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No tempo das diligências

12 de janeiro de 2016 0

A segurança pública não tem condição de enfrentamento ao crime organizado. Isso é histórico, mas não significa uma condenação.
Dá para virar o jogo. No caso gaúcho, é uma condição momentaneamente intransponível. É como no tempo das diligências, nos filmes que retratavam o faroeste, o oeste longínquo. Só que aqui estamos no nordeste desenvolvido do Estado, conectado com o mundo, que se orgulha de seu crescimento econômico. Só que, agora, estamos
em 2016. No entanto, há alguma similaridade,
como se verá.
As diligências de hoje são os carros-fortes. São atacados nas estradas. Em outros tempos, eram atacados em caminhos áridos de chão batido e muita poeira, onde não passava ninguém. Cenário à feição para os bandoleiros. Hoje, os carros-fortes são emboscados pelo crime organizado, que já nem liga para estradas movimentadas. Nos povoados de antigamente, havia o banco e um xerife praticamente sem homens. É uma situação que lembra nossos distritos, localidades e cidades pequenas, quase desprovidos de brigadianos, os homens da lei. Vejam os assaltos a banco da sexta-feira passada. Em Esmeralda, são pouquíssimos os policiais, e havia só um de plantão no momento do assalto. Em Otávio Rocha, não havia nenhum, é um distrito. E os bandoleiros sabem disso.
Assim como Esmeralda e Otávio Rocha, há centenas de localidades pelo Estado nas mesmas condições, com pouco ou nenhum policiamento e agências bancárias em operação para servir as comunidades. Aos bandidos, é só escolher. Meses atrás, atacaram duas agências com escudos humanos em Imigrante, na subida da Serra. É só um entre tantos exemplos dramáticos.
Não há, portanto, condição momentânea de enfrentamento. Estamos como no tempo do oeste longínquo e seus povoados, ou das diligências esparsas pelos desertos, à mercê de ataques que podem vir a qualquer momento, e sem nenhuma capacidade de enfrentamento. Seria necessário um efetivo muito maior para ombrear com o crime organizado nas pequenas cidades e localidades, exército que o ajuste fiscal, sempre ele, não permite. É preciso sanear as contas públicas, bem se sabe, e isso em primeiro lugar. Não adianta nem colocar um PM em Otávio Rocha e nos demais distritos. Um só não adianta. Então, a segurança pública, os governantes têm de encontrar uma solução estratégica, organizada, que proteja as pequenas comunidades de Otávio Rocha, de Esmeralda, de Santa Tereza. Para não parecermos, de fato, no tempo das diligências.

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