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Posts de fevereiro 2012

A Visita Cruel do Tempo - livro

25 de fevereiro de 2012 0

Tem certos filmes do Robert Altman que mostram uma série de histórias entrelaçadas, onde detalhes de um relato se ligam ao de outro, e o filme vira uma espécie de colcha de retalhos. Short Cuts – Cenas da Vida é um exemplo.

Este premiado e badalado livro da escritora Jennifer Egan, chamado A VISITA CRUEL DO TEMPO é exatamente assim. Com ainda mais diversidade.

O livro comenta as idas e vindas do tempo na vida de pessoas dispersas, seus efeitos em geral maléficos, as coisas que aconteceram depois.

Sim, a autora dá sempre um certo tom cinzento, amargo sobre as histórias. Em algumas delas a gente nem gostaria de saber o resto, mas ela faz questão de, num parágrafo, às vezes num simples “entre-vírgulas”, contar o que houve depois. E entristecendo a história.

A autora nos dá um certo trabalho, pelo menos falo por mim. Como os personagens são inúmeros e, até um certo ponto não têm nada a ver com os outros, é fácil de se fazer confusão. Então tomei de um recurso quase ancestral para não me perder. A cada capítulo estranho, eu pegava um papelzinho e ia montando as tramas de relacionamento. Durante a leitura, se me confundia, dava uma olhadinha no papelzinho e lembrava quem era quem. Sim, sim, ria de mim e de meus cabelos raros e esbranquiçados. Isso é coisa de velho – você dirá. Que seja.

Para piorar um pouco mais, a história dá pulos no tempo, indo e vindo continuamente, e de repente quem era adulto e casado aparece como criança, coisas assim. Tem que se ficar atento.

Para dificultar mais um pouquinho, então acontece o seguinte. Alguns capítulos são escritos em terceira pessoa (“fulano disse aquilo para a mulher”), até aí nada demais. Mas outros são escritos em primeira pessoa (“eu estava ali”, “eu comprei”, “eu vi”), só que a cada vez é uma primeira pessoa. O narrador muda constantemente, sem aviso prévio.

Se ao menos na abertura do capítulo ela colocasse: – agora vai falar o Zebedeu. Mas não, a tal Jennifer deixa isso como um exercício de descoberta ao leitor. E que às vezes leva umas três ou quatro páginas até se revelar. Irritado com isso, retornei ao início desses capítulos e escrevi à caneta: – Agora vai falar Scotty. Pronto, o próximo leitor que for ler esse meu exemplar estará mais prevenido.

Como se já não fosse suficiente, há um capítulo que é escrito supostamente por uma criança e, portanto, ele é todo em gráficos, diagramas, esquemas com setas, triângulos, quadrados. O pior é que até pensei em pular esta parte mas o pouco texto aí contido é crucial para o entendimento de partes anteriores. Ou seja, tem que ler!

Mas peraí, alguém vai dizer, então o livro é uma droga, uma encheção de saco! Pois aí é que está o dado mágico da coisa. O livro mesmo assim (ou até mesmo por isso tudo, dirão alguns) é excelente leitura, em dados momentos a gente não consegue parar de ler, quer levar o livro prá mesa, prô banho. Os relatos são profundos, em que pese seu ar pessimista, mas trazem à tona o drama de pessoas como nós, comuns, que simplesmente buscam o caminho melhor para viver. Uns vão por aqui, outros por ali, as cicatrizes adquiridas ao longo do tempo são visíveis em todos personagens. E na visão da autora, sim, o tempo faz uma visita cruel a todo mundo.

A foto dela que foi reproduzida da orelha da capa, mostra uma mulher já com alguma carga de tempo, não é uma adolescente. Talvez ela esteja naquela clássica crise feminina de não querer marcas do tempo em seu rosto e seu corpo. Pode ser. Mas os personagens do livro são engolidos pelo tempo, dobrados, curtidos, transformados.

Eis, por certo, o destino de todos nós. Receber a visita implacável do tempo em nossa sala de estar, nas rugas de nossas faces, na cor ou ausência de nossos cabelos. O visitante bate à porta de todos. Cabe a cada um de nós decidir se o vai acolher serenamente ou se vai tentar expulsá-lo porta fora a chutes e bordoadas.

Do alto de meus anos vividos, pessoalmente estou mais para um diálogo do tipo: – Senta aí, tudo bem? Vamos tomar um cafezinho. Mas cada um sabe da sua sala de estar.

Baita livro. Nota: 8,5. Imperdível. E já que falei de cinema lá no início, é o tipo de roteiro que está caindo de maduro para virar um filme. Chama o Robert Altman.

A Visita Cruel do Tempo

Jennifer Egan

Editora Intrínseca – 2011

Silvano – o impossível

Crédito das fotos e ilustrações: Reprodução de Silvano Marques a partir do livro em questão

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Coisa de Gordo - 534

22 de fevereiro de 2012 0

534 – Foz do Iguaçu
Dentre tantas belezas naturais que esta terra brasileira oferece, a ida à Foz do Iguaçu é uma das mais destacadas. Eu era um dos dois ou três cidadãos que ainda não tinha ido lá. Pois lá fomos e nos maravilhamos. Você se cria sabendo que lá no canto do Paraná tem aquelas cachoeiras maravilhosas, tem Itaipu,você sabe que perto disso tem as lojas do Paraguai, só que aí o tempo passa e a gente nunca tinha ido lá.
A bem da verdade, sempre que se fala prás pessoas comuns em ir à Foz do Iguaçu o que lhes vem à memória é a função das compras, dos importados, dos preços arrasadores, dos falsificados, a Ponte da Amizade. Eu, que sou um obtuso convicto, nunca me deixei seduzir muito por este viés do passeio, pensando sempre nos outros aspectos. A natureza, Itaipu, as cataratas. Agora que “carimbamos o passaporte” por aquelas bandas, fiquei ainda mais convicto disso. A ida ao Paraguai, para mim, é completamente dispensável. As coisas que há na Argentina e no Brasil são infinitamente mais interessantes.
Mas sou ciente de ser esta uma opinião bem isolada, assisto ao périplo de gentes e mais gentes indo e vindo àquele verdadeiro Umbral, em busca de perfumes, relógios, brinquedos, videogames e outros equipamentos. Possivelmente falsos. Possivelmente estragados. Possivelmente criminosos. Mas e daí? O que vale é a sensação de pagar mais barato – me dizem os perdulários.
O passeio ao Parque Nacional das Cataratas do Iguaçu (lado brasileiro) é uma experiência transcendental, algo maravilhoso, quase indescritível. A estrutura do Parque é toda muito boa, estradas asfaltadas, placas indicativas, lixeiras em todo o trajeto, funcionários o tempo todo recolhendo o lixo, elevador panorâmico, trilhas de observação, passeio de barco para quem quiser, um arraso! Faz-se turismo limpo, sem sujar o meio ambiente além do normal, e tem-se a chance de fazer as fotos mais lindas que há por aí. As imagens das Cataratas do Rio Iguaçu, aquela massa de água infinda se despejando pelas escarpas rochosas, é algo que nos fascina e encanta! Só aí a viagem já teria valido a pena!
Então tem o passeio à Usina de Itaipu, agora no Rio Paraná, onde se pode admirar aquela grandiosa edificação que foi tão criticada em tempos recentes, como sendo uma chaga da ditadura militar, e que agora recebe o status de ser uma das maiores hidrelétricas do mundo. Supre boa parte da energia que o país consome. No passado, maldita Usina. Agora, bendita Usina. Vale o passeio.
E aí tem as Cataratas do lado da Argentina, de novo no Rio Iguaçu. Se no lado brasileiro já tínhamos delirado, do lado argentino quase morremos de satisfação. Lindo, lindo, lindo passeio. Trilhas pelo alto, trilhas mais baixas, passeios de barco, um trenzinho que leva os visitantes de um lado a outro, isso tudo e muito mais compõem a paisagem local. E para fechar com chave de ouro tem a Trilha da Garganta do Diabo, aonde a gente vai caminhando até o coração das cataratas. Fica-se como que dentro das gigantescas cachoeiras, sentindo aquela energia aquática toda em derredor. Emocionante. De ir às lágrimas. Para mim, um encontro com Deus!
Não sei como demorei tanto tempo para conhecer isso! Talvez porque sempre que comentassem dessem ênfase às compras no Paraguai.Tô esquecendo alguma coisa? Sim. Visitamos também o Parque das Aves, belo local para apreciar as coloridas araras, papagaios, flamingos e outras coisas mais.
Preços:
– Passeio em Itaipu : 20,00 / pessoa. Estudante paga meia!
– Parque das Aves: 20,00 / pessoa
- Cataratas Brasileiras: 25,00 /pessoa
- Cataratas Argentinas: 70,00 pesos/pessoa ≈ 30,00 reais/pessoa
- Passeio de barco lado argentino: 110,00 reais/pessoa
– Passeio de Helicóptero: 190,00 / pessoa – apenas 10 minutos de vôo
A partir de dezembro de 2012 a Webjet inaugurou linha direto Porto Alegre – Foz do Iguaçu. Tá esperando o quê? Máquina fotográfica no pescoço. Água mineral para os passeios. Sem medo de ser feliz!
Silvano – extasiado
Crédito das fotos: Silvano Marques


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Só para esclarecer..

22 de fevereiro de 2012 0

Você deve saber disso, mas sempre tem alguém distraído que confunde os rios e as coisas. Só para lembrar, ali, naquela região , existe o encontro de dois rios, o Rio Paraná e o Rio Iguaçu. No Rio Paraná, longe desse ponto de encontro, está a Usina de Itaipu. No Rio Iguaçu, longe do ponto de encontro, estão as Cataratas do Iguaçu.
A confluência desses dois rios estabelece a Tríplice Fronteira que é a separação dos três países (Brasil, Paraguai e Argentina).
Num rio está Itaipu.
No outro estão as Cataratas.
Silvano – mas e quem é que perguntou isso??
Crédito da ilustração: Silvano Marques

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Coisa de Gordo - 533

07 de fevereiro de 2012 1

533 – COMENDO GENTE
A cidade de Porto Alegre tem em seu passado um fato dos mais escabrosos, uma série de crimes cometidos nos anos de 1863 e 1864 e que por muito tempo foi motivo de vergonha e asco aos seus habitantes. Sim, falo aqui do suposto açougueiro da Rua do Arvoredo (atual Fernando Machado, entre o Centro e a Cidade Baixa) que matava suas vítimas e fazia lingüiça de seus restos, servindo à cidade aquela verdadeira iguaria de carne humana. Crimes, assassinatos, canibalismo, imagine só.
Eu tinha o livro do David Coimbra intitulado CANIBAIS (L&PM, 2004), mas não o lera ainda. Minha filha pediu uma sugestão de leitura para as férias e dei-lhe este. Ela adorou, começou a comentar e aí é óbvio que tive que conferir.
O livro é ótimo, devidamente romanceado pelo David, com uma narrativa na qual ele coloca as marcas registradas de seu estilo de escrever. Sexo e História! Ele vai conduzindo o leitor pelos becos lamacentos da capital gaúcha, uma incipiente metrópole de apenas 20.000 habitantes, para descrever os crimes bárbaros e perversos que foram ali, na tal rua do Arvoredo, cometidos. E o faz com maestria, com rigor de historiador. E é claro que sobram as cenas de prazeres carnais, descrições genitais e coisas variadas. A gente começa a ler e fica “mordido” pela história, tem que se conter para não ler rápido demais, tem que saber aproveitar o texto.
Lá no final do livro o David comenta as diversas fontes nas quais foi “beber” e cita um livro do Professor Décio Freitas (falecido em 2004) assim como conversas que eles dois tiveram sobre o tema. Ora, para quem gostou do livro do David, ler aquilo ali ao final é um convite, um desafio.
E eu fui atrás.
O livro do Décio Freitas é O MAIOR CRIME DA TERRA (Editora Sulina,1996) e alude à manchete de um jornal de Paris da época, quando noticiou o fato. Se o livro do David é ótimo, este aqui é maravilhoso.

O Décio Freitas traz a narrativa calcada aí sim em fatos e dados históricos. Sim, ele até que romanceia aqui e ali, para manter o fio da narrativa. Mas o livro dele é um relato mais próximo do que aconteceu. É mais completo (em que pese tenha menos páginas), é mais denso, mais real, diria mesmo que é até mais intenso. A força toda que o David usou com sexualidade o Professor Décio Freitas usou com dados e levantamentos históricos. Com detalhes processuais. E tudo de uma forma igualmente instigante, envolvente, um passeio histórico sobre a cidade de Porto Alegre. O contexto social, os imigrantes, as ruas, a sujeira, as execuções, os entraves políticos e legais, tudo ali está. E ele vai contando como se um investigador fosse, a gente chega a imaginá-lo com uma lupa, debruçado sobre papéis. Ou caminhando pela rua Fernando Machado. Impressionante! Obra de arte!

Fui até o local onde tudo se deu, a casa não existe mais, o tempo varreu aquilo da rua. Estão ali aquelas casas da foto aqui abaixo.
E para mim com um toque de mistério. O livro do David é fácil de encontrar, é mais novo. O livro do Décio é raridade nos sebos. Entrei no site da Estante Virtual e em todo Brasil só tinham três exemplares à venda. Um deles, num sedo da Rua Riachuelo, em Porto Alegre, a poucas quadras de onde tudo aconteceu. Lá me fui, em carne e osso (ops, olha o açougueiro aí, gente), buscar o livro mais antigo. E voltei com ele embaixo do braço feliz, como quem conquistasse um prêmio.
Lindo encontro de narrativas! Livros que se complementam. Eu, se fosse você, faria o mesmo caminho. Leria primeiro o do David Coimbra, para mais tarde deliciar-se com o do Professor Freitas.
Imperdíveis! Só quero ver é você conseguir o seu exemplar desse mais raro. Olha, e nem vem pedir emprestado que esse não sai mais debaixo do meu travesseiro.
Depois não venha dizer que este blog chamado COISA DE GORDO não fala de comida. O assunto hoje foi lingüiça. Humana. Sensacional!
Silvano – o impossível – agora implicante
Crédito das imagens: Reprodução das capas
Crédito da foto: Silvano Marques


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Tava de atestado..

07 de fevereiro de 2012 0

…mas agora não estou mais. Portanto, voltamos a caminhar após breve pausa médica. O que interessa é que os desafios continuam e as caminhadas têm que ser feitas. Vamos juntos nessa. A oferta está de pé. Quer enviar a conta de suas caminhadas? Me envie que eu publico aqui.

Vamos lá, rapaziada..

Silvano – putz, voltou..

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