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Posts de março 2012

Coisa de Gordo - 535

29 de março de 2012 0

535 – Millôr Anysio

Não sei o que está acontecendo mas tem alguém lá em cima que está reunindo muita gente boa, gente inteligente, gente destacada, gente talentosa. Meu Deus (será que é ele que está fazendo isso?), como tem morrido gente que não podia morrer.

Essas duas últimas vieram de roldão. Morreu o Chico Anysio, o criador de tanta coisa! Morreu o talento interminável do Chico Anysio. Cresci assistindo a atuação dele na Globo, os personagens, os tipos caricatos, as invenções. E ele não ficava só nisso. Era autor de livros. Autor de músicas. Tenho vivas as canções que o personagem “Baiano” cantava junto com os “Novos Caetanos”. Ele se juntou ao Arnoud Rodrigues e compôs sucessos que embalaram o imaginário nacional daqueles tempos.

O Chico Anysio criou tantos personagens e tantos bordões que só os anos lhe farão justiça, à medida que nos formos lembrando de tantas criações dele nesta área. Ele fazia uma espécie de “stand up” nas noites de domingo, no Fantástico, uma crônica semanal. E aí vieram, entre centenas, o Azambuja, o Painho (“tô morta”), o Pantaleão (“é mentira, Terta?”), O Bozó (“eu trabalho na Globo”), o Divino (“Divino sabe”), o Silva (“eu sou bunitinho”), o Justo Veríssimo (“tenho nojo de pobre”), o Tavares (“Bisxxxxcoito, me traz a Caxxxcavel”), a Salomé (“te peguei no colo, guri”), o Haroldo (“olha que eu me rasgo toda!!”), o Alberto Roberto ( “eu sou um símbalo sescual”) e eu passaria a noite toda citando nomes e expressões aqui. Numa fase adiante ele veio com o Professor Raimundo (“e o salário, ó”) em cuja Escolinha os atores antigos e desempregados tinham uma espécie de sobrevida! Sucesso total.

Homem de muitos filhos e muitas mulheres, o Chico Anysio era tão “pegador” que uma jornalista gaúcha (Malga) foi ao Rio entrevistá-lo e ele não apenas concedeu a entrevista como SE CASOU com ela! Esse era o Chico! O cara que casou até com a Zélia Cardoso de Mello, ex-ministra! Numa de suas últimas entrevistas lhe perguntaram se ele temia morrer. Não tenho medo da morte, eu tenho é pena de morrer – disse ele. Foi-se um gênio nacional.

E mal nos recuperávamos da notícia da morte do Chico quando se avisou que morreu também o Millôr Fernandes! Bah, aí foi para liquidar! Nem nos deixaram respirar! Tô dizendo que tão organizando uma festa lá em cima. Festa cultural. Festa de criatividade.

O Millôr Fernandes era até este momento um mito na cultura nacional. Tendo sido egresso daquele movimento de esquerda que se nutriu da censura e das agruras da ditadura militar para fazer fama, o Millôr se diferenciou de todos os outros. Dessa turma vieram Ziraldo, Henfil, o irmão do Henfil, o Chico Buarque de Holanda, o Caetano, o Gil, o Luis Fernando Veríssimo, o João Bosco, o Jô Soares e tantos outros. Pois bem, com a assunção do Lula e do PT ao poder, toda essa catrefa se calou, parou de criticar, parou de fazer música nova, parou de redigir textos legais, caiu quase que num ostracismo criativo, por assim dizer. O Millôr se posicionou acima disso. O Millôr falava mal dos governos antes do Lula e do PT e continuou tirando sarro do governo com Lula, o PT, Dilma e quem mais lá estivesse. Cartunista de estilo inconfundível, autor de frases sensacionais, o Millôr continuou esbanjando talento ano após ano. Sou leitor assíduo do “saite” dele nas páginas do UOL, sou seu seguidor no Twitter, e a cada dia ele se superava, sua cabeça era uma espécie de baú da criatividade de onde nunca parava de sair coisa nova, coisa engraçada, coisa genial! Todos esses outros “intelectuais” reverenciaram essa capacidade do Millôr de persistir rindo após Lula, FH e fosse quem fosse.

Criador da Bíblia do Caos, dos Poemeus, criador de Haikais ,criador das Fábulas Fabulosas, criador do Instituto de Pesquisa da Universidade do Méier, do Dayli Millor, ícone do Pasquim, o Millôr nos deixa órfãos, nos deixa mais burros (como disse o Veríssimo), nos deixa mais sem graça. Sempre que algo acontecia a gente pensava: – O que será que o Millôr vai escrever sobre isso? Ele era uma referência, um ponto de vista sempre aguardado e nunca previsível. Era mais rápido do que o nosso pensamento. Diz-se que algumas pessoas são à frente dos tempos atuais, o Millôr era à frente do nosso tempo de raciocínio. A gente pensava que sabia o que ele ia escrever e ele já tinha mudado o texto, criado outra coisa nova, já tinha nos espantado mais uma vez! Essa coisa de traduzir expressões do inglês para o português com humor ele eternizou no livro THE COW WENT TO THE SWAMP (A Vaca foi pro Brejo), onde apôs incontáveis expressões nossas vertidas para o inglês com a lógica do absurdo.

Enfim, o céu parece estar bem mais divertido do que aqui! Esses dois que esta semana lá chegaram devem estar encantando os habitantes do paraíso.

Silvano – de luto cultural

Crédito das fotos: A do Millôr foi reproduzida do Milor Online, seu “saite”.

A do Chico foi reproduzida do G1.com

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Vamu lá, vamu lá...

29 de março de 2012 0

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Por que você corre?

23 de março de 2012 0

Muito legal este vídeo. Em que pese eu não seja um corredor, achei a idéia bem adequada aos dias de hoje.

Silvano


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Filé do Totonho

03 de março de 2012 2

Você se queixou que eu escrevo sobre filmes, livros, viagens e, com todos os diabos, por que esse blog se chama Coisa de Gordo. Assim, para acalmá-lo, hoje eu trago aqui uma receita de um filé delicioso.

Não é inédito para quem me lê, alguém vai lembrar, mas os pedidos vão e vem e resolvi recolocar este preparo aqui.

Na vez anterior foi mais texto, desta vez temos imagens ao vivo!

O preparo é simples e os ingredientes são mínimos.

Ingredientes:

- 1 filé bovino;

- um pote de nata;

- um pote de mostarda;

- bacon em fatias;

- sal

- eventualmente: aspargos, ou batatas, ou palmitos.

Preparo: salgue o filé a gosto já no prato que vai levá-lo ao forno. A seguir besunte ele todo com a mostarda.  Cubra o filem com as fatias de bacon. Se quiser acrescentar algo, nessa hora ponhas batatas em rodelas. Ou aspargos, etc. Leve ao forno.

Após um cozimento inicial, retire do forno e então aplique a nata sobre o filé.

De volta para o forno.

Essa mistura toda vai gerar um caldo delicioso, que deve ser comido com arroz, ou melhor ainda, fatias de pão de sanduíche. Um arraso!

Baita dica do Totonho, nosso amigo.

Veja o filme e se delicie.

Silvano – de volta ao fogão

Crédito da foto: Silvano Marques

Crédito do vídeo: Silvano Marques


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