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David Gilmour desenha trilha sonora de milhares de vidas em Porto Alegre

17 de dezembro de 2015 15

gilmour

É curioso… meu primeiro contato com David Gilmour aconteceu com uma música lançada exatamente no ano em que nasci. Aliás, foi meu pai quem me apresentou ao Pink Floyd há algumas décadas. Era uma balada simples, com lindos acordes de violão, instrumento que circulava em casa e meu pai dedilhava.

gilmourSempre fui o mais novo da minha primeira turma de amigos quando pré-adolescente. E lá estavam, inevitavelmente, outras bandas de rock como o Pink Floyd à disposição nos vizinhos dos andares inferiores. Àquela altura, álbuns clássicos como Dark Side of the Moon e The Wall já rodavam nos velhos, e para minha inveja, Gradiente’s 3 em 1 (eu tinha um Sharp daqueles horizontais).

Quando fui estudar inglês pela primeira vez. Novamente cruzei com a canção que me apresentou ao universo criado por alguns estudantes ingleses na década de 60. Lendo os versos, cheios de metáforas, uma nova maneira de encarar a obra do Pink Floyd se apresentava.

Quarenta anos depois, o inimaginável acontece. Wish You Were Here é cantada para mim, por David Gilmour, a poucos metros de distância.

A video posted by fabio codevilla (@codevilla) on

Não tenho dúvidas que as milhares de pessoas sentiram emoções convergentes durante a noite de quarta-feira em Porto Alegre.

Diante da objetividade e previsibilidade do repertório proposto por Gilmour em sua nova turnê, a setlist é a mesma desde que os shows começaram em setembro, os encontros com o cantor, compositor e exímio guitarrista de 69 anos seriam ritos de passagem para milhares de fãs, exercícios contemplativos, carregados de subjetividades. Não falta emoção em momento algum do show.

Não há, portanto, muito sentido em analisar a construção do repertório. Até porque há momentos altos previsíveis durante o espetáculo, sempre quando Pink Floyd era evocado. A experiência é, por fim, sensorial. E como tal, nem sempre passível de verbalizações. No palco, com sua postura discreta e tímida, David Gilmour desenha uma trilha sonora para cada um de seus espectadores.

Diante de seus olhos, uma película única, exclusiva, mesmo que ao seu lado estivesse alguém querido compartilhando o mesmo tempo e espaço. Aliás, era lindo perceber pais e filhos dividindo esta experiência já inesquecível. Quisera eu estar ao lado do cara que fez a sinopse desta história toda.

Olha umas fotos que fiz, pai…

David Gilmour

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codevilla
jornaleiro e neologista. on air: 80 por hora - segunda a sexta - 11h às 12h | itapema social club - segunda a sexta - 14h às 17h | foodmusic - domingo - 11h

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Comentários

Comentários (15)

  • Diogo diz: 17 de dezembro de 2015

    Postagem emocionante, cara…

    Estive no show em SP e roubo as tuas palavras para descrever meus sentimentos em relação a este momento único em nossas vidas como fãs.

    Pink Floyd é mais do que uma banda; PF molda a forma com a qual nos relacionamos e pensamos sobre a vida.

  • Cleber diz: 17 de dezembro de 2015

    Eu não estava a poucos metros dele… mas eu estava lá… chorei várias vezes, por vários motivos diferentes…
    A única coisa que eu pensava era: “como é que as pessoas conseguem ir ao banheiro, comprar bebida/comida, ou simplesmente desviar os olhos do palco? como?”

    Saiu da minha lista de “ainda vou ver” para a lista (criada no exato momento em que apagaram as luzes do palco) de “veria todas as vezes que tivesse oportunidade”

    Falando em luzes… não tem nem o q falar…

  • Márcio Staggemeier diz: 17 de dezembro de 2015

    Vai demorar um tempo até processar o que foi assistir ao concerto do David Gilmour, ontem, em Porto Alegre.

    De cara, digo que aconteceu um encontro com a minha própria história musical, pois lembrei momentos lá de quando era um adolescente e comecei a ouvir Pink Floyd, na fase em que a banda já era liderada por ele.

    O som da guitarra tomando conta de todo o estádio já desde a primeira música, a banda com integrantes que, de tanto que já os ouvi, me pareciam íntimos – principalmente meu ídolo Guy Pratt, o baixista. Aliás, que cara bacana. Tocando demais, com sangue nas veias, com a mesma cena de performance com que se apresentava no PULSE: inquieto, caminhando pelo palco com passos ao ritmo das músicas.

    O visual é mais econômico quando comparado com a turnê seminal do Floyd de 1994; menos estrondoso, menos megalômano – adjetivo perfeito para o ex-colega de banda, Waters, este sim imbatível em termos de imponência cênica.

    Mas o som foi grande, o espaço para seus músicos foi generoso, sua voz mais rouca e igualmente linda ecoando pelo estádio ao som de “Coming Back to Life” nunca mais sairá da minha memória.
    São algumas palavras que me vêm à tona agora, quase que imediatamente após o show. Muito mais ainda virá para ser dito.

    Porém, nada irá se comparar com a sensação de tentar controlar o choro já logo na primeira música, a instrumental “5 A.M.” do disco novo. Consegui segurar, enchi os olhos d’água. Mas depois de estar incrédulo vendo David Gilmour na minha frente, de verdade, e após estes reencontros comigo mesmo, através de seus clássicos, eu não me importei mais em segurar lágrima alguma.

    Foram vários os momentos. Eu, sozinho, tendo aquilo só pra mim, com mulher, amigas e amigos em outro setor ou distantes de mim no próprio local onde eu estava, sentindo a falta de todos. Me desviando daqueles que estavam lá sem sequer saber o motivo do que estava acontecendo, alienados em sua embriaguez e em suas selfies.

    Não, não me preocupei mais em segurar lágrima alguma. E nas últimas 4 canções do show, a partir de “Run Like Hell”, foi impossível conter o choro e o esforço era secar os olhos, já sofridos pelo sol forte da tarde na fila.

    O show termina em êxtase, com o clássico “Comfortably Numb” e aquele que, talvez, seja o maior de todos os solos de guitarra já feitos.

    Apesar do cansaço, das lágrimas e da saudade que, àquela altura já batia arrebatadora, o show terminou e a minha sensação era de estar bobo, caminhando sobre um chão incerto, tamanha fora a experiência desta noite em que David Gilmour, um Pink Floyd (mais um deles) pisou o nosso solo.

    Foi lindo e será para sempre inesquecível.

  • Cleber diz: 17 de dezembro de 2015

    Voltei pra também agradecer ao Márcio… nó na garganta só de lembrar…

  • Klaus diz: 17 de dezembro de 2015

    Um show para entrar na história. Primor técnico e êxtase. Destaque para a qualidade do som que chegava muito bem no anel superior, em comparação ao show do Pearl Jam.

  • Marlon diz: 17 de dezembro de 2015

    Memorável, trilha sonora de várias passagens e algumas viagens – literais e não literais -de minha vida. É incrível como passa um verdadeiro filme na mente. Aliás, Floyd permanece em minha casa, no mp3, no carro. Floyd é atemporal.
    Que climão!
    Que grande show!

  • NEVE DE JULHO diz: 17 de dezembro de 2015

    Que lindo… Me identifiquei muito, pois eu tinha um telefunken, hehehe, e nove anos de idade quando foi lançado The Dark Side…, e era o meu irmão, 11 anos mais velho, a me mostrar o que era música boa…!

  • João Carlos Martins diz: 17 de dezembro de 2015

    O Show simplesmente inenarrável.
    A nota trista é a incompetência desta EPTC, que não moveram uma vírgula para auxiliarem os motoristas a sairem do engarrafamento, ficaram como bonecos de posto só olhando e dando risada da situação.. Quando que vão colocar um presidente competente e tirar este Capelari que está a décadas neste cabide de emprego?

  • Caetano diz: 17 de dezembro de 2015

    Acabei caindo aqui pela primeira vez em busca de resenhas do show de Porto Alegre, já que fui ao show em Curitiba, e fico emocionado em ler

    “Quisera eu estar ao lado do cara que fez a sinopse desta história toda.
    Olha umas fotos que fiz, pai…”

    pois é o meu real sentimento também.
    Aprendi a gostar de Pink Floyd na minha infância com meu pai.

  • rbrolf diz: 17 de dezembro de 2015

    Marcio, um excelente texto, retratando em parte o que cada um de nós vivenciou nestas 3 horas de puro êxtase. Imagina a minha alegria, depois de tantos anos curtindo essas músicas, ter ao meu lado a filha de 18 anos, que irá completar 19 amanhã, a qual me pediu de presente de aniversário poder olhar este show. Olhamos lado a lado. Duas gerações reverenciando um dos deuses do Rock Progressivo mundial.
    Um abraço a todos os roqueiros do mundo.

  • Mariano AlterEgo diz: 17 de dezembro de 2015

    que baita postagem, Codevilla.
    emocionante mesmo.
    o show foi mesmo impossível de descrever verbalizando.

  • claudio diz: 18 de dezembro de 2015

    Passando só pra parabenizar o Márcio pelo belo texto. Resumiu meu sentimento e transformou minhas lágrimas em palavras. Thank you!!!

  • andre diz: 18 de dezembro de 2015

    Li e reli o comentário do Márcio. Arrepiante…..Foi tudo o que senti no show, mas não tive essa capacidade que ele teve de escrever. Perfeito. Foi uma sensação única estar na Arena. Abs a todos que tiveram esta oportunidade, e puderam fazer esta viagem……

  • eduardo weimer diz: 19 de dezembro de 2015

    Bah parabens ao Codevilla pelo post, gostaria que meu pai tivesse me apresentado tb o PF, mas….. Com certeza já estou apresentando para meus três filhos com muito orgulho PF e U2, meu pequeno de 2 anos quando escuta Comfortably Numb começa na hora a tocar sua miniatura de guitarra e manda a mãe dele dançar e hilário…
    Cara quando li as declarações do Márcio so chorei e me lembrei do show e da companhia espetacular da minha parceira e esposa naquela noite perfeita, foi resumindo humilhante!!!!!
    Sou grato ao Codevilla e a ti Marcio parabens, belas palavras de ambos, não tem como não se emocionar. Obrigado David Gilmour “Deus da Voz e guitarra” !!!!

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