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Posts de dezembro 2009

Coisa de Gordo - 460

26 de dezembro de 2009 0

460 – THE DAY AFTER

Todo mundo senta olhos no Natal, na noite de Natal, nas coisas do Natal, etc e tal (prá não perder a rima), mas poucos falam do verdadeiro dia do Natal, o dia 25, o “day after”.

É uma coisa bem maluca essa. Minha guria me perguntou quando era a data natalícia, o tal do aniversário de Jesus, ao que lhe respondi que era no dia 25. Logo em seguida ela me retrucou então: – Mas por que fazemos tudo no dia 24?

Pois é…

Respondi que isso se deve à ansiedade das pessoas que, repletas de presentes e panetones, não se agüentam até o dia seguinte. Munidas de tantos pacotes, não concebem dormir sem abrir aquela presentama toda. E já que aquela cerveja tava ali, e aquele pratão de rabanadas também estava, acabam comendo e bebendo no dia anterior.

A guria não parece ter se satisfeito com o que falei.

Abstraindo do fato de que é apenas uma data combinada, abstraindo do fato da religiosidade como um todo, há um fato inexorável: – tudo se dá no dia vinte e quatro! Ponto final!

A coisa funciona como numa ópera, uma encenação. Você vinha se controlando na dieta, maneirando nos carbohidratos, bebia só refri light, até que chegou na casa materna (ou da sogra) para a noite do Natal. Após tantos meses de autocontrole, de caminhadas em dia de chuva, de academia às onze da noite, você se vê pequeno diante de um prato de Rabanadas. Você se achava determinado, mas ali, diante daquele Lombo de Porco fatiado, você se apequenou. Se diminuiu. Sua convicção virou pó.

Sim, amigo(a), você se atracou a comer e a beber. Afinal, naquela sua estranha lógica auto-destrutiva….era Natal. E o seu papel nessa pantomima era justamente esse: – comer tudo e mais um pouco. Beber todas. E você executou bem a sua parte.

Viremos a página agora e falemos, portanto, do dia seguinte. O casal com o tempo convenciona uma série de coisas, desde posições na cama até canais de TV preferidos. Na esteira desse processo, alguns combinam então que o Natal será na casa da mãe e o Ano Novo na casa da sogra. Falo assim pois na maioria dos casos o pai e o sogro já morreram. Via de regra, portanto, após o grupo ter se empanturrado numa das casas, no dia seguinte soca os presentes todos no carro e vai para a casa oposta. Onde vai amealhar mais presentes, mais comida e mais bebida.

Você ainda tem na boca o gosto do panetone, suas mãos ainda estão ressentidas de carregar o engradado de cerveja, e você já está usando aquela blusa nova recém ganha na noite passada. Aí você vislumbra a mesa novamente posta. Os pratos o chamam. Os copos lhe suplicam. As garrafas o perturbam. Você mudou de casa, mas o ar de banquete permanece. Há lascas de Chester sobre a mesa. Há Farofa requentada. A bebida está ainda mais gelada, sim, a noite no freezer foi favorável. Ainda meio enjoado(a), sem saber porque e nem prá quê, você se pega de novo comendo e bebendo com ira, com raiva, com exagero.

No final do dia 25, meio estupefato(a), você sente o corpo pesado, parece que um trem o(a) atropelou, não tem água mineral que dilua tanta toxina ingerida. Mas você sobreviveu.

Sim, amanhã será outro dia e você sobreviveu.

O mais impressionante nisso tudo é que exatamente uma semana depois você vai fazer isso tudo de novo, na festa do reveillon.

Incrível o que a gente faz com o próprio corpo!!

Enfim, este parece ser o Espírito de Natal. Ou será que estou exagerando? Me passa uma fatia de abacaxi, daquelas que estão ao redor do porco assado…que loucura.

Silvano – obnubilado

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Coisa de Gordo - 459

21 de dezembro de 2009 0

459 – QUERIDO PAPAI NOEL

Mais um ano se passou e nem sequer ouvi falar seu nome. Sim, meu caro e bom velhinho, tive que lançar mão da primeira frase de uma música de um artista de nome CASSIANO para começar a falar com você. Isso mesmo, um ano se foi e nada de atender meus pedidos.

Se bem nos lembramos, era o mês de dezembro de 2008 e eu lhe pedi encarecidamente três coisas. Perceba que eu o coloquei ao mesmo nível de um gênio, daqueles que se acham dentro de garrafas na praia. O gênio quando sai da garrafa se dirige ao seu novo “amo” dando-lhe a possibilidade de três desejos.

No meu singelo caso, caro Papai Noel, não foram bem desejos, foram apenas três pedidos, rogativas, quase que uma tríplice súplica. Uau, essas duas palavras seguidas parecem exercícios de Fonoaudiologia. Duas proparoxítonas seguidas. Pois é isso mesmo. Foi uma tríplice súplica. Não uma tétrica prática. Nem uma cândida fórmula.

Calma, Papai Noel, não desista de mim, juro que paro com os devaneios.

Pedi ao senhor, lá naquele quente e abafado dezembro essas três coisas. Bem verdade que agora está mais quente e mais abafado, afinal o Lula, o Obama e o resto dos líderes mundiais não conseguiram assinar o acordo para controlar o aquecimento global. Portanto, sim, tá mais quente e mais abafado.

Vamos aos três pedidos:

- pedi que um, apenas UM político corrupto fosse condenado e preso no Brasil.

- pedi que meus saldos bancários virassem o novo ano no azul e não no vermelho.

- e por fim pedi que meu peso se situasse numa faixa onde meu IMC ficasse mais aceitável. Bem, não ficou claro, deixa ver, pedi que meu peso estivesse mais adequado ao padrões vigentes dentro das normas de convívio social do mundo ocidental. Puxa, ainda não deu né…..porra, Papai Noel, pedi que meu peso baixasse dos cem quilos, cacete!

Sentemos olhos em cada um dos casos citados. E antes me deixe aliviá-lo, meu bom velhinho. Perceba que não pedi computadores e celulares mirabolantes. Nada de carros importados ou férias em Aruba. Sequer pedi uma janta na Churrascaria Schneider, de Porto Alegre. Não. Me contive em apenas três pequenas coisas. Vamos ao escrutínio delas.

UM POLÍTICO CORRUPTO CONDENADO E PRESO NO BRASIL: cara, meu bom homem das barbas brancas, a mim bastava um Zé Dirceu qualquer. Um Sarney. Um Silvinho qualquer. Se fosse o Lula, o chefe deles, melhor ainda. Mas nem especifiquei. Pedi UM, qualquer um. Podia ser o Elói Braz Sessim de Tramandaí. Ou o José Otávio Germano. Ou o Diógenes do clube da cidadania do PT gaúcho. Podia ser a Roseana, o Jader Barbalho, o Maluf, o Orestes Quércia, cara de Deus…eu me contentava até com o Genuíno. Mas não, Papai Noel. Todos eles estão soltos, caminhando de manhã, bronzeados, serelepes, ativos, mantém colunas em jornais ou em sites. E riem da nossa cara. Pó, Papai Noel, não era um pedido impossível. Mas o senhor tergiversou e foi alimentar as renas.

SALDO BANCÁRIO NO AZUL: tudo bem, o final do ano passado foi mesmo apertado, gastos aqui e ali, despesas inesperadas, mas pensei ser só uma fase. Isso vai passar – pensei inocentemente. Não passou. Fui dar uma rastreada nos saldos dia desses e, num claro “deja vu”, percebi aterrado que a história se repetia em detalhes. Negativo aqui, negativo ali. E no entanto, Papai Noel, deu na imprensa que há vários funcionários da Assembléia Legislativa Gaúcha que, mesmo demitidos, permaneceram por anos recebendo seus polpudos salários. A eles o mal do negativo não deve estar afetando. Por que, então, Papai Noel, a Assembléia não me deu um desses salários por engano? Por que não fui eu um dos contemplados? Pois é, meu saxônico velhinho, vou adentrar as portas de outro ano novo no negativo. E o senhor limpando a chaminé.

PESO ABAIXO DE CEM: meu caro “Papito” Noel. Sim, quero lhe parecer íntimo para ver se pelo menos esse o senhor dá um jeito. Custava ter providenciado isso? Não pedi uma noite com a Gisele Bundchen nem com a Juliana Paes. E nem com as duas juntas (uau!!). Pedi apenas menos massa corporal! Prá que me mostrar a caminho do Restaurante Copacabana, em Porto Alegre, clássico da noite gaúcha, onde degustamos um Filé imperdível com amigos? Prá que manter a cerveja do Baalbek e toda a sua comida árabe tão deliciosamente no ponto? Precisava deixar os caras lançarem essa lata histórica do Leite Moça? Isso mesmo, a Nestlé em vez de me deixar em paz, se meteu a lançar no mercado essas latas históricas. É óbvio que tive que abrir uma para testar. Limpei o topo da lata, abri aqueles dois pequenos furos, babei quando o líquido amarelado invadiu a superfície metálica, por fim “caí de boca” e vi que o troço continua bom, muito bom, maravilhosamente bom, excelente, demais, demais…. Ou seja, cacete de Papai Noel, o peso não baixou dos três dígitos! E o senhor aí, lustrando as botas.

Enfim, eis mais um Natal, essa festa católica em que gastamos mais do que precisamos, comemos mais do que devemos e bebemos mais do que podemos. Eis aí, caro velhinho de araque, outra chance de o senhor me presentear. Tô botando a meia na lareira da sala. E juro que volto aqui ano que vem prá ver se deu certo.

Então já sabe, são três Pês: um Político, uma Poupança e um Peso. Só isso.

Feliz Natal!

Silvano – herege, sacrílego, terceirizando suas tarefas e “fora da casinha”

Crédito da Foto: Silvano

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Mar de Lama

19 de dezembro de 2009 0

Corrupção, corrupção, corrupção,

eis a trilha sonora de nossa vida de cidadão.

Corrupção federal, estadual, municipal,

……que belo bacanal.

Se você ousar errar uma vírgula no seu Imposto de Renda. Se você se atrever a atrasar o IPVA do seu carro. Se você intentar esquecer uma taxa municipal…a coisa desanda e fica mal. Tudo lhe é trancado, seu nome é complicado, seu carro é recolhido. Por isso a gente vive como vive.

Aí vem essa notícia que nos conta que na Assembléia Legislativa do RGS tem um grupo de vinte e três ex-funcionários (será que são mesmo EX?) que, mesmo já tendo sido exonerados (demitidos), continuaram a receber seus gordos salários. Isso mesmo, gordos salários. Na Assembléia Legislativa do estado bagual não existe salário fraco, baixo, mirrado. É tudo gente graúda. Pois bem, os caras continuaram sendo pagos mensalmente. O caso mais agudo é de um que foi exonerado em 2002 (!!!), e faz sete anos que se locupleta!

Aí eu me pergunto. Ninguém viu nada? A Receita Federal não fiscalizou? O Tesouro Estadual não monitorou? Isso vai ficar assim?

Pelo jeito vai. Escutei os caras dizendo que vão reaver o valores..rá,rá,rá. No exemplo citado, aquele do cara de 2002, ele teria ganho um total de 700 mil reais! Adianta bater na porta dele e dizer: – devolve!? Adianta? Ora, ele vai levar o oficial de justiça até o vaso sanitário de seu belo apartamento e, apontando para a água calma, vai dizer: – Amigo, eu gastei tudo em churrasco, comi tudo e evacuei. Pode procurar por ali…

Mas deixa estar. Nas próximas eleições a gente elege essa mesma catrefa de deputados ladinos e tudo continuará como dantes, no quartel de Abrantes.

Me volta à cabeça sempre aquela musiquinha de minha infância….”este é um país que vai prá frente….”

Verdade, o país vai, mas o povinho…..pobre de nós.

Silvano

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Coisa de Gordo - 458

12 de dezembro de 2009 1

458 – CORRENDO

Adepto da vida ativa nesta fase do ano, em que o horário de verão permite caminhadas e outras coisas aeróbicas mais, ando impressionado com a profusão de corredores que vejo por aí. Isso mesmo, pessoas que se dedicam a correr!

No início era um que outro, depois começou a aumentar o número dos praticantes, agora é quase uma febre. Do alto de minha insignificância física, de meu tosco condicionamento corporal, observo tal onda com admiração, quase que idolatria.

Vez que outra me encontro com um corredor e troco informações. Via de regra, a pessoa fala cerca de meia hora, ao passo que eu, apenas ouvidos, balbucio frases curtas e grunhidos: – “Puxa…meu Deus…mas tu vê só..”

E fico ali admirando a prática! E o praticante.

Essas coisas meio que entram na moda, se bem que já faz alguns anos que eu vinha olhando isso. Haverão de se lembrar alguns que me lêem umas coisas que citei certa feita sobre um amigo nosso, o Augusto, precocemente falecido. Pois o Augusto, bem como sua esposa, era um corredor desses, de ter grupo nos fins-de-semana. Os dois corriam e comentavam aquela coisa da endorfina, o tal neuro-transmissor que inunda a circulação após o exercício e dá um extremo prazer a quem dele se serve. Os caras ficam saudavelmente viciados em endorfina. Pois é, os anos passaram, o Augusto partiu (por causas outras, é óbvio) e a esposa dele permanece (até onde eu soube) nas pistas.

Essas turmas correm nos parques, nas ruas, participam de pequenas competições, vão tomando gosto, começam a entrar em competições maiores, de tal sorte que tem um outro amigo meu que vai passar o reveillon em São Paulo para poder correr a São Silvestre. Mulher e filhos na bagagem, vai ficar três dias na capital paulista. O objetivo do cara é simplesmente concluir a prova.

A mim, do alto da minha balança, de fato só me cabe balbuciar e emitir grunhidos:

- Mas que coisa…bah…como é que pode??..

À medida que vou me interessando sobre o tema, mais gente vai aparecendo. Gente do ramo!

Outro casal de amigos que tenho são bem magros, ágeis e corredores. Ambos médicos. E já têm corrido a Maratona de Porto Alegre, entre outras provas. Uns meses antes da última dessas maratonas ele me contava da longa preparação a que se submetiam, com um personal trainer, meses antes da prova. E dê-lhe treino, dê-lhe condicionamento. Foram bem de prova os dois. As semanas se passam e volta e meia converso com ele, que me é mais próximo, quando fico sabendo das novidades, das rústicas e meias-maratonas. Dos trajes adequados, dos tênis mais apropriados. Impressionante o mercado que gira em torno disso. São roupas, acessórios, cronômetros, monitores, mil coisas voltadas à essa prática desportiva.

Comentei ano passado, quando ainda estava fazendo esteira, que andei me aventurando nas corridas, só que na esteira. Dos trinta minutos que caminhava, fui tirando um pedacinho no final para correr. No primeiro dia caminhei vinte e nove minutos e corri apenas um. Fui aumentando aos poucos. Um mês depois estava caminhando e correndo meio a meio. O que para mim, foi uma coisa digna de nota, quase que um recorde pessoal. Depois de décadas, voltar a correr e conseguir fazê-lo por quinze minutos. Sem parar.

Dia desses, estávamos em mais uma dessas festas de fim-de-ano (aliás, ontem teve duas e hoje tem outra – haja caminhada..) quando conversei com uma parente da Sra Kátia, uma prima dela, jovem mulher de seus cinqüenta anos. Jovem, saudável, alegre, aparentando bem menos idade que isso. Perguntei de uma filha dela ao que me contou que a moça estava ausente da festa por estar participando de uma Corrida Rústica Noturna, na capital gaúcha. Meu Deus, os caras correm até de noite! E aí, para arrematar, a parente essa contou-nos que ela mesma está correndo, participa de um grupo de corredores, está “viciada” na coisa, mais alegre, mais jovem, mais ativa do que nunca.

De fato, o troço parece ser uma epidemia!

Como farei eu para entrar nesse clã, nessa irmandade de lépidos cidadãos? Como adentrarei as portas de seus clubes e agremiações, sendo aceito por seus integrantes sem ressalva, sem ironia? Como poderei eu virar um corredor? – valha-me Deus!

Até o presente momento, a mim, espírita que sou, só ocorre uma resposta: – reencarnando!

Nesse “corpitcho” atual, vai ser difícil!

Silvano – o impossível

Crédito da foto: Stock Photos – ID: 1181363

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Até na Santa Casa..

12 de dezembro de 2009 0

O leitor ALDABE manda esta foto supimpa mostrando o Laboratório Central da Santa Casa de Porto Alegre, com seu “Posto de Colheitas”. Diz o Aldabe:

A nossa Santa Casa (..) resolveu  dedicar-se, pasmem, à agricultura. Tanto é que o novo posto do Laboratório Central é Posto de Colheita, como podem ver na foto. Provavelmente será um lugar da inscrição para candidatos a colher abacaxis, pepinos e abobrinhas que abundam pela aí. A perginta que não quer calar é: – Onde diabos está o Posto de Coleta?

Boa, Aldabe, muito boa!

Silvano

Crédito da foto: C. Aldabe

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"Redassão" curta

12 de dezembro de 2009 1

Nossa leitora TÂNIA manda esta preciosidade de redação. O tema da redação é: O MANO.

“Quando eu tiver um Mano vai se chamar Herrar, porque Herrar é o mano!”

Ai….doeu….


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Coisa de Gordo - 457

03 de dezembro de 2009 3

457 -LOMBARDI

Tem aquela letra do Cazuza que diz que “meus heróis morreram de overdose”. No meu caso alguns estão morrendo não por overdose, mas pelo tempo. Pela vida corrida.

Não pude evitar de lamentar a morte ontem ocorrida no centro do país. Morreu Luiz Lobardi Neto, o famoso LOMBARDI do Programa do Silvio Santos. Impossível falar de um sem citar o outro. Parceiros de caminhada, irmãos de estrada, Lombardi preencheu os ouvidos de toda uma geração de brasileiros que,em algum momento de sua vida, assistiu TV. Sim, apesar de ser o veículo TV, para nós todos o Lombardi era apenas uma voz.

O cara era o locutor do Programa do Silvio Santos e outros ainda. O bordão ficou clássico. O Silvio ia dar um prêmio a alguém e dizia:

- Ela vai ganhar o que, Lombardi?

E aí entrava aquele vozeirão anunciando:

- Um Volkswagen da Vimavi, Silvio.

Sabe-se lá por que, mas foi criada uma aura de mistério ao redor desse afamado locutor. Em toda sua trajetória de mais de quarenta anos de TV, ele nunca se deixou mostrar, nunca quis aparecer, tinha voz, mas não tinha rosto.

Talvez aí resida uma lição de vida a muita gente deste país. Este exercício de humildade. O cara era conhecido em todo país, era uma verdadeira celebridade, seu nome circulava pela boca de velhos, crianças, humoristas, jovens, homens e mulheres e, no entanto, podia passear tranqüilo pelas ruas, ir à praia, ao shopping, sem ser reconhecido. Em sendo uma celebridade, era um anônimo!

Num país em que tantos medíocres dão tudo por um segundo de fama, em que estúpidos e mal-educados participam de reality shows só pela chance de “aparecerem”, a lição do Lombardi é das mais interessantes.

Era conhecido, era famoso, mas podia ter sua vida familiar normalmente. Ir ao cinema, ao clube, à pracinha brincar com um filho ou um neto.

O Lombardi era mais que um mistério. Virou uma lenda. Por inúmeras vezes alguém tentou romper essa barreira por ele levantada, sem nunca conseguir. Virou tarefa de gincana. Virou alvo de entrevistadores, dessa ralé dos programas do tipo “Pânico” que por aí vicejam. Mas nunca foi mostrado.

Numa época surgiu um boato. O Lombardi já teria morrido e o Silvio Santos apenas o ia substituindo por outro com a voz parecida. Ninguém podia confirmar ou desmentir. E ele continuava ali, fazendo sua locução impecável. Com sua voz límpida, forte, inconfundível. O tempo passou e pararam de achar que ele tinha morrido ou que era substituído. Até porque o Silvio Santos ria disso tudo e tocava o programa em frente.

Sim, o Lombardi estava vivo, era apenas um e era sim, uma lenda.

Vendo no noticiário as imagens do velório dele, precocemente falecido aos 69 anos (teria sido infarto), ao ver ali, ao lado do caixão o emocionado Silvio Santos, lembrei-me de uma tragédia que um dia nos atingirá: – O dia que o Silvio Santos morrer, este país pára! Vai ser feriado nacional!

Dentro de sua discrição , o Lombardi não parou o país, apenas deixou ele um pouquinho menos alegre e divertido. E aí o Slvio poderia dizer a Deus:

- E então , Pai dos Céus, o que é que o Lombardi vai ganhar?

E Deus com seu vozeirão diria:

- Ele vai ganhar o paraíso e a eternidade, Silvio.

Que assim seja.

Silvano – ficando velho e nostálgico

Crédito da foto: Lourival Ribeiro – reprodução do site do SBT

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Conto Curto de Noites Quentes

03 de dezembro de 2009 0

O casal conversava na mesa do bar. A mulher não queria mais nada com o homem, estava de saco cheio, vontade de ir embora, nunca mais vê-lo. Então largou suas mãos e disse:

- Você não vai acreditar, mas isso não me importa. Eu estive no futuro e vi tudo que nos aconteceu.

- Futuro? Que conversa é essa?

- Sim, eu estive vinte e cinco anos à frente. Nós começamos a namorar, casamos, fomos morar em São Paulo, você no início até que ganhou bastante dinheiro.

- Ganhei? Como assim – ele balbuciou com a voz trêmula.

- Pare de me interromper e preste atenção. Sim, você ganhou bastante dinheiro com uma idéia de uma empresa de entregas domiciliares. Tivemos um filho , uma filha, e então um dia eles foram seqüestrados. Você não queria pagar o resgate, foi um momento difícil, no fim conseguiu dinheiro emprestado, só que a polícia descobriu que era tudo uma armação sua. Na confusão….nossos filhos foram baleados e morreram. Eu quase enlouqueci, você foi para a cadeia. E então eu consegui uma passagem para vir aqui, ao passado, para arrumar isso tudo.

- Meu Deus do céu – ele disse gaguejando – os nossos pobres filhinhos…eu sou um monstro..

- Isso mesmo. Portanto, tudo acaba aqui, nesta noite, nesta mesa, neste nosso primeiro encontro. Assim, todas essas tragédias serão evitadas. Me desculpe, mas ….ADEUS!

Ele apenas se encolheu em sua cadeira, enquanto olhava a mulher se afastar.

Caminhando a passos largos, ela sorria discretamente enquanto pensava na sua capacidade de criativamente despachar homens dos quais ela não gostava, já no primeiro encontro. Sim, ela estava ficando demais……

Silvano – dezembro de 2009

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Você já viu pé de alcaparra?

03 de dezembro de 2009 7

Sim, aquela pequena gostosurinha que você compra em vidrinhos de conserva no supermercado. E que fica bem em saladas, pizzas. Sobre um salmão, então, não tem quem faça melhor. Pois é, a alcaparra. Estávamos passeando no campo quando minha sogra me contou esta. Ela tinha achado um pé de alcaparra!

O que? Onde está isso – disse eu.

Ela então me conduziu por uma beira de mato, onde me mostrou um arbusto lindo, esverdeado, de um verde claro, com flores alaranjadas. Ali, nas flores, pequenos frutinhos. Sim, conheci um pé de alcaparra.

As fotos ilustram o que estou descrevendo. Pensou que dava na terra? Ou em árvore? Nada disso. Da no pé, um pequeno arbusto florido.

Silvano – zelando pela sua cultura inútil

Crédito das fotos: Silvano

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