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Em memória do plátano da Tarquínio

22 de agosto de 2015 2

Havia um plátano na Rua Tarquínio Zambelli. No meio da rua. A Tarquínio é uma rua pacata no bairro Sagrada Família, de uma quadra só, perto da caixa d’água. E tinha um plátano no meio da rua. Aquilo era uma subversão da ordem vigente na cidade. Onde já se viu, uma árvore no meio do espaço destinado aos carros? Mas é que ali, naquela rua, cruzavam poucos carros, então era possível a ousadia, que durou anos, a convivência do plátano com a vizinhança, sem molestar ninguém. O plátano no meio da Tarquínio Zambelli era uma poesia urbana.
Até que alguns moradores começaram a resmungar porque galhos da árvore poderiam despencar e produzir algum dano material ou risco a pessoas, diziam eles. E esse murmúrio chegou até a Secretaria do Meio Ambiente sob forma de solicitação pela retirada daquela árvore, que não conhecia o seu lugar. Então a secretaria enviou técnicos à rua, que identificaram alguns galhos secos. Poucos galhos, porque a maioria ainda produzia folhas verdejantes, a indicar uma razoável condição fitossanitária para a árvore. Folhas essas que, no outono, avermelhavam, e aquilo era um encanto que só os plátanos sabem produzir.
Então a secretaria acolheu a ideia de alguns dos moradores e levou adiante o propósito de cortar o plátano. Outros moradores, que apreciavam a convivência de décadas com a árvore, montaram vigília, mas não adiantou. Um triste dia, no final de 2008, a Tarquínio anoiteceu sem o plátano no meio da rua. Não ocorreu aos técnicos, nem aos moradores, a ousadia de estaquear algum galho mais vulnerável, preservando a árvore como um exemplo, uma referência ambiental, um sinal de respeito e veneração ao verde. Nenhuma cogitação nesse sentido foi adiante, e o plátano foi derrubado sem direito à ampla defesa.
Lembro do plátano da Tarquínio agora que foi feito um mutirão para não derrubar uma tipuana na Rua 25 de Julho, perto do Alfredo Jaconi. Daquela vez, tentou-se fazer o barulho possível para evitar a derrubada do plátano, mas não houve repercussão. A cidade deixou que ele fosse derrubado. A funcionalidade venceu o encantamento de uma árvore no meio da rua.
O plátano da Tarquínio não deveria ter sido posto abaixo. Mas, percebe-se agora, sua morte não foi em vão. Talvez hoje a cidade já pensasse duas vezes antes de derrubá-lo. A tipuana, pelo menos, foi salva. Que assim seja daqui por diante.

Duas belas notícias para a cidade

21 de agosto de 2015 0

Vivemos tempos difíceis, bem sabemos. Muitos se queixam da supremacia total das notícias ruins, mas não se pode e não se deve maquiar a realidade. Quem quiser, que evite as más notícias. Porém, não é o melhor caminho quando se quer enfrentar os problemas, melhorar a realidade.
Ainda assim, é possível recolher duas belas notícias nesta semana. Aparentemente, elas não têm maior impacto no cotidiano da cidade, para a vida prática das pessoas. Mas não é exatamente assim. O alcance delas se verá melhor a longo prazo. Ambas indicam uma saudável e imprescindível revisão de posturas e devem ser muito saudadas.
A primeira boa notícia foi a incorporação da polêmica Rua Plácido de Castro ao lazer e ao convívio domingo que passou. Milhares de pessoas, estimou-se 4 mil, foram para lá no final de semana. Conviveram, se encontraram, praticaram atividades físicas, simplesmente caminharam ou sentaram sem compromisso com o relógio, respiraram cultura, teve música, chimarrão, conversa, encontros, aproximação, lazer. Tudo de bom.
Foi a primeira iniciativa desse estilo na Plácido de Castro. A cidade recém ganhou a Praça do Trem, outro espaço de convivência. É um caminho essencial, e mais ruas devem ser ofertadas ao lazer. É daquelas ações que mudam o jeito de uma cidade.
A outra bela notícia foram os esforços para a preservação de uma árvore da espécie tipuana na Rua 25 de Julho, perto do estádio do Juventude. A árvore corria riscos, com as raízes expostas, mas foi providenciado um mutirão de cuidados para a preservação da acolhedora tipuana, generosa em galhos, em verde, em muita sombra. Não será nenhum exagero afirmar que, anos atrás, a tipuana não teria salvação. Seria dada como caso perdido e suprimida sem muito esforço, com as explicações técnicas de praxe. Desta vez não. É alentador.
É gratificante para esta coluna, que tantas vezes escolheu tais assuntos para reflexão, constatar esses avanços, ainda que pequenos. As duas notícias, garimpadas em meio ao apressado movimento da cidade, são um sinal de esperança, um indicativo concreto de que outro tempo podem estar chegando para a convivência e a atenção ao meio ambiente. Outro tempo para uma cidade, quem sabe mais humana e acolhedora, menos violenta e estressante.

Enquanto isso, por aqui...

20 de agosto de 2015 0

Os efeitos das manifestações do último domingo ainda ecoam. Aqui no Estado, os servidores estaduais decidiram uma greve de três dias, generalizada, ampla, como nunca se viu. E o governador Sartori reagiu dizendo que “falta é falta”, conclamando os servidores a retornar ao trabalho. A greve, analisada estritamente sob seu enfoque objetivo, não muda a condição financeira do Estado e nem garante o pagamento integral do mês de agosto. Muito pelo contrário. Sob seu enfoque simbólico, deixa clara uma postura diante das ações de governo. Muitas das análises se apegam apenas ao aspecto objetivo, desprezando o componente simbólico. Nessas condições, a greve não tem mesmo salvação. Mas o que atrapalha mesmo a opção pela greve, o que a torna um caminho não recomendado são os efeitos sobre a população, em especial aquela que depende dos serviços públicos do Estado, justamente a mais sacrificada, e que não deveria ficar com a conta da precariedade do caixa do governo. Não é justo impor mais sacrifício a essa camada da população. Enquanto isso, o governador Sartori costura na Assembleia um aumento para o ICMS.
Toda essa longa introdução é apenas para reiterar que o assunto da coluna será local, paroquial, apesar das polêmicas do momento. Enquanto tais desdobramentos se verificam, maus caxienses agridem os recursos naturais ostensivamente, intensivamente. Despejam lixo em barrancos, à margem de estradas, em arroios, em um atestado de falta de educação primária e de falta de noção coletiva. A Codeca contabiliza um crescimento de 62% no volume de materiais de todo tipo abandonados nesses lixões que foram recolhidos de março para cá. E maus empresários pintam o Tega de cor nescau pelo despejo de dejetos industriais.
É grave e muito triste. Tudo isso segue acontecendo na cidade enquanto os servidores do Estado entram em greve e a presidente Dilma ainda avalia a voz das ruas. Mas não é possível desviar o olhar dessas agressões ao meio ambiente e dessa falta de senso coletivo. O que se passa na cabeça de quem pratica atos dessa natureza, com o perdão do trocadilho? Passa o egoísmo, passa a falta de educação, passa o interesse pessoal obsessivo como estilo de vida. Crimes ambientais assim merecem fiscalização rigorosa e multas pesadíssimas, que, aliás, já são previstas.
O combate a agressões e a crimes ambientais tem de ser tratado como uma prioridade da cidade.

Crianças não podem rastejar sob as catracas

19 de agosto de 2015 1

Crianças passando por baixo da catraca ou por cima do equipamento. Você certamente já viu uma cena assim no transporte coletivo da cidade. Ela já se tornou habitual, incorporada ao cotidiano, mas as crianças não merecem ser submetidas a essa situação, a esse malabarismo ou contorcionismo para obter a gratuidade da passagem de ônibus. Criança que passa por baixo de catraca acaba rastejando no chão do ônibus, sujando a roupa ao rolar pelo piso do coletivo. Criança que passa por cima de catraca está sujeita a se machucar. As que passam por baixo também. A situação é, no mínimo, desconfortável e constrangedora, e clama por ser corrigida.
Pois um projeto circulou recentemente pela Câmara tentando garantir cidadania às crianças neste aspecto específico e cotidiano, no momento de transpor a catraca do ônibus. O autor foi o vereador Flávio Dias. O parlamentar teve a sensibilidade de perceber um movimento corriqueiro dentro do ônibus, habitual, mas que não está em sintonia com nossos dias de tantas tecnologias e de garantias a crianças ou pessoas com necessidades específicas.
O vereador propunha a criação do Cartão Criança Cidadã, para que elas não precisem ser submetidas a uma situação vexatória para poder andar de ônibus de graça, mas o projeto foi considerado inconstitucional. Não avançou. A justificativa é que a iniciativa de um cartão como esse deve partir do Executivo, que é o detentor da concessão do transporte coletivo, e não da Câmara.
No entanto, a ideia é luminosa e toca em uma situação que clama solução. Se a iniciativa tem de ser do Executivo, que seja. Que o prefeito envie projeto de igual teor para a Câmara, porque é uma situação que precisa ser corrigida com rapidez. Aliás, nem precisaria haver projeto, bastando que a concessionária, a Visate, se interesse pelo assunto e providencie um Cartão Criança Cidadã.
Criança rastejando nos ônibus ou pulando catraca, vamos combinar, tem de acabar. “Se queremos ser adultos bem tratados, devemos começar pela criança”, justifica o vereador Flávio Dias. Ele tem toda razão: Cartão Criança Cidadã para elas. Crianças não podem rastejar sob a catraca ou se empoleirar no equipamento para escalá-lo. Francamente! Estamos em 2015.

As tirinhas do Radicci

16 de agosto de 2015 0

Há uma espécie entre nós nos dias de hoje: a dos caçadores de flagrantes do que se poderia considerar politicamente incorreto ou supostamente discriminatório. Estão à espreita. À menor suspeita, saem de trás de seus capotes e anunciam:
- Ahá!!
Em geral, ignoram uma palavrinha mágica e decisiva chamada contexto. Então esses caçadores de flagrantes multiplicam as denúncias que garimpam com o apoio das redes sociais. Parecem viver para isso. Muitas vezes, a vigilância que promovem pode tornar-se útil e importante diante de um preconceito inegável. Em outras, porém, tornam o mundo muito chato. Seria interessante que exercitassem o balanceamento das situações.
Foi o que aconteceu semana passada com algumas tirinhas do Radicci, publicadas na página dos quadrinhos do jornal. Radicci acusou sua vivência homofóbica, diante de uma questão sobre o casamento gay. Foi um escarcéu nas redes sociais. Radicci, nós bem o sabemos, é um personagem ficcional, caricato e característico de um universo de pessoas bem determinado. Nada mais do que isso. Ignorar esse grupo de pessoas, deixá-las de lado, é distorcer a realidade que se quer pincelar por meio de alguma forma de expressão. Como se fosse preciso esmiuçar essa evidência.
Pois os caçadores de flagrantes entraram em campo no episódio das tirinhas do Radicci. Essa turma é séria demais, o tempo todo, e aí é que está o problema. Vigilantes e atentos à realidade social, era de se supor que valorizassem o contexto, mas o desprezaram. Pinçaram a tira sem levar em conta o perfil do gringo Radicci, como se fosse possível.
Claro que há os desconectados de contexto, por algum motivo, os estrangeiros de toda ordem, os que desconhecem Radicci por razões de distanciamento geográfico, capazes de serem surpreendidos com a mensagem literal. Mas o contexto pode alcançá-los. Isso não justifica fechar a porta a possibilidades que se propõem à descrição da realidade, sem omitir personagens.
Os caçadores de flagrantes, como se viu agora, são incansáveis. Tomara tornem-se menos sérios, literais, mais abertos ao contexto e às sutilezas. É improvável no momento, pelo que se vê.

A gente não está esquecendo o mundo lá fora?

15 de agosto de 2015 1

Vamos dar nome aos bois. Fica mais fácil. A GVT está com uma peça publicitária na tevê onde o personagem do breve filme de 30 segundos, anuncia que faz tudo ao mesmo tempo – assiste a filme, ouve música e até trabalha. Claro, ele também pode se conectar o tempo inteiro com os amigos. E encerra sua participação com essa:
- Ficar offline não é opção pra mim.
Que azar o dele! Deve ser estressante. E a vida segue lá fora!
Tem gente que leva ao pé da letra essa orientação. E não quer saber de ficar offline no meio do trânsito, na hora do almoço, à mesa de um restaurante com amigos, na hora da escola.
Na completa contramão deste modelo tradicional de marketing, a Vivo está com uma campanha institucional chamada Usar bem pega bem, em que estimula o melhor emprego do celular. Tem até um vídeo de quase 2 minutos em que propõe uma ampla reflexão sobre o uso que fazemos dele.
O vídeo é espetacular. Permeada por imagens de cenários estonteantes – desprezados em nome da obsessão pelo celular – e flagrantes oportunos sobre a convivência em nossos dias, a peça institucional vai desfiando uma série de questionamentos.
* Será que a gente está usando o celular do jeito certo, quer dizer, do jeito que ele ajuda nossa vida?
* Se todo mundo sabe que não pode, por que tem gente que usa o celular dirigindo?
* Muito post, pouca conversa?
* Será que é tudo urgente mesmo?
* Precisa saber de tudo toda hora?
* Digitar é melhor do que conversar? Ou digitar é o novo jeito de conversar?
* Será que a gente não está esquecendo o mundo lá fora?
* O que é certo, o que é errado? Tudo bem? Tudo mal? O que você acha? Vamos falar sobre isso?
A Vivo vende celular. E produz uma série de questionamentos sobre o uso excessivo do celular. É marketing da melhor qualidade para induzir e estimular o uso do produto que comercializa, mas “do jeito que ele ajuda nossa vida”. É um golaço.
O vídeo pode ser assistido em www.usarbempegabem.com.br. Você vai se reconhecer. E pensar um pouco a respeito. Quem sabe, vai até rever sua relação com o celular.

Eduardo Cunha revela a importância do Senado

13 de agosto de 2015 1

A crise política é enorme, e permite algumas constatações importantes.
1. Eduardo Cunha conseguiu o impensável e está a revelar para todos os brasileiros algo surpreendente. Larga parcela da população tinha uma certeza: o Senado Federal não tem serventia, a não ser consumir os recursos da nação com altos salários e um exército de servidores. Pois Eduardo Cunha conseguiu: com sua performance atabalhoada e confrontadora na presidência da Câmara, está revelando a importância do Senado como elemento moderador, como contrapeso a eventuais extravagâncias, por assim dizer, da Câmara dos Deputados. Cunha está tornando límpida a importância do chamado sistema bicameral e, por consequência, do Senado. Quem diria! Boa parte dos brasileiros tinha certeza de que o Senado não servia para nada. Pois aí está.
2. O PT tem uma dívida com a presidente Dilma. Os índices de popularidade da presidente estão na lona porque a ela os brasileiros associam a corrupção. Ora, a corrupção na Petrobras está centralmente associada aos partidos, ao PT, em especial, que é o partido do governo. Já foi assim no Mensalão. Na Petrobras, para garantir contribuições milionárias para campanhas eleitorais. No Mensalão, para garantir a chamada governabilidade. Até onde se sabe, e levando-se em conta os princípios que norteiam a trajetória pessoal e política de Dilma, a corrupção não passa por ela. Mas a população faz a associação automática, por causa da Petrobras, que é uma estatal, dos partidos, do PT. Essa percepção é central para jogar a popularidade de Dilma na lona.
3. O PT tem outra dívida com a presidente Dilma. Na votação recente da PEC 443, que vincula os salários da Advocacia-Geral, delegados e procuradores aos vencimentos dos ministros do STF e não conta com o apoio do governo, os deputados petistas gaúchos votaram a favor do privilégio. Sem nenhuma percepção estratégica sobre a necessidade vital de fortalecer o governo, os deputados petistas deixaram a presidente na mão.
4. A grande maioria dos deputados não pensa no país. Não há outra explicação para a aprovação da citada PEC 443 com mais de 400 votos e apenas 16 contrários. Tentam ampliar o salário de quem já ganha muito bem, sem se preocupar com o impacto nas contas públicas e a origem dos recursos. O país? Ora… Menos mal que tem o Senado.

Que se ouça a voz dos jovens

12 de agosto de 2015 0

Essas surpreendentes noites de agosto, de temperaturas primavera-verão, oferecem fartos exemplos de que parte dos jovens canaliza a inconformidade que é sintoma da idade para fins violentos e agressivos, e não para as expressões de rebeldia de outros tempos. Vale recapitular:
* A selvageria em Charqueadas, que produziu a morte de um adolescente, agredido por uma gangue de marginais à saída de uma casa noturna.
* Duas execuções – um adolescente de 16 anos e um jovem – em região de efervescência noturna, na rótula da São Leopoldo com a Perimetral. Essas mortes relacionam-se com o universo das drogas, mas em local onde jovens costumam se encontrar.
* Uma briga entre um homem e uma mulher culminou na explosão do rapaz, que saiu alucinado com seu carro e atropelou um pedestre, também em uma região de concentração de jovens.
* Um adolescente foi atingido por uma garrafa quebrada no ambiente de uma boate na Rua Coronel Flores, na madrugada de domingo.
* Um jovem foi morto a tiros em uma briga generalizada na cidade de Tupanciretã, no centro do Estado, na madrugada de sábado. Um policial relatou: “Não há um fim de semana sem briga” após as festas em Tupanciretã.
O que é que há? Boa parte dos jovens quer brigar, quer se desentender, quer produzir conflitos e até mortes. E comemora o feito. Que os pais falham na educação e no controle dos filhos, isso não é novidade. A escola fragilizada também não dá conta dessa tarefa que, aliás, não é dela. Quem pode ajudar nessa empreitada são os movimentos de jovens, de todos os perfis, que agora debatem na Semana da Juventude. Para tanto, precisam observar bem além dos muros de seus grupos específicos, vislumbrar as angústias dos jovens, entender a realidade. Entender as causas, efeitos, relações, interesses e consequências dos acontecimentos. E então intervir sem medo, promover debates fortes. Que a voz dos jovens, em especial nesses grupos onde eles convivem, se ouça muito mais do que se ouve hoje. Que ela repercuta, que seus efeitos sejam sentidos em termos de contribuição à realidade e aos próprios jovens.
Os jovens, hoje, estão sendo mais notados pela agressividade, pela violência, pelos conflitos, do que por sua voz, influência e participação. É uma pena.

Praça do Trem terá wi-fi a partir desta quarta

11 de agosto de 2015 0

Começa a funcionar nesta quarta-feira, em caráter experimental, o sistema wi-fi para acesso à internet em toda a extensão da Praça do Trem, no bairro Rio Branco. A intenção da Secretaria do Meio Ambiente (Semma) é identificar, por meio desta ação-piloto, os problemas que podem surgir com a modelagem implantada para depois disseminar o wi-fi pelas diversas praças da cidade. É o que secretário Adivandro Rech chama de “iluminar” aos poucos os espaços públicos, uma iluminação virtual.
– Funcionará como se fosse em um aeroporto – diz Adivandro.
É preciso haver o controle de quem vai acessar. O interessado em utilizar o wi-fi recebe o sinal, informa o número de seu telefone e recebe a senha. O sistema também pode ser acessado via Facebook, nos casos de tablets e laptops.
A expectativa da secretaria é, em menos de 30 dias, começar a viabilizar o wi-fi em outras praças. A expansão deve estar consolidada em um ano.

A tristeza e a decepção de uma professora

11 de agosto de 2015 0

As escolas caxienses ostentam posições bem retardatárias no ranking do Enem. Há 890 escolas no país à frente da primeira caxiense. O desempenho é sofrível. Antes da divulgação do ranking, uma professora enviou um desabafo à coluna. Confira. Vale um bom e obrigatório debate:
“Coloco a tristeza, indignação, decepção e vontade de esbravejar minha e de meus colegas educadores. Neste momento, o fato é em nível municipal (nota da coluna: o problema também se dá nas escolas estaduais). No grupo de educadores de nossa escola, todos têm graduação, pós e mestrado, cursos de capacitação e atualização. Então por que a decisão tomada por esses educadores, de alunos passarem de ano ou reprovarem, não é soberana?
O sistema está tornando insustentável o trabalho sério na educação. Ele altera a decisão de um grupo de professores, coordenação pedagógica e direção, tomada em conselho de classe. O conselho de classe avalia a aprendizagem e o desenvolvimento, possibilita compartilhar, acompanhar e encaminhar alunos que apresentam dificuldades. Como explicar que um aluno reprovado na série em conselho de classe, com rendimento inferior a 50% em três componentes curriculares (Português, Matemática e Ciências) e 50% ou 51% em outros, seja aprovado pela mantenedora municipal, isto é, pela Secretaria Municipal de Educação, por profissionais que não acompanharam de perto o seu desenvolvimento?
O grupo de professores nem foi chamado para explicar e mostrar as avaliações, ou até contestar e sugerir novas. Estamos sendo tratados com desrespeito. Sem contar a conivência dos pais. Conhecendo as dificuldades dos filhos, não as assumem, utilizando-se, muitas vezes, de relações políticas ou de interesses, deixando aos filhos uma lição onde valores não existem.
E ainda existe uma porcentagem velada de um número máximo de alunos reprovados por turma. A pressão é grande para que ninguém reprove ou frequente progressão. Assim, passam de ano sem saber ler, escrever, compreender ou calcular suficientemente. Estão conseguindo uma sociedade analfabeta funcional. O educador é um soldadinho do sistema. A tendência, se não mudar, é piorar muito. A escola não tem mais autonomia. Estamos de mãos atadas.” (Os nomes da professora e da escola estão preservados)