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Crítica: O Amuleto, de Jefferson De, é suspense cheio de erros e clichês

26 de maio de 2015 5

o amuleto
Bons sustos”, disse o diretor Jefferson De, na pré-estreia do filme O Amuleto, que foi realizada na noite desta segunda-feira, 25, no Cinesystem do Shopping Iguatemi. E é uma sentença reveladora, ao analisar criticamente o suspense brasileiro, o qual constantemente (ao se lembrar o que a plateia deseja: assustar-se) joga na tela figuras fantasmagóricas, gritos, misticismo e recheia sua narrativa com assassinatos e desaparecimento. O lugar escolhido para o terror do filme é uma Florianópolis clara, coberta pela luz do dia.

Há certas convenções no cinema de terror que são convenções por razões específicas. O primeiro erro, portanto, de Jefferson e do diretor de fotografia Marx Vamerlatti é não perceber que a luz do dia freia qualquer impacto que o espectador possa ter – parte-se do princípio que, quando crianças, o que nos tira o medo é exatamente a luz se sobrepondo à escuridão. Uma caverna tomada pela claridade não amedronta, assim como uma floresta não parece temível. A luz estará lá para nos acolher da escuridão. (Não à toa, Vamerlatti tenta forçar a escuridão na granulação da imagem, pontualmente)

E mesmo que isso seja um grande ponto fora da curva no trabalho, a situação é ainda pior quando a montagem se encarrega de quebrar o ritmo a todo instante, intercalando basicamente três momentos: felicidade, tristeza e investigação; consecutivamente. Lá estamos com a previsibilidade do personagem que aparece apenas para se tornar importante no terceiro ato, a personagem que recebe chamadas de um desaparecido e não acha importante comunicar a polícia, closes e mais closes nas protagonistas e no amuleto, além de um roteiro que precisa ressaltar tudo o que a imagem mostra – chegando ao cúmulo de enquadrar uma personagem falando: “nossa, que susto”.

Sem se importar com sua coesão, querendo criar uma ambiguidade final que não existe, O Amuleto é mais um exemplar novelesco que insiste que clichês são apenas importantes para inchar a narrativa com risos, choros e sussurros. E é uma pena que enquanto trabalhos de horror realizados por Rodrigo Aragão (Mar Negro), Marco Dutra (Quando Eu Era Vivo) e Juliana Rojas (Sinfonia da Necrópole) vão ganhando pouca exposição no mercado nacional, o público vai tendo mais contato com filmes como Isolados e O Amuleto. E, nisto, não há entidade que salve.

Comentários (5)

  • Pedro Caldas diz: 26 de maio de 2015

    Esse filme é uma copia de um outro filme brasileiro o Desaparecidos, ontem na pré fiquei bobo de ver a cara de pau. Alias o Desaparecidos é menos arrogante e superior na atuação a essa coisa novelesca com Globais.

  • Maria Garcez diz: 27 de maio de 2015

    Esse filme é uma vergonha para o cinema catarinense e nacional. Parece que a fórmula – atrizes globais + roteiro clichê – não funciona mais. Uma pena! Senti vergonha alheia pelos colegas produtore.

  • Três curtas de terror para se ver de luz acesa | Clube do Cinema diz: 29 de maio de 2015

    […] fabulosos de tensão, como é o caso de Lights Out. Quando escrevi sobre o suspense brasileiro  O Amuleto questionei sobre a abordagem da narrativa ser durante o dia, fazendo com que o princípio do medo, […]

  • Marilene Silva diz: 30 de maio de 2015

    “AONDE”…………………….Não seria “ONDE” ?
    Fala do personagem durante o trailer oficial do filme.

  • Qual o diferencial do cinema de terror brasileiro? | Clube do Cinema diz: 1 de junho de 2015

    […] na crítica do filme O Amuleto, que saiu na edição de quarta-feira e já está disponível no blog. Todavia, eu gostaria de discorrer sobre dois […]

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