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O Porto Seco, a Marquês de Sapucaí e a Sinimbu

24 de abril de 2015 0

O Carnaval no Porto Seco é estranho para Porto Alegre, uma cidade carnavalesca. Não combina. Ficou bem longínquo, quase lá em Alvorada. Centralidade nenhuma. O Carnaval na Marquês de Sapucaí não é estranho para o Rio. Fica no centro histórico da cidade. Temos aí uma diferença.
Esse posicionamento geográfico é sugestivo para os desfiles da Festa da Uva. Mas é surpreendente. Algumas pessoas e entidades são mencionadas como conselheiras para a decisão sobre o local dos desfiles. E boa parte das opiniões desse grupo e outras opiniões a respeito passam ao largo da questão estratégica para revigorar a Festa. Os argumentos amparam-se em questões técnicas como largura de rua, declividades, as obras do SIM, transtornos para o trânsito _ sempre o trânsito.
São aspectos pertinentes, precisam ser considerados. Porém, há uma questão estratégica anterior que costuma ficar à margem desse debate, e que precisa ser estabelecida. O que se quer é uma festa com centralidade na vida da cidade, ou abre-se mão desse requisito? Essa centralidade é geográfica e simbólica. Quanto mais a Festa ecoa, reverbera, ressoa pela cidade, mais forte fica. E na Sinimbu, por uma questão de centro de gravidade, ela ecoa mais do que em qualquer outro lugar.
Essa definição é anterior a todo o resto. É melhor a Festa na Sinimbu ou não, sob o ponto de vista de seu fortalecimento comunitário? Lembrando: uma festa comunitária forte é o que todos afirmam desejar, algo essencial ao vigor e à longevidade da celebração. Sob esse ângulo, que é decisivo, parece não restar dúvida de que a Sinimbu atende a esse requisito central. Ou pode ser que seja na Plácido de Castro, como alguns entendem, ou outro lugar da cidade. Mas esse é o debate principal.
Respondida essa questão estratégica, vamos ao resto. Se a evidência indica a Sinimbu, ou o lugar A, B ou C, então será a hora de avaliar as condições projetadas para as obras do SIM, a largura das ruas, e por aí vai. Restando inviabilizada tecnicamente a rua preferencial, entre recorre-se a uma segunda alternativa. Mas, nesse caso, se terá claro, por um debate anterior, como é a festa que a cidade quer.
Ocorre que esse debate precisa se estabelecer, mas quase não acontece. Ou não é nada disso, e o que se está valorizando aqui, essa centralidade da festa, é coisa invisível, sem importância. Talvez seja.

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