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A moral da câmera no jogo de Joshua Wagner e Thomas Zambeck

21 de julho de 2015 0

thebadgergame

The Badger Game se move por uma premissa que me interessa muito: a troca de papéis entre vítimas e assassinos. De qual lado você está, na visão da câmera? Longas-metragens assim, despertam uma avaliação moral intrigante, pois mesmo que você julgue as ações dos protagonistas, você pode compreendê-las. Só neste ano, Musarañas trabalhou belissimamente com esse artifício, da mesma forma que Sniper Americano – o primeiro avaliava a figura paternal opressiva influenciando diretamente nas ações da protagonista, que se reprime até explodir num banho de sangue impressionante; enquanto o segundo nos jogava atrás de um gatilho. O filme de Joshua Wagner e Thomas Zambeck não apresenta uma trama inovadora, mas é curiosa quando desenvolve a aflição dos sequestradores. A premissa, por exemplo, tenta nos vender uma ideia complicadíssima que, por ser uma figura controladora, misógina e manipuladora, a vítima merece sofrer. Claro que isso não é bem trabalhado e só jogado em cena para evidenciar a real intenção dos diretores, porém mexe conosco. O que nos importa é a pluralidade do grupo criminoso: o irmão inseguro, embora narcisista; a ex-amante apaixonada, que faz tudo por amor; a ex-amante que entra no jogo para fazer a vítima sofrer o que ela também sofreu; a mãe solteira que vê uma bela oportunidade em $ 2 milhões. E essa teia de aranha não é imediata. Ela vai se desenosando aos poucos, como se precisássemos apenas aceitar que o espectador precisa entender a realidade dos criminosos. É um trabalho complicado. Porque a empatia é outra. Você não se visualiza dentro da ação, mas a analisando friamente, de fora. Se conseguir embarcar nisso, a narrativa pode ser uma poderosa surpresa. O que me fisgou foi a linha tênue, no entanto. A moralidade e a imoralidade. Um resultado tão inquieto que os destinos dos personagens acabam sendo os mesmos. Difícil dizer o que se sucederá, mas podemos apostar.

 

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