Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Quando é a hora

30 de janeiro de 2014 0

Crônica publicada no jornal Pioneiro em 30 de janeiro de 2014

Ah, essas câmeras maravilhosas! Um telejornal, hoje em dia, faz-se muito com o auxílio desses equipamentos espalhados por todo lugar. E os flagrantes são impressionantes, em detalhes. Só em Caxias é que não temos lá muita sorte. Por um motivo ou por outro, as câmeras costumam estar fora de combate, ou inexistem no ponto apropriado quando se precisa delas. Não ajudam a identificar quem envenenou pombas na Praça Dante ou quem ateou fogo ao morador de rua na calçada do Sesc, nem servem para inibir furtos nas ruas centrais da cidade.
Mas por aí afora, quanto flagrante espetacular! George Orwell foi mesmo visionário sobre a popularização das câmeras em seu clássico livro ‘1984’. Compreensivelmente, para uma profecia com mais de meio século de antecedência, equivocou-se em alguns aspectos, especialmente quanto à localização e à motivação do emprego das câmeras. Por sorte, elas não servem ao Grande Irmão do totalitarismo, nem estão prioritariamente dentro das casas para fins de espionar, mas nas ruas, em outro contexto que não o do controle de corações e mentes, mas da propriedade e da vida, como efeito colateral de outro sistema econômico, o capitalismo. De onde provém uma avalanche de flagrantes. Derivou ainda o emprego desses equipamentos para o exibicionismo e a ostentação, a partir da modernização da tecnologia e do advento das redes sociais.
Essa longa introdução sobre câmeras é apenas uma ponte para chegar ao assunto desta crônica, um tanto mais existencial e transcendente, a partir do que esses equipamentos nos permitiram testemunhar nos últimos dias: o carro que passa por cima do menino de 5 anos, atropelado com sua avó em Anápolis, Goiás, que se levanta e sai caminhando normalmente, e a passarela que reduz a pó um táxi que passava sob ela justo no momento do acidente que impressionou o país na Linha Amarela, no Rio. Ainda que o acaso seja assunto tratado pela Filosofia e pela Teoria das Probabilidades, o que explica o carro ter passado sob a passarela no exato momento do acidente? Apesar desse mero acaso, detonado por uma coleção de imprudências, o que transparece poderosa é a sensação de que, quando chega a hora, não tem jeito.
Não era a hora do menino, era a hora do taxista. Pode não ser tão simples assim, mas que parece, parece.

Passarela do São Ciro, enfim, começa a surgir

06 de agosto de 2013 0

Aqui vale a figura de linguagem: depois de longo e tenebroso inverno, há sinais de vida no canteiro de obras da passarela sobre a BR-116, no bairro São Ciro. Uma das rampas está finalmente em execução e há operários em atividade na obra (foto acima).
Apesar do enorme atraso, é uma grande notícia.
A passarela recebeu ordem de início em 30 de junho de 2011, há mais de dois anos, portanto, mas acumulou contratempos, entre eles o relacionado ao tipo de solo, que exigiu outra fundação, por meio de estacas, que não a prevista originalmente em projeto. Também inexistiram empresas interessadas na construção da estrutura propriamente dita, após a fase das fundações, o que fez o tempo se alongar, até quem se abrisse a possibilidade de uma empreiteira ser contratada diretamente.
Agora, quando surgem, enfim, sinais físicos de que a passarela vai sair, a tendência é de que a execução física da estrutura de suporte seja rápida. Segundo a Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade, uma empresa de Flores da Cunha trabalha na execução da plataforma em estrutura metálica, a passarela propriamente dita, que depois será transportada e colocada diretamente na obra.
(Foto: Roni Rigon)

Próximos. Geograficamente

10 de maio de 2013 0

A entrega da Medalha Monumento ao Imigrante, na tarde desta sexta-feira (10), na prefeitura de Caxias do Sul, homenageou 10 mulheres pela passagem do Dia da Mulher Caxiense. E proporcionou um encontro importante por traduzir-se como um símbolo da convivência possível da pluralidade política na cidade.
Encontraram-se para uma confraternização a ex-vereadora Geni Peteffi, presidente do PMDB, uma das homenageadas, o Secretário do Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Emprego, Francisco Spiandorello (PSDB), e a deputada estadual Marisa Formolo (PT). O registro é do jornalista Claiton Stumpf.
Se distantes politicamente, eles possuem proximidade geográfica. Os três residem no bairro de Lourdes. São vizinhos, portanto.
Os três já comandaram a prefeitura interinamente. Marisa completou:
- Nosso bairro é o que mais teve prefeitos e vice-prefeitos. Além de nós que moramos em um quadrilátero de oito quadras, tivemos Isidoro Moretto, que foi vice-prefeito.
Não falta quem não goste de política e acione a metralhadora giratória contra os políticos. Mas a contribuição dos três para o exercício da política em Caxias é inegável.

(Foto: Claiton Stumpf, Divulgação)

Casa Rosa se esconde aos poucos

10 de maio de 2013 0

A antiga Casa Rosa na Chácara dos Eberle aos poucos vai se escondendo diante da construção de dois prédios de 19 pavimentos que se erguem na Rua Alfredo Chaves. O casarão será preservado como parte integrante do empreendimento, mas o cenário característico do imaginário coletivo caxiense, que já serviu para a cena final de O Quatrilho, este está irremediavelmente perdido. É lamentável.
Caxias do Sul cresce, mas perde seus encantos. Não custaria tentar combiná-los. Mas a cidade não tem feito muito esforço.

(Foto: Roni Rigon)

Fogo da paixão

27 de fevereiro de 2013 1

Cuba é um problemão. Poucos assuntos ao longo da história recente suscitaram paixão e ódio extremados como Cuba. Um problemão, portanto, porque inibidores, paixão e ódio, da lucidez e da exatidão. Às favas a lucidez, dirão os fervorosos adeptos da paixão, no que estarão certos até a raiz. Paixão é inconsequência em estado puro. Há seus momentos, e quem dera fossem muitos ao longo de toda uma vida. Mas na hora das leituras de realidade, ah, nessa hora não. Nessa hora, não cabe a paixão.
O Brasil foi varrido semana passada pelo Furacão Yoani, a blogueira cubana que lutou anos e anos para deixar Cuba para trás. Pois conseguiu, e voou para o Brasil. Quase tudo já se disse sobre Cuba e sobre a passagem de Yoani pelo Brasil. E o que se disse era o que deveria ser dito, a liberdade de expressão como carro-chefe das discussões. Não serei eu a discordar. Foi atropelada, sim, a liberdade de expressão. Como em Cuba, há tantos anos. Grave, lamentável, pecado capital.
Apenas que, em nome da exatidão e de um pouco mais de abrangência na hora de se rascunhar a resenha da passagem de Yoani entre nós, será preciso anotar: não se lançou ela com fervor parecido para realçar o embargo econômico imposto aos cubanos. Por justiça, deve-se registrar: perguntada em algum momento sobre o embargo, disse ser contra. E voltou a centrar-se na liberdade de expressão, o que é compreensível e meritório, mas incompleto.
Outro aspecto foi seu périplo por Brasília. Tornou-se alvo de oportunismo político, circulou de braços e abraços com o conservadorismo mais moralista e liberais que não merecem essa designação, e Yoani sabe que foi usada. Não é ingênua, pois ingênua não é uma jovem capaz de peitar Fidel. E se não foi ingenuidade, por que não se incomodou com algumas companhias? É uma boa e importante questão. Afinidade vamos admitir que não foi. Quem sabe tenha se deixado levar pelos primeiros sopros da liberdade de se expressar e concedeu-se a licença política de não se preocupar com quem a bajulava. Quem sabe… Essa é a Yoani que circulou pelo Brasil, um pouco mais inteira, mais além da ativista pela liberdade de expressão.
Ah, e antes que me carimbem com o fogo da paixão, devo, por prudência, resgatar o que disse lá no meio sobre os atropelos à liberdade de expressão, contra Yoani, em Cuba, seja onde for: grave, lamentável, pecado capital.

Primeiro acidente na Antônio Broilo

24 de fevereiro de 2013 21

A Rua Antônio Broilo, no bairro Cruzeiro, registrou às 7h deste domingo o primeiro choque de um veículo contra um dos 20 postes de grandes dimensões – com diâmetro de cerca de 80 centímetros – instalados no eixo da via. Um Clio que trafegava no sentido Centro-bairro bateu na estrutura localizada próximo da Rua Arturus e capotou. Uma mulher estava na direção e, aparentemente, não se feriu.
Os acidentes contra os postes na Antônio Broilo, ainda que tenham sido providenciados anteparos de concreto, são previsíveis. A pavimentação em paralelepípedos agrava a situação, pois a pista fica mais escorregadia.
A prefeitura terá de dar à situação da Antônio Broilo status de caráter de urgência. Há um asfaltamento prometido aos moradores. Chegou-se a falar em abril deste ano como prazo, mas ele não será cumprido.
A rua está em frangalhos.

(Foto: Jones Stecanella, Divulgação)

Passarela vai custar R$ 700 mil

21 de fevereiro de 2013 5

De pouco mais de R$ 400 mil, o orçamento da passarela sobre a BR-116, no bairro São Ciro, já chega a R$ 700 mil. A informação é confirmada pelo Secretário de Trânsito, Transporte e Mobilidade, Zulmir Baroni. Do valor, R$ 295 mil provêm de emenda da deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB) e o restante, da prefeitura. O acréscimo deve-se aos problemas encontrados durante a execução dos trabalhos: a remoção de uma estação de gás e a necessidade de estaqueamento da obra.
Pelo menos a projeção sobre o andamento que se faz neste momento é de que ela não tenha novas interrupções. O prazo contratual para entrega pela empresa contratada é junho, mas não está descartado que a obra possa estar concluída antes.
Depois da remoção da estação de gás da Agrale e do estaqueamento, a obra agora está na fase da concretagem de blocos de fundação. Não aparece muito para quem cruza pelo local da passarela, mas os trabalhos estão sendo realizados protegidos por um tapume logo ao lado da Agrale, no sentido Caxias-Ana Rech. Na sequência, pela ordem, serão concretados os blocos do lado da pista Ana Rech-Centro, as rampas e, por fim, a montagem da estrutura metálica.
Mas fica uma enorme frustração para a comunidade do São Ciro. Na próxima segunda-feira, o ano letivo começa, e os alunos da Escola Estadual Érico Veríssimo ainda não terão a passarela à disposição para atravessar a BR em segurança.
O contrato original da passarela é de junho de 2011, quase dois anos atrás, mas ele precisou ser prorrogado por três vezes face aos problemas surgidos durante a execução da obra: a remoção da estação de gás da Agrale e a revisão do projeto de fundação, com a necessidade de estaqueamento. Além da falta de interessados nos processos licitatórios, que eram obrigados por lei a repetir-se por três vezes em cada etapa, com todos os prazos cumpridos, antes da contratação das empresas.
Diante da situação, o atual prefeito, Alceu Barbosa Velho (PDT), chegou a dizer que havia “sapo enterrado” na passarela.
Semana passada, pela primeira vez, o prefeito visitou o local da obra, acompanhado do secretário Baroni (foto acima), e solicitou agilidade na execução dos trabalhos. É uma mudança de postura do Executivo.
- É preciso todo empenho na finalização desta obra, que será uma garantia de mais segurança aos pedestres – disse Alceu na ocasião.
No governo anterior, não havia entusiasmo com a passarela, que foi tocada a contragosto por não ser reconhecida como a melhor alternativa técnica.

(Foto: Andréia Copini, Divulgação)

Está difícil sair de casa na Jacó Brunetta

18 de fevereiro de 2013 3

A movimentação das obras de implementação de rede pluvial na Rua Jacó Brunetta, no bairro Santa Catarina, que exige detonação de rochas e escavação de valas de até seis metros de profundidade para assentamento de tubulação, está causando grandes transtornos para os moradores da região.
Em alguns casos, como no da foto acima, enviada por Gabriel Pozzebom, até tarefas simples, como sair de casa, ficaram difíceis. A calçada que restou já era estreita e, ainda por cima, ficou cheia de canos depositados pela empreiteira. Na frente da casa, o buraco é de dois metros.
Outra moradora que enviou fotos foi Luana Bernardi.
O trecho bloqueado ao trânsito fica entre a Rua Sisto Muner e a Perimetral Oeste. Os moradores ficaram preocupados. Ressaltam que a situação impede a movimentação de idosos e gestantes, que moram nesse trecho da Jacó Brunetta. E dificulta a vida de quem tem de sair para trabalhar ou outras atividades simples, como fazer compras.
Ou o transtorno é completamente inevitável, tamanha é a movimentação de terra e de materiais na Jacó Brunetta, ou faltou planejamento na execução da obra.

(Foto: Gabriel Pozzebom, Divulgação)

Fachada de prédio da Júlio será restaurada

08 de fevereiro de 2013 4

O prédio onde até recentemente funcionava a Loja Pioneira, na esquina da Avenida Júlio com Rua Marechal Floriano, será restaurado, com a preservação da fachada histórica. Na esquina, funcionou a primeira revenda da Ford em Caxias do Sul e, depois, a Garagem Modelo (foto do meio, acima), como identificam os dois letreiros nas fachadas de ambas as vias.
A edificação, datada dos anos 1930, tem a sua estrutura comprometida, mas o Comphac (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural) solicitou a preservação da fachada. O projeto de recuperação é dos arquitetos Carla Todescato e Leonardo Bernardi.
A demolição, como mostra a foto atual (no alto), dá bem a ideia da extensão que terá a fachada restaurada. Do lado da Júlio, ela vai até onde hoje existe o painel da Loja Pioneira – os painéis laterais, aliás, escondem os dois letreiros históricos onde há a inscrição “Garage Modelo”. O restante da edificação, até o prédio seguinte da Júlio, precisará ser demolido.
Com o comprometimento da estrutura, foi necessário um novo projeto. O prédio abrigará, além do pavimento histórico no térreo, mais dois andares, com vidro e estrutura metálica em aço, como mostra o croqui.
No lado da Avenida Júlio, haverá duas lojas pequenas e uma maior. Na Marechal Floriano, acesso às salas comerciais que funcionarão nos dois andares e à garagem, que ficará no subsolo.
Inicialmente, o proprietário do prédio, Euclides Smiderle, encaminhou à prefeitura o pedido de demolição, conta Carla. A solicitação foi para o Comphac, que constatou ter o prédio mais de 50 anos, embora ele não fosse tombado. Então o conselho chamou o proprietário e seu engenheiro para uma conversa.
– Foi feito um trabalho de conscientização. Quando ele viu o projeto, não teve dúvidas – informa Carla.
A arquiteta destaca que Smiderle tem por hobby colecionar carros antigos. Essa sua vinculação com os carros e o aproveitamento histórico da edificação, ligada a uma revenda e a uma garagem, a ser valorizado pela restauração, facilitaram a aceitação da proposta de preservação da fachada.
Quando o prédio é tombado, o dono recebe em troca índices construtivos. Não é a situação do prédio de Smiderle. Neste caso, o que o proprietário ganha é na valorização da edificação.
– Futuramente, ele terá um prédio de maior valor agregado – diz Carla.

(Foto superior: Juan Barbosa)
(Foto do meio: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, Divulgação)
(Croqui: Reprodução)

Velho Mazurka

03 de janeiro de 2013 0

Morreu o Mazurka.
De tempos em tempos, somos tomados desses sobressaltos. Alguém, lá dos escaninhos da memória, um nome que nos era habitual em outras épocas, mas que foi ficando lá no depósito, empoeirado, depois esquecido, de repente é resgatado pela notícia da morte, a remexer em quinquilharias e fantasmas adormecidos.
Pois morreu o Mazurka, reducionismo tipicamente brasileiro para Mazurkiewicz, o nome inteiro de um goleiro excepcional, uruguaio, do qual se tinha notícias naquela época. Era goleiro do Penharol, depois veio para o Atlético de Minas. Era goleiro da Seleção Uruguaia. No Penharol, jogava no mesmo time de Figueroa, o zagueiro chileno do Inter que se tornou lenda por aqui. Sinal de que Figueroa, daqui a pouco, é bom ficar ligado… Era contemporâneo de Pelé, o Mazurka. O Rei, aliás, já virou os 70. E por falar em rei, Roberto Carlos também já transpôs este marco cronológico. Daqui a pouco nós, que éramos só um pouco mais jovens, também estamos nessa de avançar no tempo, bem além do quebra-mar…
Mazurka, Mazurka, que sinal de que estamos ficando velhos…
Mazurka, aliás, está envolvido como um dos protagonistas de um lance genial, o drible de corpo de Pelé no México na semifinal da Copa de 70. Pelé, que, logo depois, não fez o gol. Imagem eternizada, ainda que fosse uma época de poucas imagens. Que eu lembre, só houve dois ângulos dessa jogada magistral: um geral, de cima, outro lateral, que mais ou menos assume o ângulo de Pelé ao chutar para fora, já sem goleiro. Lance que acompanhei passo a passo na tevê, coração na boca, em preto e branco, e cujo replay só foi possível conferir bons minutos depois.
Somos contemporâneos de uma época de duas imagens, apenas. Hoje são quem sabe umas 20 câmeras, ou mais, em um jogo de futebol, atentas ao campo, à torcida, a todos os detalhes. Em breve, haverá outras até agora impensadas, e mais outras e outras, e compartilhamentos instantâneos de todas as formas.
O tempo avança, implacável. É o duro recado.