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Nossos dias estão cada vez mais frágeis

17 de abril de 2015 0

Hoje em dia, quase tudo se fragiliza. Mais que de nossos dias, essa é uma característica da evolução. Uma involução, portanto.
As relações familiares e pessoais se fragilizam. Nenhuma dúvida, certo? A formação escolar básica se dissolve no ar. Nenhuma comparação com a educação de décadas atrás é possível, sob o ponto de vista do aprendizado. Os bons modos se esfarelam. São as fragilidades, as deteriorações mais evidentes que vieram com o tempo.
Há muitas outras. A qualidade dos produtos, por exemplo. Claro que há o acréscimo da tecnologia, dos novos materiais descobertos, que permitem produtos com mais valor agregado. Ninguém desconhece. A qualidade, por óbvio, melhora onde incidem a tecnologia e as novas descobertas. Mas no restante… Vigora a concepção do fazer mais com menos. Tomemos o caso dos automóveis. O que é a lataria deles? Verdadeiras cartolinas. A resistência dos materiais se fragiliza. Uma pequena batida, e a lataria afunda.
Você certamente conhece uma infinidade de outros produtos que hoje não são mais os mesmos, feitos com materiais mais econômicos, frágeis ou com menor quantidade deles, para fazer valer a regra do fazer mais com menos. A construção civil é o exemplo clássico. Tijolos maciços, nem pensar. Economizar é a regra, e dane-se a qualidade, a satisfação do cliente.
Aliás, uma pequena digressão: hoje, mais do que nunca, resultado é uma divindade. Modelos de gestão se empilham, revestidos do verniz da modernidade, traduzidos por termos técnicos e estrangeirismos. “Coach” é o máximo. No fundo, o que todos eles propõem, sem exceção, é fazer mais com menos, sempre. O que importa é o resultado. Nada mais tradicional em se tratando de gestão corporativa. É a receita de sempre.
Fecha parêntesis, de volta às nossas fragilidades. As relações trabalhistas se fragilizam. A tal terceirização nada mais é do que isso, relações trabalhistas fragilizadas, um exercício prático do fazer mais com menos. E se o projeto que está em vias de ser aprovado no Congresso é importante porque asseguraria direitos aos terceirizados, ele fragiliza a situação dos demais trabalhadores com carteira assinada.
Nossos dias estão cada vez mais frágeis.

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