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O que é uma cidade mais humana, afinal de contas?

01 de abril de 2015 3

O que é uma cidade humanizada? Tanto tem se falado nisso, e é um conceito-chave para a qualidade de vida. Saúde e educação devem ser bons e essenciais serviços prestados à população, condições inafastáveis para uma boa qualidade de vida, bem como o transporte coletivo. Mas essas exigências podem até estar atendidas e ainda assim uma cidade ser fria e distante. Qualidade de vida precisa incluir lazer e boa convivência.
Uma cidade humanizada é uma cidade em que as pessoas ganham as ruas e espaços públicos em avalanche. Tem de melhorar a segurança, portanto. Não pode um homem ser morto na pracinha da comunidade, no Fátima, com quatro tiros às 3 horas da tarde de domingo, na quadra de futebol, em meio a muitos moradores do bairro, entre eles a mulher e os filhos pequenos. Isso simplesmente afugenta as pessoas da praça para suas casas. Desumaniza por completo.
Essa cidade mais humana ainda tem, obrigatoriamente, de tratar bem os pedestres, de oferecer boas calçadas e segurança a eles. E muito espaço, quanto mais melhor. Em uma cidade mais humana, as pessoas são atraídas aos espaços públicos, para as ruas, para as praças, para os parques, para pontos de encontro. Sentem-se à vontade neles, a qualquer hora. E essa efervescência acaba, aos poucos, por se constituir em uma cultura, em uma inclinação para os encontros.
A cidade mais humana é necessariamente menos apressada. Para tudo isso, deve ser acolhedora em seus ambientes. Portanto, a arborização, os recantos, o paisagismo e a tranquilidade ajudam. E deve ter esses ambientes disseminados pelos bairros. Não pode as crianças e famílias do Jardelino Ramos, do São Vicente, não dispor de uma pracinha. Deve haver segurança, programações de lazer, comunitárias, esportivas, culturais, capazes de produzir pontos de encontro, de consolidar espaços de convivência. A cidade mais humana convive, a cidade mais humana é mais festiva.
Caxias precisa passar por uma boa cirurgia para tornar-se mais humana, fortalecer as relações comunitárias e interpessoais. É possível, e até relativamente simples. E não custa caro. Só precisa haver a decisão política e administrativa de estimular o convívio, cuidar dos parques, da iluminação, das árvores, dos pedestres. Aí dificulta.

Comentários (3)

  • Anderson diz: 1 de abril de 2015

    O aspecto da humanização passa rente ao fato de que a cultura exerce influência sobre os costumes, habitos e vida de um povo. O italiano é mais fechado, mais “carrancudo” de uma forma geral, o alemão é mais sociável, cultua o verde, etc. Em apenas 30km distante de Caxias, nota-se naturalmente o zelo pelos lugares, o capricho, a educação, o cuidado com o verde e o respeito. Onde as pessoas vão as praças e parques, curtir o dia que passa apressado, o movimento das coisas ao redor. Não nem preciso dizer mais nada, pois está tão perto. Muitas vezes é melhor ir ate la do que ficar nas origens; o ambiente e a energia do lugar propicia tal deslocamento. Independente do fator cultura, tudo começa dentro de nós, onde a verdadeira morada deve ser arborizada para florescer no externo. Nenhuma casa deve ser tão cuidada quanto a casa interna.

  • eu diz: 1 de abril de 2015

    Gringo só quer saber de asfalto, derrubar árvore e cultuar a “marcha do progresso”!
    Sendo gringo e morador de Caxias do Sul há mais de 30 anos, vi essa cidade passar de extremamente arbórea, linda e mais segura, pra uma selva de pedra, cheia de ruas trancadas e gente estressada devida a “marcha do progresso”!

    Devemos repensar tudo isso, a tal da marcha do progresso não está numa rua que era pavimentada e que agora é asfaltada, não está numa árvore cortada que deu espaço para um novo empreendimento imobiliário… pensem!Caxias já não é mais dos caxienses e nem muito menos dos que tem boa vontade e que querem trabalhar aqui!

  • Leitor diz: 1 de abril de 2015

    Isso me lembrou a page do facebook: Humans of Caxias do Sul

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