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Crítica: Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência

25 de maio de 2015 0

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(Dirigido por Roy Andersson. Elenco: Holger Andersson, Nisse Vestblom. Suécia, 2014. Cinemas em exibição na Grande Florianópolis: Paradigma Cine Arte) 

Possivelmente, a melhor definição para Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência é que é um filme dos Pythons sem os Pythons. Porque, praticamente dividido em esquetes, o cinismo e o nonsense evidenciado pela narrativa de Roy Andersson trata seus temas sempre com uma suavidade hilária e despretensiosa, aproveitando a sua fina auto-ironia: observe, por exemplo, um dos personagens saindo assustado de um cabeleireiro, após vê-lo fazendo um monólogo para a câmera.

Da mesma forma, estabelecendo suas esquetes sempre em planos centrais, registrando todo o ambiente, como se aquelas pessoas fossem realmente observadas por algum pássaro, o cineasta é brilhante em estruturar a solidão e a melancolia irreverente que rege a vida daquelas pessoas: os dois vendedores ambulantes, que vendem “novidades”, assim sendo, não percebem que pararam no tempo e a própria lembrança de que estão ali para divertir pessoas, além de cômica, reflete um desejo de espelhar seus sentimentos em outras pessoas (na busca pelo que os faça rir também).

Igualmente, Andersson encaixa o seu raciocínio humano acerca da loucura da vida nas esquetes que mostram: um macaco sendo eletrocutado enquanto a cientista diz que fica feliz ao saber que outra pessoa está bem, pessoas entrando numa churrasqueira para o deleite da alta classe, os encontros com a morte (a cena em que um homem pede para ficar com o chopp no aeroporto é brilhante), entre outras. Ao mesmo tempo, as homenagens aos Pythons são bem visíveis em três instantes, além da própria interação monossilábica entre os atores: a primeira delas, a cavalaria chegando a um bar para o rei tomar água mineral e um homem é chicoteado é assumidamente inspirada na famosa “Inquisição Espanhola” da trupe liderada por Cleese; a segunda, os soldados cantando sobre como pagar a conta com beijos num ritmo de música gospel; e a terceira, onde uma mulher para a fim de literalmente retirar uma pedra de seu sapato.

Conscientizando-nos de seu fim, com o bar sempre mais próximo da porta, Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência é uma experiência agradabilíssima que nos faz lembrar da primeira vez em que vimos os Pythons. Com seu nonsense e suas ideias brilhantes. E que ideias.

O filme está em cartaz no Paradima Cine Arte. Confira os horários.

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