  Mas Ebert morreu surpreendendo a todos seu admiradores. Ele foi o primeiro crítico de cinema  ganhar o prêmio Pulitzer.

Conhecido por seu trabalho como resenhista no jornal Chicago Sun-Times, Ebert ficou conhecido por qualidades raras no exercício da crítica voltada a um público amplo e heterogêneo: harmonizava a imensa cultura cinéfila com a prosa clara e a abordagem profunda, sem nunca se deixar levar pelas afetações que contaminam, por exemplo, aquele tipo de análise em que o crítico disputa o holofote com o filme criticado.

Nos textos de Ebert se encontra opinião, informação, humor, emoção e eventuais digressões que podem levar a caminhos prazerosos como a descoberta de um título obscuro ou um de diretor esquecido, ou ainda a referências que espelham o estado de espírito da época em que foi escrito.

Um de seus textos mais memoráveis  é sobre A Doce Vida, de Fellini, reproduzida em um de seus livros lançados no Brasil. Na análise, Ebert fala de como suas impressões sobre o filme ganharam novas perspectivas no decorrer dos anos e das revisões, à medida que envelheceu e compreendeu melhor o desencanto existencial do personagem de Marcello Mastroianni.

Além das resenhas no jornal, Ebert mantinha um blog e era bastante ativo nos seus perfis no Facebook e no Twitter. Escreveu mais de 300 críticas em 2012, apesar de suas limitações físicas. Teve presença de destaque na televisão, criou seu próprio festival de cinema (o Ebertfest), costumava fazer concorridas análises de filmes quadro a quadro em universidades americanas e era muito requisitado para gravar comentários em DVDs. A paixão cinéfila, mais que o ofício de crítico, o aproximou de aficionados como Martin Scorsese, de quem era amigo – o diretor está envolvido na produção de um documentário sobre Ebert.

” Nesta etapa da minha vida, além de escrever sobre filmes, posso escrever sobre como é como lidar com os desafios e as limitações que a doença impõe a você . O câncer voltou e passei muitos dias no hospital. Nos dias ruins, posso escrever sobre a vulnerabilidade que acompanha a doença. Nos dias bons, possa me extasiar com um filme tão bom que me transporta para além da doença”, disse em seu comunicado de terça-feira.

Ebert havia anunciado ainda o lançamento, na próxima semana, de seu novo site, que abrigará um acervo de mais de 10 mil de seus comentários e também textos de seus colaboradores em dezenas de países, iniciativa que permitia espaço a títulos de cinematografias periféricas como a asiática e a latino-americana. Tinha entre seus projetos ainda um novo programa de TV e a criação de games e aplicativos sobre cinema.

Leia mais sobre a morte de Roger Ebert.

Veja um vídeo  (em inglês) em que Ebert relata a experiência de falar por meio de um programa de computador e, abaixo, outro, do programa de TV que apresentava com o crítico Gene Siskel, comentando Os Bons Companheiros, de Scorsese.

De Mamá a Mama

04 de abril de 2013 1

Entra em cartaz nesta sexta-feira o filme de terror Mama, sucesso de bilheteria bastante badalado produzido por  Guillermo del Toro. É o  longa de estreia do diretor argentino radicado na Espanha Andrés Muschietti. 

Mama é o desdobramento do curta-metragem Mamá, que Muschietti lançou em 2008 e foi exibido aqui em Porto Alegre no ano seguinte, na programação do Fantaspoa, como lembra Cristian Verardi, crítico e especialista em cinema fantástico.

Confira abaixo o curta Mamá, com apresentação de Del Toro. Leia aqui sobre o longa Mama.

O que estamos vendo

01 de abril de 2013 0

Este é mais um post compilatório dos textos sobre filmes a estrearem no circuito de cinemas que publicamos nos últimos dias em ZH. Eles não estão vindo para blog, mas estão disponíveis no site do jornal. Clique no título para ler:

O Último Elvis

O Dia que Durou 21 Anos

Pietá + Hahaha

As Quatro Voltas

Depois de Lúcia

O Amante da Rainha

Searching for Sugar Man

Disparos

Os Croods

Vai que Dá Certo

Mostra Jonas Mekas

Jesse e Celine na Grécia

28 de março de 2013 0

Começou a circular nesta quinta-feira o trailer de Antes da Meia-Noite, terceiro capítulo da cultuada saga de encontros e desencontros entre o americano Jesse (Ethan Hawke) e a francesa Celine (Julie Delpie).  Eles  se cruzaram — e se apaixonaram —numa viagem de trem pela Europa rumo a Viena, em Antes do Amanhecer (1999), e voltaram a falar sobre a vida em Paris, trama de Antes do Pôr-do-Sol (2004).

Como no segundo filme da trilogia, Antes da Meia-Noite, que mostra o casal discutindo a relação na Grécia, tem roteiro assinado pelos atores em parceria com o diretor Richard Linklater. A estreia no Brasil está marcada para 7 de junho.

Tarantino, 50 anos

27 de março de 2013 2

Nesta quarta-feira, 27 de março, Quentin Tarantino completa 50 anos. Tem pouco mais de 20 que ele estreou em longa, causando grande impacto em Sundance com Cães de Aluguel (1992). E pouco menos de duas décadas que ele ganhou o primeiro Oscar, pelo roteiro de Pulp Fiction (1994), filme que, convenhamos, merecia várias outras estatuetas e ficou apenas com essa. Foi agora, por sinal, que ele ganhou o segundo, na mesma categoria, por Django Livre (2012).

Talvez mais do que Jackie Brown (1997), o díptico Kill Bill (2033-04), o subestimado À Prova de Morte (2007) e o genial Bastardos Inglórios (2009), Django Livre é um exemplo da capacidade de Tarantino de construir grandes sequências, às vezes mais do que os próprios filmes aos quais elas pertencem. Pense, por exemplo, na cena de abertura deste que é seu longa mais recente, ou ainda na do tiroteio na fazenda do personagem de Leonardo DiCaprio: por mais que haja restrições a Django, e eu mesmo tenho algumas, não se pode contestar a força desses seus excertos isoladamente.

Seguem abaixo, como homenagem ao novo cinquentão, cinco sequências inesquecíveis de seus filmes. Há muitas outras, sim. Discutir quais são “as melhores” é tão difícil quanto eleger “o” seu grande filme – Pulp Fiction? Cães de Aluguel? Bastardos Inglórios? Curta. E relembre outras se você quiser.

Super Sounds of the 70′s (Cães de Aluguel):

Um acidente de carro (À Prova de Morte):

Au revoir Shosanna (Bastardos Inglórios):

Hamburger! (Pulp Fiction – Tempo de Violência):

Gogo? Bingo! (Kill Bill – Vol. 1):

Um novo de Schrader e um velho de Friedkin

26 de março de 2013 0

Lindsay Lohan em "The Canyons" / IFC Films


Um dois-em-um sobre dois grandes cineastas americanos famosos pelo temperamento vulcânico e que optaram por seguir à margem da grande indústria: Paul Schrader e William Friedkin.

Li só agora a sensacional reportagem sobre os bastidores das filmagens de The Canyons, novo longa de Schrader, realizado em regime de mutirão entre amigos. O texto de Stephen Rodrick, publicado em janeiro no jornal The New York Times e reproduzido pela revista Piauí em sua edição de fevereiro, descreve o que muitos já previam quando o diretor escalou como sua nova estrela a garota-encrenca Lindsay Lohan: caos, ânimos exaltados e um filme que por pouco não chegou ao fim. Leia aqui o saboroso relato de Rodrick, na versão em português publicada na Piauí.

Adendo: Schrader fez fama em Hollywood anos 1970, primeiro como roteirista — escreveu para Martin Scorsese longas como Taxi Driver e Touro Indomável. Ele arriscou sua sobrevivência física e artística com um temperamento ciclotímico turbinado por excessos químicos e etílicos e a tendência suicida (costumava andar armado). Estreou como diretor em 1980, em Gigolô Americano e realizou bons filmes como A Marca da Pantera, Mishima e Temporada de Caça. Antes de The Canyons, apresentou o ótimo e impactante Adam — Memórias de Uma Guerra (2008), lançado no Brasil direto em DVD.

Confira o trailer de The Canyons:

Já Friedkin, de quem falamos há pouco por conta de seu novo filme, Killer Joe, em cartaz na Capital (veja post abaixo) lançará a versão restaurada do filme que marcou sua desgraça em Hollywood: O Comboio do Medo (1977), refilmagem de O Salário do Medo (1953), clássico do francês Henri-Georges Clouzot. Diante do grande fracasso comercial do filme à epoca, de nada adiantou o prestígio dos Oscar que ganhou com Operação França (1971) e os milhões de dólares que faturou com O Exorcista (1973). Como era um figura detestada por todos com quem trabalhava, por sua arrogância e truculência, Friedkin viu as portas dos estúdios serem fechadas em seu nariz e entrou no caminho do cinema independente. Após a première no Festival de Veneza, em setembro, Comboio do Medo ganhará edição especial em Blu-ray e DVD.

O que estamos vendo

19 de março de 2013 1

Se o blog anda meio parado não quer dizer que a gente não está ralando. É que os textos que escrevemos sobre alguns filmes em cartaz estão sendo publicados no site do Segundo Caderno. Estamos pensando numa maneira de retomar a publicação, aqui, de matérias, resenhas e entrevistas. Por enquanto, seguem os links para alguns dos escritos mais recentes.

Killler Joe

Bárbara

A Fuga

Francisco Brennand

A Parte do Anjos

Super Nada

Oz: Mágico e Poderoso

Caverna dos Sonhos Esquecidos

Volta ao mundo do cinema

05 de março de 2013 1

O link da imagem acima leva para a versão online do especial que dá título a este post e que foi apresentado todas as segundas-feiras de janeiro e fevereiro nas páginas do Segundo Caderno de ZH. Pelo menos uma das reuniões de países é um tanto improvável, mas foi como consegui falar das cinematografias que, como diz o enunciado da série, fazem por merecer a nossa atenção nestes anos 2000. Argentina, França e Itália são exemplos de países que ficaram de fora por serem cinematografias conhecidas, óbvias, ou seja, o contrário da proposta de fazer uma viagem desbravadora de novos horizontes. De acordo com o espaço disponível, deu para citar os principais filmes e cineastas de cada uma das regiões – ou, ao menos, aqueles dos quais já tivemos notícia. Este infográfico, elaborado pelo Diogo Fatturi, é um bom ponto de partida para conhecer o material, mas eu ainda prefiro a disposição gráfica que a série teve no papel. Por isso listo abaixo os oito PDFs das páginas publicadas em ZH impressa, com a íntegra dos oito textos, sobre as oito regiões nas quais a série ficou dividida. Fica como registro de um dos projetos de que mais gostei de participar no jornal. Ó:

Ásia Extrema: Zhang Ke, Hsiao-hsien, Kar Wai e Chan-wook

Leste Europeu: Tarr, Skolimowski, Kusturica e os romenos

Universo Nórdico: Hamer, Kaurismäki, Alfredson e os dinamarqueses

Oriente Exótico: de Rithy Panh a Apichatpong Weerasethakul

América Central: de Ripstein a Pereda, de Iñárritu a Reygadas

União das ex-Repúblicas Soviéticas: Sokurov, Õunpuu e Loznitsa

Mundo Ibérico: de Manoel de Oliveira a Miguel Gomes

Oriente Próximo: Ceylan, Farhadi, Makhmalbaf e Kiarostami

Falando em Almodóvar...

01 de março de 2013 0

Já que falamos de Almodóvar e seu novo longa, no post abaixo, chegou por aqui o DVD de um filme que, pelo título em português, teve de ser visto no ato: Todo Mundo Hispânico.  E, acredite, o infame trocadilho nacional para o nome original, Spanish Movie, até que faz sentido, pois segue a linha que batizou a cinessérie Todo Mundo em Pânico (Scary Movie).

Produção de 2009 lançada agora no Brasil direto em DVD, Todo Mundo Hispânico copia o modelo americano: amarrar num fio de trama a sátira a filmes populares. A diferença a favor dos espanhóis  é que o deboche destaca alguns de seus bons e ótimos filmes produzidos nos anos 2000: Os Outros, Mar Adentro, O Labirinto do Fauno, Volver e [Rec], entre outros títulos — sobra até para Onde os Fracos Não Têm Vez, estrelado nos EUA por Javier Bardem.

Talvez por isso o resultado pareça melhor, ou menos pior, do que a piada com sucessos da hora em Hollywood, filão que tem produzidos coisas abomináveis como (no Brasil) Espartalhões e Saga Molusco — e vem aí Todo Mundo em Pânico 5, avacalhando com Cisne Negro, Atividade Paronormal, etc.

Bom lembrar que a paródia a gêneros ou filmes específicos já produziu obras memoráveis como os títulos das cinesséries Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu, Top Secret, Top Gang e Corra que a Polícia Vem Aí. E que o genial Mel Brooks fez sua parte nos divertindo com clássicos do porte de Alta Ansiedade (citando filmes de Hitchcock), Banzé no Oeste (faroeste), Spaceballs (Guerra nas Estrelas) e O Jovem Frankenstein (filmes de horror da Universal). Mas a coisa hoje está numa praia de humor mais óbvio, com a grosseria se sobrepondo à  ferocidade inteligente.

Todo Mundo Hispânico tem como protagonista uma babá (decalcada na Penélope Cruz de Volver) que arruma emprego na sombria mansão (Os Outros) em que vivem, entrou outros tipos, um tetraplégico que deseja morrer (Mar Adentro) e uma garotinha visitada por uma criatura fantástica (O Labirinto do Fauno). Lá pelas tantas, a turma visita uma vila habitada por personagens almodovarianos, numa sequência bem inventiva.

A produção tem o aval de alguns dos cineastas “homenageados”. Alejandro Amenébar, Juan Antonio Bayona, Alex de la Iglesia e Jaume Balagueró fazem pontas no desenrolar da trama. E no meio de tudo isso surge o  impagável  Leslie Nielsen, em seu penúltimo trabalho, no que só pode ser um afetuoso tributo ao mestre. O lançamento em DVD é da Califórnia Filmes.