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Coisa de Gordo - 466

07 de fevereiro de 2010 1

466 - Beyoncé, cadê você?

Sim, junto com outras vinte e quatro mil e novecentas e noventa e nove pessoas, desloquei-me á capital catarinense para ver o show da mega-star Gisel Beyoncé Knowles, ou simplesmente BEYONCÉ para sua legião de admiradores. Esses shows para grandes multidões têm umas características que me repelem, mas eventualmente, por algum compromisso familiar, ou outra coisa, vejo-me compelido a ali me fazer presente.

É difícil chegar até o local do show, e o Parque do Planeta, na ilha de Florianópolis, ali perto do trevo de Canasvieiras, não foi diferente. Engarrafamento, calor, filas gigantescas até que se abrissem os portões. Vencida esta fase inicial, entramos no nosso espaço para esperar pelo show. Aí a primeira surpresa. Nossos ingressos eram de PISTA, e então descobri que na nossa frente, havia uma espécie de PISTA GOLD, uma pista mais próxima do palco, que nos rechaçou a nós, pobres mortais, uns cem metros para trás. Resultado disso, a gente chega à segunda característica desses shows.

Pouco se enxerga do palco e do show. Para diminuir este defeito, os caras então colocam telões que repetem e ampliam o que se passa no palco. Mas a gente vê apenas aquelas "formiguinhas" caminhando pelo palco. As pessoas do público se agitam, sobem uns nas costas dos outros, se empilham, se empurram, de tal sorte que se passa a maior parte do tempo esticando a cabeça prá cá, retorcendo prá lá, na esperança de se conseguir ver uma cena sem filmagem, direto do palco. Resultado disso, poucas pessoas vêem o show bem. Podem dizer que foram ao show, que adoraram, que se emocionaram, mas afirmo que poucos assistem bem o show. Lembrei de como os jogos de futebol são democráticos. Haja o que houver, na hora em que a bola vai correr, todo mundo vê o jogo. Nesses shows isso nem sempre é assim.

O tempo dedicado a isso é enorme! Como são milhares de fãs, é claro que não se consegue chegar na hora da apresentação, a pessoa se vê obrigada a ir bem cedo ao local do evento, esperar uma hora na fila de entrada, que quando transposta, vai fazer a pessoa esperar umas duas ou três horas dentro do local da apresentação, antes do show em si. No nosso singelo caso, na pista de trás. Na hora de ir embora isso se repete, milhares saindo, se acotovelando, engarrafamentos, enfim, mais umas três horas até se pegar a estrada. Portanto, "perdem-se" umas quase dez horas na função do show. Mais o translado de ida e volta. Mas esses shows são assim mesmo, é o que todos me dizem.

Falemos do show da Beyoncé, portanto, ocorrido no dia 04 de fevereiro de 2010, em Floripa. A mídia oficial adorou o show, falou maravilhas e delícias da apresentação da mulher, todos a chamavam de DIVA na ilha catarinense. O show de fato foi grandioso, belo, se fosse gravado em DVD e depois assistido em casa. Para nós, os pés-de-chinelo que lá estávamos, foi esse aperto todo.

Ainda mais. Achei tudo muito "techno", muito play-back, muita produção visual e coreografia. Lembrou muito as coisas da Madonna. Só que aí lembrei de uma fala da Madonna dizendo que não tem muita voz e que, portanto, ela tinha que compensar isso com toda aquela parafernália de coreografias, luzes, bailarinos, etc. No caso da Beyoncé isso seria completamente desnecessário, a mulher tem um vozeirão, um talento vocal que poucas vezes vi na arte musical mundial, e que freqüentemente vi em cantoras negras norte-americanas (caso dela).

Num certo momento apareceram imagens dela ainda criança, cantando e dançando em casa. Logo ela começou a cantar, mas então sobre imagens do seu DVD, e aí a gente sempre fica naquela dúvida se é play-back ou não. Até acho que não era, mas fica-se na dúvida. Até um certo momento do show eu tinha visto apenas ela e os bailarinos cantando e saracoteando no palco (graças aos telões) e não sabia se havia músicos. Aí ela aproveitou essa minha dúvida e deu uma saidinha do palco (acho que aproveitou para ir ao banheiro, beber água, sei lá), momento em que as músicas, todas mulheres, se apresentaram e se mostraram individualmente. Ah, bom - pensei eu - então elas estão tocando os acordes sobre os quais a "Diva" canta. Talvez não seja play-back.

Para arrematar, ela lançou mão de todos os recursos previsíveis, aproximou-se do público, pegou uma bandeira do Brasil com a qual cantou no palco e foi ovacionada, até falou com um cara da platéia. Tudo bem planejado e bem executado. Pode-se ter certeza que na Argentina ela vai pegar a bandeira azul e branca e vai falar com um castelhano.

O público estava magnetizado pela artista gritou histericamente todo o tempo, aplaudiu, gritou, se deleitou, mesmo vendo muito pouco. Na próxima vez eu gostaria de um palco mais alto, o mesmo valendo para os telões. É que o povinho fica o tempo todo com as mãos para cima, máquinas Sony em punho, tentando gravar o show. E aí é que a gente não vê nada mesmo.

O que ficou para mim? A mulher em questão é uma artista de mão cheia, de um talento vocal raro e impressionante. Não precisaria dançar de colant apertado nem fazer dancinhas embaladas. Lembrei da Whytney Houston, da Diana Ross e não me consta que precisassem disso também. Valiam-se basicamente de suas vozes. Lembrei da fase pré-silicone da Mariah Carey, onde ela igualmente cantava, e cantava e cantava cada vez melhor. Agora que ela está toda turbinada e repuxada, parece que diminuiu em talento vocal. Pois a sra Beyoncé Knowles tem voz para dar e vender, cantou a noite toda com folga e com fôlego, inundou o Parque do Planeta e inundou também nossos ouvidos e mentes com sua voz tonitruante. Enfim, arrasou na apresentação.

Quanto à produção, ao tempo despendido, às roupas justas e reluzentes, às coreografias, tudo isso foram coisas menores e, na minha singela opinião, dispensáveis. Essa mulher, possivelmente uma verdadeira diva, tem cacife demais para lançar mão dessas coisas todas.

Silvano - sempre na estrada

Crédito da foto: Diego Redel, do Clic RBS catarinense

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Uma resposta para “Coisa de Gordo - 466”

  1. Marcelo Fernandes diz:

    Troquei a Beyonce pelo WRAP.
    E não me arrependo! hehe..

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