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Opinião: "Dos LPs dos meus pais a uma colheita sonora em POA"

07 de outubro de 2015 3
créditos: Cristiane Moreira/ Divulgação Opus

créditos: Cristiane Moreira/ Divulgação Opus

No retorno de Ian Anderson à capital na noite desta terça-feira, convidamos o fã de Jethro Tull e editor do clicRBS Matheus Beust para tecer suas impressões sobre o espetáculo que seria protagonizado no palco do Araújo Vianna.

O relato você acompanha abaixo:

Dos LPs dos meus pais a uma colheita sonora em POA

por Matheus Beust

Ian Anderson e sua turma levaram a plateia para uma viagem incrível no show da noite desta terça-feira, no Araújo Vianna, em Porto Alegre. O espetáculo “The Rock Opera” teve apoio de um telão recheado de imagens de outros artistas que interagem com os parceiros no palco, cantando e tocando. No setlist, clássicos e inéditas agradaram fãs de diferentes gerações do Jethro Tull.

Além de conhecer a história do agricultor inglês que deu nome à banda, o público conferiu sucessos com pequenas mudanças de ritmo e até de partes das letras, que foram adaptadas para melhor encaixarem na apresentação.

“Wind-up” e “Aqualung” foram executadas logo no começo. Uma combinação explosiva que arrancou os primeiros aplausos mais entusiasmados dos amantes do rock progressivo. Durante os solos de guitarra, Ian aproveitava para fazer suas acrobacias características, com direito a chutes no ar e alguns outros movimentos um tanto indecifráveis. Imagens antigas dele tocando flauta alegravam os mais nostálgicos.

créditos: Cristiane Moreira/ Divulgação Opus

créditos: Cristiane Moreira/ Divulgação Opus

O show transportou o público para épocas remotas por diferentes motivos. Além de imagens em preto e branco no telão, foi curioso observar uma plateia quase que totalmente “desarmada” de celulares e tablets registrando o que se passava no palco. Assim como ocorreu recentemente na apresentação de Jack White na Capital, a organização reforçou várias vezes que não seria permitido fotografar e filmar. Bom para aqueles que preferem mais música e menos telas brilhando ao redor dos olhos.

Voltando ao repertório, a inédita “Fruits of Frankenfield” foi uma surpresa bem recebida pelo público quase no final da primeira parte. “Songs from the Woods” fechou a primeira etapa em grande estilo e o público teve alguns minutos de intervalo, que a maioria aproveitou para reidratação. As luzes do auditório foram acesas e muitos mataram a saudade dos smartphones fazendo selfies – praga do nosso século não enfrentada pelo agricultor Jethro Tull.

Na volta ao que interessava, “Living in the Past” tratou de recuperar o fôlego da apresentação no início do segundo bloco da noite. 

créditos: Cristiane Moreira/ Divulgação Opus

créditos: Cristiane Moreira/ Divulgação Opus

Em seguida veio a bela e curta “Jack-in-the-Green. O próximo destaque demorou um pouco, mas valeu a espera: “Cheap Day Return” e “A New Day Yesterday” fizeram outra sequência de luxo. A resposta imediata dos fãs animou Ian, que caprichou nos sons que arrancava da gaita de boca.

Então surgiu nos trilhos do Tull (trocadilho irresistível) a marcante “Locomotive Breath”. Clássico absoluto que fez a diferença. A plateia ficou toda de pé pela única vez. As palmas preencheram o Araújo Vianna ao longo da canção. Magia pura.

Cabe aqui algo pessoal. A empolgação com a música me fez lembrar das primeiras vezes que ouvi Jethro Tull ainda criança. Foi nos LPs dos meus pais que comecei a acompanhar o trabalho desses músicos, que mais uma vez se reinventaram para Porto Alegre ver e ouvir.

Ao fim do espetáculo, a despedida no bis “Requiem and Fugue” deixou a expectativa sobre quando será o próximo encontro com os gaúchos. Que seja logo. Até lá, um brinde de chá, Ian Anderson!

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codevilla
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Comentários

Comentários (3)

  • Micael diz: 7 de outubro de 2015

    Foi apenas a segunda vez que pude conferir o mestre Ian Anderson ao vivo, mas foi tão emocionante quanto a primeira, dois anos atrás no mesmo Araújo Vianna! Um repertório excelente, com “velharias” retiradas lá do fundo do baú (como “Back In The Family” ou “With You There To Help Me”) e as duas únicas músicas que pelo menos 70% da plateia parecia conhecer (“Aqualung” e “Locomotive Breath”) fizeram a festa tanto dos fãs “de verdade” quanto dos “curiosos” que estavam ali pelo evento e não pelo show em si! A restrição a filmagens e fotos realmente me agradou, pois é muito melhor assistir a uma apresentação deste porte sem ter de ficar desviando de celulares e braços levantados, mas ainda acredito que seria bastante simples os próprios artistas colocarem uma única câmera em uma posição estratégica do local, filmarem a apresentação e depois disponibilizarem em seus canais no youtube e outros sites afins. Ficaria uma apresentação muito mais “civilizada”, como a da noite passada, e os presentes que se interessassem ainda teriam um “souvenir” exclusivo para curtir o quanto quisessem” Mas, ainda que registrada apenas pela “memória visual” de quase todos nós, foi um espetáculo memorável, e, concordando com o autor, tomara que Anderson e seus comparsas voltem logo ao estado, para nos brindar novamente com mais músicas de tanta qualidade quanto as apresentadas! Parabéns pela resenha, e desculpe o longo comentário!

  • Renato do Bom Fim diz: 7 de outubro de 2015

    Bom, eu estava no Auditório Araújo Vianna ontem. Foi a terceira vez em que eu tive o privilégio de poder assistir a um show do Jethro Tull. Resumindo…FANTÁSTICO. GENIAL. BOM GOSTO.

  • David Brew diz: 7 de outubro de 2015

    O intervalo foi anunciado a ser 15 minutos, não 5.

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