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Posts de janeiro 2010

Coisa de Gordo - 465

28 de janeiro de 2010 4

465 – PERNA, PRÁ QUE TE QUERO?

A mídia tem esse poder de trazer à pauta do dia eventuais bobagens do cotidiano. Por força disso, o Paulo Sant’Ana na sua coluna da Zero Hora foi falar da grossura da perna das mulheres. E ali ele sentou lenha no fato das mulheres estarem se vangloriando de suas pernas grossas, etc. Comentou ele que o público masculino não aprecia isso.

Desconheço a fatia de público masculino à qual o Sant’Ana se referia, mas a impressão que tenho é nitidamente oposta. Levando em conta a opinião da maioria dos homens com quem converso, ouso aqui afirmar que há uma clara preferência masculina por mulheres de pernas fortes, arrojadas, grossas sim. Pernas com material palpável, pernas roliças, exuberantes, pernas esbranquiçadas, pernas bronzeadas, mas acima de tudo…pernas.

Bastou ele publicar sua esdrúxula opinião para haver uma grita geral, com direito a matérias em tom de resposta, inclusive esta foto aqui colocada, que extraí da Zero Hora de ontem. Logo abaixo da foto dizia “esta é para ti, Sant’Ana”. E ali se via um grupo de mulheres de uma mesma família, de várias gerações, exibindo suas coxas grossas, fortes, torneadas.

Vamos subir um pouquinho o nível da discussão. Não tem nada mais machista e que mais irrite as feministas do que este tipo de discussão. O homem chauvinista, aqui representado pelo Sant’Ana, esquece que a mulher tem pensamentos, sentimentos, cabeça, raciocínio, estudo…para se deter nas suas nuances meramente físicas. Dane-se sua formação cultural, esqueça-se do fato de que ela cria três filhos e administra uma casa, além de trabalhar fora. Abstraia-se do fato de que ela tem uma longa caminhada afetiva de perdas e ganhos (como diria a Lya Luft). Mirem-se apenas…..as coxas da mulher. Interessa o tamanho das coxas, a sua grossura, a medida, a fita métrica colocada ali, naquele território sagrado (como diria o David Coimbra), para fins de comparação. Quem tem mais ou menos coxa? Você aí, baixe sua calça, ou levante sua saia que queremos lascar a fita métrica nas suas coxas, para classificá-la, padronizá-la, rotulá-la. Queremos saber se você, mulher tem muita, pouca ou nenhuma perna.

Não que isso tenha algum significado maior, mas de minha singela parte, exponho aqui minha tosca opinião. Neste quesito, a se considerar apenas a veste física feminina (seu corpo), admiro as mulheres de pernas grossas, sim, pernas fortes, volumosas. Pernas que ocupem espaço. Mas isso fica menor diante de outras nuances oferecidas pela figura feminina em nossas vidas.

Ademais, os homens desconhecem o alvo das mulheres quando se moldam, quando se pintam, quando se arrumam. Em texto antigo creio já ter descrito as quatro fases pelas quais passa o homem acerca desse assunto. São elas:

FASE 1: ELA SE ARRUMA PARA MIM: o jovem enamorado acredita piamente que aquilo tudo é para ele, que todas as horas no salão de beleza, as toneladas de creme hidratante, a ginástica facial e as noites na academia lhe eram destinadas. Não eram! Erro de adolescente. Foi mal, garotão.

FASE 2: ELA SE ARRUMA PARA ELA MESMA: sim, o objetivo da amada seria retocar a auto-imagem, melhorar seu próprio conceito, reforçar o ID, o EGO, o SUPEREGO e todas as outras baboseiras psicanalíticas relacionadas. Novo erro. Não adiantou você se instruir um pouquinho, ler livros da Feira de Porto Alegre e ir beber no Bar do Beto. Novamente você se enganou. Foi mal, adulto jovem.

FASE 3: ELA SE ARRUMA PARA OS OUTROS HOMENS: ah, bandida. Eu sempre soube. O negócio era para atiçar a concorrência. Incendiar a “homarada”. Perfume disso, água daquilo, nutrientes ortomoleculares, meditação à luz da lua. Tudo para se mostrar aos outros homens. Tudo isso você pensou. Calma, mister ciumento, muita calma. Você errou de novo! Foi mal, adulto grudento.

FASE 4: ELA SE ARRUMA PARA AS OUTRAS MULHERES: enfim, após anos de escuridão, você adentrou a luz do esclarecimento. Percebeu que o que mais instiga uma mulher, o que mais a estimula o que a faz iniciar dietas, o que a joga deitada nas mesas cirúrgicas da lipoaspiração é uma entidade que passa bem longe de você, seu insignificante. O que a move nisso tudo é o que vão achar as outras mulheres! Após anos de convívio, já arranquei aqui e ali confissões vexadas de mulheres que enfim admitiram isso. O seu alvo, o seu móvel, são as outras mulheres. Isso as eleva às alturas da glória (nossa, como você emagreceu!!) e as rebaixa aos porões do fracasso (você tá grávida, querida? Não? Ah, mas parece que tá..).

Voltando ao assunto das coxas, sejam finas ou grossas. Saiba você, homem de qualquer fase, que elas tão se lixando prô Paulo Sant’Ana, prá mim e todo o resto do time masculino. O que lhes dá a diretriz são as outras, são as outras.

Silvano – o impossível

Crédito da foto: Mauro Vieira – Zero Hora

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PARA QUEM VAI A TORRES

22 de janeiro de 2010 1

Se você vai a Torres, aquela que é considerada a mais bela praia do litoral gaúcho, deixo aqui uma Dica de Gordo para você se deliciar. A orla toda de Torres tem um lindo calçadão, bom para caminhadas, corridas, etc. Indo por esse trajeto, lá na ponta, quase chegando ao Rio Mampituba, existe a Pousada Punta Serena. Deliciosa.

Pois os caras têm também um Restaurante que é aberto ao público em geral. Neste Restaurante, pedimos por um delicioso lanche. Trata-se do WRAP, que eu denominaria de “uma panqueca aumentada”.

Eles oferecem alguns sabores, mas nós pedimos o de Frango e o de Rosbife.

Deliciosos, suculentos, lindos na apresentação dos pratos (confira as fotos).

Para completar a delícia, o preço: – em torno de 10,00!

Tá esperando o quê?

Vá para Torres agora!

Silvano – itinerante

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Coisa de Gordo - 464

21 de janeiro de 2010 2

464 – UM RESENDE PURO

Após um longo tempo de silêncio, saiu de penumbra o escritor gaúcho Antônio Carlos Resende, com a publicação deste seu último romance de nome ROUBAI-VOS UNS AOS OUTROS. Livro instigante, ágil, tenso, triste, pesado. Enfim, um Resende puro. Sem gelo nem água mineral.

A narrativa dele é ágil, rápida, ofegante. E o livro traz muito da vida do próprio autor, na sua fase atual. Digo isso pois escutei entrevista dele no Sala de Redação (da Rádio Gaúcha) onde contou estar com 80 anos e deu várias pistas do livro. E nessa entrevista ele mostrou-se agitado, ofegante, quase raivoso como o personagem Heleno, do livro. Heleno é um cara de 80 anos, viciado em jogo, que viu suas coisas, sua mulher, seus filhos, sua família irem embora por causa do jogo. E mesmo assim continua jogando!

O texto nos leva a uma espécie de pesadelo, do qual não se consegue acordar. E imerso nessa triste realidade (o vício no jogo), Heleno olha as pessoas “normais”  como se estivessem num aquário, numa redoma, como se não vivessem a vida de verdade. A ele Heleno pertence o viver ao máximo. O resto…é o resto.

Seus amigos de vida vão sucumbindo diante dos anos, os problemas de saúde aparecem, as tragédias se sucedem. E ele volta à mesa de jogo.

Na citada entrevista ao vivo, ele falava forte, dava tiradas duras, num certo momento foi quase grosseiro com os entrevistadores. Assim é o Resende. E assim são os seus livros. Interessantes, fortes, mas nos irritam eventualmente. E a gente se irrita por se identificar aqui e ali com algum personagem. E por nos darmos conta de que, assim como eles, nós também nos entregamos às frivolidades, também perdemos as batalhas, também somos derrotados pelos excessos, pelos absurdos, pela nossa própria imobilidade.

Tem um outro livro dele de 1988 chamado IGUAL A TI SÓ NO INFERNO, no qual a gente tinha vontade de sapatear em cima do livro. O personagem principal era feito de gato e sapato por uma mulher e ia até o fim do livro babando por ela e se submetendo ao mau trato. O título do livro era perfeitamente adequado. Só no inferno!

Pois o Resende volta com algo parecido. Diálogos curtos, secos, profundos.

E que nos perpassam a mesma impressão de outra entrevista recente dele, desta vez na REVISTA PRESS. Ali, ele fala de tudo e de todos, não poupando ninguém de seu olhar ácido e de suas palavras amargas.

Esta é a síntese de Heleno, o personagem deste ROUBAI-VOS UNS AOS OUTROS.

Boa leitura, diversão garantida. Uma pequena dose de irritação. Uma história envolvente.

Eu não perderia esta chance!

Silvano – o impossível

Crédito das fotos: capas dos livros reproduzidas do site da LP & M editores e foto do Resende reproduzida da Revista Press, de autoria de Itamar Aguiar

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Vão prô raio que os parta!!

21 de janeiro de 2010 0

Esse primeiro mundo…só rindo prá não se incomodar. Em alguns canais da SKY (Warner e outros) tem passado uma Campanha duma instituição encontrável no site teamearth.com com a voz e às vezes imagens do Harrison Ford. Numa dos filmes ele fala em nos juntarmos para salvar a Terra, em cuidar dos macaquinhos da Malásia e do tigre do cafundó do Judas. E aí encerra a fala dizendo que juntos podemos fazer coisas grandiosas. Noutro filme ele aparece de peito exposto, peito cabeludo, aí uma mulher tasca-lhe uma cera de depilação e arranca uma roda de pelos, no muque. Ele faz uma cara de dor e diz que cada vez que desmatamos a Amazônia, o mundo sente algo sendo arrancado de seu peito.

Esse primeiro mundo…

O protocolo de Kioto (ou Quioto) não foi nem será assinado pelos maiores poluidores do planeta, os EUA. Dá para acreditar nisso? Um país de 200 milhões de habitantes consegue poluir mais que a China (segundo colocado) que tem 1 bilhão e 700 milhões. Aí eles vão nas reuniões dos líderes mundiais e não assinam nada, não se comprometem a nada e então eu ligo a TV e vejo o peito cabeludo do Harrison Ford tentando me sensibilizar. Harrison Ford….tu e os teus….vão prô raio que os parta. Nós vamos botar fogo na mata e jogar todo lixo plástico na costa americana.

Peito cabeludo…..

Silvano – indignado

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Ainda o Haiti

17 de janeiro de 2010 0

Depois de alguma polêmica e outras pauladas mais acerca  daquele assunto do Haiti, um leitor educadamente enviou um trecho que julgou relacionado ao assunto. O nome dele? EDIMILSON. Olha, Edimilson, ….matou a pau. Silvano

Silvano, depois de postar um comentário no teu Blog, me lembrei de um trecho de um poema de um escritor inglês que diz:

“Nenhum homem é uma ilha,

completa em si mesma;

todo homem é um pedaço do continente,

uma parte da terra firme.

Se um torrão de terra for levado pelo mar,

a Europa fica menor,

como se tivesse perdido um promontório,

ou perdido o solar de um teu amigo,

ou o teu próprio.

A morte de qualquer homem diminui a mim,

porque na humanidade me encontro envolvido;

por isso, nunca mandes indagar

por quem os sinos dobram: – Eles dobram por ti.”

Acho que isso conclui aquele meu comentário.

Abraços, amigo.

Edimilson

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Teatro Espírita

16 de janeiro de 2010 0

Um amigo me enviou a dica e não pude deixar de repassar. Mas também..o filho dele é um dos atores da peça. Trata-se do espetáculo teatral chamado UMA VOVÓ NO ALÉM. O ator citado é o Eduardo Camargo mas além dele ainda atuam Allex Manzônia, Andrey Pretto, Christine de Oliveira, Éverton Farias, Juliana Pretto, Lesiane Moratho e Melissa Monteiro. Esta peça faz parte do PORTO VERÃO ALEGRE, e vai estar em cartaz de 29 de janeiro a 07 de fevereiro, de terça a quinta, na Cia de Arte, rua da Praia, número 1780, em Porto Alegre. Escrito e dirigido por Luis Carlos Pretto. Confira abaixo o link para o HAGAH,falando sobre isso.

Silvano – a serviço da arte

Confira em: http://guiadasemana.hagah.com.br/Porto_Alegre/Musica_e_Artes/Evento/Uma_Vovo_no_Alem_11_Porto_Verao_Alegre.aspx?ID=60391

Foto do cartaz: reprodução


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Coisa de Gordo - 463

14 de janeiro de 2010 9

463 – O HAITI É AQUI

Sim, haverei de despertar a ira da patrulha ideológica ao escrever isso mas ando deveras indignado com o governo brasileiro e nós. Nós os brasileiros. E aí não falo do Lula, do PT ou do raio que os parta, falo dessa entidade anônima, pesada e inoperante chamada governo federal.

O Haiti é um pequeno paraíso caribenho, uma meia ilha situada no mais belo mar do  planeta. Entregasse aquilo ao prefeito de Gramado e seria o principal ponto turístico da Terra. Mas não. O povo de lá, subjugado por ditaduras, não consegue brincar de país, de cidadania, não consegue existir como nação. Diante disso, a nossa Pátria mãe gentil envia para lá uma leva de soldados e tudo que decorre disso. Comandos, equipamentos, etc. E esse gloriosos brasileiros ficam por lá, mantendo a ordem que os nativos não conseguem manter. Até quando?

Nunca uma coisa é tão ruim que não possa ficar pior e então Deus desceu dos céus e lascou um baita terremoto naquela região. O irônico é que o Haiti é só metade de uma ilha e foi exatamente nessa metade que a coisa se deu. Do lado da República Dominicana, nem uma poeira levantou.

Logo que ocorreu o cataclismo, o governo brasileiro acorreu em socorro das vítimas, anunciando o envio imediato de QUINZE MILHÕES DE DÓLARES, mais aviões, remédios, equipes de socorro e até ministros! Nunca vi disso! Uma catástrofe acontece num país distante e nossos ministros vão lá para resolver.

Algo parece estar fora da ordem, fora da nova ordem mundial…diria o Caetano Veloso. Eu não entendo mais nada.

Ano passado os agricultores gaúchos penaram diante de cheias e secas, isso mesmo, um vaivém total que destruiu as plantações. Passado um ano, o governo federal, aquele mesmo que está lá no Haiti, mandou minguado milhão e meio de reais, anunciando que não vai mandar muito mais que isso. Agora, recentemente, a cidade de Agudo foi varrida por uma enchente, ponte destruída, gente morta, gente desalojada. Esperem eles por mais de um ano para ver alguma ajuda do governo federal.

É isso que me intriga. Os brasileiros estão num segundo plano aos olhos do governo federal, as nossas tragédias caem na vala comum da burocracia nacional, quando então o governo só libera verba de salvação com mais de um ano de atraso, e tranca tudo, alegando falta disso, falta daquilo. Morram os brasileiros. Afundem nas avalanches. Não somos prioridade aos olhos de nosso próprio governo.

Esta força militar que está lá longe poderia muito bem estar guarnecendo as fronteiras da Amazônia evitando o assédio das FARC nas nossas matas. Poderia estar reforçando a fronteira com o Paraguai, verdadeira ferida, cancro pútrido que sangra a indústria nacional com contrabando, tráfico de armas e falsificações. Poderia enfim estar a serviço dos brasileiros e não dos haitianos.

As Nações Unidas querem permanecer por lá? Já fizemos a nossa parte com folga. Mandem as nossas tropas de volta e chamem outro país. E além do mais, cabe uma pergunta: – Esse povinho caribenho não vai se organizar nunca? Nunca vai virar gente? Nunca vai ser uma nação? E o que nós temos a ver com isso, especificamente?

Certo, certo, lá virão as patrulhas do PT, dizendo que o Brasil tem que se situar bem no cenário mundial, ocupando espaços de atuação, exercendo influência. Grande coisa! A que preço isso está se dando? Pergunte aos familiares desses militares mortos lá se concordam com tal situação. Terem seus filhos, maridos, pais, mortos a serviço de….haitianos!

Enfim, solidarizo-me com os miseráveis do Haiti, apenas julgo que quem os deve ajudar são os ricos do G-7, e não nós, os esfarrapados da Favela da Maré.

E já cantava o João Bosco:

“..a blitz ali na frente diz que aqui a onda

ta mais prô Haiti do que prô Havaí.

Se as coisas nos reduzem simplesmente a nada

Do nada simplesmente temos que partir.”

Lula, Lula…escutai a nossa prece.

Silvano – o impossível

Crédito da foto: Orlando Barria – EFE – retirada do CLICRBS

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Coisa de Gordo - 462

07 de janeiro de 2010 4

462 – MOLHO VINAGRETE

Tem umas coisas na arte culinária que se perdem na passagem do tempo, pela sua simplicidade, sua singeleza. O povinho consumista às vezes prefere molho da rúcula com tomate seco, em detrimento de certos clássicos. Não que não goste de rúcula com tomate seco. Adoro. Mas de vez em quando deve-se beber da fonte da boa mesa, aquela fonte que colore nossa alimentação com gostos, temperos e cores insuperáveis.

Quando entra em uma Churrascaria você o vê mas raramente se serve dele. Falo do Molho Vinagrete, aquela misturinha simples e marcante. O primeiro raciocínio que lhe ocorre é que vai dar gosto de cebola, bafo de cebola e assim você de cara já desiste dele. O que é uma pena.

Logo que passei a freqüentar a casa da sogra, anos atrás, percebi que em certos almoços festivos eles preparavam o tal molho vinagrete, sendo que todos na mesa disputavam seu sabor. Passa o molho daí…devolve o molho prá cá…eram as falas freqüentes durante tais refeições. Já gostava dessa rústica iguaria, ali apenas encontrei guarida a um gosto pessoal.

Há várias receitas de preparo, mas todas giram em torno disso.

Ingredientes:

½ xícara de chá de vinagre

1 xícara de chá de azeite

2 tomates
1 cebola grande

Cheiro verde e sal a gosto

Preparo:

Corte bem miúdo os tomates, a cebola e o cheiro verde. Coloque numa vasilha acrescentando o azeite e o vinagre. Espere ao menos 2 horas para o gosto pegar bem. Algumas receitas mandam acrescentar ainda uma xícara de água.

Ingredientes alternativos (algumas receitas têm, outras não):

1 colher de sopa de cebolinha picada

1 colher de sopa de salsa picada

1 pimentão verde picado

Seja como for, este Molho é uma preciosidade no degustar dos alimentos. Ele serve de contraponto, de balanço. No centro do país parece que acompanha churrasco. Uma vez assada a carne, você coloca aquela fatia no seu prato e antes de degustá-la a recobre com o Molho Vinagrete. Pode ser, pode ser. Mas ele acompanha bem tudo que você imaginar. Nestes festejos de virada de ano, minha sogra me surpreendeu nas duas noites (Natal e Ano-Novo). Em ambas ela fez um delicioso Molho Vinagrete que deu show nas fatias de Chester, de Tender, de Lombo de Porco, na Farofa, no fim eu tava comendo o troço quase que puro!

Enfim, dispa-se desse seu preconceito ocidental, arranque de sobre si essa máscara de civilidade, largue dessa sua postura afetada de bom (boa) moço(moça) e se atraque de boca no Vinagrete.

Ligue, não. Uma noite bem dormida e Creme Dental vão resolver aquele seu receio de derrubar o porteiro do prédio com bafo de cebola. Vai que é tua, Cebolão….

Silvano – o impossível

Crédito da foto: Silvano Marques

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Pica-pau

07 de janeiro de 2010 0

Você já deve ter percebido minha simpatia pelos pássaros, volta e meia tô clicando algum. Pois surpresas acontecem. Estávamos em casa de parentes em Porto Alegre quando tenho minha atenção chamada por um PICA-PAU! Cara, fazia uns anos que não via um tão de perto. Sim, trata-se do bicho aquele que é herói de desenho animado com seu bico furador de madeira. Se restasse alguma dúvida, esta foto esclareceria na hora. Nessa posição, inclinado sobre o tronco da árvore, só podia ser um Pica-pau. E claro que ele mandou ver na árvore enquanto eu o fotografava.

Fala Woody, aqui está o teu irmão brasileiro…

Silvano – ornitologista de meia-tigela

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Coisa de Gordo - 461

03 de janeiro de 2010 0

461 – O AMARGO GOSTO DO REVEILLON

Engraçado isso. A gente liga a TV, ou o rádio, ou abre os jornais da passagem de ano e vê estarrecida uma sucessão de tragédias. Quase que nos acostumamos.

A mais comentada é a tragédia do trânsito. Já no entardecer do primeiro dia das festas as rádios vão dando o placar das mortes no trânsito. Os carro mal pegaram as estradas e começa a contagem. E aí a gente vai acompanhando o suceder das horas com a contagem macabra. Aqui no Estado, o placar até este domingo estava em 31 mortes por assassinato e mais 16 mortes no trânsito até as 15:00h. O mais assustador disso é que nos dias anteriores aos feriados já se comentava a projeção de mortes. Um locutor de rádio imaginava que o trânsito mataria 15 pessoas enquanto outro dizia que não, que dessa vez com certeza passaríamos dos 25 mortos nas estradas! E a festa continua!!..

Quando houve aquela baboseira de Febre Amarela por aqui, o povo em pânico para se vacinar, histeria coletiva, já tinha comentado isso. O povo briga por medo da febre amarela que no Rio Grande do Sul deve ter matado, sei lá, dez pessoas num ano (estou chutando). Pois o trânsito leva o dobro disso a cada feriadão e ninguém faz nada, ninguém entra em pânico, nem pára de beber, nem pára de acelerar!

Mas voltemos às tragédias da virada de ano. Primeiro o clima. Sempre está “frio” no reveillon. Ou chuvoso. Certa feita bolamos uma festa na beira da piscina, com o natural mergulho ao final de tudo. Que mergulho, que nada. Tivemos que puxar um casaquinho e fugir do frio.

Se você forçar a memória perceberá que toda virada de ano é assim. Verá que foi numa dessas ocasiões que se deu a tragédia do Bateau Mouche, aquele barco que virou na Baía da Guanabara e matou celebridades e outras gentes. Foi em reveillons passados que aconteceram enchentes e deslizamentos.

Este ano a notícia da moda é esta da Pousada em Angra dos Reis. Outra virada de ano, outro morticínio. Engraçado é que aquele tipo de cenário sempre me chamou a atenção. Em qualquer praia de verdade que se vá, a gente vê aquilo da mesma maneira. Estou falando praia com montanha por perto, baía, entrâncias e reentrâncias, nada desse areião reto e sem graça aqui das praias gaúchas. Pois bem, o que é que se vê? Uma encosta de montanha, uma fina faixa de areia lá embaixo e invariavelmente alguma edificações. Casinhas de pescadores. Casas de veranistas. Hotéis, pousadas. Estou inventando? Então perceba se não é exatamente isso que se vê ali em Bombinhas (SC) e nas suas vizinhas Canto Grande e Quatro Ilhas. A gente chega ali embasbacado, olha aquele marzão azulado, olha a montanha ao lado e nessa hora eu sempre imaginava: – Essa encosta toda não cai em cima dessas casas quando chove? Pois lá em Angra caiu e matou muita gente. Agora parte-se para a tradicional lista de culpados, os fatores, o vento, o El Nino e o derretimento das geleiras. Ora, eu jamais moraria numa encosta dessas tendo nas costas uma montanha de terra e rochas. Se se vai interditar todas as edificações em situação semelhante….fecha o litoral brasileiro! Tá tudo irregular!

Essa coisa dos fatores causais é meio maluca, às vezes. Certa feita houve um afogamento em praias gaúchas, bem parecido com um que se deu por esses dias na praia de Capão Novo. Uma pessoa foi ao mar em área sem salva-vidas, se afogou e morreu. Nos dias subseqüentes as autoridades enlouqueceram para determinar de quem era a culpa. Uns queriam culpar a Brigada militar por não colocar salva-vidas na guarita em questão. A Brigada Militar se queixava de que a Prefeitura não mantinha a guarita com um mínimo de segurança, o que inviabilizava a colocação de salva-vidas. E teve até quem quisesse culpar os donos de quiosques por venderem cerveja na praia, o que teria causado o afogamento do homem que se foi. Na época pensei:- peraí…será que o culpado não foi o  próprio homem, que entrou no mar após beber e numa área sem salva-vidas? Mas aí me dei conta de que culpar morto não vale. A mídia, as autoridades, querem culpar alguém vivo. E ficam elucubrando em torno das responsabilidades.

De quem é a culpa da tragédia em Angra? Vamos começar por ordem hierárquica: – o mais culpado de tudo é Deus, que criou aquela praia linda daquele jeito. A seguir é São Pedro, que fez chover tudo naquela noite. Depois vêm as pessoas que construíram as edificações ali. Vêm as autoridades que permitiram. Os hóspedes que pagaram pela irregularidade. Enfim….a lista seria interminável.

Na nossa psicologia pervertida, alguém se insinuou em querer culpar os donos da Pousada onde a coisa se deu. Sabe como é…indenizações, etc. Aí apareceu o corpo da filha do proprietário entre as vítimas e se abandonou aquela linha tosca de raciocínio. Agora temos que achar outro culpado. Que horror.

Enfim, as manchetes dessas horas iniciais do ano são sempre assim. Os acidentes rodoviários apenas vêm completar essa verdadeira seqüência de tragédias. O que me deixa assaz intrigado! O calendário é apenas uma convenção humana. O que faz do reveillon essa data tão amaldiçoada? Por que logo na virada? Por que não no natal? Ou no Carnaval?

Buscando o poeta russo Maiakovski:

Não estamos alegres, é certo.

Mas por que razão haveríamos de ficar tristes?

O mar da história…é agitado…..

Silvano – o impossível

Crédito da foto: Gabriel de Paiva do jornal O Globo

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