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CONTO A QUATRO MÃOS

08 de novembro de 2009 0

Fui contar uma história dos tempos de faculdade para uma amiga e ela enlouqueceu. Contei-lhe que naqueles tempos reunimos um grupo de quatro amigos e nos metemos a escrever um conto em conjunto. Um de nós dava a largada, um ou dois parágrafos, aí passava a bola para o seguinte e assim, sucessivamente. Essa minha amiga de agora, CÁSSIA, que também se aventura nas páginas da rede com seu blog, gostou da idéia e topou na hora. Fazer o quê? Tive que começar, aí enviei o negócio para ela e aguardei a continuação. Assim, como dizem os paulistas e atendentes de telemarketing, vou estar publicando aqui neste espaço os capítulos dessa nossa empreitada. O primeiro é meu. Logo virá o dela.

Silvano - sempre inventando coisas

CAPÍTULO 01 - Silvano

Ele pegou o sabonete na pia do banheiro e esfregou no dedo, molhando. Precisava tirar aquela aliança logo, duma vez...PRÁ SEMPRE - gritou sozinho dentro de casa. Enquanto lutava para remover a aliança, as lágrimas vertiam sem cerimônia, molhando sua camisa. Fazia calor, talvez o dedo estivesse meio inchado e por isso aquilo era tão difícil. Se precisar eu corto este dedo fora - bradou de novo, para que somente as suas paredes o ouvissem. Mesmo se dando conta de que estava sozinho ele continuava falando de quando em quando, como se quisesse tirar um sarro de si próprio. Como se não bastasse o que estava passando, ele como que saía de si para fazer aquela autocrítica. Auto-piedade. Autocomiseração.

Por fim, a aliança se desprendeu e ele fez menção de jogá-la janela afora. Mas algo o segurou. Algo o impediu.

As lágrimas voltaram fortes e então ele se deu conta de que ao arrancar a aliança de seu dedo ele tirara de sua vida muito mais coisa do que só ouro. Ele meio que tentava exorcizar um passado recente e que, até ali, o fizera feliz. Mas aquilo agora era passado. Saiu a aliança e ele sentiu arrancar de si mesmo lascas de afeto, de carinho, do amor que um dia houve. As lágrimas eram como que um símbolo de seu sofrer, eram sangue emocional a escorrer.

Isso mesmo. Ali, no silêncio de sua casa, ele tinha uma "hemorragia afetiva", ele sentia saírem de si as mais belas páginas de sua existência. Ele estava para morrer.

Lavou as mãos e a aliança. Secou tudo. Pôs a aliança no bolso da calça e suspirou. Ligou a TV da sala e estava no fim do programa do Faustão. Anoiteceu.

(em breve, a continuação desta história)

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