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Fogo da paixão

27 de fevereiro de 2013 1

Cuba é um problemão. Poucos assuntos ao longo da história recente suscitaram paixão e ódio extremados como Cuba. Um problemão, portanto, porque inibidores, paixão e ódio, da lucidez e da exatidão. Às favas a lucidez, dirão os fervorosos adeptos da paixão, no que estarão certos até a raiz. Paixão é inconsequência em estado puro. Há seus momentos, e quem dera fossem muitos ao longo de toda uma vida. Mas na hora das leituras de realidade, ah, nessa hora não. Nessa hora, não cabe a paixão.
O Brasil foi varrido semana passada pelo Furacão Yoani, a blogueira cubana que lutou anos e anos para deixar Cuba para trás. Pois conseguiu, e voou para o Brasil. Quase tudo já se disse sobre Cuba e sobre a passagem de Yoani pelo Brasil. E o que se disse era o que deveria ser dito, a liberdade de expressão como carro-chefe das discussões. Não serei eu a discordar. Foi atropelada, sim, a liberdade de expressão. Como em Cuba, há tantos anos. Grave, lamentável, pecado capital.
Apenas que, em nome da exatidão e de um pouco mais de abrangência na hora de se rascunhar a resenha da passagem de Yoani entre nós, será preciso anotar: não se lançou ela com fervor parecido para realçar o embargo econômico imposto aos cubanos. Por justiça, deve-se registrar: perguntada em algum momento sobre o embargo, disse ser contra. E voltou a centrar-se na liberdade de expressão, o que é compreensível e meritório, mas incompleto.
Outro aspecto foi seu périplo por Brasília. Tornou-se alvo de oportunismo político, circulou de braços e abraços com o conservadorismo mais moralista e liberais que não merecem essa designação, e Yoani sabe que foi usada. Não é ingênua, pois ingênua não é uma jovem capaz de peitar Fidel. E se não foi ingenuidade, por que não se incomodou com algumas companhias? É uma boa e importante questão. Afinidade vamos admitir que não foi. Quem sabe tenha se deixado levar pelos primeiros sopros da liberdade de se expressar e concedeu-se a licença política de não se preocupar com quem a bajulava. Quem sabe… Essa é a Yoani que circulou pelo Brasil, um pouco mais inteira, mais além da ativista pela liberdade de expressão.
Ah, e antes que me carimbem com o fogo da paixão, devo, por prudência, resgatar o que disse lá no meio sobre os atropelos à liberdade de expressão, contra Yoani, em Cuba, seja onde for: grave, lamentável, pecado capital.

Primeiro acidente na Antônio Broilo

24 de fevereiro de 2013 21

A Rua Antônio Broilo, no bairro Cruzeiro, registrou às 7h deste domingo o primeiro choque de um veículo contra um dos 20 postes de grandes dimensões – com diâmetro de cerca de 80 centímetros – instalados no eixo da via. Um Clio que trafegava no sentido Centro-bairro bateu na estrutura localizada próximo da Rua Arturus e capotou. Uma mulher estava na direção e, aparentemente, não se feriu.
Os acidentes contra os postes na Antônio Broilo, ainda que tenham sido providenciados anteparos de concreto, são previsíveis. A pavimentação em paralelepípedos agrava a situação, pois a pista fica mais escorregadia.
A prefeitura terá de dar à situação da Antônio Broilo status de caráter de urgência. Há um asfaltamento prometido aos moradores. Chegou-se a falar em abril deste ano como prazo, mas ele não será cumprido.
A rua está em frangalhos.

(Foto: Jones Stecanella, Divulgação)

Passarela vai custar R$ 700 mil

21 de fevereiro de 2013 5

De pouco mais de R$ 400 mil, o orçamento da passarela sobre a BR-116, no bairro São Ciro, já chega a R$ 700 mil. A informação é confirmada pelo Secretário de Trânsito, Transporte e Mobilidade, Zulmir Baroni. Do valor, R$ 295 mil provêm de emenda da deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB) e o restante, da prefeitura. O acréscimo deve-se aos problemas encontrados durante a execução dos trabalhos: a remoção de uma estação de gás e a necessidade de estaqueamento da obra.
Pelo menos a projeção sobre o andamento que se faz neste momento é de que ela não tenha novas interrupções. O prazo contratual para entrega pela empresa contratada é junho, mas não está descartado que a obra possa estar concluída antes.
Depois da remoção da estação de gás da Agrale e do estaqueamento, a obra agora está na fase da concretagem de blocos de fundação. Não aparece muito para quem cruza pelo local da passarela, mas os trabalhos estão sendo realizados protegidos por um tapume logo ao lado da Agrale, no sentido Caxias-Ana Rech. Na sequência, pela ordem, serão concretados os blocos do lado da pista Ana Rech-Centro, as rampas e, por fim, a montagem da estrutura metálica.
Mas fica uma enorme frustração para a comunidade do São Ciro. Na próxima segunda-feira, o ano letivo começa, e os alunos da Escola Estadual Érico Veríssimo ainda não terão a passarela à disposição para atravessar a BR em segurança.
O contrato original da passarela é de junho de 2011, quase dois anos atrás, mas ele precisou ser prorrogado por três vezes face aos problemas surgidos durante a execução da obra: a remoção da estação de gás da Agrale e a revisão do projeto de fundação, com a necessidade de estaqueamento. Além da falta de interessados nos processos licitatórios, que eram obrigados por lei a repetir-se por três vezes em cada etapa, com todos os prazos cumpridos, antes da contratação das empresas.
Diante da situação, o atual prefeito, Alceu Barbosa Velho (PDT), chegou a dizer que havia “sapo enterrado” na passarela.
Semana passada, pela primeira vez, o prefeito visitou o local da obra, acompanhado do secretário Baroni (foto acima), e solicitou agilidade na execução dos trabalhos. É uma mudança de postura do Executivo.
- É preciso todo empenho na finalização desta obra, que será uma garantia de mais segurança aos pedestres – disse Alceu na ocasião.
No governo anterior, não havia entusiasmo com a passarela, que foi tocada a contragosto por não ser reconhecida como a melhor alternativa técnica.

(Foto: Andréia Copini, Divulgação)

Está difícil sair de casa na Jacó Brunetta

18 de fevereiro de 2013 3

A movimentação das obras de implementação de rede pluvial na Rua Jacó Brunetta, no bairro Santa Catarina, que exige detonação de rochas e escavação de valas de até seis metros de profundidade para assentamento de tubulação, está causando grandes transtornos para os moradores da região.
Em alguns casos, como no da foto acima, enviada por Gabriel Pozzebom, até tarefas simples, como sair de casa, ficaram difíceis. A calçada que restou já era estreita e, ainda por cima, ficou cheia de canos depositados pela empreiteira. Na frente da casa, o buraco é de dois metros.
Outra moradora que enviou fotos foi Luana Bernardi.
O trecho bloqueado ao trânsito fica entre a Rua Sisto Muner e a Perimetral Oeste. Os moradores ficaram preocupados. Ressaltam que a situação impede a movimentação de idosos e gestantes, que moram nesse trecho da Jacó Brunetta. E dificulta a vida de quem tem de sair para trabalhar ou outras atividades simples, como fazer compras.
Ou o transtorno é completamente inevitável, tamanha é a movimentação de terra e de materiais na Jacó Brunetta, ou faltou planejamento na execução da obra.

(Foto: Gabriel Pozzebom, Divulgação)

Fachada de prédio da Júlio será restaurada

08 de fevereiro de 2013 4

O prédio onde até recentemente funcionava a Loja Pioneira, na esquina da Avenida Júlio com Rua Marechal Floriano, será restaurado, com a preservação da fachada histórica. Na esquina, funcionou a primeira revenda da Ford em Caxias do Sul e, depois, a Garagem Modelo (foto do meio, acima), como identificam os dois letreiros nas fachadas de ambas as vias.
A edificação, datada dos anos 1930, tem a sua estrutura comprometida, mas o Comphac (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural) solicitou a preservação da fachada. O projeto de recuperação é dos arquitetos Carla Todescato e Leonardo Bernardi.
A demolição, como mostra a foto atual (no alto), dá bem a ideia da extensão que terá a fachada restaurada. Do lado da Júlio, ela vai até onde hoje existe o painel da Loja Pioneira – os painéis laterais, aliás, escondem os dois letreiros históricos onde há a inscrição “Garage Modelo”. O restante da edificação, até o prédio seguinte da Júlio, precisará ser demolido.
Com o comprometimento da estrutura, foi necessário um novo projeto. O prédio abrigará, além do pavimento histórico no térreo, mais dois andares, com vidro e estrutura metálica em aço, como mostra o croqui.
No lado da Avenida Júlio, haverá duas lojas pequenas e uma maior. Na Marechal Floriano, acesso às salas comerciais que funcionarão nos dois andares e à garagem, que ficará no subsolo.
Inicialmente, o proprietário do prédio, Euclides Smiderle, encaminhou à prefeitura o pedido de demolição, conta Carla. A solicitação foi para o Comphac, que constatou ter o prédio mais de 50 anos, embora ele não fosse tombado. Então o conselho chamou o proprietário e seu engenheiro para uma conversa.
– Foi feito um trabalho de conscientização. Quando ele viu o projeto, não teve dúvidas – informa Carla.
A arquiteta destaca que Smiderle tem por hobby colecionar carros antigos. Essa sua vinculação com os carros e o aproveitamento histórico da edificação, ligada a uma revenda e a uma garagem, a ser valorizado pela restauração, facilitaram a aceitação da proposta de preservação da fachada.
Quando o prédio é tombado, o dono recebe em troca índices construtivos. Não é a situação do prédio de Smiderle. Neste caso, o que o proprietário ganha é na valorização da edificação.
– Futuramente, ele terá um prédio de maior valor agregado – diz Carla.

(Foto superior: Juan Barbosa)
(Foto do meio: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, Divulgação)
(Croqui: Reprodução)

Velho Mazurka

03 de janeiro de 2013 0

Morreu o Mazurka.
De tempos em tempos, somos tomados desses sobressaltos. Alguém, lá dos escaninhos da memória, um nome que nos era habitual em outras épocas, mas que foi ficando lá no depósito, empoeirado, depois esquecido, de repente é resgatado pela notícia da morte, a remexer em quinquilharias e fantasmas adormecidos.
Pois morreu o Mazurka, reducionismo tipicamente brasileiro para Mazurkiewicz, o nome inteiro de um goleiro excepcional, uruguaio, do qual se tinha notícias naquela época. Era goleiro do Penharol, depois veio para o Atlético de Minas. Era goleiro da Seleção Uruguaia. No Penharol, jogava no mesmo time de Figueroa, o zagueiro chileno do Inter que se tornou lenda por aqui. Sinal de que Figueroa, daqui a pouco, é bom ficar ligado… Era contemporâneo de Pelé, o Mazurka. O Rei, aliás, já virou os 70. E por falar em rei, Roberto Carlos também já transpôs este marco cronológico. Daqui a pouco nós, que éramos só um pouco mais jovens, também estamos nessa de avançar no tempo, bem além do quebra-mar…
Mazurka, Mazurka, que sinal de que estamos ficando velhos…
Mazurka, aliás, está envolvido como um dos protagonistas de um lance genial, o drible de corpo de Pelé no México na semifinal da Copa de 70. Pelé, que, logo depois, não fez o gol. Imagem eternizada, ainda que fosse uma época de poucas imagens. Que eu lembre, só houve dois ângulos dessa jogada magistral: um geral, de cima, outro lateral, que mais ou menos assume o ângulo de Pelé ao chutar para fora, já sem goleiro. Lance que acompanhei passo a passo na tevê, coração na boca, em preto e branco, e cujo replay só foi possível conferir bons minutos depois.
Somos contemporâneos de uma época de duas imagens, apenas. Hoje são quem sabe umas 20 câmeras, ou mais, em um jogo de futebol, atentas ao campo, à torcida, a todos os detalhes. Em breve, haverá outras até agora impensadas, e mais outras e outras, e compartilhamentos instantâneos de todas as formas.
O tempo avança, implacável. É o duro recado.

Surpreenda, prefeito

03 de janeiro de 2013 1

As primeiras declarações logo depois de eleito foram entusiasmantes. O prefeito Alceu diagnosticou: Caxias do Sul trabalha demais, tem carro demais, vive em função do carro, e precisa tornar-se mais humana. Acertou na mosca. É isso mesmo.
Só que a declaração carrega uma série de árduos compromissos. Não é tão simples, há consequências incisivas. Primeiro, a simples cogitação de suprimir ipês na Avenida Rio Branco para reduzir calçadas e alargar a rua torna-se a partir de agora inimaginável. Segundo, o novo prefeito deve chamar para si e fazer concluir no menor tempo possível a passarela da BR-116, no bairro São Ciro, alternativa na qual o prefeito Sartori, que sai, não acredita na eficácia. E, por causa disso, a obra se arrasta em uma morosidade sem precedentes. É a passarela uma medida preventiva, pontual é verdade, mas que será preciosa para alunos, idosos e trabalhadores. Terceiro, o novo prefeito deve ordenar a sua equipe que cuide muito bem das calçadas defeituosas e faça surgir as inexistentes, em especial perto de escolas. Quarto, passa a ser válido cogitar mais espaço para pedestres no centro da cidade. Será uma grata surpresa se o novo prefeito reiterar o compromisso com essas questões práticas de seu pronunciamento.
Faria melhor ainda o prefeito Alceu se estendesse sua defesa de uma cidade mais humana a outros aspectos importantes. Poda de árvores, por exemplo. Que em seu governo não mais se repita a mutilação vista nas ruas recentemente. E, muito importante, para não cair no esquecimento: que o novo prefeito cobre transparência imediata, com as imagens das câmeras da Praça Dante, sobre a morte de uma centena de pombos. Esclarecer esse assunto é respeitar a comunidade. Deixar pra lá é enviar recado a quem fez – se assim foi – de que pode fazer de novo.
São assuntos que muitos consideram de menor importância diante da necessidade de pronto-atendimentos, menos espera no Postão, mais creches, melhor educação. Mas eles são essenciais para que se avance na direção de uma cidade mais humana, como se prontificou Alceu.
Surpreenda, prefeito. A cidade ganhará, e muito. E certamente começará a ter outra cara, necessidade que o senhor tão bem diagnosticou. Vá em frente, e boa sorte!

O jeito Sartori de ser

29 de dezembro de 2012 1

O prefeito José Ivo Sartori é um gringo espontâneo. Essa característica até é aproveitada pelos entendidos em marketing político, sem que o prefeito faça questão de se valer desse subproduto de seu estilo pessoal. É o seu jeito. Sartori também é completamente avesso aos holofotes além da conta. Enquanto houver contato direto com a comunidade, tudo bem. Além disso, ele se refugia. E fica quieto no seu canto. Muitas vezes, quieto até mesmo quando precisava falar. A comunidade quis e precisava ouvi-lo em muitos momentos. Greve dos médicos, por exemplo. Mas ele ficou quieto. Também é de seu estilo transferir tarefas e responsabilidades para sua equipe. É uma forma de valorizá-la.
O PMDB, por exemplo. Esperou por uma orientação de Sartori para saber o que fazer na eleição. Sartori deixou rolar e diz até hoje que esperou o PMDB se definir. O esquema tradicional da política
não compreende nem encaixa o jeito Sartori de ser. Mas o que Sartori diz, que não interferiu nas decisões do PMDB, é a pura verdade. Ele pode até deixar de dizer. Se falou, no entanto, é bom conselho acreditar.
Sartori foi fiel ao seu jeitão ao longo dos oito anos inteirinhos de governo. Foi um tocador de obras, indiscutivelmente. Fez muito. Sequer a oposição negará essa evidência. Mas sua principal obra, ele não se cansa de repetir, são as pessoas, o social. Ele se entusiasma e fala com orgulho sempre que pode que o social abocanha mais da metade do orçamento do município.
“Do ponto de vista múltiplo”, como ele diz, considera a intervenção feita no acesso ao Fátima Baixo “a melhor do nosso governo”. Claro que valoriza os esforços da técnica e da engenharia, mas está pensando nas famílias que foram retiradas do valão e levadas para o Victório Trez. Lá,tiveram a chance de recomeçar a vida.
Mas a “menina dos olhos” de Sartori, aquela que considera a “obra” que mais o gratificou, é a regularização dos terrenos e o certificado de propriedade para os moradores do Jardelino Ramos, do São Vicente e do Euzébio Beltrão de Queiroz. Seus olhos brilham.
- Ah, isso não tem preço, quando a gente vê nos olhos das pessoas… Quando a pessoa recebia, percebia que era dona do seu lugar, que ela podia fazer financiamento na Caixa para melhorar a casa dela, que ela podia ir atrás do Banco do Povo. É outra vida… – emociona-se.
Um pecado de Sartori, que se junta ao seu refúgio por vezes excessivo, foi não valorizar muito alguns temas cruciais do cotidiano. Os considera quase inevitáveis, como se estivéssemos condenados a conviver com eles. Logo se dá conta do que diz e quer desfazer a má impressão. BR-116? São mortes do trânsito, como em qualquer lugar. O Tega vermelho? Não há muito a fazer, a população terá de se conscientizar. Vandalismo na Lagoa do Rizzo? Falta gente para cuidar, consertar. Corte de árvores? Assim é para a cidade crescer. Pichação, inclusive na sua casa? O que fazer, é assim que ele traduz a dificuldade de reter um guarda na frente de cada prédio.
Assim foi Sartori. Um administrador de muitas obras, um prefeito que priorizou o social e, acima de tudo, um gringo espontâneo, fiel ao seu jeito de ser. Jeitão que ajudou tantas vezes e que, em outras, também atrapalhou.

'Não há dia em que não encontre ex-alunos'

26 de dezembro de 2012 2

A Matemática levou Maria do Carmo de Mello Dall’Onder, 67 anos, a pensar em fazer vestibular, mas foram as artes e o conselho de uma estudante de teatro que a seduziram. Hoje, é professora de Arte do Instituto Estadual de Educação Cristóvão de Mendoza. Ela começou lecionando no Colégio do Carmo e, em 1989, ingressou na rede pública. Iniciou na Escola Província de Mendoza, onde foi diretora. Sua grande realização ocorre no contato com os estudantes (foto acima).
– São eles os protagonistas. Sempre estimulei o potencial deles, para que possam aproveitar a arte maravilhosa, linda, dos deuses, nesta vida impregnada de valores. Não há dia em que eu não encontre com ex-estudantes – emociona-se.
Em 33 anos de docência. Maria do Carmo soma experiência, defesa da educação e das artes e amizades de colegas e de alunos.
– Não admito que uma pessoa não tenha seu direito garantido. Atualmente, desenvolvemos o projeto Resgatando e Potencializando Valores. Os alunos entrevistaram 215 pessoas sobre diversos temas e fiz a transposição didática envolvendo as informações colhidas e diferentes conteúdos.
A iniciativa cativou os estudantes. Até um blog foi idealizado. É o www.resgatandoepotencializandovalores.blogspot.com.br. Amanda de Faria Fontana, 13 anos, que acaba de passar da 7ª para a 8ª série, está entusiasmada.
– A professora ajuda a gente a conhecer valores e a se relacionar melhor com as pessoas. Fizemos as entrevistas para saber o que estão pensando sobre bullying, bulimia, cuidados dos animais. Percebi que o respeito é o valor que sustenta todos os demais – opina a aluna. (Texto: Cania Espeiorin)

(Foto: Roni Rigon)

Se fosse em Portugal...

21 de dezembro de 2012 0

Se fosse em Portugal, seria motivo de eterna gozação por parte dos brasileiros.
Levamos aproximadamente duas décadas enredados com a capciosa utilização do argumento de que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo para obter evidências que comprovassem a embriaguez ao volante.
Os motoristas irresponsáveis deitaram e rolaram esse tempo todo. Quem quisesse, não soprava o bafômetro.
Em dezembro de 2012, no entanto, fez-se a luz.
Valem outros tipos de provas, como gravações ou depoimentos de testemunhas. Se o motorista, mesmo assim, quiser alegar que não bebeu, e que as provas são forjadas, distorcidas ou mera retaliação de uma testemunha que não vai com a sua cara, ora, é bem simples: ele que sopre o bafômetro e prove que não bebeu.
E levamos cerca de 2 décadas para produzir essa pequena inversão do ônus da prova…
Como foi que não se pensou nisso antes?