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Saudades de Gonzaguinha

20 de março de 2010 1

Caros jovens, dia desses nos utilizamos da coluna Cotidiano, no jornal, para lembrar com indesmentível saudosismo o que cantou Gonzaguinha anos atrás, um hino à juventude de um outro tempo: “Eu vou à luta com essa juventude, que não foge da raia a troca de nada.” Claro que, no amplo conceito do termo juventude, há de tudo. E, como em qualquer situação, não cabe a generalização. Há jovens interessados, solidários, atentos, até participativos, mas esses são cada vez mais uma ampla e insuficiente minoria.

O que se sente é que os dias caminham, e os fatos se sucedem, e as decisões se tomam, e a vida coletiva segue à revelia da juventude, desinteressada, apática, pelo menos no geral, sem a interferência dos atores jovens, que estão aí, tocando suas vidas, atrás de seus restritos interesses, e ponto final. Sonhos coletivos, nenhum, nenhum…. No máximo, alguma influência precoce no âmbito corporativo, profissional. Mas nada coletivo por construir.

Então toca cuidar da própria vida, e resta a convivência compartilhada entre os semelhantes para não morrer de tédio, sem horizontes que contemplem a realidade mais ampla. E, como as diferenças e os diferentes incomodam e interferem na acomodação individual e tribal, essas ditas tribos que saem às ruas estão aí a se cutucar.

Então toca decifrar o enigma, e não são poucos os que comentam que as liberdades e as democracias foram consolidadas, portanto não há muito mais por fazer para fomentar os sonhos dos jovens. Mas como não há mais por fazer, meus caros? Há muito por fazer, o mundo está aí aos frangalhos. A vida de todos nós, como país, como cidade, como bairro, tudo isso por organizar, por melhorar, e tantos jovens a se esconder e a brigar entre si? Está aí uma moradora do bairro Reolon com a geladeira e a despensa vazias, e tantas mais há como elas. Está aí uma mãe a se prostituir sob as vistas de seus filhos pequenos. Está aí o consumo de crack nas calçadas de Caxias. Mas será que essa vida toda torta ao redor, fruto de um estilo de vida todo capenga, não é motivo mais do que suficiente para sonhar uma vida melhor para todos, para o pessoal se organizar para ajudar a melhorar? Claro que é, é preciso se antenar, se organizar, fazer alguma coisa, participar, influir.

O tempo de Gonzaguinha era outro. Mas essa juventude aí está fugindo da raia, sim, cada vez mais.

Postado por Ciro Fabres, Caxias do Sul

Comentários (1)

  • carla diz: 23 de março de 2010

    Prezado Ciro.Belo texto. É só dar uma olhada no seu blog assuntos como dos idosos e as catracas e sobre o crack um ou nenhum comentário, enquanto que as calçadas de Curumim tem vários. Tenho que ler que rodeio é esporte. Aqui na cidade acontece de tudo. Aumento de água. Promotora homenageada. Ai só se cobra dos secretários que são incopetentes , troca de locais de onibus. Sobra para os secretários. Agora são meter a mão com os estudantes e os idosos de novo. E o Sr. Prefeito não diz nada.

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