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Documentário sobre o Seo Chico, Desculpe pelo Transtorno, estreia em Florianópolis

20 de agosto de 2015 0

Cartaz-Desculpe-Pelo-Transtorno

Desculpe pelo Transtorno, 2015, Brasil. Documentário. Diretor: Todd Southgate. Roteiro: Todd Southgate e Jeffrey Hoff. Duração: 80 minutos. Onde assistir: o filme fica em cartaz no CIC de sexta-feira a domingo, 20h.

Enquadrado entre as linhas de sua rede de pesca, Seo Chico fala sobre tainha. Na sua mente, a preocupação da proibição permanente da pesca. O ano é 2010, no Campeche, em Florianópolis. A figura, que se tornou simbólica naquela região, ainda não sabe que uma força invisível se prepara para dar o golpe final no seu famoso bar. Seo Chico e os amigos apenas observam o mar, como se procurassem por algo. Esperança, talvez?

É nos aproximando da essência das histórias de pescadores que Todd Southgate nos insere na história de Seo Chico, a qual, por vezes, confunde-se com a do Campeche. Nas filmagens antigas, nos negativos de fotos, nas personalidades que passaram pela Ilha, o cineasta nos convida para compreendermos não só o homem, mas o papel social da política catarinense, neste percurso. Um papel que se evidencia cada vez mais amedrontador no decorrer do documentário. Porque, a medida que nos aproximamos de Chico e seu bar, o Campeche e suas manifestações também se tornam ressoantes. Assim como seus clamores pela proteção de suas memórias, de suas famílias e do que fez Santa Catarina se tornar referência turística no Brasil.

Seo Chico parece não saber do seu papel. É apenas um homem. Mas um  homem que despertou um senso por justiça em toda a população. Igualmente, o próprio Todd confessa que tampouco ele sabia qual o papel do biografado. Afinal, onde o social se confunde com o fator humano e vice-versa? Parece simples, mas é a pergunta que os roteiristas gostariam de responder.

O narrador nos antecipa isso no prólogo desnecessário, porém ofusca as passagens inorgânicas com uma sensibilidade ímpar: impulsionando-nos para o movimento social através de associações de imagens que formam o bar do Seo Chico, numa brilhante fusão. Fragmentos que fariam com que, compreensivelmente, os moradores do Campeche devolvessem as constantes tentativas de demolição do símbolo de sua luta na derrubada do deck.

É isso que, ao final, Desculpe pelo Transtorno se torna: um recado de luta e expectativa. E que uma força invisível como a política pode trazer abaixo memórias nativas, varrer os sonhos de um pescador e alimentar a ganância empresarial, mas nunca fará com que o povo perca a esperança enquanto estiver de pé – munidos de compaixão, seja representando uma maquete numa areia ou o rosto de um homem.

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