467 - TOTÓ E ÁGUA VIVA
Sempre repito que o Brasil é um país onde todos têm direitos, mas muito poucos têm deveres. Se você parar para pensar dar-se-á conta de que existe o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Estatuto do Idoso, as cotas para Índios e Negros nas Universidades, o Estatuto do Torcedor nos estádios, as filas para idosos, gestantes e deficientes físicos, os descontos nos ingressos para quem for estudante, ....ufa...entre outros. Portanto, se você não é índio, nem negro vestibulando, nem criança, nem idoso, nem estiver indo a jogo de futebol, não for deficiente e ainda por cima não estiver "grávido"(a), você, assim como eu, está condenado a dar sua vez a essa gente toda que citei. Eles todos tem o direito de furar a fila na sua frente. A nós, resta suspirar e esperar. A eles, os direitos. A nós, os deveres.
Na esteira desse processo, vieram e se instalaram os cães. Na minha longínqua infância tivemos cachorros em casa, tenho ternas recordações deles em nossas vidas, verdadeiros parceiros de caminhada. No entanto, não recordo de que os levássemos à praia, aos parques públicos. Nunca os aboletamos em nosso carro para viajar com um deles a bordo. Passaram-se as décadas e os cachorros estão senhores da situação. E face ao modismo dos direitos que citei antes, inúmeras instituições sedimentaram junto ao público os direitos dos "pobres cachorrinhos". Já bem antes do ministro Magri, os cachorros viraram gente. Sou do tempo da Palmira Gobbi, mulher que defendia os animais na Porto Alegre dos anos setenta. Virou nome de rua.
Na Zero Hora do dia 10/02/2010 li o relato do Nauro Júnior, da cidade de Pelotas-RS, dando conta de que há um bando de cães (matilha) perambulando pela Praia do Laranjal. A foto aqui postada é feita por ele. E ali ele comenta sobre alguns transtornos.
Amigos que estiveram na praia catarinense de Garopaba deram o mesmo testemunho. Cachorros nas ruas, nas calçadas e pior de todos, na praia! A cachorrada invadiu a areia. E aí a regra é a seguinte. Se o cãozinho está quieto e feliz, ele tem dono, mas se faz alguma destruição, morde alguém, etc, aí o dono evapora, o cão não é de ninguém. Passamos por lá um dia e pude constatar a veracidade da informação, a areia tomada pelos "guaipecas". Na curta caminhada que fizemos, um cachorrão preto alto se deu ao luxo de nos seguir por um pedaço do percurso, tratando de mijar (mijar sim, urinar é para gente) em cada montinho de areia, em cada castelo de areia da praia. Demarcava território, dirão alguns. Que nojeira - direi eu! Para completar o desânimo, tratei de escutar a rádio local daquela cidade e lá pelas tantas o locutor trouxe a debate o problema da cachorrada. Entrevista daqui, opinião dali, falaram secretários municipais, assessores e outras personalidades locais. Deram muitas voltas sem nada resolver. Todo mundo tem medo de prender os vira-latas, medo de não estar sendo politicamente correto, medo de ser gente. Não se irritem, portanto, os cinófilos, os cachorros por lá permanecem e por lá ficarão. Espalhando baba, fezes e verminoses. Tá com nojo? Eu também!
Como uma praga nunca vem sozinha, para quem se aventurava ao banho de mar em Garopaba, houve uma verdadeira profusão de Águas-Vivas. Era só prestar atenção e volta e meia saía alguém queimado de dentro do mar. Eu que não entendo nada de cadeia alimentar, fiquei a me perguntar: - Quem é que come água-viva? Seja lá quem for, esse cara está falhando. E olha que a água do mar nem estava tão quente assim.
Enfim, enquanto persistir esse estado de coisas, estaremos à mercê da cachorrada e das águas-vivas. Talvez a única maneira disso se resolver seria um cachorro morder a perna duma mulher indígena, grávida e com a perna curta, na hora em que ela estivesse entrando para fazer o Vestibular. Bah, mas aí também seria querer demais. Auuuuuuuu!!!!
Silvano - o imposível
Crédito da foto: Nauro Júnior - Zero Hora


17 de fevereiro de 2010 às 6:35
Gostei do seu ponto de vista quanto à essa relação direto/dever. Não que eu consiga pensar ou oferecer alguma solução válida, mas acho que tens razão quando dizes que não é justo. Quanto a isso, se nos encontrarmos informalmente e a passeio em uma hora dessas, eu uso minha Carteira do Estudante para te pagar um sorvete. =D Quanto aos cães, não há resposta não-política que vá fazer alguma diferença (já estamos cansados de campanhas do estilo \"cuide melhor do seu bichinho\") quanto às águas vivas, fiquei curioso e dei uma pesquisada... XD \"Alguns animais, como as tartarugas-cabeçudas, o peixe-lua e o peixe-enxada, comem água-viva.\" - http://ciencia.hsw.uol.com.br/agua-viva1.htm
Abraços e até mais.