Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts de fevereiro 2010

Da Arte de Pensar Diferente

27 de fevereiro de 2010 3

Neste pequeno exercício de retórica que aqui eventualmente faço, tenho colhido impressões diversas quando em contato com a deliciosa opinião do leitor. As pessoas carinhosamente lêem o que escrevo e vez que outra postam comentários, geralmente criativos, interessantes, amigáveis, pitorescos. Tal retorno é por demais recompensador, poder conhecer a opinião do leitor que nos presenteia com sua leitura.

Uma coisa, no entanto, me intriga nessas horas. Há um tipo de leitor que quando discorda do que escrevo não se contenta em expressar sua opinião contrária. É um tipo que transpõe uma certa linha de civilidade e tece comentários de cunho pessoal em minha direção.

O debate de idéias é algo maravilhoso, poder opinar num tema e colher opiniões e pensamentos diferentes é sempre enriquecedor. O que me causa uma certa apreensão são esses ataques pessoais.

Tempos atrás, uma mulher escreveu em resposta a um texto meu que eu não tinha mãe nem filhos. Noutra feita me chamam de vaidoso. Mais adiante sou adorador do FH.

Essa é outra lógica maluca. Quem eventualmente me lê criticando sua alteza real Lula, o nosso rei viajante, taxa-me de adorador do FH. Sempre relato aos que me perguntam que o governo FHC foi um dos maiores arrecadadores de impostos que já tivemos. O último ato dele no governo, dia 18 de dezembro daquele ano, foi elevar a contribuição obrigatória de nós, os autônomos, para DEZ SALÁRIOS compulsoriamente. A gente podia optar sobre quantos salários recolhia a contribuição mensal, arcando com o recebimento proporcional disso na velhice. O FH não quis saber. Mandou todos para o teto da contribuição e foi festejar o Natal. Detesto governos arrecadadores, sedentos do sangue do contribuinte.

No entanto não adianta explicar a este reduzido grupo de leitores essa lógica. Posso sim criticar o Lula, o FHC e todos governantes injustos que sobre nós lançarem sua mão taxadora. Na cabeça de tais leitores há esse maniqueísmo, se gosto de um tenho que odiar o outro. E vice-versa.

Intriga-me isso, portanto. Essa dificuldade em aceitar que os outros pensem diferente. A esses leitores sempre envio minha saudações citando a clássica frase do Nelson Rodrigues que dizia que “toda unanimidade é burra”. E que pensar diferente areja as mentes, os corações, os governos.

Noto um certo viés esquerdista-totalitário nesses que me botam o dedo na cara. Parece que se contaminam com seus ídolos Fidel e Hugo Chavez, próceres do autoritarismo e arautos da opinião única. Mas não são apenas esses. Já levei sapatadas de gente mais à direita também.

Dá para discordar amigavelmente. No recente post COISA DE GORDO – 468 ousei escrever sobre o Santo Daime e ali recebi vários comentários. Num deles, enviado por Odilon, ele explicita sua total desaprovação ao que escrevi, convida-me educadamente a ler mais sobre o assunto num site específico, dá sua opinião favorável ao uso do chá em questão e encerra o comentário sem me chamar de corno ou canalha, sem falar da conduta moral da minha mãe e sem cuspir no chão e me chamar prá uma briga de socos. Nada disso. Ele apenas educadamente discorda, se despede e vai embora. Contrário a isso, há outras chineladas aludindo a possíveis defeitos pessoais meus, valendo-se daquela estranha lógica stalinista de desqualificar o opositor num debate, sem entrar no campo das idéias. Ofende-se a pessoa e não o que ela pensa.

Humilde diante dessa diversidade de estilos, exercito-me na arte de pensar diferente e aceitar que de mim pensem diferente. Sempre receberei entre humilde e alegre os comentários diferentes. Eles de fato enriquecem meu singelo texto e iluminam a cabeça dos leitores com suas sábias opiniões diversas.

Quanto às chicotadas….há que se criar calo no lombo para se viver em paz.

Silvano – o impossível

Bookmark and Share

Coisa de Gordo - 469

27 de fevereiro de 2010 0

469 – MEGASSENA

O estado do Rio Grande do Sul viveu uma semana anômala, esta que passou. Tudo se deu por conta de uma confusão armada, sabe-se lá por qual motivo. Numa Agência Lotérica na cidade de Novo Hamburgo apostadores compraram cotas de um “Bolão”, a lotérica não pôs o jogo on line e para azar de todo mundo (ou será sorte?), o tal bolão teria acertado as seis dezenas se tivesse sido jogado. A confusão foi armada.

Deve a Caixa Federal pagar o prêmio? Pelo jeito não, afinal, o jogo não foi feito.

Deve a Lotérica pagar o prêmio? Ora, de onde uma loja vai tirar 53 milhões de reais para pagar os apostadores? Pelo jeito, também não.

Devem os apostadores jogar em coisas do tipo “Bolão”, uma vez que os prêmios da loteria são pagáveis ao portador e não a supostos grupos? Não, não deve.

Essa foi a celeuma criada. Para minha admiração e desplante, a mídia foi tomada por este tema, entrevistas estão sendo colhidas, depoimentos ajuntados, testemunhos relacionados. Gente opinando, gente se envolvendo, gente ameaçando.

Isso ilustra bem o país em que vivemos.

Fosse uma celeuma em torno de uma vaga numa universidade, mal mereceria uma nota de pé de página no jornal. Fosse uma confusão por causa do salário atrasado de um trabalhador, nem seria notícia. Mas fala-se de um prêmio milionário…o Estado pára para discutir.

Os supostos prejudicados são um grupo de quarenta pessoas, sendo que cada um faria jus a um prêmio de um milhão e trezentos mil reais.

Aqui entra, talvez, a explicação disso tudo.

Dizem os especialistas que nós nos identificamos com os apostadores, eles representam simbolicamente os nossos anseios. Por essa lógica, é como se quiséssemos ter apostado no lugar deles, para enfim sermos contemplados com a grana toda.

Talvez isso me entristeça. Sim, sim, dinheiro é bom. Todos precisamos dele.

Mas esse é o caminho, a saída de emergência que nos apresentam. Um prêmio na loteria.

Ninguém falou numa bolsa de estudos numa Universidade. Ninguém deu bola prá um estágio profissionalizante. Poucos atentaram para um curso de investidores no Sebrae. O que nos chama a atenção é a magia de um dinheiro súbito e exagerado. Diante da notícia todos ficamos imaginando o que faríamos.

A nenhum de nós ocorreu imaginar um trabalho novo. Uma atividade nova. Imaginar o começo de um novo estilo de vida, com mais tempo para caminhar com os filhos e os cachorros e diminuir o tempo dedicado a pagar contas. Não, não pensamos nisso.

O que nos despertou a imaginação foi onde gastar aquele um milhão e trezentos. Carro novo. Apartamento na praia, viagem a Paris. E aí quase que fazemos uma listinha de prioridades só para ver onde gastaríamos primeiro.

Por isso o assunto está nas primeiras páginas dos jornais e nos debates do rádio. Porque diz respeito a todos nós. Tristemente, infelizmente. Mediocremente.

Pelo menos aqui em terras gaúchas ninguém deu muita bola à visita do Lula a Cuba bem no dia em que um dissidente morreu de greve de fome. Ué, não eram tão preocupados com direitos humanos? Ninguém falou da nova denúncia contra o Zé Dirceu. Ninguém foi conferir se o José Roberto Arruda ainda está preso. Nada disso. Por aqui, nos ocupamos com a Megassena. Saber se houve estelionato. Saber quem vai pagar.

Quem deve estar rindo disso são os banqueiros do Bicho. No Jogo do Bicho não tem perdida. O prêmio é pago com a honra do dono da banca. Já nas loterias do governo federal….vamos ver o que a justiça vai dizer.

Silvano – fora da lista que jogou no bolão

Bookmark and Share

Coisa de Gordo - 468

19 de fevereiro de 2010 12

468 – SANTO DAIME

Esse governo federal.. A gente pensa que os assessores já causaram todos os inconvenientes ao Lula e aí vem outra medida, outro decreto prá bagunçar a casa. É o Tarso Genro defendendo a abertura dos porões da ditadura num dia, é o José Dirceu voltando à ativa no outro.

A confusão da vez é a liberação e legalização do uso do CHÁ DO SANTO DAIME. A Revista Isto É do dia 10/02/2010 trouxe em sua capa este tema. Lá está escrito que “no dia 25 de janeiro, em resolução publicada no Diário Oficial da União, o governo brasileiro oficializou o uso religioso do chá ayahuasca – também conhecido como daime, hoasca e vegetal.”

Lembro quando há uns anos atrás a Lucélia Santos, aquela mesma da Escrava Isaura, veio a público revelando-se adepta da seita chamada Santo Daime e defensora do uso do tal chá. Foi aquele fusuê. O assunto caiu no esquecimento e agora volta com toda força. As seitas mais conhecidas no Brasil são essa Santo Daime e outra chamada União Vegetal.

O chá do Daime é um alucinógeno e leva quase um dia para ser preparado. É uma droga, uma substância com efeitos “ligantes”, e no meu singelo modo de ver pode e deve ser classificada ao lado da maconha, cocaína, LSD e outras do ramo.

A nova medida do governo beira ao cômico. O uso do chá alucinógeno deve se dar dentro de templos. Aí vieram relatos de gente que usou o chá e morreu (mesmo caso da cocaína) e o governo se precaveu. Na medida publicada no Diário Oficial fica estabelecido que os dirigentes das tais seitas devem selecionar quem pode usar o chá ou não. E esses mesmos dirigentes devem prender os malucos encerrados em seus templos, até que cessem os efeitos da coisa. Mas o texto abre essa possibilidade para adultos, grávidas e até mesmo crianças. Perceba o abuso, o governo liberou o uso para crianças!!!

Como nesse mato não tem coelho, é só raposa, imagino que os dirigentes religiosos não vão correr o risco de matar um aqui ou outro ali, assumindo a responsabilidade por isso. Vão querer terceirizar a culpa. Logo, logo haverá gente acorrendo a consultórios médicos pedindo atestado para usar o chá do Daime! Escreve aí, doutor, escreve que estou apto a fazer aquela viaaaageeemmmmmm.

Do alto de minha insignificância, alerto aos usuários que do meu humilde receituário não sairá atestado nenhum neste sentido. Lugar de drogado é em clínica de reabilitação e na cadeia (caso dos que mataram, atropelaram, destruíram, roubaram – em nome da droga). Não é em templo religioso.

A alegação dos defensores é supimpa. O uso do chá – dizem eles – permite um contato com o plano espiritual. Espírita que sou, lembro das visitas noturnas que fazemos ao plano espiritual durante o sono do corpo físico, sem a necessidade do uso de drogas. Basta dormir. E mais cruelmente lembro outra maneira de se obter o mesmo, digamos assim, “contato”. Basta morrer!

A nós, meros cidadãos pagadores de impostos e sustentadores do SUS e do mensalão, resta o receio da jurisprudência. Ora, basta que uma pessoa funde uma outra religião e institua que o uso de cocaína faz parte de seus rituais. E aí, por analogia, pedirá a legalização!

Esse governo acolheu em suas hostes tantas e várias minorias que eventualmente se perde. Por força disso o governo Lula é abortista! Por ter dado acolhida às feministas de antigamente, cuja bandeira sempre foi a legalização do aborto. Em que pesem todos os defeitos de nosso emérito presidente, imagino que ele não seja usuário do Daime, nem sequer saiba bem o que é isto. O chá que ele gosta tem rótulo escocês e é preparado ao longo de doze anos. Mas simplesmente por essa nuance, por acolher ideologias eventualmente estapafúrdias no seu seio, esse mesmo governo edita uma medida dessas, absurdamente publicada no Diário Oficial da União.

Droga é sempre droga! Podem chamar de chá. Trata-se de substância alucinógena. Perigosa. Danosa à saúde e à sociedade. E ainda querem que a usem as grávidas e as crianças.

Eu morro e não vejo tudo. Para suportar isso tudo…DAI-ME um chá quentinho aí, gente.

Silvano – o impossível

Crédito da foto: retirada do site da Revista Isto É

Bookmark and Share

Coisa de Gordo - 467

14 de fevereiro de 2010 1

467 – TOTÓ E ÁGUA VIVA

Sempre repito que o Brasil é um país onde todos têm direitos, mas muito poucos têm deveres. Se você parar para pensar dar-se-á conta de que existe o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Estatuto do Idoso, as cotas para Índios e Negros nas Universidades, o Estatuto do Torcedor nos estádios, as filas para idosos, gestantes e deficientes físicos, os descontos nos ingressos para quem for estudante, ….ufa…entre outros. Portanto, se você não é índio, nem negro vestibulando, nem criança, nem idoso, nem estiver indo a jogo de futebol, não for deficiente e ainda por cima não estiver “grávido”(a), você, assim como eu, está condenado a dar sua vez a essa gente toda que citei. Eles todos tem o direito de furar a fila na sua frente. A nós, resta suspirar e esperar. A eles, os direitos. A nós, os deveres.

Na esteira desse processo, vieram e se instalaram os cães. Na minha longínqua infância tivemos cachorros em casa, tenho ternas recordações deles em nossas vidas, verdadeiros parceiros de caminhada. No entanto, não recordo de que os levássemos à praia, aos parques públicos. Nunca os aboletamos em nosso carro para viajar com um deles a bordo. Passaram-se as décadas e os cachorros estão senhores da situação. E face ao modismo dos direitos que citei antes, inúmeras instituições sedimentaram junto ao público os direitos dos “pobres cachorrinhos”. Já bem antes do ministro Magri, os cachorros viraram gente. Sou do tempo da Palmira Gobbi, mulher que defendia os animais na Porto Alegre dos anos setenta. Virou nome de rua.

Na Zero Hora do dia 10/02/2010 li o relato do Nauro Júnior, da cidade de Pelotas-RS, dando conta de que há um bando de cães (matilha) perambulando pela Praia do Laranjal. A foto aqui postada é feita por ele. E ali ele comenta sobre alguns transtornos.

Amigos que estiveram na praia catarinense de Garopaba deram o mesmo testemunho. Cachorros nas ruas, nas calçadas e pior de todos, na praia! A cachorrada invadiu a areia. E aí a regra é a seguinte. Se o cãozinho está quieto e feliz, ele tem dono, mas se faz alguma destruição, morde alguém, etc, aí o dono evapora, o cão não é de ninguém. Passamos por lá um dia e pude constatar a veracidade da informação, a areia tomada pelos “guaipecas”. Na curta caminhada que fizemos, um cachorrão preto alto se deu ao luxo de nos seguir por um pedaço do percurso, tratando de mijar (mijar sim, urinar é para gente) em cada montinho de areia, em cada castelo de areia da praia. Demarcava território, dirão alguns. Que nojeira – direi eu! Para completar o desânimo, tratei de escutar a rádio local daquela cidade e lá pelas tantas o locutor trouxe a debate o problema da cachorrada. Entrevista daqui, opinião dali, falaram secretários municipais, assessores e outras personalidades locais. Deram muitas voltas sem nada resolver. Todo mundo tem medo de prender os vira-latas, medo de não estar sendo politicamente correto, medo de ser gente. Não se irritem, portanto, os cinófilos, os cachorros por lá permanecem e por lá ficarão. Espalhando baba, fezes e verminoses. Tá com nojo? Eu também!

Como uma praga nunca vem sozinha, para quem se aventurava ao banho de mar em Garopaba, houve uma verdadeira profusão de Águas-Vivas. Era só prestar atenção e volta e meia saía alguém queimado de dentro do mar. Eu que não entendo nada de cadeia alimentar, fiquei a me perguntar: – Quem é que come água-viva? Seja lá quem for, esse cara está falhando. E olha que a água do mar nem estava tão quente assim.

Enfim, enquanto persistir esse estado de coisas, estaremos à mercê da cachorrada e das águas-vivas. Talvez a única maneira disso se resolver seria um cachorro morder a perna duma mulher indígena, grávida e com a perna curta, na hora em que ela estivesse entrando para fazer o Vestibular. Bah, mas aí também seria querer demais. Auuuuuuuu!!!!

Silvano – o imposível

Crédito da foto: Nauro Júnior – Zero Hora

Bookmark and Share

Coisa de Gordo - 466

07 de fevereiro de 2010 1

466 – Beyoncé, cadê você?

Sim, junto com outras vinte e quatro mil e novecentas e noventa e nove pessoas, desloquei-me á capital catarinense para ver o show da mega-star Gisel Beyoncé Knowles, ou simplesmente BEYONCÉ para sua legião de admiradores. Esses shows para grandes multidões têm umas características que me repelem, mas eventualmente, por algum compromisso familiar, ou outra coisa, vejo-me compelido a ali me fazer presente.

É difícil chegar até o local do show, e o Parque do Planeta, na ilha de Florianópolis, ali perto do trevo de Canasvieiras, não foi diferente. Engarrafamento, calor, filas gigantescas até que se abrissem os portões. Vencida esta fase inicial, entramos no nosso espaço para esperar pelo show. Aí a primeira surpresa. Nossos ingressos eram de PISTA, e então descobri que na nossa frente, havia uma espécie de PISTA GOLD, uma pista mais próxima do palco, que nos rechaçou a nós, pobres mortais, uns cem metros para trás. Resultado disso, a gente chega à segunda característica desses shows.

Pouco se enxerga do palco e do show. Para diminuir este defeito, os caras então colocam telões que repetem e ampliam o que se passa no palco. Mas a gente vê apenas aquelas “formiguinhas” caminhando pelo palco. As pessoas do público se agitam, sobem uns nas costas dos outros, se empilham, se empurram, de tal sorte que se passa a maior parte do tempo esticando a cabeça prá cá, retorcendo prá lá, na esperança de se conseguir ver uma cena sem filmagem, direto do palco. Resultado disso, poucas pessoas vêem o show bem. Podem dizer que foram ao show, que adoraram, que se emocionaram, mas afirmo que poucos assistem bem o show. Lembrei de como os jogos de futebol são democráticos. Haja o que houver, na hora em que a bola vai correr, todo mundo vê o jogo. Nesses shows isso nem sempre é assim.

O tempo dedicado a isso é enorme! Como são milhares de fãs, é claro que não se consegue chegar na hora da apresentação, a pessoa se vê obrigada a ir bem cedo ao local do evento, esperar uma hora na fila de entrada, que quando transposta, vai fazer a pessoa esperar umas duas ou três horas dentro do local da apresentação, antes do show em si. No nosso singelo caso, na pista de trás. Na hora de ir embora isso se repete, milhares saindo, se acotovelando, engarrafamentos, enfim, mais umas três horas até se pegar a estrada. Portanto, “perdem-se” umas quase dez horas na função do show. Mais o translado de ida e volta. Mas esses shows são assim mesmo, é o que todos me dizem.

Falemos do show da Beyoncé, portanto, ocorrido no dia 04 de fevereiro de 2010, em Floripa. A mídia oficial adorou o show, falou maravilhas e delícias da apresentação da mulher, todos a chamavam de DIVA na ilha catarinense. O show de fato foi grandioso, belo, se fosse gravado em DVD e depois assistido em casa. Para nós, os pés-de-chinelo que lá estávamos, foi esse aperto todo.

Ainda mais. Achei tudo muito “techno”, muito play-back, muita produção visual e coreografia. Lembrou muito as coisas da Madonna. Só que aí lembrei de uma fala da Madonna dizendo que não tem muita voz e que, portanto, ela tinha que compensar isso com toda aquela parafernália de coreografias, luzes, bailarinos, etc. No caso da Beyoncé isso seria completamente desnecessário, a mulher tem um vozeirão, um talento vocal que poucas vezes vi na arte musical mundial, e que freqüentemente vi em cantoras negras norte-americanas (caso dela).

Num certo momento apareceram imagens dela ainda criança, cantando e dançando em casa. Logo ela começou a cantar, mas então sobre imagens do seu DVD, e aí a gente sempre fica naquela dúvida se é play-back ou não. Até acho que não era, mas fica-se na dúvida. Até um certo momento do show eu tinha visto apenas ela e os bailarinos cantando e saracoteando no palco (graças aos telões) e não sabia se havia músicos. Aí ela aproveitou essa minha dúvida e deu uma saidinha do palco (acho que aproveitou para ir ao banheiro, beber água, sei lá), momento em que as músicas, todas mulheres, se apresentaram e se mostraram individualmente. Ah, bom – pensei eu – então elas estão tocando os acordes sobre os quais a “Diva” canta. Talvez não seja play-back.

Para arrematar, ela lançou mão de todos os recursos previsíveis, aproximou-se do público, pegou uma bandeira do Brasil com a qual cantou no palco e foi ovacionada, até falou com um cara da platéia. Tudo bem planejado e bem executado. Pode-se ter certeza que na Argentina ela vai pegar a bandeira azul e branca e vai falar com um castelhano.

O público estava magnetizado pela artista gritou histericamente todo o tempo, aplaudiu, gritou, se deleitou, mesmo vendo muito pouco. Na próxima vez eu gostaria de um palco mais alto, o mesmo valendo para os telões. É que o povinho fica o tempo todo com as mãos para cima, máquinas Sony em punho, tentando gravar o show. E aí é que a gente não vê nada mesmo.

O que ficou para mim? A mulher em questão é uma artista de mão cheia, de um talento vocal raro e impressionante. Não precisaria dançar de colant apertado nem fazer dancinhas embaladas. Lembrei da Whytney Houston, da Diana Ross e não me consta que precisassem disso também. Valiam-se basicamente de suas vozes. Lembrei da fase pré-silicone da Mariah Carey, onde ela igualmente cantava, e cantava e cantava cada vez melhor. Agora que ela está toda turbinada e repuxada, parece que diminuiu em talento vocal. Pois a sra Beyoncé Knowles tem voz para dar e vender, cantou a noite toda com folga e com fôlego, inundou o Parque do Planeta e inundou também nossos ouvidos e mentes com sua voz tonitruante. Enfim, arrasou na apresentação.

Quanto à produção, ao tempo despendido, às roupas justas e reluzentes, às coreografias, tudo isso foram coisas menores e, na minha singela opinião, dispensáveis. Essa mulher, possivelmente uma verdadeira diva, tem cacife demais para lançar mão dessas coisas todas.

Silvano – sempre na estrada

Crédito da foto: Diego Redel, do Clic RBS catarinense

Bookmark and Share