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Posts de outubro 2009

Coisa de Gordo - 452

29 de outubro de 2009 2

452 – FEIRA DO LIVRO

Leitor confesso, adorador das letras e das publicações, sou um fã incondicional da Feira do Livro de Porto Alegre. Pela distância de minha casa, e talvez por uma certa acomodação que os anos trazem, por vezes me ausento da Feira, não apareço, não me faço presente, mas ela sempre está em minhas lembranças dessa época do ano.

Assim, sequer poderia sonhar que um dia lá estaria eu, autografando um livro justamente na Feira do Livro de Porto Alegre. Pois é o que vai acontecer.

Sim, você já sabe disso, em parceria com meu amigo Jerri, lançamos nosso singelo livro de nome FAMÍLIA, FRENTE & VERSO. Versando sobre as coisas do lar, os embates, os aprendizados, as dificuldades, o livro traz ainda o viés histórico, filosófico e social desse grupo chamado família.

Sempre passeei por entre as bancas de livros embriagado pela profusão de livros e revistas. O cheiro que emana daquela montanha de livros é inigualável.

Pois bem, adorador de livros que sou, devorador de textos por toda uma vida, jamais poderia imaginar estar um dia lá, na Feira de Porto Alegre, lançando um livro. Mas a vida tem dessas coisas. Um dia aqui, outro lá. Às vezes assim, outras vezes assado.

E eis que o destino me reserva então essa coisa completamente inusitada. Estar lá autografando um livro, junto com meu amigo Jerri.

Creio já ter comentado isso aqui. É como se você batesse bola com seu pai, fosse descobrindo as coisas do futebol, tomando gosto. Aí o tempo passa e num belo dia seu pai lhe bota o uniforme oficial do time e adentra os portões do estádio, conduzindo-o a uma partida de futebol onde você está escalado. Você entra em campo, olha o gigantesco estádio ao redor, o barulho da torcida, e parece que aquilo não está lhe acontecendo. Parece um filme.

Assim estou aguardando este momento. Sim, sim, com certeza mantendo os pés bem firmes no chão da realidade e sabendo dimensionar isso tudo dentro do cenário de minha vida. Mas mesmo assim….é muito legal! Uma coisa sem igual. Não sei se passo por isso de novo nesta vida.

Enfim, sabe-se lá as voltas que ainda virão.

Portanto, esta é a convocação final. Vai ser neste domingo, 01 de novembro de 2009, às 17:30h, na Praça da Alfândega, em Porto Alegre. Levarei minha mãe, irmãos, filhos e esposa para fazerem volume na fila. Eles vão ficar se revezando por ali. Para dar a impressão de movimento. Você pode aparecer para ajudá-los. O livro, para quem quiser, pode ser comprado na Livraria da Federação Espírita do RGS ou na Livraria Isassul. Não quer saber do livro? Então simplesmente apareça! Os jacarandás nos esperam nesta tarde de primavera.

Silvano – o impossível

Crédito da foto: Daniel Marenco – ZH

FALEI NO SALÁRIO DOS EX-GOVERNADORES…

….e olha o que me cai nas mãos. Leio na coluna do Jornalista Diego Casagrande que estão pensando em tirar aquela pensãozinha básica do bolso dos ex-governadores gaúchos. Falei aqui neste espaço que sobre tal  escândalo ninguém falava e, portanto, vejo que tinha mais gente incomodada além de mim. Disse o Casagrande:

Depois de dois anos parado na Assembléia Legislativa, o projeto de lei que determina o fim do pagamento de pensões a ex-governadores está na pauta de votação na Comissão de Constituição e Justiça. A expectativa é que ele seja apreciado na CCJ na próxima semana, já que na sessão desta terça-feira não houve quórum para analisar a proposta. Apesar de contar com o apoio da maioria dos parlamentares, o projeto recebeu parecer contrário na Comissão. Segundo o relator Luiz Fernando Záchia (PMDB), a concessão ou término de pensões são atribuições do Poder Executivo. Já o autor da proposta, deputado Luciano Azevedo (PPS), avalia que essa é uma justificativa para que a proposta não seja votada.

Muito bem. Tomara que acabem com esta farra.

Silvano

29/10/2009

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Coisa de Gordo - 451

21 de outubro de 2009 3

451 – MACHADO

Fala-se que o povo brasileiro lê pouco. Às vezes acho que o povo não lê. Nesta fase de computadores, internet e MSN, as pessoas estão condicionadas a lerem coisas telegráficas, pequenos parágrafos, minutas.

Poucos se debruçam sobre textos mais longos, que dirá então sobre um livro. E nisso eu usaria as palavras do homem da cruz quando disse: “- Eles não sabem o que fazem!”

Andei às voltas com um procedimento cirúrgico em meus olhos, de tal sorte que agucei minha visão ainda mais. Munido daqueles pequenos óculos de leitura que os quarenta anos nos trazem, passei a perceber as minúcias dos livros impressos. Os tipos gráficos, as palavras, o papel e principalmente o conteúdo do texto.

Assim, resolvi escolher um livro que me brindasse os olhos após a cirurgia, que servisse de recomeço, um novo ponto de partida. Que livro pegar para ler numa hora tão nobre?

Sim, ajoelhado diante dos deuses da Língua Portuguesa, ungido pela mais profunda reverência literária, fui beber da fonte que nutriu a todos nós. Sim, senhores, fui ler Machado de Assis.

Não ria de mim, não desista do texto, espere que eu lhe fale um pouquinho mais do Machado (parece que estamos ficando íntimos). Para voltar aos tempos de colégio, escolhi logo o DOM CASMURRO, nessa bela encadernação que a RBS andou dando de presente.

E perceba que isso me estava destinado. Dia desses recebi de brinde de um Laboratório outro livro do mesmo autor, o MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS. Pois é, estava fadado a ler Machado.

O texto do livro que estou lendo (Dom Casmurro) é leve, ágil, fácil, um agradável lazer. Ao se proceder a leitura percebe-se que do lado de lá da pena (não era teclado, né?) estava uma pessoa bem humorada, divertida, um cara de bem com a vida.

A narrativa corre apressada, em pequenos capítulos, querendo dar ao leitor já de início o contexto da trama que se vai desenrolar. Assim, o personagem, principal (Bentinho) vai descrevendo a casa, sua mãe, seu pai, o agregado José Dias, a morte de seu pai, a vizinhança, e Capitu. Sim, já ali, nas páginas iniciais ele traz ao imaginário do leitor a descrição dela, o amor de sua vida, o seu objeto de desejo, sua paixão. E o faz com textos breves, permeados de gestos e atitudes por parte dela, sua feições, suas expressões, seu olhar.

Ah, o olhar de Capitu. Até hoje os literatos se imolam na fogueira da paixão, apenas imaginando o olhar de Capitu. Os debates em torno desse livro, sua possível infidelidade, seu mistério, servem de tema para Congressos e Seminários. Traiu ou não traiu? Pecou ou não pecou? Pois o autor genialmente nos brinda com esse mistério, tangenciando as frases, imiscuindo-se nos períodos, resvalando por entre metáforas, para findar o livro e deixar ali, no meio da sala, o mistério aceso. Pena na mão, olhos cansados, papéis jogados ao redor, archotes iluminando o ambiente, ele nos olha do alto de sua criatividade e nos diz: – Você deve resolver este mistério. Ei-lo aqui, no meio da sala, ardendo fortemente, labareda incessante a perscrutar nossas imaginações. Traiu ou não traiu?

Meu Deus do céu! Genial, genial, genial. Esqueça por um minutinho dos Paulos Coelhos, dos Vampiros, e dos Duendes. Largue por um minuto dessas coisas descartáveis que o têm entretido e permita-se beber dessa fonte deliciosa de criação literária. Mate sua sede mergulhando o rosto nas pias refrescantes por onde jorra essa água cristalina machadiana.

Valeu a pena ter feito a cirurgia, valeu a espera, tudo o mais. Se era para ler este livro do Machado…valha-me Deus…tudo valeria a pena!

Silvano – o impossível

Foto: reprodução

REDUÇÃO DE ESTÔMAGO

No blog anterior eu houvera feito algumas abordagens sobre o tema da Cirurgia de Redução de Estômago, com relato do caso de um leitor (Hamilton) que gentilmente deu seu testemunho. Vieram depois outras opiniões. Pois esta semana uma pessoa leu aquilo lá e postou um recado. Aqui está:

Olá. Bom, fiz a cirurgia de redução de estomago há 4 meses e já eliminei 28 kilos. Estou me sentindo uma outra mulher e olha que ainda tenho que perder mais 22 kilos. Eu tenho 1,70m e pesava 116 kilos. O pós-operatório da cirurgia não é fácil, mas com uma cabeça boa e muita força de vontade a gente consegue.Vou a festas e nunca me senti mal. O prazer é você se olhar no espelho e se AMAR!!

Milena

DOIS PESOS

Acho uma graça essa coisa das denúncias na Política. Os mesmos que denunciam as compras e gastos irregulares feitos pela governadora Yeda Crusius em sua casa particular, são os que apoiaram os gastos que o governo federal fez nos tais Cartões Corporativos. Lembram dessa farra? A cúpula do governo Lula esbanjando o dinheiro público em nome da governabilidade! Haja champanhe!!.. Anyway, o que interessa é que tanto eu como você, continuamos pagando a conta. Da Yeda e do Lula.

MACHADO EM DOSES HOMEOPÁTICAS

Olhe este trecho do livro citado: (capítulo 14)

Voltei-me para ela; Capitu tinha os olhos ao chão. Ergueu-os logo, devagar, e ficamos a olhar um para o outro… (…) Em verdade não falamos nada; o muro falou por nós. Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se.  (..) Conhecia as regras do escrever, sem suspeitar as do amar; tinha orgias de latim e era virgem de mulheres. (…) Estávamos ali com o céu em nós. As mãos, unindo os nervos, faziam das duas criaturas uma só, (…) Os olhos continuaram a dizer coisas infinitas, as palavras de boca é que nem tentavam sair, tornavam ao coração caladas como vinham…” 

Magistral, sensacional, fenomenal.. o cara é demais! Imagina essa: orgias de latim e virgem de mulheres! Que cabeça, que cabeça!!

MAIS MACHADO…

Olhe esse agora, dele falando com um verme, sim, um verme: (capítulo 17)

Cheguei a pegar em livros velhos, livros mortos, livros enterrados, a abri-los, a compará-los, catando o texto e o sentido, para achar a origem comum do oráculo pagão e do pensamento israelita. Catei os próprios vermes dos livros para que me dissessem o que havia nos textos roídos por eles.

- Meu senhor, respondeu-me um longo verme gordo, nós não sabemos absolutamente nada dos textos que roemos, nem escolhemos o que roemos, nem amamos ou detestamos o que roemos: nós roemos.

(…) Talvez esse silêncio sobre os textos roídos, fosse um modo de roer o roído.

Fantástico, irônico, alegre, surpreendente. Dá-lhe, Machado!

21/10/2009

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Coisa de Gordo - 450

15 de outubro de 2009 1

450 – DIA DO PROFESSOR

Nunca será demais lembrar dessa data de hoje na qual festejamos o DIA DO PROFESSOR. Houve tempo em que esta era uma classe distinta, respeitada, reconhecida. Neste país em que vivemos, governo após governo, crise após crise, vimos esse conceito esboroar-se diante da crueldade das pessoas. E da vida.

Fulano é professor – e daí? – dirão alguns. Antes isso era diferente. Havia toda uma reverência à figura do “mestre”.

Dia desses meu guri me lembrou um significado que já havia esquecido. O da palavra “aluno”. Na língua portuguesa o A sempre dá o tom de negação e o radical “luno” alude à luz, saber, conhecimento. Portanto aluno é aquele destituído de luz, de saber. E houve um tempo, caro(a) leitor(a) que quem iluminava os alunos era justamente o Professor. Quem os conduzia nas estradas escuras da ignorância, tentando alçá-los a patamares mais elevados.

Isso mudou.

Nossos alunos de hoje em dia não mais se iluminam apenas com o professor. Buscam saber coisas no MSN, no ORKUT e em outros similares. Os trabalhos escolares são feitos rapidamente apenas com o COPIAR e COLAR. Nada de construir textos em que havia introdução, desenvolvimento e conclusão. E ainda mais do que isso. Os professores liam os trabalhos. Pelo menos a maioria deles.

Sempre lembro de uma história num colégio em Curitiba na qual um aluno redigia apenas a página frontal do trabalho. A partir da segunda página ele falava de futebol, novelas, bobagens variadas e mostrava orgulhoso a nós, seus colegas, esta sua artimanha. O professor dava OSPB, lembro disso. Prova de gincana: – O que é OSPB? Ora, meninos, era o estudo da Organização Social e Política Brasileira. Pois bem, num belo dia o tal professor virou a segunda página do trabalho e deu zero para o malandro!

Tem uma charge rolando pela internet que mostra dois tempos diferentes, uma cena escolar em 1969 e em 2009. Em ambas as cenas, o aluno tirou notas baixas no boletim e está entre os pais e a professora. Na cena de 1969 os pais estão com cara de brabos, virados para o guri e perguntam em tom alto: – Que notas são essas? Na cena de 2009, os pais estão encarando a professora enfurecidos e repetem para ela a mesma frase: – Que notas são essas?

Tal charge ilustra bem o que se passa nos dias atuais. Os filhos adquiriram um poder e uma força inimaginável. Dão ordens, decidem, impõem suas vontades. E o pobre do professor eventualmente se machuca neste verdadeiro campo de batalha. Nós pais e mães cedemos terreno demais aos nossos filhos e, resultado disso, muitas situações absurdas acontecem. Como essa citada na tal charge.

Quer mais? Que dizer de alunos que agridem fisicamente os professores, escudados estupidamente em seus supostos direitos, dando carteiraço nos professores: – Qualquer coisa eu chamo o Conselho Tutelar. E os pobres professores têm que lidar com mais essa grosseria.

Já não bastava terem salários baixos, não bastavam o pouco incentivo oficial, não bastava tudo isso, eles ainda tem que enfrentar ameaças, pancadas, gritos, xingamentos. E por vezes têm que dar nota alta a vagabundos e mal-educados.

Por isso tudo e muito mais é que declaro aqui o meu mais profundo respeito e reconhecimento aos professores. Como diria um amigo meu: – Vocês tem o lugar garantido no céu!

Quanto a nós, pais e mães…..senhor, tende piedade de nós.

Silvano – o impossível

Crédito da foto: http://www.sxc.hu/ (stock photos)Image ID: 1189187

15/10/2009

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Coisa de Gordo - 449

08 de outubro de 2009 4

449 – ESCÂNDALO NO PALÁCIO

A gente pensa que este governo YEDA já se meteu em todas as confusões possíveis, já causou todos os constrangimentos cabíveis a si mesmo, aí o dia amanhece e vem outra coisa. Outra história. Outro escândalo.

A fofoca do dia é esta história dos gastos que foram feitos na casa da Governadora, com dinheiro público, e que seriam incorretos. Podem até ser legais. Mas parecem ser imorais. O raciocínio óbvio é dar uma olhada nos governos anteriores e aí vem a frase chavão: – Isso vem de tempos! E por que?

Fala-se que a ala residencial do Palácio Piratini é um verdadeiro mausoléu. Esta é a expressão usada por todos que a ela se referem. E comentam que o último governador que se arriscou a morar ali foi o Alceu Colares. E que neste ato ele mandou fazer um banheiro na suíte do governador, isso mesmo, um simples banheirinho para fazer aquele xixi no meio da madrugada sem ter que acordar a segurança. E o “Negrão” se incomodou com isso, vieram os historiadores, os mantenedores do Patrimônio Histórico e todos os demais chatos de plantão e implicaram com o então governador. Ele não deveria ter feito aquilo. O Júlio de Castilhos usava o urinol, ora pois, prá que fazer um banheiro?

Por força disso e de outras aleivosias, os governadores seguintes não moraram no Palácio. E aí a imaginação do povinho pululou com bobagens que dizem que o Palácio é assombrado, que há gemidos e gritos ao anoitecer e espectros se mostram em noites de tempestade!

Imagino que o Brito, o Olívio, o Rigotto, etc. preferiram ficar nas suas casas para poderem botar ar condicionado split, mudar a TV de lugar e ligar a hidromassagem na banheira sem terem que pedir autorização ao Tribunal de Contas.

Pois bem. A governadora Yeda Crusius mora em sua casa de bairro e também declinou do Palácio para morar. Só que aí teria ordenado/pedido gastos que parecem estranhos à coisa pública. Uma mesinha infantil! Piso para uma garagem. E outras coisas mais. E aí a mídia desanca a mulher governante, e entrevistas são dadas e declarações são exigidas.

Pára o mundo que eu quero descer! A mim mais preocupam os 40 milhões do Detran do que a mesinha da neta da Yeda. Não que eu ache correto, apenas me preocupa que se desvie o foco.

Há um escândalo oficial que se perpetua e aí ninguém comenta. Todos dizem que É LEGAL, e que SEMPRE FOI ASSIM e portanto ninguém questiona. Nesse nosso Estado bagual, todo ex-governador tem direito a uma pensão vitalícia em torno de 19 mil reais mensais! E se quiser, tem também um pequeno aparato oficial ao seu dispor, desde uns PMs na porta de casa até motorista e ordenança. Tudo isso com o SEU DINHEIRO, caro(a) leitor(a).

Como somos um estado saudável, de longa expectativa de vida, tem um monte de ex-governadores vivos, senão vejamos: Amaral de Souza, Pedro Simon, Germano Rigotto, Antônio Brito, Alceu Colares, Olívio Dutra e um caso especial. Toda essa gente ganha esse salariozinho todo mês, sem fazer nada! O caso especial que citei é o da namorada do Brizola. Isso mesmo. Na partilha de bens quando da morte do Brizola, a moça que era sua companheira, sua namorada, abriu mão de fazendas, carros e tudo o mais, escolhendo ficar APENAS com a pensão do ex-governador! E o povo gaúcho paga por  isso. Pensão prá namorada! E nós nos julgávamos um povo politizado! Rá, rá, rá…

Enfim, lidar com a coisa pública é de fato complicado. Há que se pisar em ovos constantemente. Imagino uma situação das mais impossíveis, na qual eu fosse guindado ao cargo de Governador do Rio Grande do Sul. Já pensou? Pois pense comigo.

Num belo dia algum auditor, algum fiscal, algum deputado do PT (com certeza) descobriria uma série de despesas estapafúrdias do “Governo Silvano”. E aí, para gáudio da mídia, listariam os absurdos por mim cometidos na gestão da coisa pública.

1) Cinqüenta latas de Leite Condensado por mês, ao longo de três anos ininterruptos. E não seria para  a cozinha do Palácio, seria despesa para consumo íntimo, consumo pessoal! Que escândalo – diriam – que barbárie – outros bradariam. Ora, eu responderia, quem mandou elegerem um gordo para o Palácio?

2) Dez mantas de charque gaúcho por mês. O curioso é que na licitação constaria que as peças deveriam ser sequinhas, bem sequinhas, e egressas da região de Dom Pedrito, Bagé, no máximo teriam que vir do Alegrete! Na hora de depor na CPI eu levaria lascas do referido produto e serviria aos deputados, culminando com Arroz Carreteiro de Charque, que eu faria ali mesmo, diante da mesa de depoimentos. O banquete seria farto e duvido que após um prato desse carreteiro de charque algum deputado pensasse em me condenar.

3) Uma jamanta de Coca-light por mês, para a ala residencial do Palácio. Mais gritaria do pessoal do PT, que reclamaria das multinacionais!

4) Dez taças de Salada de Fruta com Sorvete da Banca 40 do Mercado Público. Diariamente! Comer frutas é saudável…tão pensando o quê?

E assim por diante…

Portanto, você pôde perceber a temeridade que seria elevar-me a tal posto diretivo em nosso Estado. Fiquemos “apenas” com o Detran, os Bingos, o Mensalão e outras coisas que, como citei, “sempre foram assim”!

Silvano – o impossível e inelegível

Crédito da foto: Silvano Marques

QUASE SEM QUERER..

…estava em casa e ouvi o canto de uns sabiás. Tomei da máquina fotográfica e me postei. Aí percebi uma movimentação estranha dentro de um pinheiro. Ué, mas parece alguma coisa azul.. Não são os sabiás. Os sabiás foram embora com seu alarido e então apareceu, de dentro da ramagem do tal pinheiro, esse belo pássaro azul. Que bicho será esse? O formato, a anatomia, lembra esses reles pardais que andam por aí. Mas essa cor azul…

Valeu a tarde! Bonito passarinho.

Você conhece? Mande o nome!

Silvano

Crédito das fotos: Silvano Marques

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Remexendo o Baú - 02

01 de outubro de 2009 0

Este post é de dezembro de 2000. Mas sempre se faz necessário.

Enjoy it.

002 – Comendo Caroço de Manga

Duvido que em algum desses compêndios de boas maneiras escritos pela Célia Ribeiro ou pela Danusa Leão haja algum tópico que dê à manga o seu real valor. O que muito nos infelicita!

Estou falando da MANGA, aquela fruta que dá numa árvore chamada Mangueira que até deu nome para Escola de Samba no Rio.

Seja ela de que variedade for, seja manga-espada, seja manga-rosa (a mais popular), seu sabor e sua textura são coisas realmente difíceis de igualar.

Na verdade, pode-se mesmo dizer que nada substitui uma manga. Claro que a estamos imaginando em condições favoráveis. Limpa, madura, colocada na geladeira cerca de duas horas antes, já descascada!

Mas até aqui nada de novo estou falando, e por certo as escritoras supracitadas até devem ter feito menção ao prato onde se come uma boa manga, o talher certo, a posição dos pés na hora de cortar a fruta. O que faz falta a esses compêndios todos são as instruções a respeito de como se deliciar com o caroço de uma manga que já foi supostamente comida. Já foi abusada! Já foi molestada! Sim, este o cerne de toda essa questão!

Até o ponto co caroço todos sabem comer a manga. A partir daí surge o desafio! Como se faz para comer uma manga quando se chega ao caroço?

As especialistas comodamente orientam que só se deve comer até o ponto em que se pode usar talher! Seria quase uma omissão de parte delas! Na verdade a sua delicadeza e o seu refinamento não lhes permitem ir adiante

Só que o melhor está por vir!

Assim, amigo(a), tomo a liberdade de delinear nas linhas abaixo algumas diretrizes gerais no que tange ao consumo de um caroço de manga. Vejamos:

1) em primeiro lugar, não se come manga em qualquer casa! Para se comer um belo caroço de manga, há que se estar na própria casa, ou na de pessoa bem próxima a nós! Casa da mãe ou da sogra, no máximo! Comer o caroço de uma manga na casa de um amigo denotaria uma intimidade descomunal por parte do comedor com os donos da casa. Um troço quase que ao nível de se fazer xixi de porta aberta!

2) em seguida, certifique-se de que você não será interrompido enquanto degusta essa fruta tão sensacional! Oriente os presentes a desviarem telefonemas, atenderem a porta evasivamente, desconversarem qualquer tentativa de aproximação. Imagine-se você, abocanhando um caroço de manga, aquele fiozinho de líquido já quase escorrendo pelo seu pescoço, e aí….adentra o recinto o seu psiquiatra!!! Ou o Olívio Dutra. Que constrangimento!

3) escolha a roupa certa! Como alertei no item anterior, é quase que certo que um fio, um pequeno filete de suco da fruta, vai escorrer pelo seu pescoço, provavelmente manchando sua roupa. Nada de smokings , ou vestidos de gala, ou ternos alinhados. Nada de mangas compridas com abotoaduras! Aliás, quem usa abotoadura em camisa nunca deve ter comido manga! Assim, esteja bem à vontade, camisa leve, mini-blusa se for mulher, braços soltos, mãos livres.

4) garanta um mínimo de tranqüilidade à sua volta. Dizem alguns que chupar um caroço de manga é uma coisa que pode levar uma pessoa até o nirvana! Acho difícil que você vá tão longe, mas aprecie o fato que só um caroço de manga pode propiciar. Ao degustá-lo, você quase que sem perceber, começará a fechar seus olhos, palpando o caroço com sua boca e língua, sentindo toda a sua intensidade, a sua textura, o seu sabor! E quando você menos esperar….sim…você estará meditando. Alguns chegam a entrar numa espécie de transe! E gemem, e resfolegam, e se debatem, e quando se dão por conta já o consumiram todo, e olham em volta quase que em desespero, atrás de outro caroço de manga! Sim, é quase como um vício.

5) após o deleite. esteja certo de ter por perto uma pia onde você possa se lavar, lave seu rosto todo. Sim, as pessoas acham que só se suja a boca ao comer caroço de manga. Quem suja só a boca é porque não sabe comer um caroço de manga como se deve! Portanto, lave-se após ter feito o que fez, para poder voltar à civilização como um ser qualquer.

6) por fim, não passe o resto do dia sacudindo a cabeça e murmurando…” mas que manga, meu Deus”…, que alguém pode interpretar de uma forma pornográfica tal afirmação sua! Fique tranqüilo, há mais mangas à venda do que nós conseguiríamos comê-las. Há manga para todos!!

Silvano – o impossível

10/12/2000

Crédito da foto: http://www.sxc.hu/ (stock photos) Image ID: 1114164

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