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Pau que nasce torto pode desentortar

04 de abril de 2015 0

Em linguagem mais cuidadosa, são os adágios populares, ou simplesmente ditados. Diz o ditado: e aí vem uma compreensão popular sintetizada, ou simplificada, em poucas palavras. Em alguns casos, esse poder de síntese fruto da chamada “sabedoria popular” é algo digno de nota. Em outros, é simplificação pura.
Há três casos clássicos desses ditados populares que não dá para engolir, mas muita gente engole. “De boas intenções, o inferno está cheio.” Esse ditado poderia muito bem ter surgido no Brasil de hoje, na sociedade de hoje. Porque torna explícita nossa preocupação com o resultado. O que importa é o resultado da intenção, não a intenção. Ora, nada mais nobre, comovente e honesto do que a boa intenção, em especial aquela que, por um motivo ou por outro, não chegou a ser concretizada. Mas foi tentada. Suspeito, inclusive, de que não há boas intenções habitando o inferno. Boas intenções tentadas vão direto para o céu. É bem o contrário de nossos dias, quando o resultado tem de se manifestar e, se assim não for, não vale a pena.
“De onde menos se espera, daí é que não sai nada mesmo.” Essa é uma máxima do Barão de Itararé, e deve ser dada a ela o desconto do humor. Mas é um primor de presunção e desprezo. As sutilezas da vida e a boa compreensão da realidade não são privilégio daqueles “de onde mais se espera”. Longe disso. Então, é bom estar de ouvidos e olhos bem abertos, inclusive e especialmente perto daqueles “de onde menos se espera”.
O terceiro ditado é o mais anticristão e antipascal que conheço: “Pau que nasce torto morre torto”, tão ao gosto de quem prega que “bandido bom é bandido morto”. Até rimou. Em primeiro lugar, nenhum pau nasce torto. Pois tal ditado decreta a impossibilidade do renascimento. Jamais vai renascer, “morre torto”. Ora, “pau que nasce torto” pode desentortar. Isso é a Páscoa. O renascimento está ao alcance de qualquer um, em qualquer masmorra, em qualquer depósito de presos, a qualquer momento. São os mistérios da vida, que se esgueira pelas frestas, indiferente a quem acha que sabe tudo sobre ela.
A mensagem central da Páscoa é o renascimento. Quem despreza renascimentos, ou decreta impossibilidades, lamento, mas não entendeu nada.
Boa Páscoa a todos os leitores.

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