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A despedida de uma lenda

11 de junho de 2015 1

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Cerca de 11 anos separam as mortes de Christopher Lee e Peter Cushing. Desde que ambos atuaram juntos em A Maldição de Frankenstein, uma das primeiras produções da Hammer, a sobrevida que o gênero de horror ganhou nas décadas de 50/60 iniciou um apelo estético gigantesco que seria imensamente influenciador para alguns dos melhores longas-metragens subsequentes. Lee, Cushing e Vincent Price era o triunvirato do terror clássico.

Após a saturação da Universal na década de 30, demorou-se mais de quinze anos para perceber que os grandes monstros ainda possuíam um apelo com a plateia mais jovem. Foram Cushing e Lee que ressuscitaram figuras como Drácula, Frankenstein, o monstro de Victor, Van Helsing. Num mundo ainda tomado pela ameaça nuclear e as analogias comunistas, a Hammer junto com seus dois maiores nomes balançaram o mercado independente procurando interligar a essência dos monstros com a obscuridade dramática da antiga companhia RKO, fazendo com que a figura do homem interessasse muito mais do que o terror presente. Algo que só foi alcançado pelas figuras entre mocinhos e antagonistas dos dois atores. O Vampiro da Noite, A Múmia e o próprio A Maldição de Frankenstein levaram-nos aos holofotes, como astros do cinema de gênero.

O inglês não possuía o apelo exótico de Bela Lugosi, naturalmente. Era frio, assustador e sanguinário. Uma persona que facilitou uma tradução horrorosa para uma obra-prima de Mário Bava chamada Drácula – O Vampiro do Sexo (originalmente La frusta e il corpo). Nele, Lee interpretava um sado masoquista extremamente violento que usava seu chicote para assediar física e mentalmente a mulher prometida ao seu irmão. Surgindo das penumbras, Lee alimentava o mito de sua imponência em cena e cada som de chicote sendo alinhado era uma epopeia.

É difícil não ter se familiarizado com o nome de Christopher Lee. Você pode tê-lo visto como Sherlock Holmes, Lord Summerisle ou Saruman, o Branco. Mas você o viu. Aos 93 anos, o inglês junta-se a Price e Cushing para nos assombrar uma última vez: desta vez, com sua ausência.

Comentários (1)

  • Fábio F diz: 16 de outubro de 2015

    O mais ridículo é assistir ao (aliás, ótimo) filme e se dar conta que não tem Drácula, não tem vampiro e não tem sexo… De qualquer modo, a distribuidora Versátil lançou recentemente esse filme num box chamado Obras Primas do Terror, e creditou o título como “O Chicote e o Corpo”, utilizando uma tradução correta diretamente do italiano, no lugar da atrocidade.

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