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Berlim: metrópole da moda verde e do design sustentável

21 de janeiro de 2011 0

A brasileira Aline Sapiezinskas é Doutora em Antropologia pela Universidade de Brasília e atua como Consultora Independente para Políticas Públicas. Ela está na Alemanha participando da Berlim Fashion Week 2011, onde está acontecendo uma iniciativa muito bacana, a ECO-Fashion.

Aline nos enviou um texto contando como está sendo esta experiência. Confira:

Capital da Alemanha unificada, a cidade de Berlim é referida tradicionalmente entre os próprios alemães como sendo uma metrópole “pobre, mas sexy”. Tal qualificação, atribuída a Marlene Dietrich, figura como lugar comum no repertório popular e faz parte do imaginário que constitui a identidade ou o modo de ser do Berlinense.

O significado por trás de “pobre, mas sexy” pode ser entendido dentro do contexto alemão. Em comparação à Munique ou Frankfurt, Berlim pode ser considerada uma cidade pobre, com uma arquitetura mais austera e funcional. A história da Alemanha e a divisão de Berlim reforçaram essa imagem. Quando a cidade foi dividida pelo muro, a parte oriental dispunha de menos recursos para infraestrutura e foi marcada pela arquitetura socialista. O fato de as indústrias se concentrarem mais ao sul do país, porém, resultou num fluxo de recursos financeiros relativamente reduzido mesmo após a reunificação.

Mas, Berlim ferve na sua multiculturalidade. Com forte cultura alternativa, oferece atrações ricas e variadas e vida noturna movimentada. Não por acaso, atua na cena noturna berlinense o DJ que foi considerado o melhor do mundo no ano passado, por exemplo. Por isso tudo, o rotulo de sexy não é despropositado.

Entretanto, esse modo tradicional e popular de enxergar Berlim vem sendo desafiado por uma nova tendência que se impõe e ganha terreno entre os berlinenses: a moda verde.

A cidade de Berlim tornou-se o centro da moda ecológica e do design sustentável. Com todo o seu background histórico, Berlim se renova e reinventa a si mesma, posicionando-se no contexto europeu como o local da vanguarda verde.

Isso se evidencia com força total em grandes eventos, como a Berlim Fashion Week 2011, que acontece até 23 de janeiro. Patrocinada pela Mercedes-Benz, a mostra  apresenta nomes conhecidos do design alemão. Mas o grande destaque é a ECO-Fashion, uma mostra que reúne as marcas de “etiqueta-verde”. Segundo os organizadores do evento, “essa mostra é uma prova de que a moda ecológica está na vanguarda em todos os sentidos”.

São apresentados em média 12 desfiles por dia, numa passarela ecológica e socialmente engajada, que é considerada a Vanguarda Verde.  Os tecidos utilizados nas confecções dos trajes são, na grande maioria, de origem orgânica, vegetal, sem materiais sintéticos ou artificiais.

A ECO-Fashion não se restringe à alta costura, mas, implica na adoção de todo um estilo de vida, que inclui balinhas feitas sem gelatina animal, refrigerantes orgânicos, fabricados sem adição de açúcar ou corantes artificiais, linhas de cosméticos e objetos de decoração.

Um  número crescente de consumidores berlinenses demonstra preferência por produtos alternativos, fabricados de forma ecológica e socialmente responsável.

A moda, já faz um bom tempo, não se refere apenas àquilo que se usa para cobrir o corpo. Implica em escolhas por um estilo de vida, uma forma de viver e de se colocar no mundo, que se orienta, antes de tudo, por um modo de pensar o mundo em que vivemos. Nós somos, em última analise, aquilo que pensamos e isso define todo o resto: o que vestimos e até mesmo o que comemos.

A consciência ecológica é a tônica do evento, que está ocorrendo paralelamente em diferentes locais de Berlim.


Aline Sapiezinskas

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