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A agonia de um prédio em São Pelegrino

14 de janeiro de 2016 0

As pessoas caminham apressadas pelas ruas movimentadas. Assim segue a vida de uma cidade em crescimento. Passos rápidos, cada vez mais rápidos e menos contemplativos, passam ao largo dos prédios, que estão ali nos lugares de sempre, aparentemente imutáveis. Mas só aparentemente. Os prédios, como as pessoas, as carreiras, as entidades e o cinema de rua, também experimentam ascensão e queda, nascimento e ocaso. Um dia foram cuidadosamente planejados, provavelmente sonhados e acalentados, mas podem se perder pelos desvios das escolhas, das relações, nos embalos dos entendimentos e desentendimentos, dos acordos e desacordos.
Assim os prédios se erguem e se desmantelam, sobem e são levados ao chão, são construídos com esmero e cuidado, mas depois podem se esfarelar. Como as pessoas, do pó vieram, ao pó voltarão, bastam alguns descuidos ou desatenções. E esses prédios, que um dia surgiram vistosos, agora deles já não se faz muita questão. Assim é a cidade, assim é com as pessoas, assim é com as edificações. Então, cedem lugar para edifícios modernos ou se escondem atrás deles, como acontece com a Casa Rosa da antiga chácara dos Eberle, hoje vista apenas por uma fresta, iluminada por uma nesga de sol, que se enfia teimosa entre duas torres. É quando a história se vai. Ou então se deterioram esses prédios, e se degradam sem nenhum zelo ou cuidado, à luz do sol e dos desentendimentos comerciais. Assim também se altera a feição de uma cidade.
Dá pena ver a degradação de um prédio na esquina da Feijó Júnior com a Bento Gonçalves, em São Pelegrino. Está abandonado há anos. Foi cuidadosamente planejado, percebe-se, com pedra escolhida para revestimento em sua parede baixa. A estrutura é boa. Mas, por algum motivo, em determinado momento, esvaziou-se. A luz apagou, a janela fechou, a primeira umidade chegou. Era o início do fim. A relação comercial não avançou, foi colocado um tapume na calçada, que não protege mais nada. Então, a casa foi se desmantelando aos poucos, peça por peça, e passou a se tornar malcheirosa, aproveitada por moradores de rua ou usuários de droga, e utilizada como banheiro para fins de desapertos fisiológicos.
O prédio definha em via pública. Em nome da memória e também da segurança e da saúde pública, deveria ser preservado em seu declínio. Mas sua agonia vai prosseguir.

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