Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Rápidas sobre alguns concorrentes

09 de fevereiro de 2015 0

oscar

Birdman

Se existe um filme do Oscar que apresenta algum frescor para o cinema dos século 21, ele se chama Birdman. O novo longa de Alejandro Gonzales Iñárritu (21 Gramas) tem a complexidade que falta nos demais concorrentes falados em inglês.

O protagonista é um ator que fez muito sucesso no passado, como Birdman, o super herói do título. Seu presente é o de uma celebridade esquecida, que tenta mostrar talento através de uma peça na Broadway. Mas não é um filme sobre atores e teatro. Hoje estamos todos na indústria do entretenimento. Todos inseridos no redemoinho de exposição seguida de esquecimento, curtidos, visualizados e comentados, muitas vezes com material que não ultrapassa a barreira de nosso umbigo. Exatamente como agem os atores egocêntricos representados por Michal Keaton e Edward Norton.

Roteiro excelente, uma trilha que dança com as belas imagens de Emmanuel Lubezki (Gravidade), que por sua vez nos ilude sequencias filmadas com ousadia.

Repito: entre os concorrentes, pois aredito que não se pode ter a disputa pelo Oscar como parâmetro para o cinema mundial.

birdman

Menino X Homem Pássaro

É curioso ter um longa filmado em 12 anos concorrendo com Birdman, que parece um longo plano sequencia. Filmes tão diferentes deixam a disputa mais rica. Boyhood é o passado, na forma, na história. Sabemos onde o filme vai parar. Perto de Birdman, parece uma despedida. Já o longa de Iñárritu é o presente, caótico, intenso, alucinado e com humor para os que conseguem senti-lo.

O longa de Richard Linklater, Boyhood, é o queridinho nos EUA e favorito. Como bem disse um amigo, se houvesse um “Oscar de gestão”, daria a Boyhood. Quem sabe eles ficam com produção e direção.

Wiplash – Sangue, suor e porrada

Whiplash-5547.cr2

Quem estudou artes alguma vez na vida teve um mestre ou professor carrasco. O excesso desmotiva mais do que estimula. Mas não há como sobrevier nessas profissões sem ser resistente e obstinado.

Wiplash (nome de uma das músicas tocadas no filme) é a grande surpresa do Oscar. Já deu sinais de força com o Globo de Ouro para o ator J.K Simons, um desconhecido perto dos concorrentes. O longa escrito e dirigido por Damien Chaleze começou seu caminho no Festival de Sundance, voltado para filmes independentes, e agora ganha o mundo, tanto que está em cartaz em Florianópolis.

Se fosse usar uma expressão brasileira, diria que cinema e música sempre dá samba. Mas aqui o som é o jazz! E que som! Um filme de sangue, suor e porrada. Na bateria e na cara.

O Jogo da Imitação 

imitation-game-benedict-cumberbatch_612x380_3

Há dois filmes sobre cientistas na corrida pelo Oscar 2015: O Jogo da Imitação e A Teoria de Tudo. O último tem como personagem o físico Stephen Hawking, o outro, o matemático e pioneiro nas ciências da computação, Alan Turing. O Jogo da Imitação estreia por aqui e tem o ator Benedict Cumberbacht (o ótimo “Little Charlie” em Álbum de Família) no papel do controverso Turing, que ajudou os Aliados a decifrarem os códigos de comunicação da alemães na Segunda Guerra. O matemático era homossexual e só foi reconhecido como herói muito tempo depois de morto. Em vida foi perseguido pelo governo britânico, pois tinha uma vida pessoal considerada pouco confiável para alguém que detinha informações secretas. Era proibido ser gay no Reino Unido dos anos 50. Turing chegou a responder a processos criminais e se submeter a tratamentos para “curar” sua homossexualidade.

Leviatã

leviathan-leviatã-filme-lançamento

Leviatã é um grande monstro marítimo, citado no Livro de Jó, do Antigo Testamento. É também o nome da obra que tornou conhecido o filósofo Thomas Hobbes. Ambos são aludidos pelo filme russo que estreou na última semana.

Dirigido por Andrei Zvyagintse, o filme premiado em Cannes e vencedor do Globo de Ouro de melhor longa estrangeiro, chega com força ao Oscar, apesar do favoritismo de Ida e do poderoso filme argentino Relatos Selvagens.

Leviatã lembra o cinema de Ingmar Bergman, com questões que continuam atuais. O poder, outorgado pelo povo e abençoado pela Igreja, dá a alguns a possiblidade de brincar de Deus, criando e destruindo vidas. O representante do povo é o grande monstro, pelo menos nos dias de hoje, aqui ou no país de Vladmir Putin. Páreo para esse Leviatã do poder executivo, somente a força da natureza. Metáfora da baleia que nada livremente nos mares do norte, seguida pela imagem de uma colossal ossada do mesmo mamífero, lembrando que bens materiais podem durar, mas a carne é efêmera.

 

 

 

Envie seu Comentário