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A hora chegou para o brasileiro na Indonésia

29 de abril de 2015 0

O brasileiro que entrou com cocaína na Indonésia estava avisado das consequências. Então agora não adianta espernear. É uma racionalidade comum, utilizada com frequência diante das notícias sobre sua execução, consumada ontem. Cada povo – ou cada governo – com sua cultura. Na Indonésia, pelo visto, as leis são rigorosas e a aplicação delas vai até as últimas consequências. Entrar com drogas no país é crime inadmissível, punido com a morte.
A sanha punitiva extrema também é bastante popular no Brasil. Há grande simpatia pela chamada pena capital. Dizem até que ela é amplamente majoritária no espírito da população. Não é de se duvidar, mas, felizmente, ela não vigora. Seria um deus-nos-acuda se vigorasse, especialmente entre nós, brasileiros, vocacionados para despejar penas mais duras sobre determinadas camadas da população. Eis aqui um exemplo de alguma lucidez da parte dos legisladores, que não se deixam levar pelo clamor popular. Clamores nem sempre são bons conselheiros.
Essa racionalidade insensível e rigorosa é posta à prova quando chega a hora. E a hora chegou para o brasileiro na Indonésia. Mesmo assim, alguns permanecem nela. É o caso do governo indonésio, indiferente ao fato de que um punhado de mortes nada acrescenta no combate ao tráfico. Por aqui, muitos também permanecem no rigorismo inclemente. O brasileiro estava avisado. Portanto, sua alma, sua palma, como já dizia o Visconde de Sabugosa. Mas nem todos levam a dureza do coração a esse ponto. Há os adeptos da pena extremada que, quando chega a hora, resolvem refletir um pouco e colocam a reflexão diante da encruzilhada da vida e da morte. É prudente e alentador. E então vacilam. E já não têm tanta certeza. E passam a considerar a hipótese de que, afinal de contas, talvez não seja para tanto, a cogitar de uma segunda chance, que não houve para o brasileiro na Indonésia, mesmo que ele estivesse avisado da consequência. É que a humanidade ainda pulsa, exceto para os que são feito pedras.
Esta hora é um momento de extrema angústia para os familiares do brasileiro que viveu os últimos dias no corredor da morte. Muitos não se comovem com isso, e seguem na racionalidade dura e inquebrantável. Corações duros não fazem concessões ao erro e às fragilidades humanas, doa a quem doer. É uma completa irracionalidade.

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