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Wendell Lira, um brasileiro

13 de janeiro de 2016 1

O ano de cada um pode ser medido pela carga de emoção que alguns fatos, experiências ou acontecimentos vividos oferecem, ou por um prenúncio de emoção, ao menos. É um bom critério. Não é toda hora que a emoção pega de jeito. Então, preservar a capacidade de se emocionar é importante, estar aberto à emoção. Qual foi a última vez que você se emocionou? Quanto mais próxima a experiência que emociona, maior o significado e o impacto pessoal, mas não se deve descartar a emoção quando a fonte dela é mais neutra e distante.
Em 2015, Ana Clara, o menino Ailan, de 3 anos, e a menina Emili, de 2, foram capazes de emocionar. Comoveram intensamente, ainda que tenham sido alcançados por desfechos tristes e trágicos. Não precisa ser apenas esse o perfil dos acontecimentos que comovem. Agora, nestes primeiros dias de 2016, pode-se dizer que Wendell Lira candidata-se como primeiro nome do ano capaz de emocionar, ou pelo menos de nos aproximar de algo assim.
Quem acompanhou ao vivo pela tevê a escolha do gol que Wendell Lira marcou pelo pequeno Goianésia, de Goiás, para receber o Prêmio Puskas como gol mais bonito do ano no mundo inteiro deve ter balançado. É muito provável e saudável que assim tenha se dado. O até há pouco tempo desconhecido Wendell Lira foi alçado repentinamente ao centro de um evento planetário, e não seria surpresa que talvez pudesse tropeçar na emoção ou na timidez. Ele, então, respirou pausadamente, introduziu os primeiros agradecimentos, administrou a engasgada básica e inevitável ao mencionar a esposa e o filho, mas o fez no tamanho certo, para imprimir a dose necessária de humanidade, sem exageros. Então, atacou de trecho bíblico na festa da Fifa e do futebol mundial, mas uma passagem pertinente, sobre Davi e Golias. E encaminhou o rápido discurso no rumo de seu desfecho, o que fez de forma arredondada, segura e clara, sem deixar dúvida.
Estava todo mundo torcendo pelo brasileiro que não era Neymar. Estava todo mundo torcendo para um brasileiro humilde. E foi um vislumbre de emoção constatar que ele foi além de fazer um gol maravilhoso. A gente balançou. Aplausos, Wendell Lira. Não sei se você é o cara, mas tudo indica que sim. Porque você foi capaz de emocionar.

Comentários (1)

  • Adão Oliveira diz: 13 de janeiro de 2016

    Parabéns ao colunista Ciro Fabres, sobre o reconhecimento do Jovem Wendell, premiado pela Fifa. Num País que vive de valores humanos tão escassos, está ai um jovem demonstrando que ainda existem valores, que muitos adolescentes possam suprir pelo menos as suas palavras.

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