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Crack em plena calçada (2)

20 de março de 2010 1

DA COLUNA MIRANTE

Sobre o assunto abordado no blog sob título Crack em plena calçada (1), o colunista e blogueiro recebeu algumas manifestações de moradores para confirmar a situação do consumo de drogas na calçada na Rua Ernesto Alves, a quadra e meia da Rodoviária. Todos confirmam que o problema “é direto”, existindo durante o dia também.

O depoimento de um dos moradores, no entanto, já mais idoso, que tem seu nome e sua idade preservados por razões evidentes, é contundente sobre a situação das famílias que moram na região. Ele ressalta que o local onde há o consumo de drogas em plena rua fica 50 metros antes de um núcleo da Fase, a Fundação de Atendimento Socioeducativo, que cuida da ressocialização de menores, localizado na mesma calçada. Ele revela uma descrença nos órgãos públicos e não tem mais esperanças de êxito na guerra contra a droga.

Confira seu emocionado depoimento:

“Presenciar aquilo tem causado enorme amargura a mim e a minha família. Isso aí derruba a pessoa. É uma rua que foi tirada para isso aí, parece que ali foi escolhido para acolher o crime. Eles deitam e rolam. As autoridades estão de costas para a sociedade, e a sociedade fica olhado para o próprio umbigo, até que um pai ou uma mãe tenha de acorrentar um filho. A guerra está perdida, e nós vamos juntando os cadáveres. Aquilo ali é o que a gente presencia direto, durante todo dia. Aquilo ali é um coquetel de maldades e malefícios, ali é uma zona conflagrada. E mais para cima um pouco tem as meninas na prostituição (na Rua Humberto de Campos).

Eu conheci essa cidade como ela era e como ela é. Eu não sei onde ela vai parar, é de chorar. O crime está aí, é fruto do crack, e ninguém faz nada, e não se vê vontade política. Aquela vizinhança vive acachapada. Tem gente ali que vive com altas doses de sacrifício que não tem pra quem se queixar. E é de longa data. Tem famílias humildes que não têm a quem recorrer. Imagina quantos lares estão sendo destroçados. É uma epidemia que tomou conta e ninguém faz nada. Ali (na Ernesto Alves) de noite é uma mistura, tem presidiários misturados com guris e traficantes. São guris que te dá pena, porque eles são bobinhos ainda, eles estão iniciando, eles querem uma turma, eles estão sendo cativados e conquistados para o tráfico. E eles (os traficantes) sabem lidar muito bem com isso aí. E todo mundo sabe quem é.”

Postado por Ciro Fabres, Caxias do Sul

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