Da Arte de Pensar Diferente
Neste pequeno exercício de retórica que aqui eventualmente faço, tenho colhido impressões diversas quando em contato com a deliciosa opinião do leitor. As pessoas carinhosamente lêem o que escrevo e vez que outra postam comentários, geralmente criativos, interessantes, amigáveis, pitorescos. Tal retorno é por demais recompensador, poder conhecer a opinião do leitor que nos presenteia com sua leitura.
Uma coisa, no entanto, me intriga nessas horas. Há um tipo de leitor que quando discorda do que escrevo não se contenta em expressar sua opinião contrária. É um tipo que transpõe uma certa linha de civilidade e tece comentários de cunho pessoal em minha direção.
O debate de idéias é algo maravilhoso, poder opinar num tema e colher opiniões e pensamentos diferentes é sempre enriquecedor. O que me causa uma certa apreensão são esses ataques pessoais.
Tempos atrás, uma mulher escreveu em resposta a um texto meu que eu não tinha mãe nem filhos. Noutra feita me chamam de vaidoso. Mais adiante sou adorador do FH.
Essa é outra lógica maluca. Quem eventualmente me lê criticando sua alteza real Lula, o nosso rei viajante, taxa-me de adorador do FH. Sempre relato aos que me perguntam que o governo FHC foi um dos maiores arrecadadores de impostos que já tivemos. O último ato dele no governo, dia 18 de dezembro daquele ano, foi elevar a contribuição obrigatória de nós, os autônomos, para DEZ SALÁRIOS compulsoriamente. A gente podia optar sobre quantos salários recolhia a contribuição mensal, arcando com o recebimento proporcional disso na velhice. O FH não quis saber. Mandou todos para o teto da contribuição e foi festejar o Natal. Detesto governos arrecadadores, sedentos do sangue do contribuinte.
No entanto não adianta explicar a este reduzido grupo de leitores essa lógica. Posso sim criticar o Lula, o FHC e todos governantes injustos que sobre nós lançarem sua mão taxadora. Na cabeça de tais leitores há esse maniqueísmo, se gosto de um tenho que odiar o outro. E vice-versa.
Intriga-me isso, portanto. Essa dificuldade em aceitar que os outros pensem diferente. A esses leitores sempre envio minha saudações citando a clássica frase do Nelson Rodrigues que dizia que “toda unanimidade é burra”. E que pensar diferente areja as mentes, os corações, os governos.
Noto um certo viés esquerdista-totalitário nesses que me botam o dedo na cara. Parece que se contaminam com seus ídolos Fidel e Hugo Chavez, próceres do autoritarismo e arautos da opinião única. Mas não são apenas esses. Já levei sapatadas de gente mais à direita também.
Dá para discordar amigavelmente. No recente post COISA DE GORDO - 468 ousei escrever sobre o Santo Daime e ali recebi vários comentários. Num deles, enviado por Odilon, ele explicita sua total desaprovação ao que escrevi, convida-me educadamente a ler mais sobre o assunto num site específico, dá sua opinião favorável ao uso do chá em questão e encerra o comentário sem me chamar de corno ou canalha, sem falar da conduta moral da minha mãe e sem cuspir no chão e me chamar prá uma briga de socos. Nada disso. Ele apenas educadamente discorda, se despede e vai embora. Contrário a isso, há outras chineladas aludindo a possíveis defeitos pessoais meus, valendo-se daquela estranha lógica stalinista de desqualificar o opositor num debate, sem entrar no campo das idéias. Ofende-se a pessoa e não o que ela pensa.
Humilde diante dessa diversidade de estilos, exercito-me na arte de pensar diferente e aceitar que de mim pensem diferente. Sempre receberei entre humilde e alegre os comentários diferentes. Eles de fato enriquecem meu singelo texto e iluminam a cabeça dos leitores com suas sábias opiniões diversas.
Quanto às chicotadas….há que se criar calo no lombo para se viver em paz.
Silvano - o impossível








