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Posts de abril 2010

Coisa de Gordo - 478

28 de abril de 2010 4

478 – À LENHA NA BORRÚSIA

Não é novidade prá ninguém a qualidade e a delícia da Pizzaria à Lenha, na cidade de Osório-RS. Já discorremos sobre este tema aqui, a fama do lugar já é bem espalhada. Eles servem uma pizza diferenciada, ambiente agradável, atendimento personalizado. E a pizza é uma obra de arte.

Resultado disso já houve franquias dessa pizzaria em Tramandaí e em Porto Alegre (ali naquele miolo da Rua Padre Chagas).

Sempre pensando mais alto, o dono dessa bela marca subiu o morro e se instalou lá na Borrúsia, aquela localidade ali naquela montanha que se situa ao lado da cidade de Osório. Lá no alto ele fez a Trattoria, uma casa de massas e outras coisas deliciosas.

Chegando à cidade de Osório, em vez de virar prô lado da cidade você deve subir a montanha em direção aos céus. A vista já na subida é linda e ao se entrar no ambiente a gente tem uma visão privilegiada de toda a encosta que vai das montanhas até o mar. Em dia de sol claro se avista Tramandaí, Imbé e Capão da Canoa. Como se não bastasse, ao lado da Trattoria tem um Mirante da prefeitura onde se podem fazer fotos e mais fotos.

Voltemos à Trattoria. À noite eles servem pratos à la carte. Há um bufê de saladas e petiscos que, se o cliente quiser, pode ser a única pedida. Mas o interessante é pedir um prato do cardápio e poder se servir nesse bufê à vontade. Os pratos trazem carnes, filés, peixes, frangos, tudo com uma qualidade muito boa.

E tem os almoços de fim-de-semana. Nos almoços de sábados, domingo e feriados, eles então servem um galeto. Pagando um valor fixo por pessoa, o cliente recebe em forma de rodízio o citado galeto. Há igualmente o bufê de saladas, ladeado por um outro bufê de comida campeira (feijão mexido, carne de panela, rabada, etc). Na mesa vem uma Polenta Frita maravilhosa e ficam passando massas de variados quilates. Canelones, Talharins, Lazanhas, Torteis e outras coisas desfilam diante do seu prato, e o nome “à Lenha” permanece em alta conta.

Lá pelas tantas, os caras servem uma Ovelha Assada de comer de joelhos! Divina, maravilhosa, saborosa! Você até se esquece de comer o galeto, comer as saladas, ficando só nessa carne de ovelha. Isso, por si só, já terá compensado a sua ida até lá. O que dizer do resto?

Aí, para arrematar, quando você pensou que não viria nada mais a lhe impressionar, os caras servem uma coisa chamada CARRETEIRO DE CHARQUE DE OVELHA! Amigo(a), na hora que o garçom serviu aquele arroz amarelado, com uma aroma ímpar, uma aparência sedutora e o fato de reunir dois mitos num prato só (charque e ainda por cima de ovelha!!), pensei que iria subir aos céus! Eu devo ter morrido e já estão me servindo as iguarias do paraíso!! Rá , rá. Desculpe a pretensão. Eu estava brincando. Sei que não é o paraíso que me espera após a morte.

Mas o prato era de fato arrasador.

Então tá combinado. Você pode até se esquecer da paisagem, da subida, das fotos, do ambiente, do excelente atendimento, das massas, da polenta, da ovelha assada. Tudo isso você pode deixar de lado. Mas suba em busca desse Arroz Carreteiro feito de Charque de Ovelha. Aspire o vapor amarelado que o prato lhe oferece, antes de sorvê-lo na boca. Sim, faça como se fosse uma taça de vinho. Sinta o cheiro da carne seca da ovelha, perceba as nuances e as cores que o visual do prato lhe oferecem. Aí, só aí, deguste a primeira porção. Sorva o sabor, perceba a textura, abra suas papilas gustativas à esta torrente de sensações.

Ufa, dessa vez fui eu que babei no teclado. Desculpe.

Mais detalhes? O telefone é (51)93997656 e o site do lugar é:  http://www.alenhatrattoria.com.br/

Suba na vida, menino(a)! Suba até a Trattoria À Lenha.

Silvano – o impossível

Crédito das fotos: a 1ª retirei do site deles. As outras duas eu mesmo fiz.

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Sobre as Alcaparras

28 de abril de 2010 1

Um leitor distante, JOAQUIM, de Portugal, envia apenas agora um comentário sobre uma matéria que publiquei aqui sobre Alcaparras ( http://wp.clicrbs.com.br/coisadegordo/2009/12/03/voce-ja-viu-pe-de-alcaparra/) . Como o comentário dele ficaria perdido lá no post de 03/12/2009, resolvi destacar aqui. Fala o Joaquim:

Amigo Silvano, permita-me lembrar, aqui de Portugal, que a sua planta dá “alcaparras”. Diremos que esses frutos, se forem muito tenros, conservados em vinagre, poderão tornar-se um excelente sucedâneo das alcaparras. No entanto, as tradicionais alcaparras são botões florais, em fase de desenvolvimento inicial, de uma outra planta. As suas capuchinas ou chagas são herbàceas, trepadeiras, anuais; enquanto as alcaparras são arbustos lenhosos, com ciclo de vida muito mais duradouro.
Queira pesquisar a diferença, já que hoje não lhe envio os nomes científicos de ambas.
Cumprimentos. Joaquim

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Acendendo o Carvão

23 de abril de 2010 5

A gauchada tradicional enlouquece comigo se lê uma coisa dessas. Imagine você, acender um fogo de churrasqueira com uma espécie de “rabo quente”. Pois é, aderi!

Cada pessoa tem o sei ritual na hora de tocar fogo nos carvões de sua churrasqueira. Já transitei por buchas embebidas em gasolina, em cera dessas que se passa no chão, depois buchas com álcool. Os apreciadores do álcool migraram naturalmente para o álcool direto nos carvões, com aquele fósforo sendo lançado aceso por cima de tudo, aquele barulho que sempre assustava sua esposa e logo a seguir o fogo sobre os carvões.

Aí o governo determinou que isso era perigoso e proibiu a venda de álcool do jeito aberto que era antes.

Um tempo atrás tinhas aquela coisa da garrafa de cerveja ser embalada com tirinhas de jornal até parecer um totem. Aí você colocava a tal garrafa dentro da churrasqueira e a cobria com os carvões. Passo seguinte, você retirava a garrafa de dentro de seu embrulho e ficava aquele pequeno oco em meio aos carvões e rodeado pelo inflamável jornal. Aí a gente botava fogo nos jornaizinhos e esperava as labaredas se espalharem por todo o carvão.

Em minha penúltima investida, valia-me de buchas de jornal embebidas em azeite. Era infalível. Você amassava uma folha de jornal até torná-la uma bucha. Aí a introduzia por entre os carvões. No momento seguinte, molhava aquilo com azeite de sua cozinha. De preferência aquele azeite já usado, que você estava estocando para a coleta seletiva. Esperava uns três minutos e botava fogo. O azeite o jornal e tudo o mais proporcionavam o fogo na churrasqueira.

Enfim, todos os métodos eram bons e praticamente infalíveis.

Até que apareceu no mercado essa espécie de “rabo quente”. Trata-se de uma estrutura metálica, uma resistência, com um fio conectado nela, fio este que vai na tomada elétrica. A corrente elétrica aquece o troço que, com a cor avermelhada, acaba por incendiar os carvões.

Sim, o negócio é fácil, limpo, dispensa o manejo de materiais incendiários, melequentos e poluentes. Você só precisa ter por perto uma tomada elétrica. E está feito o fogo de seu churrasco.

Eu aderi por completo, nem me imagino mais fazendo fogo de outro jeito.

Por isso escrevo ali no início que os gaúchos tradicionais enlouqueceriam comigo. Tem gaúcho que acende fogo com lenha de “eucalípio”, e só usa carvão se extremamente necessário. Acha ele que isso é mais tradicional, mais telúrico, mais “bagual”. Eu, de minha parte, prefiro a facilidade no acender das brasas. Até porque, prefiro despender meu tempo no preparo da carne ao invés de ficar botando fogo na churrasqueira. Então já sabe.

Carvões na churrasqueira. Crave o “rabo-quente” por entre eles e conecte na tomada. Aí vá salgar a carne, espetar a picanha e separar os pãezinhos. Quando você se lembrar do trumbico, as labaredas já estarão se iniciando junto ao carvão.

Como dizia aquela propaganda antiga….”tecnologia a serviço do homem”.

Tô dentro!

Silvano – em ponto de brasa

Crédito da foto: Silvano Marques

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Coisa de Gordo - 477

22 de abril de 2010 4

477 – ALFAJORES BRASILEIROS?

Difícil acreditar nisso, mas é verdade. Por uma dessas coisas do destino, caiu-me nas mãos uma caixa de Alfajores. Isso mesmo, aquele doce uruguaio ou argentino, que consiste de dois bolachões circulares que separam uma camada de doce de leite. Por fora, são banhados em chocolate preto ou branco.

Todos que viajam a Buenos Aires ou a Montevidéu, a primeira coisa que lembram de trazer são caixas de Alfajores.

Num post antigo já comentei a existência do “Bocadito”, que é uma espécie de filhote, um alfajorzinho menor e tão bom quanto.

Pois falava do fato de que uma caixa deles me caiu nas mãos. Amigo(a), isso é jogar uma pedra de crack na mão do viciado. Você sabe onde vai acabar.

A caixa era linda, a marca era EL AGUILA e aí veio a minha surpresa. O endereço da fábrica era em Santa Maria – RS.

O quê? Os gaúchos agora fabricam alfajores? Sim, fabricam! Mas então – preconceituosamente eu logo pensei – não vai ser lá grande coisa. Ora essa, alfajores brasileiros…

Ledo engano – diriam os escritores. Ledo engano.

O negócio era uma delícia, um sabor incomparável. E vinha em duas versões, nessa caixa que citei. Metade de chocolate branco, metade de preto. A caixa tinha doze unidades de 60g cada.

Meu forte é o salgado, não costumo me render a doces com facilidade. Certo, certo, exceção ao Leite Moça. Mas provei ambos os alfajores, o branco e o preto e fui seduzido pelos dois. Mas se tivesse que votar num, votaria no branco. Leve, doce, sabor macio, perfazendo uma boa interação entre os ingredientes. Comi um desses e antes que me desse conta já estava abrindo o segundo. Uau! Que doce brasileiro é esse?

Longe de mim diminuir a tradição secular dor “hermanos” do cone sul em fazerem seus deliciosos Alfajores. Sempre que me deslocar ao Chuí, a Rivera ou outros passeios mais distantes, trarei várias unidades do mais saboroso Alfajor uruguaio ou argentino. O inusitado nessa descoberta foi tomar conhecimento de que aqui, em solo brasileiro, em terras gaúchas, na cidade de Santa Maria, temos igualmente um produto de qualidade nesse setor. Um alfajor capaz de lutar lado a lado pelo mercado contra os mais tradicionais.

No levantamento de dados que realizei, talvez a solução desse mistério. Sim a fábrica é em Santa Maria mas o dono, o cara que fabrica, se chama Alejandro e é uruguaio! Ah, bom então agora podemos nos atracar de boca.

Perceba nas imagens a comprovação do que estou escrevendo.

Só tome um cuidado. Por favor. Não vá babar no teclado que fica chato. Sua pergunta imediata então será: – Onde compro isso? Na bendita caixa vinha um adesivo com o nome de um representante comercial da marca aqui na grande Porto Alegre. O nome do cara é José Luiz, de Novo Hamburgo, e ele faz as vendas. Anote aí o número dele: (51) 93582020. Eu já fiz a minha encomenda.

Esta caixa que aparece nas imagens custa em torno de 15,00. Não esqueça que ainda tem as despesas de postagem, entrega,etc.

Para arrematar, no verão o Sr Alejandro fabrica o mesmo Alfajor em Sorvete! Aí já viu a delícia que deve ser, né? Esse eu não pude encomendar, pois derreteria pelo caminho até minha casa.

Tá esperando o quê?

Olha que vou encomendar todos os brancos….

Silvano – e a balança como é que fica?








Nas fotos, de minha autoria, a caixa, um branco e um preto

El Aguila Ind. Com. Produtos Alimentícios Ltda.

Rua Travessa Paraíba, 25

97060-460 Sta. Maria – RS

Fone 51-93582020 – José Luiz

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Leitor manda site de namoro

21 de abril de 2010 0

Edgar, um leitor casual, manda o link de seu site NAMORO EM PESO, para supostos relacionamentos entre pessoas acima de seu peso ideal. Valeu, Edgar. E para quem quer conhecer o site, aí vai:

http://www.namoroempeso.com.br/

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Coisa de Gordo - 476

17 de abril de 2010 5

476 – CAMINHADA AO MONJOLO

Depois de todo nosso planejamento, eis que saiu a tão falada (em nossa cidade) Caminhada ao Monjolo, uma localidade aqui do interior de Santo Antônio da Patrulha. O clima ajudou bastante neste sábado dia 17 de abril de 2010, o sol nos clareou o caminho continuamente.

Engraçado é que tem um amigo nosso (o Caletti) que é “jipeiro”, dessas turmas que nos fins-de-semana andam de jipe, fazem trilhas no meio do barro, atolam e se divertem. Pois o Caletti tinha mexido comigo, dizendo que no sábado ia chover para alegria dos jipeiros. Nada disso, Caletti, o sol tava prá nós, os caminhantes.

Oito da manhã, nos reunimos diante do Colégio Santa Terezinha e, após um breve alongamento ministrado pelo Prof. Bruno Ramos, partimos em busca da aventura.

Éramos cerca de quarenta pessoas, e logo a fila foi se afinando. Imagine você que o primeiro quilômetro foi em zona urbana, com ruas, calçadas, veículos, de tal sorte que o grupo foi se esfarelando naturalmente. Um pequeno grupo fez o papel de “coelho”, segundo a gíria do atletismo. Nas corridas, o coelho é aquele cara que sai na frente, puxando a turma e ditando o ritmo. Pois uma turminha de duas ou três caminhantes se propôs a isso e logo a turma foi se dispersando.

Uns caminham mais apressados, outros mais calmos. E logo que saímos da cidade as imagens se descortinaram diante de nossos olhos para alegrar nosso sábado.

Um grupinho de gaúchos montados a cavalo que passou. Uma árvore bonita para foto. Os cavalos correndo nas coxilhas. Eram cenas e cenários que iam acontecendo diante de nós.

O percurso curto de 6,6Km não afugentou ninguém. Mesmo os mais reticentes, aqueles que pensavam que não iam conseguir cumprir a quota toda, acabaram chegando com êxito ao final, num curto período de tempo. Creio que levamos uma hora e quarenta na caminhada.

Foi como dissemos na postagem anterior. De vez em quando é bom desligar o notebook, sair da frente da TV, fugir um pouco de dentro dos Shoppings das metrópoles e voltar às raízes. Caminhar. Simplesmente caminhar.

Era um grupo dos mais heterogêneos, tinha médica, empresários, psicólogas, dentistas (bastante), advogados (outra turma grande), donas de casa, professoras, professores, técnicos de enfermagem, técnicos de radiologia, funcionários públicos, poetas, escritores,  oficiais de justiça, entre tantos outros. Gente da ativa, gente aposentada. Homens e mulheres. Tivemos o prazer da companhia de uma criança.

O professor Zeca levou seu filho Gustavo, num desafio familiar, pai para filho. Será que ele vai conseguir? – pensava o pai. Conseguirei? – pensava o menino. No seu passinho menor, num ritmo bom, carinha de cansado, lá vinha o Gustavo conduzido pela mão paterna, numa experiência das mais construtivas. Vencer obstáculos, vencer caminhos, tendo pai por perto. Crescendo sob os olhos do pai, mas calejando os próprios pezinhos. Sim, ele chegou ao final e chegou bem. Carinha vermelha do sol, do quase calor, mas sabendo que tinha vencido.

No trajeto todo o que mais se ouvia eram risos, histórias do passado, piadas, relatos emocionantes. A Rosalva vinha nos contando do seu passado, sua infância ali naquelas paragens, as fugas para tomar banho no rio, as aventuras, os passeios.

Lá pelas tantas, no caminho, uma moradora, sabedora da caminhada, nos esperava com água gelada na beira da estrada, num gesto de hospitalidade e carinho.

Se tinha poeira? Claro que tinha. Mas nada que incomodasse tanto.

O ponto de chegada era no Mercado Dois Irmãos, onde fizemos uma parada estratégica. Ali bebemos aquela água mineral geladinha e comemos um sanduíche delicioso. O cara pegava u pãozinho e cortava ao meio, colocava nata, queijo  e mortadela. Naquela hora da manhã foi um banquete.

Momento a seguir, apareceu a possibilidade de visitarmos a Gruta da Nossa Senhora da Saúde. Sim, ali, no coração do Monjolo, tem uma montanha com uma gruta incrustada. Fizeram uma espécie de santuário, um pequeno altar e bancos para os fiéis. No centro da gruta, uma imagem da santa. Mas a paisagem lá de cima….deslumbrante. Uns até temeram pelo difícil acesso à gruta, mas logo vimos que era fácil e em menos de dez minutos subimos até o local. Mais fotos, mais imagens, mais emoções.

Uma vista maravilhosa, um ar dos mais puros lá em cima. Cores, sons, aromas do campo, da pedra úmida, da água que verte por entre as rochas. Tudo isso nos encantou.

Na volta, conforme combinado, viemos de ônibus.

O que mais dizer? Foi uma deliciosa manhã de sábado. Todo o grupo estava afiado e ficou com cara de “quero mais”! É claro que bolaremos novos passeios, novos trajetos, contando com a ajuda do Prof. Bruno Ramos e da Cássia Message, que junto comigo completaram o comitê de organização.

Nós voltamos sãos e salvos. Ficaram pelo caminho o ranço, a depressão, o enfaro da vida, a amargura,  a tristeza. Tudo isso largamos na travessia, de tudo isso nos despimos.

O gado nas taperas, os pássaros nas alturas, os carros que viajam, a paisagem e tudo o mais que nos aguardem, porque – como diria o Anonymus Gourmet – “voltaremos”!

Silvano – cansado, empoeirado, mas feliz

Crédito das fotos: Silvano Marques

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Coisa de Gordo - 475

09 de abril de 2010 0

475 – CAMINHAR FAZ BEM

E como faz! Adeptos que somos das caminhadas, vez que outra nos aventuramos por caminhos mais distantes. A idéia veio do nada, estávamos num pequeno grupo de caminhada e então sugeri: – Por que a gente não sai a caminhar até uma localidade mais longe?

Andar no asfalto é seguro, plano, confortável, mas igualmente vêm outras coisas não tão saudáveis. Andando no asfalto a gente está em meio à fumaça de carros, ônibus, caminhões. Tem que atravessar eventuais ruas, parando nas esquinas, perdendo o ritmo. É bom e também é ruim, portanto.

O outro lado traz igualmente coisas ruins, se se vai caminhar numa estrada de interior, tem poeira, caminhão, etc, só que num ritmo bem menor.

E aí ressaltam-se as qualidades de uma caminhada dessas “estrada afora”. O ar do campo, a paisagem, os ruídos, o silêncio, a cara do gado olhando a gente passar. Tudo isso é delicioso para quem faz uma caminhada. Tem ainda a possibilidade de umas fotos bem legais, se bem que não dá para ficar parando a toda hora. Mas vejo numa saída dessas uma rara oportunidade de desligar o notebook, desligar a TV, desligar o celular e voltar ao dito mundo real. O mundo preexistente. O mundo que sempre esteve, está e sempre vai estar ali. A natureza a nos rodear.

Munido dessa tosca e singela idéia escolhemos uma data e assim, no sábado dia 17 de abril de 2010, pela manhã, partiremos de nossa cidade (Santo Antônio da Patrulha – RS) em direção ao interior, numa tranquila caminhada.

Algumas coisas eram importantes.

Um destino conhecido – a localidade do Monjolo está no imaginário de todo habitante local. Quem nunca foi até lá, pelo menos já ouviu falar. Vamos portanto caminhar até o Monjolo, um pequeno aglomerado de casas, escola, comércio, posto de gasolina. Ali passa um rio e outrora havia uma pequena prainha, um pequeno balneário onde se ia aos fins-de-semana de verão. Tinha até camping. Os anos levaram o camping, a estrutura, mas o rio lá permanece embelezando a paisagem.

Uma distância razoável – nessas atividades tem os “macacos-velhos” das pistas, mas tem também os neófitos. Assim, não dá para querer extrapolar. O percurso de ida me pareceu de bom tamanho, nem curto, nem longo. Medi no Google Earth fazendo aquele passo-a-passo com o mouse e deu 6,6Km. Dá para encarar perfeitamente, sem grandes traumas. Sempre lembro de uma festividade local nossa que consiste em subir caminhando até uma Igreja (Nossa Sra das Lágrimas) num trajeto ascendente de 27Km. E as pessoas se jogam, dá povaréu. E isso que eles ficam o ano todo sem caminhar. Partindo desse raciocínio, o que são meros 6,6Km para um que outro sedentário, se todos fazem 23Km na marra? Vamos percorrer, portanto, 6,6Km.

Uma velocidade adequada – em se tratando duma atividade que convoca pessoas da comunidade, visitantes, pessoas conhecidas e desconhecidas, não dá para se querer um ritmo muito acelerado, face às inúmeras diferenças de condicionamento que haverá entre os participantes. Quem caminha para fins aeróbicos anda numa velocidade algo maior que 5Km/hora. Em geral a gente parte disso e à medida que vai acelerando atinge 6,5…até 7Km/hora (aí eu já tô quase correndo). Em nossa caminhada ao Monjolo teremos que ir mais devagar, quase que passeando, para não afugentar apreciadores e pensando também que é um percurso longo se comparado ao que as pessoas costumam fazer. Vamos a passo calmo, portanto.

Cuidados pessoais – há que vestir uma roupa confortável, leve, já bem usada, que não faça ninguém carregar casaco na volta. Nada de carregar mochilas pesadas, peso morto, coisas inúteis. E até mesmo porque será um trajeto relativamente rápido, imagino que no máximo em duas horas a gente conclua o desafio. O tênis obviamente deve ser velho , surrado, bem amaciado. Tênis novo é bolha na certa e deve ser proibido entre nós. Meia igualmente confortável. Há que se lembrar do sol, e vestir boné e aplicar protetor solar (como bem lembrou a Cássia, uma das líderes da caminhada).

O que carregar – coisas leves, que não pesem no seu braço/ombro e não atrapalhem o seu desempenho. Uma barrinha de cereal, uma banana, no máximo uma água mineral 500ml. Mais que isso vai atrapalhar. A turma que vai fazer fotos vai ter que levar as suas máquinas, é o preço! Mas podem racionalizar a carga, evitando de levarem outras coisas. Filho pequeno, cachorro e sogra são contra-indicados. Certo, certo, estava brincando na parte da sogra.

A volta – calma, calma, nada de pânico nem desespero. Estamos providenciando um ônibus que  nos busque de volta. Eu até encararia ir e voltar, mas já citei antes que não se pode afugentar as pessoas. A idéia é agregar gente, não se isolar. Portanto, estaremos motorizados na volta.

O que vai resultar disso tudo – você trará um sua bagagem alguma poucas fotos maravilhosas, a lembrança bucólica do trajeto, a alegria da caminhada em grupo, as piadas, os gracejos, os tombos (será que alguém vai levar tombo?), coisas que vão lhe acompanhar pelo resto da vida. Lembra do Silvano pulando a cerca para pegar cáqui maduro e pisando na bosta da vaca? Anos depois, você ainda vai comentar o acontecido.

Enfim – vá se vestir e se calçar logo. Tá esperando o quê? Vai ser no sábado dia 17 de abril de 2010, saindo da frente do Colégio das Freiras, às 8:00h da manhã. Pensou que nunca ia me conhecer? Pois vou estar lá, lhe esperando. Apareça.

Silvano – o impossível

Crédito da foto: Silvano

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Dieta numa hora dessas...

09 de abril de 2010 0

Você bem que tentou, se esforçou, fez propostas, promessas, cálculos mirabolantes, somou e subtraiu calorias, calculou seu IMC, estabeleceu metas de emagrecimento….até que lhe caiu no colo a Semana Santa. Sim, essas festas católicas. Que perdição!

Você esteve imbuído de comer menos na quaresma, fez votos de solidariedade aos órfãos do fim da rua, cada vez que ia comer um pãozinho ou um chocolate você resistia e separava numa cestinha que depois era entregue no orfanato. Nos dias seguintes, suas caminhadas redobraram, suas idas à academia se multiplicaram, o dono do local queria fechar às 23:00h e você ali, atracado na esteira e pedindo mais dez minutos.

Amigo(a), de fato você se esforçou. Não, fora de brincadeira, dessa vez você se superou. Nunca lhe tinham visto comendo aipo e rúcula, sem sal e sem azeite, mas era isso que você comia nos dias derradeiros.

O caminhão do lixo estava furioso com você por causa dessa sua mania de persegui-los enquanto eles faziam a coleta do lixo. Os caras ali suando e trabalhando e você, por esporte, correndo atrás deles para fins estéticos.

Sua mãe estranhou no dia em que lhe surpreendeu medindo a grossura da sua coxa com uma fita métrica e festejando um centímetro a mais de músculo para compensar aqueles dois centímetros e menos de gordura na sua bunda. Sim, de uns tempos para cá você andava vidrado(a) na sua própria bunda. Olhava pelo espelho, olhava nas vitrines do Shopping, você se apaixonara pela sua própria bunda. Tarde da noite e você a alisava para ver se estava mais dura, mais firme.

Sim, você já sabia o que o(a) aguardava. Tempos difíceis se avizinhavam. O tsunami da obesidade se levantava dentro do oceano das calorias, silencioso, preparando-se para invadir sua praia. Você como que percebeu a chegada dele quando aqueles Ovos de Páscoa começaram a ser depositados nos escaninhos da sua casa. Quando as tais patinhas de coelho começaram a decorar o seu jardim. Aquilo era só o aviso. O pior estava por vir.

O vento da engorda se avizinhava de sua casa, da sua vida, da sua barriga, por que não reconhecer? Era quinta-feira santa e suas resistências tinham acabado. Você como que atingira o seu limite. Você não conseguiria segurar aquilo por muito mais tempo. Um dia chegou a ficar irritado com um padre pelo fato da quaresma ter longos quarenta dias. Aquilo se transformara numa tortura para você.

Enfim….. amanheceu a Sexta-Santa.

Chegando na casa de seu irmão, o almoço estava servido e diante daquele Bobó de Camarão, daquele Bacalhau à portuguesa, daquela Torta de Bacalhau….diante da cerveja gelada, ou diante do vinho tinto chileno…você capitulou. Ali, naquela hora, você foi tragado pelas águas do fracasso e abandonou todas as suas convicções. Deus do céu!!! – você bradou – é hoje que eu me mato de tanto comer!

Dito isso, você se largou a comer e beber de tudo, entrando numa espécie de transe. Como um viciado que retorna à droga, você foi recolhido pela sua cunhada no tapete do quarto de seu sobrinho, lambuzado de ovo de chocolate, um baita ovão Laka Branco  que ele ganharia no domingo.

Sim, amigo(a), você cedeu de novo. Você saiu da casca. Você emergiu. Você transbordou.

Ligue não! Logo, logo o Natal está aí. Perceba no farfalhar das folhas das árvores, o vento que se aproxima de novo. Lento, silencioso. Cheio de calorias para lhe abarrotar.

Viva a Semana Santa.

Silvano – intoxicado pela páscoa

Crédito das Fotos: Silvano

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Caminhada na Estrada

04 de abril de 2010 0

Caminhar faz bem , ainda mais depois da Páscoa, da sexta-santa, daquela comilança toda. Assim, munidos de uma boa dose de ânimo e disposição, no sábado dia 17 de abril de 2010 sairemos aqui de nossa cidade, Santo Antônio da Patrulha, ali , da frente do Colégio das Freiras, até a localidade do Monjolo, em alegre caminhada.

Iremos sem compromisso de tempo, sem correria, sem cunho político, esportivo ou religioso. Nada disso. Caminharemos apenas pelo prazer de curtir a natureza em companhia de pessoas legais.

Percurso: 6,6Km. Distância curta, nada de exageros, é apenas para começar o ano!

Portanto, se você se encaixa nesse perfil, ou seja, se julga uma pessoa alegre, descontraída, a fim de estar em forma, a fim de admirar o passeio em meio ao campo…APAREÇA.

Devo fazer umas fotos pelo caminho, logo que as tiver, mostro aqui.

Exagerou nos ovos de páscoa? O bacalhau tava salgado? Então vem desintoxicar no dia 17 de abril, sábado, pela manhã. Mais perto confirmo o horário de partida que deve girar em torno de 8:00h da manhã.

Silvano – com o pé na estrada

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Coisa de Gordo - 474

04 de abril de 2010 3

474 – CHICO XAVIER – O FILME

Você por certo vai pensar que não sou isento para falar desse filme, mas creia-me que estou me esforçando para fazê-lo da melhor maneira possível. Vez que outra me aventuro a falar de cinema neste espaço, até que chega o momento de falar desse filme CHICO XAVIER.

O diretor Daniel Filho é mestre na arte, não se trata de iniciante, ele sabia o que fazia. O filme traz aos olhos do público a vida do renomado médium mineiro Francisco Cândido de Paula, o Chico Xavier. A narrativa parte de um programa de TV chamado Pinga Fogo realizado pela TV Tupi de São Paulo no início dos anos 70, onde Chico foi entrevistado por uma banca ávida de curiosidade. A partir disso, a narrativa volta no tempo e vai até a infância do personagem principal, quando ainda menino sofria nas mãos de uma madrinha que o tratava a garfadas. Sim, garfadas na barriga. Desde o começo ele conversava com espíritos, e usou desse dom para ter o apoio de sua falecida mãe nesse início de caminhada. As cenas são lindas, a fotografia é bela, a reconstituição de época é precisa. Nos créditos iniciais a gente lê que o filme tem patrocínio (entre outros) do governo de Minas Gerais, e no meu singelo julgamento, foi um investimento válido. O estado de Minas Gerais aparece lindo, cores fortes e vibrantes, nas imagens projetadas na tela.

Volta-se ao Pinga Fogo, mais umas perguntas, e em seguida um novo passeio ao passado. Assim, o espectador é levado a conhecer três fases da vida de Chico. Sua infância, sua vida digamos assim, adulta. E sua vida já mais como idoso. Em todas elas ressurge sempre a figura humilde, sincera, até mesmo frágil do Chico. E suas luta contra a discriminação, contra o preconceito popular. Mostra a igreja católica, de poder forte naquele momento histórico, constrangida pela presença do médium. Interessante é que na entrevista citada, sempre que perguntado sobre as coisas da Igreja, ele respondia terna e carinhosamente, jamais atacando ou se queixando da Santíssima, Eclesiástica e Litúrgica Igreja.

Um divisor de águas na narrativa foi uma escolha do diretor em não mostrar os “mortos”. Com exceção da mãe do médium e do seu guia espiritual Emmanuel, nenhum “fantasma” mais aparece no filme para assustar ou divertir quem quer que fosse. Nos dias de hoje, em que filmes e seriados pululam nas telas e telinhas, com espíritos e almas penadas vagando pelas casas e ruas, o filme sobre Chico Xavier preferiu manter-se como que neutro, deixando ao espectador a decisão de acreditar ou não. Entender ou não. Admirar ou não.

Com um elenco dos mais capazes, é um filme que só podia dar certo. Tony Ramos, Cristiane Torloni, Giulia Gamm, Giovana Antonelli, Nelson Xavier, Angelo Antônio, Paulo Goulart, entre outros, dão o brilho da história. Aliás, em todos os momentos o público é levado às lágrimas e em especial, há um embate entre o Tony Ramos e a Cristiane Torloni de fazer a pessoa soluçar, de tanta emotividade. Esse renomado ator global faz a passagem, a travessia, mergulhando a dor do personagem num oceano de sofrimento, para ao fim emergir da escuridão e respirar em busca da luz. Leve lenço de papel. Ou então faça como eu, deixe escorrerem as lágrimas e molhe sua camisa sem cerimônia.

A música? Cara, já tinha esquecido que existia o Egberto Gismonti. Linda música. Mineira. Apropriada.

Filmaço. Imperdível.

Nota: 10,0!

Silvano – ainda com o nó na garganta

título original:Chico Xavier – O Filme

gênero:Drama

duração:02 hs 05 min

ano de lançamento:2010

site oficial:http://www.chicoxavierofilme.com.br

direção: Daniel Filho

música:Egberto Gismonti

Crédito da foto: cartaz retirado do site oficial do filme

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