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Posts de junho 2011

Coisa de Gordo - 517

27 de junho de 2011 0

517 – Battisti

 Foi criada toda uma polêmica em torno da extradição ou não desse bandido, o Cesare Battisti, para devolvê-lo à Itália, seu país de origem. O Brasil participa de acordos de extradição faz décadas e o caminho natural desse imbróglio todo era o tal matador ter sido mandado de volta à Itália para, lá, acertar contas com o seu passado.

Acontece que o Lula, aquele presidente nosso dos 100% de popularidade, não tendo mais o que fazer, em seu último ato de governo, trancou o processo.

O ano virou, mudou o governo (mudou?) e a confusão estava feita. Uns são a favor de mandar o cara de volta, outros esperam que ele fique por aqui curtindo sua liberdade.

Não consigo me admirar com isso. O Brasil é o celeiro da bandidagem internacional. Sempre que o bandido do filme de faroeste assaltava o trem ou o banco, na minha infância, na cena final do filme ele aparecia indo para o México. Isso era no tempo do faroeste. Hoje eles vêm para o Brasil.

Dia desses vi um filme com o Russel Crowe onde a esposa dele é injustamente acusada de um crime nos EUA, vai para a cadeia, ele passa o filme todo planejando, correndo, tramando para então…então…fugirem prá Venezuela! Bah – pensei – mas que final deprimente! Leva ela de volta prô presídio!!

O governo Lula, aquele aprovadíssimo, tem critérios estapafúrdios nessa pequena novela. Quando boxeadores cubanos pediram asilo político por aqui, para fugir da mão bruta e assassina de Fidel Castro, este mesmo governo tratou de devolver rapidamente os lutadores às autoridades cubanas. E isso que sobre eles não havia acusação alguma de assassinato, terrorismo, etc. Os caras apenas queriam fugir da ditadura de Fidel e seus asseclas. Foram rapidamente devolvidos! Agora no caso Battisti, o governo e seus defensores alegam que ele não foi julgado corretamente em seu país de origem. Os cubanos também não! Alegam que o Battisti não é assassino. Os cubanos também não eram. Então por que os coitados foram mandados de volta? E o Battisti não.

Volto no tempo e lembro da pompa e circunstância com que o governador Olívio Dutra, aquele da Ford, recebeu aqui no Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, o líder das FARC, esses terroristas-traficantes da Colômbia. O cara liderava um bando de saqueadores, estupradores, torturadores e bebeu cafezinho no salão principal do Palácio. Fazer o quê? Ou seja, isso aqui é a casa da bandidagem, sim senhor.

Volto ainda mais no tempo lembro do Ronald Biggs, assaltante do trem pagador na Inglaterra, que após o assalto não foi para o México, como os caubóis de outrora, veio para o Brasil, no Rio de Janeiro. O cara aqui era uma celebridade, seu filho virou ator televisivo. Ele virou de assaltante lá a quase herói nacional aqui, portanto!

De fato, esta é a casa da mãe Joana!

Eu não sei dos detalhes dos supostos crimes cometidos pelo Battisti, naquele tempo estive envolvido com outras coisas (era criança, ora pois). Olhando o caso de fora, sempre me pareceu que o mais correto seria o Brasil deportar o cara e que lá eles se acertassem, até porque a Itália não é nada igual a um Irã, uma Cuba, um Afeganistão. Lá a coisa parece ser um pouco mais civilizada. E assim assisti às atitudes de nossas autoridades preocupadas em defender o matador italiano, deixando-o por aqui, em terras brasilienses.

Até que juntei a história do Biggs, o filme do Crowe e aqueles dois neurônios que eu tenho e tive um insight. Aquilo que os psiquiatras e psicanalistas nos fazem buscar, o entendimento das coisas.

Esse Cesare Battisti já está cumprindo pena! Ele talvez não tenha se dado conta. Ele ficou no Brasil! Para sempre! Nós, que aqui nascemos, achamos que o Brasil é o melhor país do mundo, melhor lugar para se viver, etc. Mas nós nascemos aqui. O Battisti viveu no primeiro mundo, ele bebeu da fonte do desenvolvimento, dos direitos respeitados, da cidadania. Ele podia se valer de sua condição italiana para viajar por toda Europa, todo mundo, enfim.

A partir de agora ele não poderá NUNCA MAIS visitar o Coliseu, beber um vinho nas cercanias da Piazza Navona, passear por Veneza a bordo de uma gôndola. Não poderá subir na Torre Eiffel para ver Paris do alto. Não poderá curtir o calor dos Pubs londrinos, bebendo aquele copão de cerveja. Nada disso.

O Battisti agora vive na terra do Sarney, do Jader Barbalho, vive no país da dengue, da febre amarela. Vai ver ele pega uma Gripe A numa noite fria dessas. Ele foi condenado e viver com a chance de sofrer um seqüestro-relâmpago, de ser morto no semáforo durante um assalto. Ele está na terra da Transamazônica, na terra da roubalheira, onde a Copa do Mundo vai enriquecer ainda mais os ricos corruptos que há por aqui. Terra de Palocci, de Genuíno. Terra de Maluf. Rá, rá, rá, fica aqui, Battisti, ninguém lhe avisou, mas você já está cumprindo pena.

No fim de sua vida o Ronald Biggs teve este insight também e pediu para ir de volta à Inglaterra. Tarde demais, sua vida passara-se toda aqui, juntinho do Sarney!

Se um juiz italiano nos perguntar acerca do Battisti, como pequenos diabos, entre risadas, responderemos: – Fique calmo, meritíssimo. Ele ainda está no meio de nós!

Olha a bala perdida aí, gente!!

Silvano – o impossível

Crédito da 1ª foto: Evaristo Sá / AFP – publicada aqui no CLICRBS

Crédito da 2ª foto: Silvano Marques

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Que família..

15 de junho de 2011 0

Eu já os conheço aqui de Santo Antônio. Mas talvez você ainda não tenha tido essa chance. Todos na família Salazar cantam, todos dançam, é tudo gente legal, amigável, uma verdadeira reunião de talentos. Neste vídeo do Youtube estão a filha ALICE  SALAZAR (maquiadora da RBS, melhor maquiadora do Brasil num concurso da Avon) e o pai CLÓVIS  SALAZAR, autoridade local aqui da terrinha. Pura arte!

Silvano – encantado


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E as caminhadas?

15 de junho de 2011 0

Sim, sim, estamos de volta às pistas e temos caminhado, mesmo com o frio. Não esmoreça, amigo(a), é tempo de se cuidar. Aproveite esse friozinho pois o corpo gasta mais calorias na caminhada nesta época.

O pessoal que manda o placar também está ativo. Já fui ultrapassado na minha contagem. Estou com 60 caminhadas já realizadas. Mas o objetivo do ano continua: – fazer 100(cem) caminhadas aeróbicas até o fim do ano.

Pé na estrada, rapaziada!

Silvano – o impossível

Crédito das ilustrações: Silvano Marques

 

 

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Coisa de Gordo - 516

08 de junho de 2011 1

516 – SAMANTA

Quero evitar as grandes concepções filosóficas, quero declinar das apreciações políticas em torno da saída do Palocci do governo, quero sim evitar muito pensar. Hoje dedicar-me-ei a falar da SAMANTA.

Sim, é uma gíria, uma expressão. Quando a gente olha a barriga pouco avantajada de uma pessoa e comenta… “olha essa manta de gordura”. Essa manta. Samanta!

Por uma questão de preferência e delicadeza falarei das mulheres, posto que esta é uma das características da Samanta. Ela só pertence a mulher. Homem não tem Samanta! Homem é mais feio. Tem tudo, menos Samanta.

Os anos chegam para todo mundo e também para as mulheres. E ali, no interstício entre a juventude e a maturidade, algumas partes do corpo feminino ganham novas formas, novos contornos. E essa área da barriga em especial se torna quase-quase protuberante. Quer aparecer, quer se mostrar. Assim, seja pelos resquícios de uma gravidez, seja por um excessozinho aqui ou ali, seja pela lassidão dos músculos retos-abdominais, seja enfim por uma série de fatores, aparece a Samanta.

Quando as mulheres invadem os consultórios dos cirurgiões-plásticos o fazem aos prantos e a primeira coisa da qual elas falam é a Samanta. Doutor, pelo amor de Deus, me remova esSA MANTA de gordura da barriga. O esculápio diverte-se com tal fixação feminina, tal distorção de auto-imagem, e a consulta prossegue com o detalhamento das possíveis técnicas operatórias.

Essa é uma das nuances em torno da Samanta. No meu tosco e limitado modo de ver, trata-se sim de uma distorção da auto-imagem feminina. A mulher se olha no espelho e, independente do que lhe digam, apavora-se com a presença da Samanta. E vê nela sua principal inimiga, algo a ser eliminado.

O que me impressiona é que, não obstante tal situação, a Samanta é um dos pontos mais atraentes no corpo da mulher. Tanto isso é verdade que o mercado da moda rapidamente percebeu isso, dando um jeito de mostrar a Samanta. Perceba que na última década as calças femininas tiveram o seu cós reduzido e as blusas tiveram sua barra levantada. Ou seja, os designers tinham que dar um jeito de mostrar a área!

Esse é o charme da Samanta. Não entendo porque as mulheres a perseguem, tentam eliminá-la, querem destruí-la. A Samanta, cara mulher, é um atrativo do seu corpo. É um ponto alto. É um detalhe que eventualmente engrandece a mulher.

A Samanta vai bem na praia quando se transborda por sobre o biquíni, ficando mais bronzeadinha. Vai bem no frio quando sai por debaixo dos blusões e vem dar as caras para ver a luz do dia. A Samanta é currículo, é estrada percorrida, é quilômetro rodado!

A Samanta é nacional, é transcontinental, é mundial. Tivemos chance de ver Samanta na França. Na Itália. Em todo lugar.

Tenho olhos de ver, na figura feminina, infinitas qualidades que se sobrepõem às coisas do corpo físico. Sua graça, seu charme, sua sabedoria, sua visão da vida, sua capacidade de organização, seu instinto maternal, sua presença, enfim…muitas coisas mais. Mas hoje abri um pequeno espaço para comentar essa área injustiçada do corpo dela.

Não brigue com a Samanta, mulher. Você está atacando uma de suas maiores aliadas.

Silvano – o impossível

Crédito das fotos: Silvano Marques

 

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Ferreira Gullar

08 de junho de 2011 0

A Cássia Message tem um talento prá garimpar umas coisas…Olha essa poesia do Ferreira Gullar que ela publicou no seu Blog PRÁS NOITES INSONES (tem atalho ali nos links). Emocionante. Tive que “piratear”. Olhe isso.


NÃO COISA


O que o poeta quer dizer 

no discurso não cabe 

e se o diz é pra saber 

o que ainda não sabe. 


Uma fruta uma flor

um odor que relume… 

Como dizer o sabor,

seu clarão seu perfume? 


Como enfim traduzir

na lógica do ouvido

o que na coisa é coisa 

e que não tem sentido? 


A linguagem dispõe

de conceitos, de nomes 

mas o gosto da fruta 

só o sabes se a comes 


só o sabes no corpo

o sabor que assimilas 

e que na boca é festa 

de saliva e papilas 


invadindo-te inteiro 

tal do mar o marulho 

e que a fala submerge 

e reduz a um barulho,


um tumulto de vozes 

de gozos, de espasmos, 

vertiginoso e pleno 

como são os orgasmos. 


No entanto, o poeta 

desafia o impossível 

e tenta no poema 

dizer o indizível: 


subverte a sintaxe 

implode a fala, ousa 

incutir na linguagem 

densidade de coisa 


sem permitir, porém,

que perca a transparência 

já que a coisa é fechada 

à humana consciência.


O que o poeta faz

mais do que mencioná-la

é torná-la aparência

pura — e iluminá-la.


Toda coisa tem peso:

uma noite em seu centro.

O poema é uma coisa

que não tem nada dentro,


a não ser o ressoar

de uma imprecisa voz

que não quer se apagar

— essa voz somos nós.

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