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Obituário: Mike Nichols (1931-2014)

20 de novembro de 2014 0
foto-nichols-obituario

do filme Ânsia de Amar

A morte é um assunto tão delicado e paradoxal que o falecimento de um artista de 83 anos, cuja carreira é apresentada em 20 longas-metragens, deixa-nos aflitos. Tendemos a lançar nossas próprias dúvidas nesse culto póstumo, que faz com que reflitamos sobre a filmografia do cineasta como se ele fosse um jovem de 30 anos. Contudo, ainda que estivesse no auge de seus 73 anos, quando lançou Closer – Perto Demais, a  sensibilidade adulta da obra, mas ousada, sugeria a direção de um jovem recém chegado no mercado, que possuía uma genuína ambição de desvendar os segredos mais sórdidos dos relacionamentos e traições, realmente.

Nichols era sinônimo de estabilidade, para mim, ainda que suas obras possuíssem pouco de similar umas com as outras. A estabilidade era outra: sua constância. Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, por exemplo, denunciava uma maturidade gigantesca para um diretor que lançava seu primeiro filme. Suas histórias quase sempre plausíveis faziam com que Nichols soubesse trabalhar suas narrativas sintomáticas e acumulativas como poucos – seja no quarteto amoroso de Closer, na companhia de A Gaiola das Loucas ou no relacionamento de Ben e Mrs. Robinson.

Deixou como seu último filme o ótimo Jogos do Poder, mas um legado imenso.

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